{"id":6025,"date":"2023-05-09T06:34:31","date_gmt":"2023-05-09T05:34:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=6025"},"modified":"2023-05-09T06:34:32","modified_gmt":"2023-05-09T05:34:32","slug":"um-sol-ativo-e-tempestuoso-pode-ter-dado-o-pontape-de-saida-da-vida-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/05\/09\/um-sol-ativo-e-tempestuoso-pode-ter-dado-o-pontape-de-saida-da-vida-na-terra\/","title":{"rendered":"Um Sol ativo e tempestuoso pode ter dado o &#8220;pontap\u00e9 de sa\u00edda&#8221; da vida na Terra"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/solar041017-1041.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"315\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/zUSqte6-1024x315.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-6026\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/zUSqte6-1024x315.gif 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/zUSqte6-300x92.gif 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/zUSqte6-768x236.gif 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma erup\u00e7\u00e3o solar vista no dia 26 de setembro de 2014 pela sonda SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA.<br> Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo sugere que os primeiros blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida na Terra podem ter sido formados gra\u00e7as a erup\u00e7\u00f5es do nosso Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma s\u00e9rie de experi\u00eancias qu\u00edmicas mostra como as part\u00edculas solares, ao colidirem com os gases da atmosfera primitiva da Terra, podem formar amino\u00e1cidos e \u00e1cidos carbox\u00edlicos, os blocos b\u00e1sicos de constru\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas e da vida org\u00e2nica. Os resultados foram publicados na revista Life.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para compreender as origens da vida, muitos cientistas tentam explicar como os amino\u00e1cidos se formaram, as mat\u00e9rias-primas a partir das quais se formam as prote\u00ednas e toda a vida celular. A proposta mais conhecida teve origem no final do s\u00e9culo XIX, quando os cientistas especularam que a vida poderia ter come\u00e7ado num &#8220;pequeno lago quente&#8221;: uma sopa de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, energizadas por raios, calor e outras fontes de energia, que se podiam misturar em quantidades concentradas para formar mol\u00e9culas org\u00e2nicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1953 Stanley Miller, da Universidade de Chicago, tentou recriar estas condi\u00e7\u00f5es primordiais em laborat\u00f3rio. Miller encheu uma c\u00e2mara fechada com metano, am\u00f3nia, \u00e1gua e hidrog\u00e9nio molecular &#8211; gases que se pensa serem predominantes na atmosfera primitiva da Terra &#8211; e acendeu repetidamente uma fa\u00edsca el\u00e9trica para simular um rel\u00e2mpago. Uma semana depois, Miller e o seu orientador Harold Urey analisaram o conte\u00fado da c\u00e2mara e descobriram que se tinham formado 20 amino\u00e1cidos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi uma grande revela\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Vladimir Airapetian, astrof\u00edsico estelar do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland e coautor do novo artigo cient\u00edfico. &#8220;A partir dos componentes b\u00e1sicos da atmosfera terrestre primitiva, \u00e9 poss\u00edvel sintetizar estas mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/d2\/2f\/MyGUM8rE_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/d2\/2f\/MyGUM8rE_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista da Terra primitiva.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas os \u00faltimos 70 anos vieram complicar esta interpreta\u00e7\u00e3o. Os cientistas agora pensam que a am\u00f3nia (NH3) e o metano (CH4) eram muito menos abundantes; em vez disso, o ar da Terra estava cheio de di\u00f3xido de carbono (CO2) e azoto molecular (N2), que requerem mais energia para se decomporem. Estes gases ainda podem produzir amino\u00e1cidos, mas em quantidades muito reduzidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Procurando fontes de energia alternativas, alguns cientistas apontaram para as ondas de choque dos meteoros. Outros citaram a radia\u00e7\u00e3o solar ultravioleta. Airapetian, utilizando dados da miss\u00e3o Kepler da NASA, apontou para uma nova ideia: part\u00edculas energ\u00e9ticas do nosso Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A miss\u00e3o Kepler observou estrelas long\u00ednquas em diferentes fases do seu ciclo de vida, mas os seus dados fornecem pistas sobre o passado do nosso Sol. Em 2016, Airapetian publicou um estudo que sugere que, durante os primeiros 100 milh\u00f5es de anos da Terra, o Sol era cerca de 30% mais fraco. Mas as &#8220;supererup\u00e7\u00f5es&#8221; solares &#8211; surtos poderosos que hoje em dia s\u00f3 vemos de 100 em 100 anos, aproximadamente &#8211; teriam irrompido uma vez a cada 3-10 dias. Estas supererup\u00e7\u00f5es lan\u00e7am part\u00edculas \u00e0 velocidade da luz que colidem regularmente com a nossa atmosfera, dando in\u00edcio a rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Assim que publiquei esse artigo cient\u00edfico, a equipa da Universidade Nacional de Yokohama, do Jap\u00e3o, contactou-me&#8221;, disse Airapetian.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. Kobayashi, professor de qu\u00edmica nessa institui\u00e7\u00e3o de ensino, passou os \u00faltimos 30 anos a estudar a qu\u00edmica pr\u00e9-bi\u00f3tica. Estava a tentar compreender como os raios c\u00f3smicos gal\u00e1cticos &#8211; part\u00edculas provenientes do exterior do nosso Sistema Solar &#8211; poderiam ter afetado a atmosfera da Terra primitiva. &#8220;A maioria dos investigadores ignora os raios c\u00f3smicos gal\u00e1cticos porque requerem equipamento especializado, como aceleradores de part\u00edculas&#8221;, disse Kobayashi. &#8220;Tive a sorte de ter acesso a v\u00e1rios perto das nossas instala\u00e7\u00f5es&#8221;. Pequenos ajustes na configura\u00e7\u00e3o experimental de Kobayashi poder\u00e3o p\u00f4r \u00e0 prova as ideias de Airapetian.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Airapetian, Kobayashi e os seus colaboradores criaram uma mistura de gases que corresponde \u00e0 atmosfera da Terra primitiva, tal como a entendemos atualmente. Combinaram di\u00f3xido de carbono, azoto molecular, \u00e1gua e uma quantidade vari\u00e1vel de metano (a propor\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera primitiva da Terra \u00e9 incerta, mas pensa-se que seja baixa). Dispararam prot\u00f5es \u00e0 mistura de gases (simulando part\u00edculas solares) ou acenderam-nas com descargas (simulando rel\u00e2mpagos), replicando a experi\u00eancia de Miller-Urey para compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/OJNtGzH.gif\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/OJNtGzH.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Anima\u00e7\u00e3o de uma erup\u00e7\u00e3o solar, incluindo uma proemin\u00eancia solar, uma eje\u00e7\u00e3o de massa coronal e um evento de part\u00edculas solares energ\u00e9ticas.<br>Cr\u00e9dito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que a propor\u00e7\u00e3o de metano fosse superior a 0,5%, as misturas atingidas por prot\u00f5es (part\u00edculas solares) produziram quantidades detet\u00e1veis de amino\u00e1cidos e de \u00e1cidos carbox\u00edlicos. Mas as descargas de fa\u00edscas (rel\u00e2mpagos) exigiam uma concentra\u00e7\u00e3o de metano de cerca de 15% para que se formassem quaisquer amino\u00e1cidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;E mesmo com 15% de metano, a taxa de produ\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos por rel\u00e2mpagos \u00e9 um milh\u00e3o de vezes inferior \u00e0 dos prot\u00f5es&#8221;, acrescentou Airapetian. Os prot\u00f5es tamb\u00e9m tendem a produzir mais \u00e1cidos carbox\u00edlicos (um precursor dos amino\u00e1cidos) do que os que s\u00e3o inflamados por descargas el\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se tudo o resto for igual, as part\u00edculas solares parecem ser uma fonte de energia mais eficiente do que os rel\u00e2mpagos. Mas \u00e9 prov\u00e1vel que tudo o resto n\u00e3o seja igual, sugeriu Airapetian. Miller e Urey assumiram que os rel\u00e2mpagos eram t\u00e3o comuns na altura do &#8220;pequeno lago quente&#8221; como o s\u00e3o atualmente. Mas os rel\u00e2mpagos, que prov\u00eam de nuvens formadas pela subida de ar quente, teriam sido mais raros sob um Sol 30% mais fraco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Em condi\u00e7\u00f5es frias nunca h\u00e1 rel\u00e2mpagos e a Terra primitiva estava sob um Sol muito fraco&#8221;, disse Airapetian. &#8220;Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o pudesse ter vindo de um rel\u00e2mpago, mas os rel\u00e2mpagos parecem menos prov\u00e1veis agora, e as part\u00edculas solares parecem mais prov\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas experi\u00eancias sugerem que o nosso jovem e ativo Sol poderia ter catalisado os precursores da vida mais facilmente, e talvez mais cedo, do que se supunha anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"The Faint Young Star Paradox: Solar Storms May Have Been Key to Life on Earth\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3qohnUC_JaQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2023\/sun\/a-stormy-active-sun-may-have-kickstarted-life-on-earth\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2075-1729\/13\/5\/1103\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Life)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Abiog\u00e9nese:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Abiogenesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Primordial_soup\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sopa primordial (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Miller%E2%80%93Urey_experiment\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Experi\u00eancia de Miller e Urey (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Paradoxo do jovem Sol fraco:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Faint_young_Sun_paradox\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Kepler:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/kepler\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/kepler\/overview\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kepler_space_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma erup\u00e7\u00e3o solar vista no dia 26 de setembro de 2014 pela sonda SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA. 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