{"id":6326,"date":"2023-09-01T18:51:30","date_gmt":"2023-09-01T17:51:30","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6326"},"modified":"2023-09-01T18:51:31","modified_gmt":"2023-09-01T17:51:31","slug":"a-supernova-mais-proxima-numa-decada-revela-como-as-explosoes-estelares-evoluem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/09\/01\/a-supernova-mais-proxima-numa-decada-revela-como-as-explosoes-estelares-evoluem\/","title":{"rendered":"A supernova mais pr\u00f3xima numa d\u00e9cada revela como as explos\u00f5es estelares evoluem"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/s3.amazonaws.com\/cms.ipressroom.com\/401\/files\/202308\/64ece4093d6332d82198a0cc_PinwheelSupernova-2023ixf+copy\/PinwheelSupernova-2023ixf+copy_3475ea95-33f2-4095-8a73-a21b5cb07ab0-prv.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/34eBt54w_o-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6327\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/34eBt54w_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/34eBt54w_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/34eBt54w_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/34eBt54w_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Gal\u00e1xia do Cata-vento, ou Messier 101, no dia 21 de maio de 2023, quatro dias ap\u00f3s a luz da supernova ter alcan\u00e7ado a Terra.<br>Cr\u00e9dito: Steven Bellavia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Alex Filippenko \u00e9 o tipo de pessoa que leva um telesc\u00f3pio para uma festa. Fiel a si pr\u00f3prio, num jantar a 18 de maio deste ano, impressionou os seus anfitri\u00f5es com imagens de enxames de estrelas e gal\u00e1xias coloridas &#8211; incluindo a dram\u00e1tica gal\u00e1xia espiral do Cata-vento (M101) &#8211; e tirou astrofotografias de cada um dos objetos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 ao fim da tarde seguinte \u00e9 que soube que uma supernova brilhante tinha acabado de ser descoberta na Gal\u00e1xia do Cata-vento. E eis que ele tamb\u00e9m a tinha captado, \u00e0s 23 horas da noite anterior &#8211; 11 horas e meia antes da descoberta da explos\u00e3o, a 19 de maio, pelo astr\u00f3nomo amador Koichi Itagaki, no Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Filippenko, professor de astronomia na Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, o estudante Sergiy Vasylyev e o p\u00f3s-doutorado Yi Yang, algumas horas mais tarde, abandonaram as observa\u00e7\u00f5es planeadas no Observat\u00f3rio Lick da Universidade da Calif\u00f3rnia, no Monte Hamilton, para se concentrarem na estrela que explodiu, que tinha sido apelidada de SN 2023ixf. Eles e centenas de outros astr\u00f3nomos estavam ansiosos por observar a supernova mais pr\u00f3xima desde 2014, a apenas 21 milh\u00f5es de anos-luz da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas observa\u00e7\u00f5es foram as medi\u00e7\u00f5es mais iniciais de sempre da luz polarizada de uma supernova, mostrando mais claramente a forma, em evolu\u00e7\u00e3o, de uma explos\u00e3o estelar. A polariza\u00e7\u00e3o da luz de fontes distantes, como supernovas, fornece a melhor informa\u00e7\u00e3o sobre a geometria do objeto que emite a luz, mesmo para eventos que n\u00e3o podem ser resolvidos espacialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Algumas estrelas, antes de explodirem, passam por ondula\u00e7\u00f5es &#8211; um comportamento irregular que ejeta suavemente algum do material &#8211; de modo que, quando a supernova explode, a onda de choque ou a radia\u00e7\u00e3o ultravioleta faz com que o material brilhe&#8221;, disse Filippenko. &#8220;O mais interessante da espetropolarimetria \u00e9 que obtemos algumas indica\u00e7\u00f5es sobre a forma e a extens\u00e3o do material circunstelar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da espetropolarimetria contaram uma hist\u00f3ria em linha com os cen\u00e1rios atuais para os anos finais de uma estrela supergigante vermelha cerca de 10 a 20 vezes mais massiva do que o nosso Sol: a energia da explos\u00e3o iluminou as nuvens de g\u00e1s que a estrela libertou durante os anos anteriores; a eje\u00e7\u00e3o perfurou ent\u00e3o este g\u00e1s, inicialmente perpendicular \u00e0 maior parte do material circunstelar; e finalmente, a eje\u00e7\u00e3o engoliu o g\u00e1s circundante e evoluiu para uma nuvem de detritos em r\u00e1pida expans\u00e3o, mas sim\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>A explos\u00e3o, uma supernova do Tipo II resultante do colapso do n\u00facleo de ferro de uma estrela massiva, presumivelmente deixou para tr\u00e1s uma densa estrela de neutr\u00f5es ou um buraco negro. Estas supernovas s\u00e3o utilizadas como velas calibr\u00e1veis para medir as dist\u00e2ncias a gal\u00e1xias distantes e para mapear o cosmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro grupo de astr\u00f3nomos liderado por Ryan Chornock, professor adjunto de astronomia da UC Berkeley, recolheu dados espectrosc\u00f3picos utilizando o mesmo telesc\u00f3pio no Observat\u00f3rio Lick. O estudante Wynn Jacobson-Gal\u00e1n e a professora Raffaella Margutti analisaram os dados para reconstruir a hist\u00f3ria pr\u00e9 e p\u00f3s-explos\u00e3o da estrela e encontraram evid\u00eancias de que esta tinha libertado g\u00e1s durante os tr\u00eas a seis anos anteriores ao colapso e explos\u00e3o. A quantidade de g\u00e1s libertado ou ejetado antes da explos\u00e3o pode corresponder a 5% da sua massa total &#8211; o suficiente para criar uma densa nuvem de material atrav\u00e9s da qual a eje\u00e7\u00e3o da supernova teve de lavrar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Penso que esta supernova vai fazer-nos pensar muito mais detalhadamente sobre as subtilezas de toda a popula\u00e7\u00e3o de supergigantes vermelhas que perdem muito material antes da explos\u00e3o e desafiar as nossas suposi\u00e7\u00f5es sobre a perda de massa&#8221;, disse Jacobson-Gal\u00e1n. &#8220;Este foi um laborat\u00f3rio perfeito para compreender mais pormenorizadamente a geometria destas explos\u00f5es e a geometria da perda de massa, algo que j\u00e1 nos fazia sentir ignorantes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma melhor compreens\u00e3o da forma como as supernovas de Tipo II evoluem pode ajudar a aperfei\u00e7oar a sua utiliza\u00e7\u00e3o como medidas de dist\u00e2ncia no Universo em expans\u00e3o, disse Vasylyev.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois artigos cient\u00edficos que descrevem estas observa\u00e7\u00f5es foram aceites para publica\u00e7\u00e3o na revista The Astrophysical Journal Letters. Margutti e Chornock s\u00e3o coautores de ambos os artigos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma das supernovas mais estudadas at\u00e9 \u00e0 data<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos mais de tr\u00eas meses que decorreram desde que a luz da supernova chegou \u00e0 Terra, foram submetidos ou publicados cerca de tr\u00eas d\u00fazias de artigos cient\u00edficos sobre a mesma e mais vir\u00e3o \u00e0 medida que a luz da explos\u00e3o continua a chegar e que as observa\u00e7\u00f5es de uma variedade de telesc\u00f3pios s\u00e3o analisadas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/81\/d4\/ifCNfOxO_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/81\/d4\/ifCNfOxO_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma imagem da supernova SN 2023ixf obtida pelo KAIT (Katzman Automatic Imaging Telescope) no Observat\u00f3rio Lick.<br>Cr\u00e9dito: WeiKang Zheng e Alex Filippenko\/UC Berkeley<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8220;No mundo das supernovas de Tipo II, \u00e9 muito raro serem detetados basicamente todos os comprimentos de onda, desde os raios X, passando pelo ultravioleta, \u00f3tico, infravermelho pr\u00f3ximo, r\u00e1dio e pelos milim\u00e9tricos. Trata-se, portanto, de uma oportunidade rara e \u00fanica&#8221;, disse Margutti, professora de f\u00edsica e de astronomia em Berkeley. &#8220;Estes artigos cient\u00edficos s\u00e3o o come\u00e7o de uma hist\u00f3ria, o primeiro cap\u00edtulo. Agora estamos a escrever os outros cap\u00edtulos da hist\u00f3ria dessa estrela&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A grande quest\u00e3o aqui \u00e9 que queremos relacionar o modo como uma estrela vive com a forma como uma estrela morre&#8221;, disse Chornock. &#8220;Dada a proximidade deste acontecimento, ele permitir-nos-\u00e1 desafiar as hip\u00f3teses simplificadoras que temos de fazer na maioria das outras supernovas que estudamos. Temos uma tal riqueza de pormenores que vamos ter de descobrir como encaixar tudo para compreender este objeto em particular, o que nos ajudar\u00e1 a compreender o Universo em geral&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os telesc\u00f3pios do Observat\u00f3rio Lick, situados no topo do Monte Hamilton, perto de San Jose, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia, foram fundamentais para os esfor\u00e7os dos astr\u00f3nomos no sentido de obterem uma imagem completa da supernova. O espetr\u00f3grafo Kast no telesc\u00f3pio Shane de 120 polegadas \u00e9 capaz de mudar rapidamente de um espetr\u00f3metro normal para um espetropolar\u00edmetro, o que permitiu a Vasylyev e a Filippenko obterem medi\u00e7\u00f5es do espetro e da sua polariza\u00e7\u00e3o. O grupo liderado por Jacobson-Gal\u00e1n, Chornock e Margutti utilizou tanto o espetr\u00f3grafo Kast como o fot\u00f3metro do telesc\u00f3pio Nickel de 40 polegadas, com fotometria (medi\u00e7\u00f5es de brilho) tamb\u00e9m do telesc\u00f3pio Pan-STARRS no Hawaii atrav\u00e9s da colabora\u00e7\u00e3o YSE (Young Supernova Experiment).<\/p>\n\n\n\n<p>A polariza\u00e7\u00e3o da luz emitida por um objeto &#8211; ou seja, a orienta\u00e7\u00e3o do campo el\u00e9trico da onda eletromagn\u00e9tica &#8211; cont\u00e9m informa\u00e7\u00e3o sobre a forma do objeto. A luz de uma nuvem esfericamente sim\u00e9trica, por exemplo, n\u00e3o seria polarizada porque os campos el\u00e9tricos cancelam-se simetricamente. A luz de um objeto alongado, no entanto, produziria uma polariza\u00e7\u00e3o diferente de zero.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as medi\u00e7\u00f5es de polarimetria das supernovas j\u00e1 sejam feitas h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, poucas supernovas est\u00e3o suficientemente perto &#8211; e s\u00e3o, portanto, suficientemente brilhantes &#8211; para tais medi\u00e7\u00f5es. E nenhuma outra supernova foi observada t\u00e3o cedo quanto 1,4 dias p\u00f3s-explos\u00e3o, como no caso de SN 2023ixf.<\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es revelaram algumas surpresas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A coisa mais excitante \u00e9 que esta supernova mostra uma polariza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua muito elevada, quase 1%, nos primeiros tempos&#8221;, disse Vasylyev. &#8220;Parece um n\u00famero pequeno, mas na verdade \u00e9 um enorme desvio da simetria esf\u00e9rica&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/42\/87\/ESuZhCkG_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/42\/87\/ESuZhCkG_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os astr\u00f3nomos da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley deduziram estes tr\u00eas passos na evolu\u00e7\u00e3o da explos\u00e3o a partir da mudan\u00e7a de polarimetria que observaram no Observat\u00f3rio Lick. Antes de cerca de 2,5 dias ap\u00f3s a explos\u00e3o, o material ejetado da supernova ainda estava encerrado no meio circunstelar denso e asf\u00e9rico (esquerda). Depois, entre os dias 2,5 e 4,6, o material asf\u00e9rico da supernova emergiu (centro), expandindo-se gradualmente ap\u00f3s o dia 4,6 para engolir o material circundante (direita).<br>Cr\u00e9dito: Sergiy Vasylyev, Yi Yang e Alex Filippenko\/UC Berkeley<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Com base na mudan\u00e7a de intensidade e dire\u00e7\u00e3o da polariza\u00e7\u00e3o, os investigadores foram capazes de identificar tr\u00eas fases distintas na evolu\u00e7\u00e3o da estrela que explodiu. Entre um e tr\u00eas dias ap\u00f3s a explos\u00e3o, a luz era dominada por emiss\u00e3o no meio circunstelar, talvez um disco de material ou uma bolha de g\u00e1s libertada anteriormente pela estrela. Isto deve-se \u00e0 ioniza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s circundante pela luz ultravioleta e pelos raios X da explos\u00e3o e pelo material estelar que atravessa o g\u00e1s, a chamada ioniza\u00e7\u00e3o de choque.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Desde o in\u00edcio, estamos a dizer que a maior parte da luz que estamos a ver prov\u00e9m de uma esp\u00e9cie de meio circunstelar n\u00e3o esf\u00e9rico que est\u00e1 confinado algures at\u00e9 30 UA&#8221;, disse Yang. Uma unidade astron\u00f3mica (UA), a dist\u00e2ncia m\u00e9dia entre a Terra e o nosso Sol, equivale a 150 milh\u00f5es de quil\u00f3metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 3,5 dias, a polariza\u00e7\u00e3o caiu rapidamente para metade e, um dia depois, deslocou-se quase 70 graus, o que implica uma mudan\u00e7a abrupta na geometria da explos\u00e3o. Interpretam este momento, 4,6 dias ap\u00f3s a explos\u00e3o, como o momento em que o material ejetado da explos\u00e3o estelar se separou do denso material circunstelar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essencialmente, envolve o material circunstelar e obt\u00e9m-se esta geometria em forma de amendoim&#8221;, disse Vasylyev. &#8220;A intui\u00e7\u00e3o \u00e9 que o material no plano equatorial \u00e9 mais denso e a eje\u00e7\u00e3o torna-se mais lenta e o caminho de menor resist\u00eancia ser\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o ao eixo onde h\u00e1 menos material circunstelar. \u00c9 por isso que se obt\u00e9m esta forma de amendoim alinhada com o eixo preferencial atrav\u00e9s do qual explode&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A polariza\u00e7\u00e3o manteve-se inalterada entre o 5.\u00ba e o 14.\u00ba dia ap\u00f3s a explos\u00e3o, o que implica que o material ejetado em expans\u00e3o tinha dominado a regi\u00e3o mais densa do g\u00e1s circundante, permitindo que a emiss\u00e3o dos detritos dominasse a luz da ioniza\u00e7\u00e3o de choque.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ioniza\u00e7\u00e3o de choque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o espetrosc\u00f3pica concordou aproximadamente com este cen\u00e1rio, disse Jacobson-Gal\u00e1n. Jacobson-Gal\u00e1n e a sua equipa observaram emiss\u00f5es do g\u00e1s que rodeava a estrela cerca de um dia ap\u00f3s a explos\u00e3o, provavelmente produzidas quando o material ejetado embateu no meio circunstelar e produziu radia\u00e7\u00e3o ionizante que fez com que o g\u00e1s circundante emitisse luz. As medi\u00e7\u00f5es espetrosc\u00f3picas da luz desta ioniza\u00e7\u00e3o de choque mostraram linhas de emiss\u00e3o de hidrog\u00e9nio, h\u00e9lio, carbono e azoto, o que \u00e9 t\u00edpico das supernovas de colapso do n\u00facleo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/04\/a8\/NO3Awur6_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/04\/a8\/NO3Awur6_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O espetro \u00f3tico da supernova 2,6 dias ap\u00f3s a explos\u00e3o inicial, quando os detritos estelares estavam a atravessar o g\u00e1s \u00e0 volta da estrela. O gr\u00e1fico da intensidade da luz vs. comprimento de onda mostra picos ou linhas de emiss\u00e3o de elementos ionizados no material circunstelar iluminado pela onda de choque da supernova. Estas elementos da emiss\u00e3o &#8211; hidrog\u00e9nio, h\u00e9lio, carbono e azoto &#8211; s\u00e3o caracter\u00edsticos das supernovas de colapso do n\u00facleo, mas desvanecem \u00e0 medida que a supernova se desloca para material circunstelar de menor densidade.<br>Cr\u00e9dito: Wynn Jacobson-Gal\u00e1n, Ryan Chornock, Raffaella Margutti\/UC Berkeley<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>As emiss\u00f5es produzidas pela ioniza\u00e7\u00e3o de choque continuaram durante cerca de oito dias, ap\u00f3s os quais diminu\u00edram, indicando que a onda de choque se tinha deslocado para uma \u00e1rea menos densa do espa\u00e7o, com pouco g\u00e1s para ionizar e reemitir, \u00e0 semelhan\u00e7a do que Vasylyev e Filippenko observaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Margutti real\u00e7ou que outros astr\u00f3nomos olharam para imagens de arquivo da Gal\u00e1xia do Cata-vento e encontraram v\u00e1rias ocasi\u00f5es em que a estrela progenitora aumentou de brilho nos anos anteriores \u00e0 explos\u00e3o, sugerindo que a supergigante vermelha libertou g\u00e1s repetidamente. Isto \u00e9 consistente com as observa\u00e7\u00f5es do seu grupo de material ejetado da explos\u00e3o a atravessar este g\u00e1s, embora estimem uma densidade cerca de 1000 vezes inferior \u00e0 impl\u00edcita nas ondula\u00e7\u00f5es pr\u00e9-explos\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise de outras observa\u00e7\u00f5es, incluindo medi\u00e7\u00f5es de raios X, poder\u00e1 resolver esta quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o muito especial em que sabemos o que a progenitora estava a fazer antes, porque a vimos a oscilar lentamente e temos tudo o que precisamos para tentar reconstruir a geometria do meio circunstelar&#8221;, disse. &#8220;E sabemos de facto que n\u00e3o pode ser esf\u00e9rica. Se juntarmos os raios X radiantes com o que o Wynn encontrou e o que o Sergiy e o Alex est\u00e3o a encontrar, poderemos ter uma imagem completa da explos\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos reconheceram a ajuda de in\u00fameros investigadores e estudantes que abdicaram do seu tempo de observa\u00e7\u00e3o no Lick para permitir que as equipas se concentrassem na supernova SN 2023ixf e a assist\u00eancia observacional de Thomas Brink, especialista em astronomia da UC Berkeley.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/a2\/b0\/FQyOL3PP_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/a2\/b0\/FQyOL3PP_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A fotografia da Gal\u00e1xia do Cata-vento e da supernova obtida no dia 18 de maio por Alex Filippenko, mais de 11 horas antes de ser descoberta. Filippenko, que captou a foto com o seu telesc\u00f3pio Unistellar eVscope, s\u00f3 se apercebeu da supernova ap\u00f3s a descoberta de SN 2023ixf ter sido anunciada no dia 19 de maio. A supernova \u00e9 o objeto t\u00e9nue assinalado com a pequena seta, localizado na zona perif\u00e9rica da gal\u00e1xia.<br>Cr\u00e9dito: Alex Filippenko\/UC Berkeley<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Filippenko captou a sua primeira fotografia de SN 2023ixf com um Unistellar eVscope, que se tornou popular entre os amadores porque o telesc\u00f3pio subtrai a luz de fundo, permitindo assim a observa\u00e7\u00e3o noturna em \u00e1reas como cidades, com muita polui\u00e7\u00e3o luminosa. Ele e 123 outros astr\u00f3nomos &#8211; na sua maioria amadores &#8211; que utilizam telesc\u00f3pios Unistellar publicaram recentemente as suas primeiras observa\u00e7\u00f5es da supernova.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta observa\u00e7\u00e3o fortuita, obtida durante a realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica em astronomia, mostra que a estrela explodiu consideravelmente mais cedo do que quando Itagaki a descobriu&#8221;, disse, acrescentando em tom de brincadeira: &#8220;Eu devia ter examinado imediatamente os meus dados!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.berkeley.edu\/2023\/08\/29\/releases-20230828-6895045\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2307.01268\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2306.04721\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>SN 2023ixf:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SN_2023ixf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.wis-tns.org\/object\/2023ixf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transient Name Server<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supernova:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_II_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Supernova do Tipo II (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supergigante vermelha:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_supergiant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gal\u00e1xia do Cata-vento (M101):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pinwheel_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/m\/m101.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.constellation-guide.com\/pinwheel-galaxy-messier-101\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Constellation Guide<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio Lick:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/mthamilton.ucolick.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lick_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pan-STARRS:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/panstarrs.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pan-STARRS\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Gal\u00e1xia do Cata-vento, ou Messier 101, no dia 21 de maio de 2023, quatro dias ap\u00f3s a luz da supernova ter alcan\u00e7ado a Terra.Cr\u00e9dito: Steven Bellavia Alex Filippenko \u00e9 o tipo de pessoa que leva um telesc\u00f3pio para uma festa. 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