{"id":6282,"date":"2023-08-15T06:19:27","date_gmt":"2023-08-15T05:19:27","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6282"},"modified":"2023-08-15T06:19:28","modified_gmt":"2023-08-15T05:19:28","slug":"tempestades-centenarias-e-o-tempo-que-duram-em-saturno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/08\/15\/tempestades-centenarias-e-o-tempo-que-duram-em-saturno\/","title":{"rendered":"Tempestades centen\u00e1rias? \u00c9 o tempo que duram em Saturno"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2018\/03\/saturn_s_greatest_storm\/17397601-1-eng-GB\/Saturn_s_greatest_storm.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/HqovwpjJ_o-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6283\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/HqovwpjJ_o-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/HqovwpjJ_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/HqovwpjJ_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/HqovwpjJ_o-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/HqovwpjJ_o-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/HqovwpjJ_o.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma enorme tempestade domina a superf\u00edcie descaracterizada de Saturno numa imagem obtida pela sonda Cassini a 25 de fevereiro de 2011, cerca de 12 semanas depois da poderosa tempestade ter sido detetada pela primeira vez no hemisf\u00e9rio norte do planeta. A megatempestade \u00e9 vista a ultrapassar-se a si pr\u00f3pria \u00e0 medida que rodeia todo o planeta. Os astr\u00f3nomos encontraram nas profundezas da atmosfera os efeitos posteriores de megatempestades que ocorreram h\u00e1 centenas de anos. As riscas escuras s\u00e3o as sombras dos an\u00e9is de Saturno.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL\/SSI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A maior tempestade do Sistema Solar, um anticiclone com mais de 16.000 quil\u00f3metros de di\u00e2metro a que os astr\u00f3nomos chamam Grande Mancha Vermelha, decora a superf\u00edcie de J\u00fapiter h\u00e1 j\u00e1 centenas de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um novo estudo mostra agora que Saturno &#8211; apesar de menos colorido e n\u00e3o t\u00e3o interessante neste respeito quanto J\u00fapiter &#8211; tamb\u00e9m tem megatempestades de longa dura\u00e7\u00e3o com impactos nas profundezas da atmosfera que persistem durante s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi realizado por astr\u00f3nomos da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, e da Universidade do Michigan, em Ann Arbor, que analisaram as emiss\u00f5es de r\u00e1dio do planeta, que v\u00eam de baixo da superf\u00edcie, e encontraram perturba\u00e7\u00f5es a longo prazo na distribui\u00e7\u00e3o do g\u00e1s amon\u00edaco.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi publicado na revista Science Advances.<\/p>\n\n\n\n<p>As megatempestades ocorrem aproximadamente a cada 20 a 30 anos em Saturno e s\u00e3o semelhantes aos furac\u00f5es na Terra, embora significativamente maiores. Mas, ao contr\u00e1rio dos furac\u00f5es da Terra, ningu\u00e9m sabe o que causa as megatempestades na atmosfera de Saturno, que \u00e9 composta principalmente por hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio, com vest\u00edgios de metano, \u00e1gua e amon\u00edaco.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/10\/e4\/CeJ29V8v_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/10\/e4\/CeJ29V8v_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem r\u00e1dio de Saturno obtida com o VLA em maio de 2015, com as emiss\u00f5es de r\u00e1dio mais brilhantes de Saturno e dos seus an\u00e9is subtra\u00eddas para real\u00e7ar o contraste nas emiss\u00f5es de r\u00e1dio mais fracas entre as v\u00e1rias bandas latitudinais da atmosfera. Dado que o amon\u00edaco bloqueia as ondas de r\u00e1dio, as caracter\u00edsticas brilhantes indicam \u00e1reas onde o amon\u00edaco est\u00e1 esgotado e o VLA pode ver mais fundo na atmosfera. A larga banda brilhante nas latitudes norte \u00e9 o resultado da tempestade de 2010 em Saturno, que aparentemente esgotou o g\u00e1s amon\u00edaco logo abaixo da nuvem de gelo de amon\u00edaco, que \u00e9 o que vemos a olho nu.<br>Cr\u00e9dito: R. J. Sault e I. de Pater<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8220;Compreender os mecanismos das maiores tempestades do Sistema Solar coloca a teoria dos furac\u00f5es num contexto c\u00f3smico mais vasto, desafiando o nosso conhecimento atual e alargando os limites da meteorologia terrestre&#8221;, disse o autor principal Cheng Li, antigo bolseiro na UC Berkeley que \u00e9 agora professor assistente na Universidade de Michigan.<\/p>\n\n\n\n<p>Imke de Pater, professora em\u00e9rita de astronomia e de ci\u00eancias da terra e planet\u00e1rias da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley, estuda os gigantes gasosos h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas para compreender melhor a sua composi\u00e7\u00e3o e o que os torna \u00fanicos, utilizando o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array), no estado norte-americano de Novo M\u00e9xico, para sondar as emiss\u00f5es de r\u00e1dio das profundezas do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No r\u00e1dio, sondamos abaixo das camadas de nuvens vis\u00edveis dos planetas gigantes. Uma vez que as rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e a din\u00e2mica alteram a composi\u00e7\u00e3o da atmosfera de um planeta, as observa\u00e7\u00f5es abaixo destas camadas de nuvens s\u00e3o necess\u00e1rias para determinar a verdadeira composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica do planeta, um par\u00e2metro chave para os modelos de forma\u00e7\u00e3o de planetas&#8221;, disse. &#8220;As observa\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio ajudam a caracterizar os processos din\u00e2micos, f\u00edsicos e qu\u00edmicos, incluindo o transporte de calor, a forma\u00e7\u00e3o de nuvens e a convec\u00e7\u00e3o nas atmosferas dos planetas gigantes, tanto \u00e0 escala global como local.&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/s3.amazonaws.com\/cms.ipressroom.com\/401\/files\/202308\/composite_sat-u-ictb-394218main_PIA11667_full_cassini.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/69\/d0\/YxuQPOkT_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">No \u00f3tico, a atmosfera de Saturno parece mudar suavemente de cor para cor. Mas vista aqui no r\u00e1dio &#8211; os dados do VLA sobrep\u00f5em-se a uma imagem de Saturno da Cassini &#8211; a natureza distinta das faixas \u00e9 evidente. Os cientistas utilizaram os dados do VLA para compreender melhor o amon\u00edaco na atmosfera do gigante gasoso e descobriram que as megatempestades transportam o amon\u00edaco da atmosfera superior para a inferior.<br>Cr\u00e9dito: S. Dagnello (NRAO\/AUI\/NSF), I. de Pater et al (UC Berkeley)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Como relatado no novo estudo, de Pater, Li e Chris Moeckel, estudante da UC Berkeley, encontraram algo surpreendente nas emiss\u00f5es de r\u00e1dio do planeta: anomalias na concentra\u00e7\u00e3o do g\u00e1s amon\u00edaco na atmosfera, que relacionaram com as ocorr\u00eancias passadas de megatempestades no hemisf\u00e9rio norte do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a equipa, a concentra\u00e7\u00e3o de amon\u00edaco \u00e9 mais baixa a altitudes m\u00e9dias, logo abaixo da camada superior de nuvens de amon\u00edaco gelado, mas enriqueceu-se a altitudes mais baixas, 100 a 200 quil\u00f3metros mais fundo na atmosfera. Pensam que o amon\u00edaco est\u00e1 a ser transportado da atmosfera superior para a inferior atrav\u00e9s dos processos de precipita\u00e7\u00e3o e reevapora\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, esse efeito pode durar centenas de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo revelou ainda que, embora Saturno e J\u00fapiter sejam compostos de hidrog\u00e9nio gasoso, os dois gigantes gasosos s\u00e3o notavelmente diferentes. Apesar de J\u00fapiter ter anomalias troposf\u00e9ricas, estas foram associadas \u00e0s suas zonas (bandas esbranqui\u00e7adas) e cinturas (bandas escuras) e n\u00e3o s\u00e3o causadas por tempestades como acontece em Saturno. A diferen\u00e7a consider\u00e1vel entre estes gigantes gasosos vizinhos est\u00e1 a p\u00f4r em causa o que os cientistas sabem sobre a forma\u00e7\u00e3o de megatempestades nos gigantes gasosos e noutros planetas, e pode informar o modo como ser\u00e3o encontradas e estudadas em exoplanetas no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.berkeley.edu\/2023\/08\/11\/hundred-year-storms\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adg9419\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Saturno:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/saturn\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/saturn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.solarviews.com\/eng\/saturn.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Solarviews<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Saturn_%28planet%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLA (Karl G. Jansky Very Large Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.vla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma enorme tempestade domina a superf\u00edcie descaracterizada de Saturno numa imagem obtida pela sonda Cassini a 25 de fevereiro de 2011, cerca de 12 semanas depois da poderosa tempestade ter sido detetada pela primeira vez no hemisf\u00e9rio norte do planeta. 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