{"id":5871,"date":"2023-03-10T07:20:00","date_gmt":"2023-03-10T06:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5871"},"modified":"2023-03-10T07:20:20","modified_gmt":"2023-03-10T06:20:20","slug":"nebulosa-de-vento-de-pulsar-de-vela-observada-pelo-ixpe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/03\/10\/nebulosa-de-vento-de-pulsar-de-vela-observada-pelo-ixpe\/","title":{"rendered":"<strong>Nebulosa de vento de pulsar de Vela observada pelo IXPE<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 cerca de 10.000 anos, a luz da explos\u00e3o de uma estrela gigante, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Vela, chegou \u00e0 Terra. Esta supernova deixou para tr\u00e1s um objeto denso a que chamamos pulsar, que parece aumentar de brilho regularmente \u00e0 medida que gira, como um farol c\u00f3smico. Da superf\u00edcie deste pulsar surgem ventos de part\u00edculas que viajam perto da velocidade da luz, criando uma mistura ca\u00f3tica de part\u00edculas carregadas e campos magn\u00e9ticos que chocam com o g\u00e1s circundante. Este fen\u00f3meno \u00e9 chamado de nebulosa de vento de pulsar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/I2pSkdHn_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"897\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/I2pSkdHn_o-1024x897.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5872\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/I2pSkdHn_o-1024x897.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/I2pSkdHn_o-300x263.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/I2pSkdHn_o-768x673.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/I2pSkdHn_o.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra a nebulosa de vento de pulsar de Vela. O azul claro representa os dados de polariza\u00e7\u00e3o de raios-X do IXPE da NASA. As cores rosa e roxo correspondem aos dados do Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA, que j\u00e1 observou Vela v\u00e1rias vezes. O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA contribuiu com as estrelas em segundo plano.<br>Cr\u00e9dito: raios-X &#8211; (IXPE) NASA\/MSFC\/Fei Xie e (Chandra) NASA\/CXC\/SAO; \u00f3tico &#8211; NASA\/STScI\/Chandra, processamento por Judy Schmidt; Hubble\/Chandra\/IXPE, processamento e composi\u00e7\u00e3o por NASA\/CXC\/SAO\/Kimberly Arcand e Nancy Wolk<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta nova imagem, o halo azul claro e difuso corresponde aos primeiros dados de polariza\u00e7\u00e3o de raios-X alguma vez obtidos do remanescente de Vela, que prov\u00eam do IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) da NASA. Uma linha azulada e t\u00e9nue, apontando para o canto superior direito, corresponde a um jato de part\u00edculas altamente energ\u00e9ticas disparadas do pulsar a cerca de metade da velocidade da luz. Pensa-se que os &#8220;arcos&#8221; de raios-X cor-de-rosa assinalam os cantos das regi\u00f5es em forma de donut onde o vento de pulsar choca e acelera as part\u00edculas altamente energ\u00e9ticas. O pr\u00f3prio pulsar est\u00e1 localizado no c\u00edrculo branco no centro da imagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As cores rosa e p\u00farpura correspondem a dados do Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA, que j\u00e1 observou Vela v\u00e1rias vezes. As estrelas douradas foram capturadas pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A medi\u00e7\u00e3o da polariza\u00e7\u00e3o, que tem a ver com a forma como as ondas eletromagn\u00e9ticas est\u00e3o organizadas, d\u00e1 aos cientistas uma compreens\u00e3o sem precedentes de como um objeto c\u00f3smico como um pulsar acelera as part\u00edculas a altas velocidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com o IXPE, estamos a utilizar objetos extremos como Vela como laborat\u00f3rio para investigar algumas das quest\u00f5es mais prementes na astrof\u00edsica, tais como a forma como as part\u00edculas s\u00e3o catapultadas para perto da velocidade da luz muito depois de uma estrela ter explodido&#8221;, disse Phil Kaaret, cientista s\u00e9nior do Centro de Voo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, no estado norte-americano do Alabama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo recente, os cientistas ficaram surpreendidos com o elevado grau de polariza\u00e7\u00e3o que encontraram nos raios-X da nebulosa de vento de pulsar de Vela. As observa\u00e7\u00f5es IXPE deste objeto foram publicadas na revista Nature em dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este \u00e9 o grau mais elevado de polariza\u00e7\u00e3o medido numa fonte celeste de raios-X at\u00e9 \u00e0 data&#8221;, diz Fei Xie, autora principal do estudo da Nature, professora na Universidade de Guangxi em Nanning, Guangxi, China, e antiga investigadora de p\u00f3s-doutoramento no INAF\/IAPS (Istituto Nazionale di Astrofisica\/Istituto di Astrofisica e Planetologia Spaziali) em Roma, It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A alta polariza\u00e7\u00e3o significa que os campos eletromagn\u00e9ticos est\u00e3o bem organizados; est\u00e3o alinhados em dire\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e dependem da sua posi\u00e7\u00e3o na nebulosa. Al\u00e9m disso, os raios-X que o IXPE deteta v\u00eam de eletr\u00f5es altamente energ\u00e9ticos que espiralam nos campos magn\u00e9ticos da nebulosa de vento de pulsar, chamados &#8220;emiss\u00e3o de sincrotr\u00e3o&#8221;. Os raios-X altamente polarizados significam que estes campos magn\u00e9ticos tamb\u00e9m devem estar bem organizados.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b0\/81\/RBWBBV48_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b0\/81\/RBWBBV48_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma imagem das observa\u00e7\u00f5es IXPE da nebulosa de vento de pulsar de Vela. As cores representam diferentes intensidades de raios-X, com as regi\u00f5es mais brilhantes a vermelho e as regi\u00f5es mais fracas a azul. As linhas pretas d\u00e3o as dire\u00e7\u00f5es do campo magn\u00e9tico com base nos dados do IXPE e as linhas prateadas d\u00e3o as direc\u00e7\u00f5es do campo magn\u00e9tico com base nos dados de r\u00e1dio do ATCA (Australia Telescope Compact Array). Os contornos cinzentos mostram as intensidades dos raios-X a partir dos dados do Chandra. O pulsar est\u00e1 localizado perto do centro da emiss\u00e3o de raios-X mais brilhante.<br>Cr\u00e9dito: Xie et al, 2022 (Nature)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contraste com os remanescentes de supernova que t\u00eam um inv\u00f3lucro de material \u00e0 sua volta, a alta polariza\u00e7\u00e3o dos raios-X &#8220;sugere que os eletr\u00f5es n\u00e3o foram acelerados pelos choques turbulentos que parecem importantes noutras fontes de raios-X&#8221;, disse Roger W. Romani, astrof\u00edsico de Stanford envolvido na an\u00e1lise de dados do IXPE. Em vez disso, deve haver algum outro processo envolvido, tal como a reconex\u00e3o magn\u00e9tica, que envolve a quebra e uni\u00e3o de linhas de campo magn\u00e9tico. Esta \u00e9 uma forma pela qual a energia magn\u00e9tica \u00e9 convertida em energia de part\u00edculas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados do IXPE tamb\u00e9m sugerem que o campo magn\u00e9tico est\u00e1 alinhado como uma estrutura lisa em forma de donut em torno do equador do pulsar. Esta forma est\u00e1 de acordo com as expetativas dos cientistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta medi\u00e7\u00e3o da polariza\u00e7\u00e3o de raios-X pelo IXPE acrescenta uma pe\u00e7a em falta ao puzzle da nebulosa de vento de pulsar de Vela&#8221;, diz Alessandro Di Marco, investigador do INAF\/IAPS em Roma que contribuiu para a an\u00e1lise dos dados. &#8220;Ao mapear com resolu\u00e7\u00e3o sem precedentes, o IXPE revela o campo magn\u00e9tico na regi\u00e3o central, mostrando concord\u00e2ncia com os resultados obtidos a partir de imagens r\u00e1dio da nebulosa exterior&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pulsar de Vela, localizado a cerca de 1000 anos-luz da Terra, tem cerca de 25 quil\u00f3metros de di\u00e2metro e gira 11 vezes por segundo, mais depressa do que um rotor de helic\u00f3ptero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/ixpe\/feature\/vela-pulsar-wind-nebula-takes-flight-in-new-image-from-nasa-s-ixpe\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2303.01800\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-022-05476-5\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pulsar de Vela:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Vela_Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N<strong>ebulosa de vento de pulsar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar_wind_nebula\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.physics.mcgill.ca\/~pulsar\/pwncat.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo de nebulosas de vento pulsar<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pulsares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.atnf.csiro.au\/research\/pulsar\/psrcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo ATNF de Pulsares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>IXPE:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/ixpe\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/IXPE\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio de raios-X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de 10.000 anos, a luz da explos\u00e3o de uma estrela gigante, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Vela, chegou \u00e0 Terra. 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