{"id":6309,"date":"2023-08-25T06:19:07","date_gmt":"2023-08-25T05:19:07","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6309"},"modified":"2023-08-25T06:19:08","modified_gmt":"2023-08-25T05:19:08","slug":"um-buraco-negro-gigante-destroi-uma-estrela-massiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/08\/25\/um-buraco-negro-gigante-destroi-uma-estrela-massiva\/","title":{"rendered":"Um buraco negro gigante destr\u00f3i uma estrela massiva"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/tde.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"739\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/6MDbVSIH_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6310\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/6MDbVSIH_o.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/6MDbVSIH_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/6MDbVSIH_o-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta ilustra\u00e7\u00e3o art\u00edstica mostra o rescaldo do &#8220;evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s&#8221; denominado ASASSN-14li, em que uma estrela foi despeda\u00e7ada depois de se aproximar demasiado de um buraco negro supermassivo. Depois da estrela ter sido despeda\u00e7ada, parte do seu g\u00e1s (vermelho) orbitou e caiu no buraco negro, enquanto uma parte do g\u00e1s foi expulsa por um vento (azul). Os cientistas utilizaram um espetro de raios X do Chandra para sondar os elementos contidos neste vento, incluindo a dete\u00e7\u00e3o de azoto. Os dados de raios X indicam que a estrela do evento ASASSN-14li tinha cerca de tr\u00eas vezes a massa do Sol, o que faz dela uma das maiores estrelas j\u00e1 conhecidas a ser destru\u00edda num evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/CXC\/Universidade de Michigan\/J. Miller et al.; ilustra\u00e7\u00e3o &#8211; NASA\/CXC\/M.Weiss<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos fizeram um estudo forense minucioso de uma estrela que foi dilacerada quando se aventurou demasiado perto de um buraco negro gigante e depois teve as suas entranhas atiradas para o espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Observat\u00f3rio de raios X Chandra da NASA e o XMM-Newton da ESA estudaram a quantidade de azoto e de carbono perto de um buraco negro que se sabe ter despeda\u00e7ado uma estrela. Os astr\u00f3nomos pensam que estes elementos foram criados no interior da estrela antes desta se ter despeda\u00e7ado ao aproximar-se do buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos a ver as entranhas do que costumava ser uma estrela&#8221;, disse Jon Miller, da Universidade de Michigan, que liderou o estudo. &#8220;Os elementos deixados para tr\u00e1s s\u00e3o pistas que podemos seguir para descobrir que tipo de estrela encontrou o seu fim&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, os astr\u00f3nomos t\u00eam encontrado muitos exemplos de &#8220;eventos de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s&#8221;, em que as for\u00e7as gravitacionais de um buraco negro massivo destroem uma estrela. Isto provoca uma erup\u00e7\u00e3o, frequentemente observada no vis\u00edvel, no ultravioleta e em raios X, \u00e0 medida que os detritos da estrela s\u00e3o aquecidos. Este evento, denominado ASASSN-14li, destaca-se por v\u00e1rias raz\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 altura da descoberta, em novembro de 2014, foi a perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s mais pr\u00f3xima da Terra (290 milh\u00f5es de anos-luz) descoberta numa d\u00e9cada. Devido a esta proximidade, ASASSN-14li forneceu um n\u00edvel extraordin\u00e1rio de pormenores sobre a estrela destru\u00edda. A equipa de Miller aplicou novos modelos te\u00f3ricos para fazer melhores estimativas, em compara\u00e7\u00e3o com trabalhos anteriores, da quantidade de azoto e carbono em torno do buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estes telesc\u00f3pios de raios X podem ser usados como ferramentas forenses no espa\u00e7o&#8221;, disse a coautora Brenna Mockler dos Observat\u00f3rios Carnegie e da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Los Angeles. &#8220;A quantidade relativa de azoto e carbono que encontr\u00e1mos aponta para material do interior de uma estrela condenada com cerca de tr\u00eas vezes a massa do Sol.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A estrela do evento ASASSN-14li \u00e9, portanto, uma das mais massivas &#8211; talvez a mais massiva &#8211; que os astr\u00f3nomos viram ser destru\u00edda por um buraco negro at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;ASASSN-14li \u00e9 excitante porque uma das coisas mais dif\u00edceis com as perturba\u00e7\u00f5es de mar\u00e9s \u00e9 ser capaz de medir a massa da estrela azarada, como fizemos aqui,&#8221; disse o coautor Enrico Ramirez-Ruiz da Universidade da Calif\u00f3rnia, Santa Cruz. &#8220;Observar a destrui\u00e7\u00e3o de uma estrela massiva, por um buraco negro supermassivo, \u00e9 fascinante porque se espera que as estrelas mais massivas sejam significativamente menos comuns do que as estrelas de menor massa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio deste ano, outra equipa de astr\u00f3nomos relatou o acontecimento &#8220;Barbie assustadora&#8221;, em que estimaram que uma estrela com cerca de 14 vezes a massa do Sol foi destru\u00edda por um buraco negro. No entanto, este fen\u00f3meno ainda n\u00e3o foi confirmado como uma perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s, com a estimativa da massa da estrela a basear-se principalmente no brilho da erup\u00e7\u00e3o e n\u00e3o numa an\u00e1lise detalhada do material em torno do buraco negro, como no caso de ASASSN-14li.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspeto interessante do resultado de ASASSN-14li \u00e9 o que significa para estudos futuros. Os astr\u00f3nomos observaram estrelas moderadamente massivas como ASASSN-14li no enxame estelar que cont\u00e9m o buraco negro supermassivo no centro da nossa Gal\u00e1xia. Por conseguinte, a capacidade de estimar as massas estelares de estrelas perturbadas pelas mar\u00e9s pode dar aos astr\u00f3nomos uma forma de identificar a presen\u00e7a de enxames estelares em torno de buracos negros supermassivos em gal\u00e1xias mais distantes.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 este estudo, havia uma forte possibilidade de que os elementos observados em raios X pudessem ser provenientes de g\u00e1s libertado em erup\u00e7\u00f5es anteriores do buraco negro supermassivo. O padr\u00e3o de elementos aqui analisado, no entanto, parece ter vindo de uma \u00fanica estrela.<\/p>\n\n\n\n<p>Um trabalho anterior, publicado em 2017 por Chenwie Yang, da Universidade de Ci\u00eancia e Tecnologia de Hefei, na China, utilizou dados ultravioletas do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA para mostrar que h\u00e1 mais azoto do que carbono em ASASSN-14li, mas em menor quantidade do que a equipa de Miller encontrou utilizando dados de raios X. Esses autores calcularam que a estrela tinha apenas uma massa equivalente a 0,6 s\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo artigo cient\u00edfico foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de 20 de agosto de 2023 da revista The Astrophysical Journal Letters e est\u00e1 dispon\u00edvel online. Os outros autores do artigo, para al\u00e9m de Miller, Mockler e Ramirez-Ruiz, s\u00e3o Paul Draghis (Universidade de Michigan), Jeremy Drake (Centro para Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian), John Raymond (CfA), Mark Reynolds (Universidade de Michigan), Xin Xiang (Universidade de Michigan), Sol Bin Yun (Universidade de Michigan) e Abderahmen Zoghbi (Universidade de Maryland).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Quick Look: A Giant Black Hole Destroys a Massive Star\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zR4dfEYSnUI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/chandra\/news\/a-giant-black-hole-destroys-a-massive-star.html\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/chandra.si.edu\/press\/23_releases\/press_082223.html\" target=\"_blank\">\/\/ Chandra\/Harvard (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.umich.edu\/a-giant-black-hole-destroys-a-massive-star\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ace03c\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2308.10964\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/supermassive-black-hole-giant-star-guts-tidal-disruption-event\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-08-giant-black-hole-destroys-massive.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buraco negro:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Tidal_disruption_event\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASAS-SN:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.astronomy.ohio-state.edu\/~assassin\/index.shtml\">P\u00e1gina oficial (Universidade Estatal do Ohio)<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/All_Sky_Automated_Survey_for_SuperNovae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio de raios X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio XMM-Newton:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/xmm-newton\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/XMM-Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta ilustra\u00e7\u00e3o art\u00edstica mostra o rescaldo do &#8220;evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s&#8221; denominado ASASSN-14li, em que uma estrela foi despeda\u00e7ada depois de se aproximar demasiado de um buraco negro supermassivo. 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