{"id":5834,"date":"2023-02-24T07:21:55","date_gmt":"2023-02-24T06:21:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5834"},"modified":"2023-02-24T07:21:56","modified_gmt":"2023-02-24T06:21:56","slug":"o-canto-do-cisne-de-uma-nuvem-que-se-aproxima-do-buraco-negro-supermassivo-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/02\/24\/o-canto-do-cisne-de-uma-nuvem-que-se-aproxima-do-buraco-negro-supermassivo-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"<strong>O &#8220;canto do cisne&#8221; de uma nuvem que se aproxima do buraco negro supermassivo da Via L\u00e1ctea<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas d\u00e9cadas de monitoriza\u00e7\u00e3o pelo Observat\u00f3rio W. M. Keck em Maunakea, Hawaii, revelam uma nuvem peculiar a ser rasgada \u00e0 medida que acelera em dire\u00e7\u00e3o ao buraco negro supermassivo no centro da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chamada X7, os astr\u00f3nomos da GCOI (Galactic Center Orbits Initiative) da UCLA (Universidade da Calif\u00f3rnia, Los Angeles) e do Observat\u00f3rio Keck t\u00eam vindo a acompanhar desde 2002 a evolu\u00e7\u00e3o deste filamento de g\u00e1s empoeirado; imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o angular, no infravermelho pr\u00f3ximo, capturadas com o poderoso sistema de \u00f3ticas adaptativas do Observat\u00f3rio Keck, mostram que X7 se tornou t\u00e3o alongada que agora tem um comprimento equivalente a 3000 vezes a dist\u00e2ncia que separa a Terra do Sol (ou 3000 UA &#8211; unidades astron\u00f3micas).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pxHhbJsB_o-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"867\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pxHhbJsB_o-1024x867.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5835\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pxHhbJsB_o-1024x867.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pxHhbJsB_o-300x254.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pxHhbJsB_o-768x650.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pxHhbJsB_o-1536x1300.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pxHhbJsB_o-2048x1733.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem obtida pelo Observat\u00f3rio Keck, no ver\u00e3o de 2021, que mostra as estruturas de g\u00e1s e poeira no Centro Gal\u00e1ctico, incluindo objetos G e X7.<br>Cr\u00e9dito: A. Ciurlo et al.\/GCOI da UCLA\/Observat\u00f3rio W. M. Keck<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 uma oportunidade \u00fanica de observar, em alta resolu\u00e7\u00e3o, os efeitos das for\u00e7as de mar\u00e9 do buraco negro, dando-nos uma vis\u00e3o da f\u00edsica do ambiente extremo no Centro Gal\u00e1ctico&#8221;, disse Anna Ciurlo, investigadora da UCLA e autora principal do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As for\u00e7as de mar\u00e9 esticam um objeto que se aproxima de um buraco negro; o lado do objeto mais perto do buraco negro \u00e9 puxado com muito mais for\u00e7a do que o lado mais distante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 emocionante ver mudan\u00e7as significativas na forma e din\u00e2mica de X7 em t\u00e3o grande detalhe numa escala de tempo relativamente curta \u00e0 medida que as for\u00e7as gravitacionais do buraco negro supermassivo no centro da Via L\u00e1ctea influenciam este objeto&#8221;, disse o coautor Randy Campbell, l\u00edder das opera\u00e7\u00f5es cient\u00edficas no Observat\u00f3rio Keck.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">X7 tem uma massa de cerca de 50 Terras e est\u00e1 num percurso orbital em torno do buraco negro da nossa Gal\u00e1xia, de nome Sagit\u00e1rio A* (ou Sgr A*), que demora 170 anos a completar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Prevemos que as fortes for\u00e7as de mar\u00e9 exercidas pelo buraco negro Gal\u00e1ctico v\u00e3o acabar por rasgar X7 antes mesmo de completar uma \u00f3rbita&#8221;, disse o coautor Mark Morris, professor de f\u00edsica e astronomia na UCLA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base na sua trajet\u00f3ria, a equipa estima que X7 far\u00e1 a sua maior aproxima\u00e7\u00e3o a Sgr A* por volta do ano 2036, ent\u00e3o dissipando-se completamente pouco tempo depois. O g\u00e1s e a poeira que constituem X7 eventualmente ser\u00e3o arrastados para Sgr A* e poder\u00e3o mais tarde causar alguns &#8220;fogos-de-artif\u00edcio&#8221; \u00e0 medida que aquecem e espiralam para o buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes achados s\u00e3o a primeira estimativa do percurso orbital ligeiramente exc\u00eantrico e a an\u00e1lise mais robusta at\u00e9 \u00e0 data das not\u00e1veis mudan\u00e7as na sua apar\u00eancia, forma e comportamento. Para observar X7, a equipa utilizou o espectr\u00f3grafo OSIRIS (OH-Suppressing Infrared Imaging Spectrograph) do Observat\u00f3rio Keck e a c\u00e2mara NIRC2 (Near-Infrared Camera, de segunda gera\u00e7\u00e3o), em combina\u00e7\u00e3o com os sistemas de \u00f3tica adaptativa dos telesc\u00f3pios Keck I e Keck II.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f7\/ec\/p3fAp0JE_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f7\/ec\/p3fAp0JE_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens capturadas pelo Observat\u00f3rio Keck que mostram a evolu\u00e7\u00e3o de X7 entre 2002 e 2021.<br>Cr\u00e9dito: A. Ciurlo et al.\/GCOI da UCLA\/Observat\u00f3rio W. M. Keck<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">X7 mostra algumas das mesmas propriedades observacionais que os outros estranhos objetos empoeirados em \u00f3rbita de Sgr A* chamados objetos G, que se parecem com g\u00e1s, mas que se comportam como estrelas. No entanto, a forma e a estrutura da velocidade de X7 transformaram-se de forma mais dram\u00e1tica em compara\u00e7\u00e3o com os objetos G. O g\u00e1s esticado e o filamento de poeira movimentam-se rapidamente, chegando a atingir velocidades que rondam os 780 km\/s. Devido \u00e0 massa extremamente elevada do buraco negro, tudo na sua vizinhan\u00e7a se move muito mais depressa do que o que normalmente vemos em qualquer outro lugar da nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a origem de X7 ainda seja um mist\u00e9rio \u00e0 espera de ser desvendado e confirmado, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o tem algumas pistas sobre a sua poss\u00edvel forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma possibilidade \u00e9 que o g\u00e1s e a poeira de X7 foram ejetados no momento em que duas estrelas se fundiram&#8221;, disse Ciurlo. &#8220;Neste processo, a estrela fundida \u00e9 escondida dentro de uma concha de g\u00e1s e poeira, o que pode encaixar na descri\u00e7\u00e3o dos objetos G. E o g\u00e1s ejetado talvez tenha produzido objetos semelhantes a X7&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investiga\u00e7\u00e3o vai continuar a monitorizar as mudan\u00e7as dram\u00e1ticas de X7 com o Observat\u00f3rio Keck \u00e0 medida que a poderosa gravidade do buraco negro a destr\u00f3i.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 um privil\u00e9gio poder estudar o ambiente extremo no centro da nossa Gal\u00e1xia&#8221;, disse Campbell. &#8220;Este estudo s\u00f3 pode ser feito utilizando as soberbas capacidades do Keck e realizado no venerado Maunakea, com honra e respeito por este local especial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"The Swansong of X7\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/800871921?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"618\" height=\"348\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/keckobservatory.org\/x7\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio W. M. Keck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/acb344\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2301.06562\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas d\u00e9cadas de monitoriza\u00e7\u00e3o pelo Observat\u00f3rio W. M. Keck em Maunakea, Hawaii, revelam uma nuvem peculiar a ser rasgada \u00e0 medida que acelera em dire\u00e7\u00e3o ao buraco negro supermassivo no centro da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. 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