{"id":6191,"date":"2023-07-11T06:19:49","date_gmt":"2023-07-11T05:19:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6191"},"modified":"2023-07-11T06:19:50","modified_gmt":"2023-07-11T05:19:50","slug":"supergigante-leve-revela-uma-fase-evolutiva-em-falta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/07\/11\/supergigante-leve-revela-uma-fase-evolutiva-em-falta\/","title":{"rendered":"Supergigante leve revela uma fase evolutiva em falta"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ndxYOoe5_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"653\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ndxYOoe5_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6192\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ndxYOoe5_o.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ndxYOoe5_o-300x191.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ndxYOoe5_o-768x490.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o art\u00edstica do sistema bin\u00e1rio massivo descoberto, constitu\u00eddo por uma estrela despojada em segundo plano e uma estrela Be em primeiro plano. Embora a estrela despojada pare\u00e7a maior, s\u00f3 lhe restam 3 massas solares depois de lhe ter sido retirado o inv\u00f3lucro exterior. A estrela em primeiro plano ganhou muita massa e est\u00e1 agora a girar rapidamente, resultando numa forma oblata e num disco circundante.<br>Cr\u00e9dito: Elisa Sch\u00f6sser<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Dra. Varsha Ramachandran do ZAH (Zentrum f\u00fcr Astronomie; Centro para Astronomia em portugu\u00eas) da Universidade de Heidelberg e os seus colegas descobriram a primeira estrela &#8220;despojada&#8221; de massa interm\u00e9dia. Esta descoberta marca um elo em falta na nossa imagem da evolu\u00e7\u00e3o estelar em dire\u00e7\u00e3o a sistemas com estrelas de neutr\u00f5es em fus\u00e3o, que s\u00e3o cruciais para compreender a origem de elementos pesados, como a prata e o ouro. A Dra. Ramachandran \u00e9 p\u00f3s-doutorada no grupo de investiga\u00e7\u00e3o do Dr. Andreas Sander, localizado no ARI (Astronomisches Rechen-Institut; Instituto de C\u00e1lculo Astron\u00f3mico em portugu\u00eas) do ZAH. Estes resultados foram agora publicados na revista Astronomy &amp; Astrophysics Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investigadores descobriu a primeira representante da popula\u00e7\u00e3o de estrelas despojadas de massa interm\u00e9dia, h\u00e1 muito prevista, mas ainda n\u00e3o confirmada. As &#8220;estrelas despojadas&#8221; s\u00e3o estrelas que perderam a maior parte das suas camadas exteriores, revelando o seu n\u00facleo quente e denso, rico em h\u00e9lio, que resulta da fus\u00e3o nuclear do hidrog\u00e9nio em h\u00e9lio. A maioria destas estrelas despojadas formam-se em sistemas bin\u00e1rios, nos quais a forte atra\u00e7\u00e3o gravitacional de uma estrela retira e acreta mat\u00e9ria da sua companheira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito tempo que os astrof\u00edsicos conhecem a exist\u00eancia de estrelas despojadas de massa baixa, conhecidas como suban\u00e3s, bem como as suas primas massivas, conhecidas como estrelas Wolf-Rayet. Mas, at\u00e9 agora, nunca tinham conseguido encontrar nenhuma das chamadas &#8220;estrelas despojadas de massa interm\u00e9dia&#8221;, o que levantava a quest\u00e3o de saber se a nossa imagem te\u00f3rica b\u00e1sica precisava de uma revis\u00e3o importante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao examinarem estrelas quentes e luminosas com instrumentos de espetroscopia de alta resolu\u00e7\u00e3o do VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, a Dra. Ramachandran e os seus colegas detetaram assinaturas suspeitas no espetro de uma estrela quente e massiva que anteriormente tinha sido classificada como um objeto \u00fanico. Uma investiga\u00e7\u00e3o detalhada do espetro revelou que o objeto n\u00e3o \u00e9 apenas uma estrela, mas sim um sistema bin\u00e1rio, consistindo da estrela despojada de massa interm\u00e9dia e de uma companheira com rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, uma chamada estrela Be, que tinha sido acelerada gra\u00e7as \u00e0 acre\u00e7\u00e3o de massa da estrela despojada progenitora. O sistema est\u00e1 localizado na Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es (PNM), uma gal\u00e1xia an\u00e3 vizinha. As estrelas desta gal\u00e1xia t\u00eam uma menor abund\u00e2ncia de elementos mais pesados, simplesmente designados &#8220;metais&#8221; pelos astrof\u00edsicos, do que as estrelas massivas da nossa Via L\u00e1ctea. As estrelas massivas pobres em metais da PNM funcionam, portanto, como uma janela para o passado da nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia e para a evolu\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do Universo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/07\/54\/YdjGS66b_o.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica da evolu\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-descoberto sistema bin\u00e1rio massivo em dire\u00e7\u00e3o a um evento de fus\u00e3o de uma estrela de neutr\u00f5es dupla. Uma supernova de inv\u00f3lucro despojado ocorre no meio, seguida por um bin\u00e1rio de raios X Be.<br>Cr\u00e9dito: Varsha Ramachandran, ZAH\/ARI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Dra. Ramachandran fez os seus estudos universit\u00e1rios na \u00cdndia, antes de se mudar para Potsdam, na Alemanha, para o seu doutoramento. Desde setembro de 2021 que trabalha no ZAH\/ARI. &#8220;Com a nossa descoberta, demonstramos que a popula\u00e7\u00e3o destas estrelas, h\u00e1 muito desaparecida, de facto existe! Mas as nossas descobertas tamb\u00e9m indicam que podem ter um aspeto muito diferente do que esper\u00e1vamos&#8221;, explica a Dra. Ramachandran e acrescenta que, em vez de terem perdido completamente as suas camadas exteriores, essas estrelas podem reter uma quantidade pequena, mas suficiente de hidrog\u00e9nio no topo dos seus n\u00facleos de h\u00e9lio, o que as faz parecer muito maiores e mais frias do que realmente s\u00e3o. &#8220;Por isso, chamamos-lhes &#8216;estrelas parcialmente despojadas'&#8221;, acrescenta. O Dr. Andreas Sander salienta que o seu manto de hidrog\u00e9nio remanescente \u00e9 uma forma de disfarce. &#8220;As estrelas parcialmente despojadas parecem muito semelhantes a estrelas quentes normais, n\u00e3o despojadas, escondendo-se assim \u00e0 vista de todos. Apenas dados de alta resolu\u00e7\u00e3o combinados com uma an\u00e1lise espetral cuidadosa e modelos computacionais detalhados podem revelar a sua verdadeira natureza&#8221;. N\u00e3o \u00e9 de admirar que tenham escapado \u00e0 dete\u00e7\u00e3o durante tanto tempo. &#8220;O que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o nesta estrela foi a sua massa: algumas vezes mais massiva do que o nosso Sol pode parecer muito, mas \u00e9 extraordinariamente leve para a sua apar\u00eancia de supergigante azul&#8221;, explica o l\u00edder do grupo de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. Jakub Klencki, investigador independente do ESO e coautor do respetivo trabalho de investiga\u00e7\u00e3o, explica que o sistema rec\u00e9m-descoberto serve de elo cr\u00edtico na cadeia evolutiva que liga v\u00e1rias diferentes &#8220;esp\u00e9cies&#8221; de objetos ex\u00f3ticos. &#8220;Os nossos modelos de evolu\u00e7\u00e3o estelar preveem que, daqui a cerca de um milh\u00e3o de anos, a estrela despojada explodir\u00e1 como uma supernova de inv\u00f3lucro despojado, deixando para tr\u00e1s uma estrela de neutr\u00f5es remanescente&#8221;, sublinha o Dr. Klencki acerca da nova descoberta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta da Dra. Ramachandran e dos seus colegas marca a primeira estrela despojada deste tipo encontrada at\u00e9 \u00e0 data numa gal\u00e1xia pobre em metais. Se o bin\u00e1rio sobreviver \u00e0 explos\u00e3o de supernova, os pap\u00e9is das duas estrelas inverter-se-\u00e3o: Nesse caso, a estrela Be companheira doar\u00e1 massa \u00e0 estrela de neutr\u00f5es acretora, tornando-se num chamado bin\u00e1rio de raios X Be. Estes sistemas fascinantes s\u00e3o considerados os progenitores dos eventos de fus\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es duplas, talvez os maiores espet\u00e1culos c\u00f3smicos observados at\u00e9 \u00e0 data e a origem de elementos qu\u00edmicos como a prata ou o ouro. Compreender o seu percurso de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos principais desafios da astrof\u00edsica moderna e as observa\u00e7\u00f5es das fases evolutivas interm\u00e9dias s\u00e3o cruciais para o conseguir. &#8220;A nossa descoberta acrescenta uma pe\u00e7a importante ao puzzle, fornecendo as primeiras restri\u00e7\u00f5es diretas sobre a forma como se processa a evolu\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia de massa em sistemas estelares t\u00e3o massivos&#8221;, conclui a Dra. Ramachandran.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/zah.uni-heidelberg.de\/news\/detail\/light-supergiant-reveals-a-missing-evolutionary-stage\" target=\"_blank\">\/\/ ZAH da Universidade de Heidelberg (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2023\/06\/aa46818-23\/aa46818-23.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2305.14262\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrela bin\u00e1ria SMCSGS-FS 69:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.stellarcatalog.com\/stars\/smcsgs-fs-69\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Stellar Catalog<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas Be:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Be_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bin\u00e1rio de raios X Be:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Be\/X-ray_binary\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas suban\u00e3s:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Subdwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas Wolf-Rayet:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Wolf%E2%80%93Rayet_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Small_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o art\u00edstica do sistema bin\u00e1rio massivo descoberto, constitu\u00eddo por uma estrela despojada em segundo plano e uma estrela Be em primeiro plano. 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