{"id":6148,"date":"2023-06-23T06:14:44","date_gmt":"2023-06-23T05:14:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6148"},"modified":"2023-06-23T06:14:44","modified_gmt":"2023-06-23T05:14:44","slug":"ixpe-da-nasa-descobriu-que-o-buraco-negro-central-da-via-lactea-acordou-ha-200-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/06\/23\/ixpe-da-nasa-descobriu-que-o-buraco-negro-central-da-via-lactea-acordou-ha-200-anos\/","title":{"rendered":"IXPE da NASA descobriu que o buraco negro central da Via L\u00e1ctea &#8220;acordou&#8221; h\u00e1 200 anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/photo\/2023\/gcenter\/gcenter_lg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"866\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/68yHgN3d_o-866x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6149\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/68yHgN3d_o-866x1024.jpg 866w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/68yHgN3d_o-254x300.jpg 254w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/68yHgN3d_o-768x908.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/68yHgN3d_o.jpg 985w\" sizes=\"auto, (max-width: 866px) 100vw, 866px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens pelo IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) e pelo Observat\u00f3rio de raios X Chandra da NASA que foram combinadas para mostrar dados de raios X da \u00e1rea em redor de Sagit\u00e1rio A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. O painel inferior combina dados do IXPE, a laranja, com dados do Chandra, a azul. O painel superior mostra um campo de vis\u00e3o muito mais alargado do centro da Via L\u00e1ctea, cortesia do Chandra. As finas linhas brancas sobrepostas no painel superior enquadram a \u00e1rea real\u00e7ada e indicam que a perspetiva no painel inferior foi rodada cerca de 45 graus para a direita. A combina\u00e7\u00e3o de dados do IXPE e do Chandra ajudou os investigadores a determinar que a luz de raios X identificada nas nuvens moleculares teve origem em Sagit\u00e1rio A* durante uma explos\u00e3o h\u00e1 cerca de 200 anos.<br>Cr\u00e9dito: IXPE &#8211; NASA\/MSFC\/F. Marin et al; Chandra &#8211; NASA\/CXC\/SAO; processamento de imagem &#8211; L.Frattare, J.Major &amp; K.Arcand<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Sagit\u00e1rio A*, o buraco negro supermassivo no centro da Via L\u00e1ctea, \u00e9 muito menos luminoso do que outros buracos negros nos centros de gal\u00e1xias que podemos observar, o que significa que o buraco negro central da nossa Gal\u00e1xia n\u00e3o tem estado a devorar ativamente o material \u00e0 sua volta. No entanto, novas evid\u00eancias do telesc\u00f3pio IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) da NASA sugerem que o velho gigante adormecido acordou recentemente &#8211; h\u00e1 cerca de 200 anos &#8211; para devorar g\u00e1s e outros detritos c\u00f3smicos ao seu alcance.<\/p>\n\n\n\n<p>Sagit\u00e1rio A* fica a mais de 25.000 anos-luz da Terra &#8211; o buraco negro supermassivo mais pr\u00f3ximo, com uma massa estimada em milh\u00f5es de vezes a do nosso Sol. Muitas vezes abreviado pelos investigadores para Sgr A* (pronuncia-se &#8220;Sagit\u00e1rio A-estrela&#8221;), situa-se na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Sagit\u00e1rio, no cora\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas recorreram ao IXPE para um olhar mais atento quando estudos anteriores de raios X detetaram emiss\u00f5es de raios X relativamente recentes provenientes de nuvens gigantes de g\u00e1s na sua vizinhan\u00e7a. Dado que a maioria das nuvens c\u00f3smicas, chamadas &#8220;nuvens moleculares&#8221;, s\u00e3o frias e escuras, as assinaturas de raios X destas nuvens deveriam ter sido t\u00e9nues. Em vez disso, brilharam intensamente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Um dos cen\u00e1rios para explicar porque \u00e9 que estas nuvens moleculares gigantes est\u00e3o a brilhar \u00e9 que est\u00e3o, de facto, a ecoar um flash de luz de raios X que j\u00e1 passou h\u00e1 muito tempo, indicando que o nosso buraco negro supermassivo n\u00e3o estava assim t\u00e3o quiescente h\u00e1 alguns s\u00e9culos atr\u00e1s&#8221;, disse Fr\u00e9d\u00e9ric Marin, astr\u00f3nomo do Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico de Estrasburgo, Fran\u00e7a, autor principal do novo estudo publicado na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p>O IXPE, que mede a polariza\u00e7\u00e3o dos raios X, ou a dire\u00e7\u00e3o e intensidade m\u00e9dias do campo el\u00e9trico das ondas de luz, foi apontado para estas nuvens moleculares durante dois per\u00edodos de estudo, em fevereiro e mar\u00e7o de 2022. Quando os astr\u00f3nomos combinaram os dados resultantes com imagens do Observat\u00f3rio de Raios X Chandra da NASA e os compararam com observa\u00e7\u00f5es de arquivo da miss\u00e3o XMM-Newton da ESA, puderam isolar o sinal de raios X refletido e descobrir o seu ponto de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O \u00e2ngulo de polariza\u00e7\u00e3o atua como uma b\u00fassola, apontando-nos para a misteriosa fonte de ilumina\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito desaparecida&#8221;, disse Riccardo Ferrazzoli, astrof\u00edsico do INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica), em Roma. &#8220;E o que se encontra nessa dire\u00e7\u00e3o? Nada mais nada menos do que Sgr A*&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisando os dados, a equipa descobriu que os raios X das nuvens moleculares gigantes eram luz refletida de uma erup\u00e7\u00e3o intensa e de curta dura\u00e7\u00e3o produzida por ou perto de Sgr A*, possivelmente causada pelo buraco negro que consumiu abruptamente material pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados tamb\u00e9m ajudaram os investigadores a estimar a luminosidade e a dura\u00e7\u00e3o do surto original &#8211; sugerindo que o evento ocorreu h\u00e1 cerca de 200 anos terrestres, ou aproximadamente no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo objetivo da equipa \u00e9 repetir a observa\u00e7\u00e3o e reduzir as incertezas da medi\u00e7\u00e3o, disse Steven Ehlert, cientista do projeto IXPE no Centro de Voo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, no estado norte-americano do Alabama.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados de acompanhamento poder\u00e3o melhorar as estimativas de quando a erup\u00e7\u00e3o ocorreu e qual a sua intensidade no pico, e ajudar\u00e3o a determinar a distribui\u00e7\u00e3o tridimensional das nuvens moleculares gigantes que rodeiam o buraco negro quiescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais importante ainda, disse, estes estudos ajudam os investigadores a compreender melhor os processos f\u00edsicos necess\u00e1rios para despertar Sgr A* novamente &#8211; mesmo que apenas temporariamente &#8211; do seu sono inquieto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O IXPE est\u00e1 a desempenhar um papel fundamental para nos ajudar a compreender melhor a escala de tempo em que o buraco negro no centro da nossa Gal\u00e1xia est\u00e1 a mudar&#8221;, disse Ehlert. &#8220;Sabemos que as mudan\u00e7as podem ocorrer, nas gal\u00e1xias ativas e nos buracos negros supermassivos, ao longo de uma escala humana de tempo. Estamos a aprender mais sobre o comportamento deste buraco com o passar do tempo, a sua hist\u00f3ria de erup\u00e7\u00f5es e estamos ansiosos por observ\u00e1-lo mais para determinar que mudan\u00e7as s\u00e3o t\u00edpicas e quais s\u00e3o \u00fanicas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Milky Way\u2019s Central Black Hole Sonification from NASA&#039;s IXPE\" width=\"618\" height=\"464\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/55dYUKCKelA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/ixpe\/feature\/milky-way-s-central-black-hole-woke-up-200-years-ago-nasa-s-ixpe-finds\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/press\/23_releases\/press_062123.html\/\" target=\"_blank\">\/\/ Chandra\/Harvard (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.cnrs.fr\/en\/detection-echo-emitted-our-galaxys-black-hole-200-years-ago\" target=\"_blank\">\/\/ CNRS (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-023-06064-x\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2304.06967\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/993093\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/black-hole-milky-way-x-ray-echo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/162040\/the-milky-ways-supermassive-black-hole-had-a-burst-of-activity-200-years-ago-we-just-saw-the-echo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-06-echo-emitted-sagittarius-years.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>IXPE:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/ixpe\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/IXPE\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio de raios X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagens pelo IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) e pelo Observat\u00f3rio de raios X Chandra da NASA que foram combinadas para mostrar dados de raios X da \u00e1rea em redor de Sagit\u00e1rio A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. 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