{"id":6066,"date":"2023-05-23T06:23:19","date_gmt":"2023-05-23T05:23:19","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6066"},"modified":"2023-05-23T06:23:20","modified_gmt":"2023-05-23T05:23:20","slug":"as-galaxias-demasiado-massivas-do-jwst-podem-ser-ainda-mais-massivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/05\/23\/as-galaxias-demasiado-massivas-do-jwst-podem-ser-ainda-mais-massivas\/","title":{"rendered":"As gal\u00e1xias &#8220;demasiado massivas&#8221; do JWST podem ser ainda mais massivas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros resultados do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb sugerem a exist\u00eancia de gal\u00e1xias t\u00e3o antigas e t\u00e3o massivas que est\u00e3o em tens\u00e3o com a nossa compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o da estrutura do Universo. Foram propostas v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es que podem aliviar esta tens\u00e3o. Mas agora um novo estudo sugere um efeito que nunca antes tinha sido estudado em \u00e9pocas t\u00e3o primitivas, indicando que as gal\u00e1xias podem ser ainda mais massivas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/SRc82lbU_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"559\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/SRc82lbU_o-1024x559.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6067\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/SRc82lbU_o-1024x559.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/SRc82lbU_o-300x164.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/SRc82lbU_o-768x419.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/SRc82lbU_o.jpg 1100w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem do enxame gal\u00e1ctico SMACS 0723 e dos seus arredores foi a primeira divulgada pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb em julho de 2022. As cinco imagens ampliadas t\u00eam cada uma cerca de 19.000 anos-luz de di\u00e2metro e mostram gal\u00e1xias vistas h\u00e1 cerca de 13 mil milh\u00f5es de anos (n\u00e3o fazem parte do enxame; s\u00e3o gal\u00e1xias muito mais distantes que sofrem o efeito de lente gravitacional). Uma an\u00e1lise cuidadosa destas gal\u00e1xias revela que, se n\u00e3o conseguirmos resolver uma gal\u00e1xia, podemos subestimar gravemente a massa total das suas estrelas.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, STSCI \/ Gim\u00e9nez-Arteaga et al. (2023), Peter Laursen (Cosmic Dawn Center)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se tem acompanhado os primeiros resultados do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, provavelmente j\u00e1 ouviu falar do principal problema das observa\u00e7\u00f5es das gal\u00e1xias mais antigas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00e3o demasiado grandes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde alguns dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o das primeiras imagens, e repetidamente ao longo dos meses seguintes, surgiram novos relatos de gal\u00e1xias cada vez mais distantes. De forma perturbadora, v\u00e1rias dessas gal\u00e1xias pareciam ser &#8220;demasiado massivas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aplicando o modelo atualmente mais aceite da estrutura e evolu\u00e7\u00e3o do Universo, o chamado modelo \u039bCDM, simplesmente n\u00e3o deveriam ter tido tempo para formar tantas estrelas.<br>Embora o modelo \u039bCDM n\u00e3o seja um dogma indestrut\u00edvel, h\u00e1 muitas raz\u00f5es para &#8220;p\u00f4r os trav\u00f5es&#8221; numa mudan\u00e7a de paradigma: as \u00e9pocas medidas em que vemos as gal\u00e1xias podem estar subestimadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As suas massas estelares podem estar sobrestimadas. Ou podemos apenas ter tido sorte e, de alguma forma, ter descoberto as gal\u00e1xias mais massivas nessa altura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um olhar mais de perto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas agora Clara Gim\u00e9nez Arteaga, estudante de doutoramento no Cosmic Dawn Center, em Copenhaga, prop\u00f5e um efeito que pode aumentar ainda mais a tens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essencialmente, a massa estelar de uma gal\u00e1xia \u00e9 estimada medindo a quantidade de luz emitida pela gal\u00e1xia e calculando quantas estrelas s\u00e3o necess\u00e1rias para emitir essa luz. A abordagem habitual \u00e9 considerar a luz combinada de toda a gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, ao analisar mais de perto uma amostra de cinco gal\u00e1xias, observadas com o James Webb, Gim\u00e9nez Arteaga descobriu que, se a gal\u00e1xia for considerada n\u00e3o como uma grande mancha de estrelas, mas como uma entidade constitu\u00edda por v\u00e1rios aglomerados, surge uma imagem diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Utiliz\u00e1mos o procedimento padr\u00e3o para calcular as massas estelares nas imagens obtidas pelo James Webb, mas numa base pixel a pixel, em vez de olharmos para toda a gal\u00e1xia&#8221;, descreve Gim\u00e9nez Arteaga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Em princ\u00edpio, poder-se-ia esperar que os resultados fossem os mesmos: somando a luz de todos os pix\u00e9is e calculando a massa estelar total, em vez de calculando a massa de cada pixel e somando depois todas as massas estelares individuais. Mas n\u00e3o \u00e9 o caso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na realidade, as massas estelares inferidas revelaram-se at\u00e9 dez vezes maiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A figura em baixo mostra as cinco gal\u00e1xias com as suas massas estelares determinadas de ambas as formas. Se as duas abordagens diferentes concordassem, todas as gal\u00e1xias se situariam ao longo da linha designada por &#8220;The same&#8221;. Mas todas elas est\u00e3o acima desta linha.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/1b\/3e\/SU548PNz_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/1b\/3e\/SU548PNz_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As cinco gal\u00e1xias colocadas num diagrama que mostra tanto a massa estelar inferida da forma &#8220;habitual&#8221; (eixo horizontal, azul) como a do m\u00e9todo pixel a pixel de Clara Gim\u00e9nez-Arteaga (eixo vertical, vermelho). Em todos os casos, as massas encontradas usando o m\u00e9todo pixel a pixel s\u00e3o maiores.<br>Cr\u00e9dito: Gim\u00e9nez-Arteaga et al. (2023), Peter Laursen (Cosmic Dawn Center)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ofuscadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, qual \u00e9 a raz\u00e3o para que as massas estelares sejam t\u00e3o maiores?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gim\u00e9nez Arteaga explica: &#8220;As popula\u00e7\u00f5es estelares s\u00e3o uma mistura de estrelas pequenas e t\u00e9nues, por um lado, e de estrelas brilhantes e massivas por outro. Se olharmos apenas para a luz combinada, as estrelas brilhantes tender\u00e3o a ofuscar completamente as estrelas t\u00e9nues, passando despercebidas. A nossa an\u00e1lise mostra que os aglomerados brilhantes de forma\u00e7\u00e3o estelar podem dominar a luz total, mas a maior parte da massa encontra-se em estrelas mais pequenas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A massa estelar \u00e9 uma das principais propriedades usadas para caracterizar uma gal\u00e1xia e o resultado de Gim\u00e9nez-Arteaga real\u00e7a a import\u00e2ncia de se conseguir resolver as gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas para as mais distantes e t\u00e9nues, isso nem sempre \u00e9 poss\u00edvel. O efeito j\u00e1 foi estudado anteriormente, mas apenas em \u00e9pocas muito posteriores da hist\u00f3ria do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3ximo passo \u00e9, portanto, procurar assinaturas que n\u00e3o exijam a alta resolu\u00e7\u00e3o e que estejam correlacionadas com a &#8220;verdadeira&#8221; massa estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Outros estudos efetuados em \u00e9pocas muito posteriores tamb\u00e9m encontraram esta discrep\u00e2ncia. Se conseguirmos determinar qu\u00e3o comum e severo \u00e9 o efeito em \u00e9pocas anteriores, e quantific\u00e1-lo, estaremos mais perto de inferir massas estelares robustas de gal\u00e1xias distantes, o que \u00e9 um dos principais desafios atuais do estudo de gal\u00e1xias no Universo primitivo&#8221;, conclui Clara Gim\u00e9nez Arteaga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/nbi.ku.dk\/english\/news\/news23\/james-webbs-too-massive-galaxies-may-be-even-more-massive\/\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Niels Bohr\/Universidade de Copenhaga (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/acc5ea\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2212.08670\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SMACS 0723:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SMACS_J0723.3-7327\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lambda-CDM_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-ers-programs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programas DD-ERS do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-programs\/cycle-1-go\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programas GO do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os primeiros resultados do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb sugerem a exist\u00eancia de gal\u00e1xias t\u00e3o antigas e t\u00e3o massivas que est\u00e3o em tens\u00e3o com a nossa compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o da estrutura do Universo. 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