{"id":6151,"date":"2023-06-27T06:26:06","date_gmt":"2023-06-27T05:26:06","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6151"},"modified":"2023-06-27T06:26:06","modified_gmt":"2023-06-27T05:26:06","slug":"estrela-pulsante-massiva-fornece-pistas-para-calibrar-os-modelos-de-evolucao-estelar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/06\/27\/estrela-pulsante-massiva-fornece-pistas-para-calibrar-os-modelos-de-evolucao-estelar\/","title":{"rendered":"Estrela pulsante massiva fornece pistas para calibrar os modelos de evolu\u00e7\u00e3o estelar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma colabora\u00e7\u00e3o internacional, com a participa\u00e7\u00e3o do IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias), determinou com um n\u00edvel de precis\u00e3o sem precedentes a massa, a idade e o perfil de rota\u00e7\u00e3o do n\u00facleo de uma estrela pulsante massiva. Conhecida como HD 192575, tem sido observada continuamente pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA durante mais de um ano. Os resultados lan\u00e7am uma nova luz sobre a estrutura interna destas estrelas e a sua evolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte, quando explodem como supernovas e formam estrelas de neutr\u00f5es e buracos negros. A equipa cient\u00edfica tamb\u00e9m utilizou observa\u00e7\u00f5es feitas com o telesc\u00f3pio Mercator, localizado no Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos, em La Palma. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FTH5TTRI_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FTH5TTRI_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6152\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FTH5TTRI_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FTH5TTRI_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FTH5TTRI_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FTH5TTRI_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista do interior da estrela HD 192575, que tem cerca de 12 vezes a massa do Sol.<br>Cr\u00e9dito: Gabriel P\u00e9rez Diaz (IAC)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas massivas t\u00eam uma vida extremamente curta no Universo; t\u00eam n\u00facleos muitos densos e quentes, queimam rapidamente o seu combust\u00edvel e morrem jovens. Quando estas estrelas colapsam, geram uma violenta explos\u00e3o de supernova e, dependendo da sua massa e da estrutura do seu n\u00facleo, acabam por formar uma estrela de neutr\u00f5es ou um buraco negro. As estrelas massivas s\u00e3o, portanto, fundamentais, n\u00e3o s\u00f3 para compreender os processos f\u00edsicos respons\u00e1veis pela sua evolu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m para resolver outras quest\u00f5es fundamentais sobre o Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo internacional, liderado pela KU Leuven (B\u00e9lgica), aplicou a t\u00e9cnica de asterossismologia para estudar a variabilidade da estrela pulsante HD 192575 que o sat\u00e9lite TESS da NASA tem estado a observar durante mais de um ano. A asterossismologia \u00e9 o estudo das ondas no interior das estrelas. Estas ondas s\u00e3o afetadas pelas propriedades internas das estrelas e, em particular, pela rota\u00e7\u00e3o do seu n\u00facleo, o que nos permite aceder a informa\u00e7\u00e3o sobre os processos f\u00edsicos que ocorrem no interior das estrelas a partir das suas altera\u00e7\u00f5es de brilho. Estes processos f\u00edsicos permanecem atualmente n\u00e3o calibrados, mas precisam de ser compreendidos para prever o destino final da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo de estrelas massivas requer dados de alta precis\u00e3o e de longo prazo para an\u00e1lises avan\u00e7adas. Gra\u00e7as \u00e0 miss\u00e3o TESS, o estudo de HD 192575 atingiu um n\u00edvel de detalhe sem precedentes. &#8220;Os telesc\u00f3pios espaciais como o TESS, e antes o Kepler, s\u00e3o capazes de observar estrelas quase ininterruptamente durante longos per\u00edodos de tempo, o que os torna excelentes ferramentas para os asterossism\u00f3logos&#8221;, diz Siemen Burssens, investigador da KU Leuven que liderou o estudo. &#8220;O TESS \u00e9 especialmente importante para a asterossismologia de estrelas massivas, uma vez que os telesc\u00f3pios espaciais anteriores geralmente evitavam estrelas massivas brilhantes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas ferramentas de modelagem desenvolvidas neste trabalho permitiram \u00e0 equipa medir a massa de HD 192575 como sendo 12 vezes a massa do nosso Sol, e uma idade de 15 milh\u00f5es de anos. Este facto faz de HD 192575 uma das estrelas mais raras e mais massivas alguma vez modeladas atrav\u00e9s da asterossismologia. Al\u00e9m disso, descobriu-se que o n\u00facleo de HD 192575 gira cerca de 1,5 vezes mais depressa do que as suas camadas superficiais, o que n\u00e3o \u00e9 previsto pelos modelos atuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Tal como uma bailarina que gira mais depressa aproximando os seus bra\u00e7os esticados para perto do corpo, HD 192575 deveria ter um n\u00facleo que gira mais depressa \u00e0 medida que envelhece e encolhe. No entanto, a rota\u00e7\u00e3o do n\u00facleo que medimos atualmente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas camadas exteriores como previsto por modelos de rota\u00e7\u00e3o n\u00e3o magn\u00e9ticos&#8221;, explica Dominic Bowman, investigador da KU Leuven e coautor do estudo. &#8220;Isto levou-nos a refletir sobre a f\u00edsica respons\u00e1vel por HD 192575 ter o perfil de rota\u00e7\u00e3o medido&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e4\/7d\/iyN1goeo_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e4\/7d\/iyN1goeo_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O telesc\u00f3pio Mercator, situado no Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos em La Palma.<br>Cr\u00e9dito: KU Leuven<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Padr\u00e3o de refer\u00eancia \u00fanico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados do TESS, combinados com os do telesc\u00f3pio Mercator, situado no Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos em La Palma, e da miss\u00e3o espacial Gaia da ESA, permitiram \u00e0 equipa inferir com precis\u00e3o a quantidade de mistura qu\u00edmica nas profundezas de HD 192575 e a massa do seu n\u00facleo, que \u00e9 um indicador chave da evolu\u00e7\u00e3o futura de uma estrela massiva e da explos\u00e3o de supernova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A determina\u00e7\u00e3o exata da massa do n\u00facleo, da idade e do perfil de rota\u00e7\u00e3o de HD 192575 faz desta estrela massiva um ponto de calibra\u00e7\u00e3o \u00fanico para o ajuste de modelos de evolu\u00e7\u00e3o estelar, que s\u00e3o, em \u00faltima an\u00e1lise, fundamentais para compreender o impacto das estrelas massivas na evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias e na inf\u00e2ncia do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este \u00e9 apenas o in\u00edcio de um caminho muito promissor para um estudo semelhante ao de HD 192575 numa amostra muito maior de estrelas massivas da nossa Gal\u00e1xia&#8221;, diz Sergio Sim\u00f3n-D\u00edaz, investigador do IAC, coautor do artigo e investigador principal do projeto IACOB, uma colabora\u00e7\u00e3o internacional liderada pelo IAC que tem vindo a utilizar v\u00e1rios telesc\u00f3pios nos Observat\u00f3rios das Ilhas Can\u00e1rias h\u00e1 mais de 15 anos para criar a maior base de dados de sempre de espectros de estrelas massivas da Via L\u00e1ctea. &#8220;Os esfor\u00e7os continuados do projeto IACOB ser\u00e3o decisivos para otimizar os dados do sat\u00e9lite TESS e passar do estudo pioneiro de HD 192575 para v\u00e1rias centenas de estrelas dezenas de vezes mais massivas que o nosso Sol&#8221;, conclui Sim\u00f3n-D\u00edaz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/massive-pulsating-star-provides-clues-calibrate-stellar-evolution-models\" target=\"_blank\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/fys.kuleuven.be\/ster\/news\/2023\/asteroseismology-catches-the-dress-rehearsal-for-an-upcoming-cosmic-ballet\" target=\"_blank\">\/\/ KU Leuven (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-023-01978-y\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2306.11798\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asterossismologia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroseismology\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.asteroseismology.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">asteroseismology.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.iac.es\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Roque_de_los_Muchachos_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Mercator:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.mercator.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mercator_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Projeto IACOB:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/research.iac.es\/proyecto\/iacob\/pages\/en\/introduction.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma colabora\u00e7\u00e3o internacional, com a participa\u00e7\u00e3o do IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias), determinou com um n\u00edvel de precis\u00e3o sem precedentes a massa, a idade e o perfil de rota\u00e7\u00e3o do n\u00facleo de uma estrela pulsante massiva. 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