{"id":6106,"date":"2023-06-09T06:21:30","date_gmt":"2023-06-09T05:21:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6106"},"modified":"2023-06-09T06:24:52","modified_gmt":"2023-06-09T05:24:52","slug":"porque-e-que-a-explosao-cosmica-mais-brilhante-de-todos-os-tempos-foi-tao-excecional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/06\/09\/porque-e-que-a-explosao-cosmica-mais-brilhante-de-todos-os-tempos-foi-tao-excecional\/","title":{"rendered":"Porque \u00e9 que a explos\u00e3o c\u00f3smica mais brilhante de todos os tempos foi t\u00e3o excecional?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poucas explos\u00f5es c\u00f3smicas atra\u00edram tanta aten\u00e7\u00e3o dos cientistas espaciais como a registada no dia 22 de outubro do ano passado e apropriadamente designada como BOAT (Brightest of All Time). O evento, produzido pelo colapso de uma estrela altamente massiva e o subsequente nascimento de um buraco negro, foi testemunhado como um clar\u00e3o imensamente brilhante de raios gama, seguido de um lento desvanecimento de luz em todas as frequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que o sinal BOAT foi captado simultaneamente nos seus telesc\u00f3pios gigantes, os astrof\u00edsicos de todo o mundo t\u00eam-se esfor\u00e7ado por explicar o brilho da explos\u00e3o de raios gama (ou GRB, sigla inglesa para &#8220;gamma-ray burst&#8221;) e o desvanecer curiosamente lento do seu brilho remanescente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/RHuG400V_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"981\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/RHuG400V_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5502\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/RHuG400V_o.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/RHuG400V_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/RHuG400V_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/RHuG400V_o-768x765.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O brilho remanescente da explos\u00e3o de raios gama BOAT (Brightest of All Time), pelo Telesc\u00f3pio de raios-X Neil Gehrels Swift.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/Swift\/A. Beardmore (Universidade de Leicester)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, uma equipa internacional que inclui o Dr. Hendrik Van Eerten, do Departamento de F\u00edsica da Universidade de Bath, formulou uma explica\u00e7\u00e3o: a explos\u00e3o inicial (conhecida como GRB 221009A) estava orientada diretamente para a Terra e arrastou consigo uma quantidade invulgarmente grande de material estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As conclus\u00f5es da equipa foram publicadas na prestigiada revista Science Advances. O Dr. Brendan O&#8217;Connor, rec\u00e9m-doutorado da Universidade de Maryland e da Universidade George Washington em Washington, DC, \u00e9 o autor principal do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. Van Eerten, que coliderou a an\u00e1lise te\u00f3rica do brilho remanescente, disse: &#8220;Outros investigadores que trabalham neste quebra-cabe\u00e7as chegaram tamb\u00e9m \u00e0 conclus\u00e3o de que o jato estava apontado diretamente para n\u00f3s &#8211; tal como uma mangueira de jardim que nos atinge diretamente &#8211; e isto explica, de certa forma, porque \u00e9 que foi visto com tanto brilho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o que continuava a ser um quebra-cabe\u00e7as era o facto de as orlas do jato n\u00e3o poderem ser vistas de todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O lento desvanecimento do brilho remanescente n\u00e3o \u00e9 caracter\u00edstico de um jato estreito de g\u00e1s, e saber isto fez-nos suspeitar que havia uma raz\u00e3o adicional para a intensidade da explos\u00e3o, e os nossos modelos matem\u00e1ticos confirmaram-no.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso trabalho mostra claramente que o GRB tinha uma estrutura \u00fanica, com as observa\u00e7\u00f5es a revelarem gradualmente um jato estreito inserido num fluxo de g\u00e1s mais amplo, onde normalmente se esperaria um jato isolado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, o que \u00e9 que fez com que este GRB fosse mais largo do que o normal? Os investigadores t\u00eam uma ideia. O Dr. Van Eerten explicou: &#8220;Os jatos dos GRBs t\u00eam de atravessar a estrela em colapso na qual se formam, e o que pensamos ter feito a diferen\u00e7a neste caso foi a quantidade de mistura que ocorreu entre o material estelar e o jato, de tal forma que o g\u00e1s aquecido pelo choque continuou a aparecer na nossa linha de vis\u00e3o at\u00e9 ao ponto em que qualquer assinatura caracter\u00edstica do jato se teria perdido na emiss\u00e3o global do brilho remanescente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acrescentou: &#8220;O nosso modelo ajuda n\u00e3o s\u00f3 a compreender o BOAT, mas tamb\u00e9m recordistas de brilho anteriores que deixaram os astr\u00f3nomos perplexos com a falta de uma assinatura de jato. Estes GRBs, tal como outros GRBs, t\u00eam que estar apontados diretamente para n\u00f3s quando acontecem, uma vez que n\u00e3o seria normal que tanta energia fosse expelida em todas as dire\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Parece existir uma classe excecional de eventos que s\u00e3o simultaneamente extremos e que conseguem mascarar a natureza direcionada do seu fluxo de g\u00e1s. Estudos futuros sobre os campos magn\u00e9ticos que lan\u00e7am o jato e sobre as estrelas massivas que os acolhem dever\u00e3o ajudar a revelar a raz\u00e3o porque estes GRB s\u00e3o t\u00e3o raros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. O&#8217;Connor disse: &#8220;O GRB 221009A, excecionalmente longo, \u00e9 o GRB mais brilhante alguma vez registado e o seu brilho remanescente est\u00e1 a bater todos os recordes em todos os comprimentos de onda. Devido ao facto desta explos\u00e3o ser t\u00e3o brilhante e tamb\u00e9m t\u00e3o pr\u00f3xima (em termos c\u00f3smicos, isto \u00e9: ocorreu \u00e0 dist\u00e2ncia de 2,4 mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra), pensamos que esta \u00e9 uma oportunidade \u00fanica, que s\u00f3 acontece a cada mil anos, para abordar algumas das quest\u00f5es mais fundamentais relativas a estas explos\u00f5es, desde a forma\u00e7\u00e3o dos buracos negros a testes de modelos de mat\u00e9ria escura&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.bath.ac.uk\/announcements\/what-made-the-brightest-cosmic-explosion-of-all-time-so-exceptional\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Bath (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adi1405\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2302.07906\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GRB 221009A:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GRB_221009A\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GRB:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gamma_ray_burst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucas explos\u00f5es c\u00f3smicas atra\u00edram tanta aten\u00e7\u00e3o dos cientistas espaciais como a registada no dia 22 de outubro do ano passado e apropriadamente designada como BOAT (Brightest of All Time). 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