{"id":6319,"date":"2023-08-29T06:27:35","date_gmt":"2023-08-29T05:27:35","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6319"},"modified":"2023-08-29T06:27:35","modified_gmt":"2023-08-29T05:27:35","slug":"solar-orbiter-descobre-pequenos-jatos-que-podem-alimentar-o-vento-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/08\/29\/solar-orbiter-descobre-pequenos-jatos-que-podem-alimentar-o-vento-solar\/","title":{"rendered":"Solar Orbiter descobre pequenos jatos que podem alimentar o vento solar"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2023\/08\/tiny_jets_escape_the_sun\/25046565-1-eng-GB\/Tiny_jets_escape_the_Sun.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/OJfKIb1O_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6320\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/OJfKIb1O_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/OJfKIb1O_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/OJfKIb1O_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/OJfKIb1O_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Este mosaico de imagens mostra uma multiplicidade de pequenos jatos de material que escapam da atmosfera exterior do Sol. As imagens s\u00e3o da nave espacial Solar Orbiter da ESA\/NASA. Neste mosaico, aparecem como riscas escuras sobre a superf\u00edcie solar. As imagens s\u00e3o &#8220;negativas&#8221;, o que significa que embora os jatos sejam apresentados como escuros, s\u00e3o flashes brilhantes contra a superf\u00edcie solar. Cada jato dura entre 20 e 100 segundos e expele part\u00edculas carregadas, conhecidas como plasma, a cerca de 100 km\/s. Estes fen\u00f3menos podem ser a fonte, h\u00e1 muito procurada, do &#8220;vento solar&#8221;, o fluxo constante de part\u00edculas carregadas que vem do Sol e atravessa o Sistema Solar. Nesta cole\u00e7\u00e3o de imagens, o polo sul do Sol est\u00e1 \u00e0 esquerda.<br>Cr\u00e9dito: ESA e NASA\/Solar Orbiter\/Equipa EUI; reconhecimento &#8211; Lakshmi Pradeep Chitta, Instituto Max Planck para a Investiga\u00e7\u00e3o do Sistema Solar<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sonda espacial Solar Orbiter da ESA\/NASA descobriu uma multiplicidade de pequenos jatos de material que escapam da atmosfera exterior do Sol. Cada jato dura entre 20 e 100 segundos e expele plasma a cerca de 100 km\/s. Estes jatos poder\u00e3o ser a fonte, h\u00e1 muito procurada, do vento solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vento solar \u00e9 constitu\u00eddo por part\u00edculas carregadas, conhecidas como plasma, que escapam continuamente do Sol. Propaga-se para o exterior atrav\u00e9s do espa\u00e7o interplanet\u00e1rio, colidindo com tudo o que se encontra no seu caminho. Quando o vento solar colide com o campo magn\u00e9tico da Terra, produz as auroras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o vento solar seja uma carater\u00edstica fundamental do Sol, a compreens\u00e3o de como e onde \u00e9 gerado perto do Sol tem-se revelado ilus\u00f3ria e tem sido um foco chave de estudo durante d\u00e9cadas. Agora, gra\u00e7as \u00e0 sua instrumenta\u00e7\u00e3o superior, a Solar Orbiter deu um importante passo em frente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados prov\u00eam do instrumento EUI (Extreme Ultraviolet Imager) da Solar Orbiter. As imagens do polo sul do Sol, obtidas pelo EUI no dia 30 de mar\u00e7o de 2022, revelam uma popula\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas t\u00e9nues e de curta dura\u00e7\u00e3o que est\u00e3o associadas a pequenos jatos de plasma ejetados da atmosfera do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;S\u00f3 foi poss\u00edvel detetar estes pequenos jatos gra\u00e7as \u00e0s imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o e alta cad\u00eancia sem precedentes produzidas pelo EUI&#8221;, afirma Lakshmi Pradeep Chitta, do Instituto Max Planck para a Investiga\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, Alemanha, e principal autor do artigo que descreve este trabalho. Em particular, as imagens foram obtidas no canal ultravioleta extremo do gerador de imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o do EUI, que observa plasma solar com milh\u00f5es de graus a um comprimento de onda de 17,4 nan\u00f3metros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De particular import\u00e2ncia \u00e9 o facto de a an\u00e1lise mostrar que estas caracter\u00edsticas s\u00e3o provocadas pela expuls\u00e3o de plasma da atmosfera solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 d\u00e9cadas que os investigadores sabem que uma fra\u00e7\u00e3o significativa do vento solar est\u00e1 associada a estruturas magn\u00e9ticas chamadas buracos coronais &#8211; regi\u00f5es onde o campo magn\u00e9tico do Sol n\u00e3o se volta para o Sol. Em vez disso, o campo magn\u00e9tico estende-se at\u00e9 \u00e0s profundezas do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O plasma pode fluir ao longo destas linhas &#8220;abertas&#8221; do campo magn\u00e9tico, dirigindo-se para o Sistema Solar, criando o vento solar. Mas a quest\u00e3o era: como \u00e9 que o plasma \u00e9 lan\u00e7ado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pressuposto tradicional era que, devido ao facto da coroa solar ser quente, se expandiria naturalmente e uma parte dela escaparia ao longo das linhas de campo. Mas estes novos resultados analisam o buraco coronal situado no polo sul do Sol e os jatos individuais revelados desafiam o pressuposto de que o vento solar \u00e9 produzido apenas num fluxo cont\u00ednuo e constante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Um dos resultados aqui \u00e9 que, em grande medida, este fluxo n\u00e3o \u00e9 realmente uniforme, a ubiquidade dos jatos sugere que o vento solar dos buracos coronais pode ter origem num fluxo altamente intermitente&#8221;, diz Andrei Zhukov, do Observat\u00f3rio Real da B\u00e9lgica, um colaborador do trabalho que liderou a campanha de observa\u00e7\u00e3o da Solar Orbiter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A energia associada a cada jato individual \u00e9 pequena. No extremo superior dos fen\u00f3menos coronais est\u00e3o as erup\u00e7\u00f5es solares de classe X e no extremo inferior est\u00e3o as chamadas nanoerup\u00e7\u00f5es. H\u00e1 mil milh\u00f5es de vezes mais energia numa erup\u00e7\u00e3o de classe X do que numa nanoerup\u00e7\u00e3o. Os min\u00fasculos jatos descobertos pela Solar Orbiter s\u00e3o ainda menos energ\u00e9ticos do que isso, manifestando cerca de mil vezes menos energia do que uma nanoerup\u00e7\u00e3o e canalizando a maior parte dessa energia para a expuls\u00e3o do plasma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ubiquidade destes jatos, que as novas observa\u00e7\u00f5es denotam, sugere que est\u00e3o a expulsar uma fra\u00e7\u00e3o substancial do material que vemos no vento solar. E podem haver eventos ainda mais pequenos e mais frequentes que forne\u00e7am ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Penso que \u00e9 um passo significativo para encontrar algo no disco que est\u00e1 certamente a contribuir para o vento solar&#8221;, diz David Berghmans, do Observat\u00f3rio Real da B\u00e9lgica e investigador principal do instrumento EUI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, a Solar Orbiter ainda est\u00e1 a orbitar o Sol perto do seu equador. Por isso, nestas observa\u00e7\u00f5es, o EUI est\u00e1 a olhar para o polo sul num \u00e2ngulo rasante.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/10\/solar_orbiter2\/21087516-1-eng-GB\/Solar_Orbiter.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/1e\/d7\/RLJmKucD_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista da Solar Orbiter numa \u00f3rbita interior \u00e0 de Merc\u00fario.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/ATG medialab<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 mais dif\u00edcil medir algumas das propriedades destes jatos min\u00fasculos quando os vemos de lado, mas dentro de alguns anos vamos v\u00ea-los de uma perspetiva diferente da de qualquer outro telesc\u00f3pio ou observat\u00f3rio, o que, em conjunto, dever\u00e1 ajudar muito&#8221;, diz Daniel M\u00fcller, cientista do projeto Solar Orbiter na ESA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto porque, \u00e0 medida que a miss\u00e3o prossegue, a nave espacial ir\u00e1 inclinar gradualmente a sua \u00f3rbita em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s regi\u00f5es polares. Ao mesmo tempo, a atividade do Sol ir\u00e1 progredir ao longo do ciclo solar e os buracos coronais come\u00e7ar\u00e3o a aparecer em muitas latitudes diferentes, fornecendo uma nova perspetiva \u00fanica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os envolvidos estar\u00e3o ansiosos por ver que novos conhecimentos podem recolher, porque este trabalho vai para al\u00e9m do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sol \u00e9 a \u00fanica estrela cuja atmosfera podemos observar com tanto pormenor, mas \u00e9 prov\u00e1vel que o mesmo processo funcione tamb\u00e9m noutras estrelas. Este facto transforma estas observa\u00e7\u00f5es na descoberta de um processo astrof\u00edsico fundamental.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Coronal hole in the Sun\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IYtjtjvbh5Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Solar_Orbiter\/Solar_Orbiter_discovers_tiny_jets_that_could_power_the_solar_wind\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mps.mpg.de\/tiny-plasma-jets-power-the-solar-wind\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck para a Investiga\u00e7\u00e3o do Sistema Solar (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.ade5801\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2308.13044\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-023-02668-5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nature<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/rapid-tiny-jets-solar-orbiter-wind-power\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.popsci.com\/science\/tiny-jets-solar-wind\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Popular Science<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-08-solar-orbiter-tiny-jets-power.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2389041-solar-wind-that-blasts-from-sun-may-be-driven-by-tiny-plasma-flares\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.zmescience.com\/science\/news-science\/where-does-solar-wind-come-from\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ZME Science<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/scientists-solve-mystery-source-solar-winds-1822127\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/science\/sun-observing-spacecraft-sheds-light-solar-winds-origin-2023-08-24\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Reuters<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2023\/08\/24\/world\/solar-orbiter-sun-jets-solar-wind-scn\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.engadget.com\/the-solar-orbiter-spacecraft-may-have-discovered-what-powers-solar-winds-114504839.html?guccounter=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">engadget<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sol:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sun\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_wind\" target=\"_blank\">Vento solar (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Solar Orbiter:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/solar-orbiter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/solar-orbiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_Orbiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este mosaico de imagens mostra uma multiplicidade de pequenos jatos de material que escapam da atmosfera exterior do Sol. 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