{"id":5961,"date":"2023-04-14T06:17:34","date_gmt":"2023-04-14T05:17:34","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5961"},"modified":"2023-04-14T06:17:35","modified_gmt":"2023-04-14T05:17:35","slug":"como-e-que-a-terra-obteve-a-sua-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/04\/14\/como-e-que-a-terra-obteve-a-sua-agua\/","title":{"rendered":"Como \u00e9 que a Terra obteve a sua \u00e1gua?"},"content":{"rendered":"\n<p>De acordo com um novo estudo, a \u00e1gua do nosso planeta pode ter tido origem nas intera\u00e7\u00f5es entre as atmosferas ricas em hidrog\u00e9nio e os oceanos de magma dos embri\u00f5es planet\u00e1rios que compunham os primeiros anos da Terra. As descobertas, que podem explicar as origens de caracter\u00edsticas-chave da Terra, foram publicadas na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante d\u00e9cadas, o que os investigadores sabiam sobre a forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria baseava-se principalmente no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar. Embora existam alguns debates sobre a forma\u00e7\u00e3o de gigantes gasosos como J\u00fapiter e Saturno, \u00e9 amplamente aceite que a Terra e os outros planetas rochosos nasceram a partir da acre\u00e7\u00e3o de poeira e g\u00e1s que rodeava o nosso Sol na sua juventude.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/grkp2Oj4_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"691\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/grkp2Oj4_o-1024x691.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5962\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/grkp2Oj4_o-1024x691.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/grkp2Oj4_o-300x202.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/grkp2Oj4_o-768x518.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/grkp2Oj4_o-110x75.jpg 110w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/grkp2Oj4_o.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma ilustra\u00e7\u00e3o que mostra como algumas caracter\u00edsticas-chave da Terra, como a sua abund\u00e2ncia de \u00e1gua e o seu estado global oxidado, podem ser potencialmente atribu\u00edveis a intera\u00e7\u00f5es entre as atmosferas de hidrog\u00e9nio molecular e os oceanos de magma nos embri\u00f5es planet\u00e1rios que compunham os primeiros anos da Terra.<br>Cr\u00e9dito: Edward Young\/UCLA e Katherine Cain\/Instituto Carnegie Institution<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u00c0 medida que objetos cada vez maiores colidiam uns com os outros, os planetesimais que eventualmente acabaram por formar a Terra cresceram tanto em termos de tamanho como de temperatura, derretendo-se num vasto oceano de magma devido ao calor das colis\u00f5es e dos elementos radioativos. Com o tempo, \u00e0 medida que o planeta arrefecia, o material mais denso afundou para o interior, separando a Terra em tr\u00eas camadas distintas &#8211; o n\u00facleo met\u00e1lico e o manto e crosta de rocha e silicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a explos\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o exoplanet\u00e1ria ao longo da \u00faltima d\u00e9cada informou uma nova abordagem para modelar o estado embrion\u00e1rio da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As descobertas exoplanet\u00e1rias deram-nos uma aprecia\u00e7\u00e3o muito maior da frequ\u00eancia de planetas rec\u00e9m-formados rodeados por atmosferas ricas em hidrog\u00e9nio molecular, H2, durante os seus primeiros milh\u00f5es de anos de crescimento&#8221;, explicou Anat Shahar, do Instituto Carnegie. &#8220;Eventualmente, estes inv\u00f3lucros de hidrog\u00e9nio dissipam-se, mas deixam as suas impress\u00f5es digitais na composi\u00e7\u00e3o do jovem planeta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando esta informa\u00e7\u00e3o, os investigadores desenvolveram novos modelos de forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o da Terra para ver se os tra\u00e7os qu\u00edmicos distintos do nosso planeta natal podiam ser replicados.<\/p>\n\n\n\n<p>Recorrendo a um modelo recentemente desenvolvido, investigadores de Carnegie e da UCLA (University of California, Los Angeles) conseguiram demonstrar que, no in\u00edcio da exist\u00eancia da Terra, as intera\u00e7\u00f5es entre o oceano de magma e uma protoatmosfera de hidrog\u00e9nio molecular poderiam ter dado origem a algumas das caracter\u00edsticas-chave da Terra, tais como a sua abund\u00e2ncia de \u00e1gua e o seu estado oxidado geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores utilizaram modelos matem\u00e1ticos para explorar a troca de materiais entre atmosferas de hidrog\u00e9nio molecular e oceanos de magma, analisando 25 compostos diferentes e 18 tipos diferentes de rea\u00e7\u00f5es &#8211; suficientemente complexos para produzir dados valiosos sobre a poss\u00edvel hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da Terra, mas suficientemente simples para serem interpretados integralmente.<\/p>\n\n\n\n<p>As intera\u00e7\u00f5es entre o oceano de magma e a atmosfera na sua Terra primitiva simulada resultaram no movimento de grandes massas de hidrog\u00e9nio para o n\u00facleo met\u00e1lico, na oxida\u00e7\u00e3o do manto e na produ\u00e7\u00e3o de grandes quantidades de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores revelaram que mesmo que todo o material rochoso que colidiu para formar o planeta estivesse completamente seco, estas intera\u00e7\u00f5es entre a atmosfera de hidrog\u00e9nio molecular e o oceano de magma gerariam grandes quantidades de \u00e1gua. S\u00e3o poss\u00edveis outras fontes para a \u00e1gua, dizem, mas n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias para explicar o estado atual da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta \u00e9 apenas uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para a evolu\u00e7\u00e3o do nosso planeta, mas uma que estabeleceria uma liga\u00e7\u00e3o importante entre a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da Terra e os exoplanetas mais comuns que foram descobertos em \u00f3rbita de estrelas distantes, aqueles a que chamamos de super-Terras e sub-Neptunos&#8221;, concluiu Shahar.<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho fez parte do projeto interdisciplinar e multi-institucional AEThER, iniciado e liderado por Shahar, que procura revelar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos planetas mais comuns da Via L\u00e1ctea &#8211; as super-Terras e os sub-Neptunos &#8211; e desenvolver uma estrutura para detetar assinaturas de vida em mundos distantes. Este esfor\u00e7o foi desenvolvido para compreender como a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o destes planetas moldam as suas atmosferas. Isto poderia &#8211; por sua vez &#8211; permitir aos cientistas diferenciar bioassinaturas verdadeiras, que s\u00f3 poderiam ser produzidas pela presen\u00e7a de vida, das mol\u00e9culas atmosf\u00e9ricas de origem n\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os cada vez mais poderosos telesc\u00f3pios est\u00e3o a permitir aos astr\u00f3nomos compreender as composi\u00e7\u00f5es das atmosferas exoplanet\u00e1rias em detalhes nunca antes vistos&#8221;, disse Shahar. &#8220;O trabalho do AEThER ir\u00e1 informar as suas observa\u00e7\u00f5es com dados experimentais e de modelagem que, esperamos, conduzir\u00e3o a um m\u00e9todo infal\u00edvel de dete\u00e7\u00e3o de sinais de vida noutros mundos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/carnegiescience.edu\/how-did-earth-get-its-water\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-023-05823-0\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Planeta Terra:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/earth\/overview\/\" target=\"_blank\">NASA<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Earth\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Origin_of_water_on_Earth\" target=\"_blank\">Origem da \u00e1gua da Terra (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Formation_and_evolution_of_the_Solar_System\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Planetary_differentiation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diferencia\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com um novo estudo, a \u00e1gua do nosso planeta pode ter tido origem nas intera\u00e7\u00f5es entre as atmosferas ricas em hidrog\u00e9nio e os oceanos de magma dos embri\u00f5es planet\u00e1rios que compunham os primeiros anos da Terra. 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