{"id":6288,"date":"2023-08-18T06:14:40","date_gmt":"2023-08-18T05:14:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6288"},"modified":"2023-08-18T06:14:40","modified_gmt":"2023-08-18T05:14:40","slug":"energia-escura-pode-ser-medida-atraves-do-estudo-da-nossa-galaxia-vizinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/08\/18\/energia-escura-pode-ser-medida-atraves-do-estudo-da-nossa-galaxia-vizinha\/","title":{"rendered":"Energia escura pode ser medida atrav\u00e9s do estudo da nossa gal\u00e1xia vizinha"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/noVsaaVP_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/noVsaaVP_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6289\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/noVsaaVP_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/noVsaaVP_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/noVsaaVP_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/noVsaaVP_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista da colis\u00e3o prevista entre a Via L\u00e1ctea e a Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, Z. Levay e R. van der Marel, STScI, T. Hallas e A. Mellinger<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores descobriram uma nova forma de medir a energia escura &#8211; a for\u00e7a misteriosa que constitui mais de dois-ter\u00e7os do Universo e \u00e9 respons\u00e1vel pela sua expans\u00e3o acelerada &#8211; no nosso pr\u00f3prio quintal c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores da Universidade de Cambridge descobriram que pode ser poss\u00edvel detetar e medir a energia escura estudando a Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda, a nossa vizinha que est\u00e1 em rota de colis\u00e3o lenta com a Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que foi identificada pela primeira vez no final dos anos 90 que os cientistas t\u00eam usado gal\u00e1xias muito distantes para estudar a energia escura, mas ainda n\u00e3o a conseguiram detetar diretamente. No entanto, os investigadores de Cambridge descobriram que, ao estudar a forma como Andr\u00f3meda e a Via L\u00e1ctea se movem uma em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 outra, tendo em conta a sua massa coletiva, podiam estabelecer um limite superior para o valor da constante cosmol\u00f3gica, que \u00e9 o modelo mais simples da energia escura. O limite superior que encontraram \u00e9 cinco vezes superior ao valor da constante cosmol\u00f3gica que pode ser detetado no Universo primitivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a t\u00e9cnica esteja ainda numa fase inicial de desenvolvimento, os investigadores afirmam que poder\u00e1 ser poss\u00edvel detetar a energia escura atrav\u00e9s do estudo da nossa pr\u00f3pria vizinhan\u00e7a c\u00f3smica. Os resultados foram apresentados na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo o que podemos ver no nosso mundo e nos c\u00e9us &#8211; desde pequenos insetos a gal\u00e1xias gigantescas &#8211; constitui apenas cinco por cento do Universo observ\u00e1vel. O resto \u00e9 escuro: os cientistas pensam que cerca de 27% do Universo \u00e9 constitu\u00eddo por mat\u00e9ria escura, que mant\u00e9m os objetos unidos, enquanto 68% \u00e9 energia escura, que afasta os objetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A energia escura \u00e9 um nome gen\u00e9rico para uma fam\u00edlia de modelos que se podem acrescentar \u00e0 teoria da gravidade de Einstein&#8221;, disse o primeiro autor, David Benisty, do Departamento de Matem\u00e1tica Aplicada e F\u00edsica Te\u00f3rica. &#8220;A vers\u00e3o mais simples deste modelo \u00e9 conhecida como a constante cosmol\u00f3gica: uma densidade de energia constante que afasta as gal\u00e1xias umas das outras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constante cosmol\u00f3gica foi temporariamente acrescentada por Einstein \u00e0 sua teoria da relatividade geral. Entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1990, a constante cosmol\u00f3gica foi fixada em zero, at\u00e9 se descobrir que uma for\u00e7a desconhecida &#8211; a energia escura &#8211; estava a provocar a acelera\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o do Universo. No entanto, h\u00e1 pelo menos dois grandes problemas com a energia escura: n\u00e3o sabemos exatamente o que \u00e9 e n\u00e3o a detet\u00e1mos diretamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que foi identificada pela primeira vez, os astr\u00f3nomos desenvolveram uma variedade de m\u00e9todos para detetar a energia escura, a maioria dos quais envolve o estudo de objetos do Universo primitivo e a medi\u00e7\u00e3o da rapidez com que se afastam de n\u00f3s. Desvendar os efeitos da energia escura de h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil: uma vez que se trata de uma for\u00e7a fraca entre gal\u00e1xias, a energia escura \u00e9 facilmente ultrapassada pelas for\u00e7as muito mais fortes no interior das gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, h\u00e1 uma regi\u00e3o do Universo que \u00e9 surpreendentemente sens\u00edvel \u00e0 energia escura e que se situa no nosso pr\u00f3prio quintal c\u00f3smico. A Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda \u00e9 a [grande gal\u00e1xia] mais pr\u00f3xima da nossa Via L\u00e1ctea, e as duas gal\u00e1xias est\u00e3o em rota de colis\u00e3o. \u00c0 medida que se aproximam, as duas gal\u00e1xias come\u00e7am a orbitar-se uma \u00e0 outra &#8211; muito lentamente. Uma \u00fanica \u00f3rbita demorar\u00e1 20 mil milh\u00f5es de anos. No entanto, devido \u00e0s enormes for\u00e7as gravitacionais, muito antes de uma \u00fanica \u00f3rbita estar completa, daqui a cerca de cinco mil milh\u00f5es de anos, as duas gal\u00e1xias come\u00e7ar\u00e3o a fundir-se e a cair uma na outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Andr\u00f3meda \u00e9 a \u00fanica [grande] gal\u00e1xia que n\u00e3o est\u00e1 a fugir de n\u00f3s, por isso, ao estudar a sua massa e movimento, poderemos ser capazes de fazer algumas determina\u00e7\u00f5es sobre a constante cosmol\u00f3gica e sobre a energia escura&#8221;, disse Benisty, que \u00e9 tamb\u00e9m investigador associado no Queens&#8217; College.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando uma s\u00e9rie de simula\u00e7\u00f5es baseadas nas melhores estimativas dispon\u00edveis da massa de ambas as gal\u00e1xias, Benisty e os seus coautores &#8211; a professora Anne Davis Departamento de Matem\u00e1tica Aplicada e F\u00edsica Te\u00f3rica e o professor Wyn Evans do Instituto de Astronomia &#8211; descobriram que a energia escura est\u00e1 a afetar a forma como Andr\u00f3meda e a Via L\u00e1ctea se orbitam uma \u00e0 outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A energia escura afeta todos os pares de gal\u00e1xias: a gravidade quer aproximar as gal\u00e1xias, enquanto a energia escura as afasta&#8221;, disse Benisty. &#8220;No nosso modelo, se alterarmos o valor da constante cosmol\u00f3gica, podemos ver como isso altera a \u00f3rbita das duas gal\u00e1xias. Com base na sua massa, podemos estabelecer um limite superior para a constante cosmol\u00f3gica, que \u00e9 cerca de cinco vezes superior ao que podemos medir no resto do Universo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores afirmam que, embora a t\u00e9cnica possa revelar-se extremamente valiosa, n\u00e3o \u00e9 ainda uma dete\u00e7\u00e3o direta da energia escura. Os dados do Telesc\u00f3pio James Webb fornecer\u00e3o medi\u00e7\u00f5es muito mais exatas da massa e do movimento de Andr\u00f3meda, o que poder\u00e1 ajudar a reduzir os limites superiores da constante cosmol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, ao estudar outros pares de gal\u00e1xias, poder\u00e1 ser poss\u00edvel aperfei\u00e7oar ainda mais a t\u00e9cnica e determinar de que forma a energia escura afeta o nosso Universo. &#8220;A energia escura \u00e9 um dos maiores enigmas da cosmologia&#8221;, disse Benisty. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que os seus efeitos variem com a dist\u00e2ncia e o tempo, mas esperamos que esta t\u00e9cnica possa ajudar a desvendar o mist\u00e9rio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.cam.ac.uk\/research\/news\/dark-energy-could-be-measured-by-studying-the-galaxy-next-door\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ace90b\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2306.14963\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda (M31):<br><\/strong><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/m\/m031.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Andromeda_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Energia escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_Energy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lambda-CDM_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder#Galactic_distance_indicators\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Indicadores de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Escada&#8221; de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista da colis\u00e3o prevista entre a Via L\u00e1ctea e a Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda.Cr\u00e9dito: NASA, ESA, Z. 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