{"id":6138,"date":"2023-06-20T06:28:01","date_gmt":"2023-06-20T05:28:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6138"},"modified":"2023-06-20T06:28:02","modified_gmt":"2023-06-20T05:28:02","slug":"descoberta-de-pulsar-de-ana-branca-lanca-luz-sobre-a-evolucao-estelar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/06\/20\/descoberta-de-pulsar-de-ana-branca-lanca-luz-sobre-a-evolucao-estelar\/","title":{"rendered":"Descoberta de pulsar de an\u00e3 branca lan\u00e7a luz sobre a evolu\u00e7\u00e3o estelar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.aip.de\/media\/images\/eso1627a.original.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"749\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/aghnHfZL_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6139\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/aghnHfZL_o.jpg 1000w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/aghnHfZL_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/aghnHfZL_o-768x575.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o art\u00edstica de um pulsar de an\u00e3 branca. Neste sistema estelar bin\u00e1rio, uma an\u00e3 branca em rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida (\u00e0 direita) acelera os eletr\u00f5es at\u00e9 quase \u00e0 velocidade da luz. Estas part\u00edculas altamente energ\u00e9ticas produzem surtos de radia\u00e7\u00e3o que atingem a estrela an\u00e3 vermelha que a acompanha (esquerda), fazendo com que todo o sistema pulse desde o r\u00e1dio at\u00e9 aos raios-X.<br>Cr\u00e9dito: M. Garlick\/Universidade de Warwick\/ESO<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta de um tipo raro de sistema estelar, com uma an\u00e3 branca, permitiu uma nova compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s brancas s\u00e3o estrelas pequenas e densas, tipicamente do tamanho de um planeta. Formam-se quando uma estrela de baixa massa queima todo o seu combust\u00edvel, perdendo as suas camadas exteriores. Por vezes referidas como &#8220;f\u00f3sseis estelares&#8221;, fornecem uma vis\u00e3o sobre diferentes aspetos da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um tipo raro de pulsar de an\u00e3 branca foi descoberto apenas pela segunda vez, numa investiga\u00e7\u00e3o liderada pela Universidade de Warwick. Os pulsares de an\u00e3s brancas incluem um remanescente estelar em r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o, de nome an\u00e3 branca, que atinge a sua vizinha &#8211; uma an\u00e3 vermelha &#8211; com poderosos feixes de part\u00edculas el\u00e9tricas e radia\u00e7\u00e3o, fazendo com que todo o sistema dramaticamente aumente e diminua de brilho em intervalos regulares. Isto deve-se aos fortes campos magn\u00e9ticos, mas os cientistas n\u00e3o sabem ao certo o que os provoca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma teoria chave que explica os fortes campos magn\u00e9ticos \u00e9 o &#8220;modelo do d\u00ednamo&#8221; &#8211; que as an\u00e3s brancas t\u00eam d\u00ednamos (geradores el\u00e9tricos) no seu n\u00facleo, tal como a Terra, mas muito mais potentes. Mas para que esta teoria pudesse ser testada, os cientistas precisavam de procurar outros pulsares de an\u00e3s brancas para ver se as suas previs\u00f5es se confirmavam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado na revista Nature Astronomy, os cientistas financiados pelo STFC (Science and Technology Facilities Council) do Reino Unido descrevem o pulsar de an\u00e3 branca rec\u00e9m-detetado, J191213.72-441045.1 (J1912-4410 para abreviar). \u00c9 apenas a segunda vez que um sistema estelar deste g\u00e9nero \u00e9 encontrado, ap\u00f3s a descoberta de AR Scorpii (Ar Sco) em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 773 anos-luz da Terra e girando 300 vezes mais depressa do que o nosso planeta, o pulsar de an\u00e3 branca tem um tamanho semelhante ao da Terra, mas uma massa pelo menos t\u00e3o grande quanto o Sol. Isto significa que uma colher de ch\u00e1 de material de uma an\u00e3 branca pesaria cerca de 15 toneladas. As an\u00e3s brancas come\u00e7am as suas vidas a temperaturas extremamente quentes antes de arrefecerem ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos, e a baixa temperatura de J1912-4410 aponta para uma idade avan\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Dra. Ingrid Pelisoli, do Departamento de F\u00edsica da Universidade de Warwick, afirmou: &#8220;A origem dos campos magn\u00e9ticos \u00e9 uma grande quest\u00e3o em aberto em muitos dom\u00ednios da astronomia, e isto \u00e9 particularmente verdade para as an\u00e3s brancas. Os campos magn\u00e9ticos das an\u00e3s brancas podem ser mais de um milh\u00e3o de vezes mais fortes do que o campo magn\u00e9tico do Sol e o modelo do d\u00ednamo ajuda a explicar porqu\u00ea. A descoberta de J1912-4410 constituiu um avan\u00e7o fundamental nesta \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Us\u00e1mos dados de alguns levantamentos diferentes para encontrar candidatos, concentrando-nos em sistemas com caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s de AR Sco. Seguimos todos os candidatos com a ULTRACAM (na altura situada no NTT, ou New Technology Telescope), que deteta as varia\u00e7\u00f5es muito r\u00e1pidas de luz esperadas dos pulsares de an\u00e3s brancas. Depois de observarmos algumas dezenas de candidatos, encontr\u00e1mos um que apresentava varia\u00e7\u00f5es de luz muito semelhantes \u00e0s de AR Sco. A nossa campanha de acompanhamento com outros telesc\u00f3pios revelou que, aproximadamente de cinco em cinco minutos, este sistema enviava um sinal de r\u00e1dio e de raios-X na nossa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto confirmou que existem mais pulsares de an\u00e3s brancas, tal como previsto por modelos anteriores. Havia outras previs\u00f5es feitas pelo modelo de d\u00ednamo que foram confirmadas pela descoberta de J1912-4410. Devido \u00e0 sua idade avan\u00e7ada, as an\u00e3s brancas no sistema de pulsares devem ser frias. As suas companheiras devem estar suficientemente pr\u00f3ximas para que a atra\u00e7\u00e3o gravitacional da an\u00e3 branca tenha sido, no passado, suficientemente forte para capturar massa da companheira, o que faz com que girem rapidamente. Todas estas previs\u00f5es se aplicam ao novo pulsar encontrado: a temperatura da an\u00e3 branca \u00e9 inferior a 13.000 K, gira sobre o seu eixo uma vez a cada cinco minutos e a atra\u00e7\u00e3o gravitacional da an\u00e3 branca tem um forte efeito na companheira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 uma excelente demonstra\u00e7\u00e3o de que a ci\u00eancia funciona &#8211; podemos fazer previs\u00f5es e p\u00f4-las \u00e0 prova e \u00e9 assim que qualquer ci\u00eancia progride&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Axel Schwope, do Instituto Leibniz para Astrof\u00edsica em Potsdam, que lidera um estudo complementar publicado sob a forma de carta na revista Astronomy and Astrophysics, acrescentou: &#8220;Estamos entusiasmados por termos encontrado, de forma independente, o objeto no levantamento de raios-X de todo o c\u00e9u realizado com o SRG\/eROSITA. A investiga\u00e7\u00e3o de acompanhamento com o sat\u00e9lite XMM-Newton da ESA revelou as pulsa\u00e7\u00f5es no regime de raios-X altamente energ\u00e9ticos, confirmando assim a natureza invulgar do novo objeto e estabelecendo firmemente os pulsares de an\u00e3s brancas como uma nova classe&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/newsandevents\/pressreleases\/?newsItem=8a17841a8895e8e30188bf9533d5041e\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aip.de\/en\/news\/white-dwarf-pulsar\/\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Leibniz para Astrof\u00edsica em Potsdam (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.physics.ox.ac.uk\/news\/white-dwarf-pulsar-discovery-sheds-light-star-evolution\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-023-01995-x\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2306.09272\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2023\/06\/aa46589-23\/aa46589-23.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico complementar (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2306.09732\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico complementar (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/docs\/science\/know_l2\/dwarfs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s vermelhas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NTT (New Technology Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/lasilla\/telescopes\/ntt\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/New_Technology_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>eROSITA:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.mpe.mpg.de\/eROSITA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/EROSITA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio XMM-Newton:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/xmm-newton\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/XMM-Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o art\u00edstica de um pulsar de an\u00e3 branca. Neste sistema estelar bin\u00e1rio, uma an\u00e3 branca em rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida (\u00e0 direita) acelera os eletr\u00f5es at\u00e9 quase \u00e0 velocidade da luz. Estas part\u00edculas altamente energ\u00e9ticas produzem surtos de radia\u00e7\u00e3o que atingem a estrela an\u00e3 vermelha que a acompanha (esquerda), fazendo com que todo o sistema pulse desde &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6139,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[310,374,749,1554,569,230],"class_list":["post-6138","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-anas-brancas","tag-anas-vermelhas","tag-erosita","tag-j1912-4410","tag-ntt","tag-xmm-newton"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6138"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6138\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6140,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6138\/revisions\/6140"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}