{"id":6034,"date":"2023-05-12T06:16:39","date_gmt":"2023-05-12T05:16:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6034"},"modified":"2023-05-12T06:16:40","modified_gmt":"2023-05-12T05:16:40","slug":"decifrado-o-enigma-do-buraco-negro-supermassivo-em-fuga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/05\/12\/decifrado-o-enigma-do-buraco-negro-supermassivo-em-fuga\/","title":{"rendered":"Decifrado o enigma do buraco negro supermassivo em fuga"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo efetuado por uma equipa de investigadores do IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias) demonstrou que uma estrutura fina e invulgar de estrelas, recentemente descoberta pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, pode ser uma gal\u00e1xia vista de lado. Esta descoberta vai contra a interpreta\u00e7\u00e3o original, segundo a qual um buraco negro supermassivo em fuga deixava um rasto de estrelas. A nova interpreta\u00e7\u00e3o foi publicada na revista Astronomy and Astrophysics: Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um misterioso rasto de estrelas formado h\u00e1 oito mil milh\u00f5es de anos e recentemente descoberto pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble tem sido um desafio para v\u00e1rios grupos de investiga\u00e7\u00e3o. O seu tamanho \u00e9 semelhante ao da Via L\u00e1ctea e esta estrutura estreita e muito longa deu origem a v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es sobre a sua origem.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/54\/f0\/W7pkXFot_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/W7pkXFot_o-1024x640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6035\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/W7pkXFot_o-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/W7pkXFot_o-300x188.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/W7pkXFot_o-768x480.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/W7pkXFot_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em cima: imagem do objecto captada pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. Mostra a emiss\u00e3o na parte ultravioleta do espectro. No meio: imagem ultravioleta de uma gal\u00e1xia local sem bojo e observada de lado (IC 5249). As semelhan\u00e7as s\u00e3o \u00f3bvias. Em baixo: A mesma gal\u00e1xia IC 5249 observada na parte vis\u00edvel do espectro. As escalas espaciais das tr\u00eas imagens s\u00e3o id\u00eanticas.<br>Cr\u00e9dito: Telesc\u00f3pio Espacial Hubble<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo uma hip\u00f3tese inicial controversa, este rasto de estrelas poderia ser o resultado da passagem de um buraco negro supermassivo por uma enorme nuvem de g\u00e1s. Esta ideia despertou rapidamente a imagina\u00e7\u00e3o da comunidade astron\u00f3mica, porque necessita de um grande conjunto de circunst\u00e2ncias excecionais complexas. Por esta raz\u00e3o, v\u00e1rias equipas cient\u00edficas t\u00eam continuado a explorar cen\u00e1rios diferentes e menos ex\u00f3ticos que possam explicar as observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo recente, investigadores do IAC chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que esta estrutura invulgar de estrelas pode ser interpretada como uma gal\u00e1xia sem bojo vista de lado. Estes tipos de gal\u00e1xias, tamb\u00e9m chamadas gal\u00e1xias finas ou planas, s\u00e3o relativamente comuns. &#8220;Os movimentos, o tamanho e a quantidade de estrelas correspondem ao que se tem visto em gal\u00e1xias do Universo local&#8221;, explica Jorge Sanchez Almeida, investigador do IAC e primeiro autor do artigo cient\u00edfico. &#8220;\u00c9 um al\u00edvio ter encontrado a solu\u00e7\u00e3o para este mist\u00e9rio, o novo cen\u00e1rio proposto \u00e9 muito mais simples. Num certo sentido \u00e9 tamb\u00e9m uma pena, porque a exist\u00eancia de buracos negros em fuga \u00e9 esperada e este poderia ter sido o primeiro a ser observado&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/0b\/d5\/2qkZnkoe_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/0b\/d5\/2qkZnkoe_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Compara\u00e7\u00e3o entre este &#8220;objeto&#8221; e uma gal\u00e1xia vista de lado no Universo local (IC5249): em termos de aspeto (imagens a e b), em termos de brilho (c e d) e em termos da sua velocidade de rota\u00e7\u00e3o (e). Este objecto e IC5249 s\u00e3o extremamente semelhantes em todos os seus par\u00e2metros f\u00edsicos, o que apoia a ideia de que o &#8220;objeto&#8221; \u00e9 realmente uma gal\u00e1xia vista de lado.<br>Cr\u00e9dito: Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, Almeida et al., 2023<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para apoiar a hip\u00f3tese da interpreta\u00e7\u00e3o em termos de uma gal\u00e1xia, a equipa comparou a estrutura misteriosa com uma gal\u00e1xia local bem conhecida sem bojo, IC 5249, que tem uma massa semelhante de estrelas, e encontrou uma concord\u00e2ncia surpreendente. Nas palavras de Mireia Montes, investigadora do IAC e coautora do artigo, &#8220;quando analis\u00e1mos as velocidades desta estrutura distante de estrelas, percebemos que eram muito semelhantes \u00e0s obtidas a partir da rota\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias, por isso decidimos comparar uma gal\u00e1xia muito mais pr\u00f3xima e descobrimos que s\u00e3o extraordinariamente semelhantes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Tamb\u00e9m analis\u00e1mos a rela\u00e7\u00e3o entre a massa da suposta gal\u00e1xia e a sua velocidade m\u00e1xima de rota\u00e7\u00e3o, e descobrimos que, de facto, \u00e9 uma gal\u00e1xia que se comporta como uma gal\u00e1xia&#8221;, afirma Ignacio Trujillo, investigador do IAC que participou no estudo. &#8220;\u00c9 um objeto interessante, porque \u00e9 uma gal\u00e1xia bastante grande a uma dist\u00e2ncia muito grande da Terra, onde a maioria das gal\u00e1xias s\u00e3o mais pequenas&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais observa\u00e7\u00f5es permitir\u00e3o estudar este objeto em maior detalhe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/mystery-runaway-supermassive-black-hole-solved\" target=\"_blank\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/component\/article?access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/202346430\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2304.12344\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/988730\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/runaway-black-hole-tail-stars-mystery-solved\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-05-astronomers-mystery-runaway-supermassive-black.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>IC 5249:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/theskylive.com\/sky\/deepsky\/ic5249-object\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Sky Live<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo efetuado por uma equipa de investigadores do IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias) demonstrou que uma estrutura fina e invulgar de estrelas, recentemente descoberta pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, pode ser uma gal\u00e1xia vista de lado. 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