{"id":5828,"date":"2023-02-21T07:26:02","date_gmt":"2023-02-21T06:26:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5828"},"modified":"2023-02-21T07:26:02","modified_gmt":"2023-02-21T06:26:02","slug":"estudo-quantifica-o-impacto-global-da-eletricidade-nas-tempestades-de-poeira-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/02\/21\/estudo-quantifica-o-impacto-global-da-eletricidade-nas-tempestades-de-poeira-em-marte\/","title":{"rendered":"<strong>Estudo quantifica o impacto global da eletricidade nas tempestades de poeira em Marte<\/strong>"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/fDevHsHW_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"512\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/fDevHsHW_o-1024x512.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5829\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/fDevHsHW_o-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/fDevHsHW_o-300x150.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/fDevHsHW_o-768x384.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/fDevHsHW_o-660x330.jpg 660w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/fDevHsHW_o-1050x525.jpg 1050w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/fDevHsHW_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista de uma tempestade de poeira.<br>Cr\u00e9dito: Mark A. Garlick<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Marte \u00e9 infame pelas suas intensas tempestades de poeira, algumas das quais levantam poeira suficiente para serem vistas por telesc\u00f3pios na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando as part\u00edculas de poeira se &#8220;esfregam&#8221; umas nas outras, como acontece nas tempestades marcianas, podem tornar-se eletrificadas, transferindo carga el\u00e9trica positiva e negativa da mesma forma que acumulamos eletricidade est\u00e1tica ao &#8220;esfregar&#8221; as meias num tapete.<\/p>\n\n\n\n<p>Fortes campos magn\u00e9ticos acumulam-se nas tempestades de poeira na Terra, pelo que talvez n\u00e3o seja de surpreender que isto tamb\u00e9m aconte\u00e7a em Marte. Mas e o que acontece a seguir? Provavelmente, n\u00e3o um rel\u00e2mpago repentino, como seria de esperar na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez disso, a cientista planet\u00e1ria Alian Wang da Universidade de Washington em St. Louis pensa que a descarga el\u00e9trica em Marte provavelmente parece mais um brilho t\u00e9nue (nenhum dos &#8220;landers&#8221;, rovers ou outras miss\u00f5es capturaram uma imagem real de descargas el\u00e9tricas).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/151990main_elec_dust_storm_lgweb.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/c4\/f6\/gT3NHJIg_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista de eletricidade numa tempestade de poeira.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8220;Pode ser um pouco como a aurora nas regi\u00f5es polares da Terra, onde os eletr\u00f5es energ\u00e9ticos colidem com esp\u00e9cies atmosf\u00e9ricas dilu\u00eddas&#8221;, disse Wang, professora de Ci\u00eancias da Terra e Planet\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Espetacular ou n\u00e3o, esta &#8220;pseudoaurora&#8221; marciana ainda \u00e9 poderosa.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo estudo de Wang, publicado na revista Geophysical Research Letters, mostra que a eletricidade nas tempestades de poeira pode ser a principal for\u00e7a motriz do ciclo do cloro marciano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas consideram o cloro como um dos cinco elementos que s\u00e3o &#8220;m\u00f3veis&#8221; em Marte (os outros s\u00e3o o hidrog\u00e9nio, o oxig\u00e9nio, o carbono e o enxofre). Isto significa que o cloro, em diferentes formas, move-se para tr\u00e1s e para a frente entre a superf\u00edcie e a atmosfera em Marte. No solo, os dep\u00f3sitos de cloreto &#8211; que s\u00e3o semelhantes \u00e0s plan\u00edcies de sal na Terra &#8211; est\u00e3o generalizados. Estes dep\u00f3sitos de cloreto formaram-se provavelmente na hist\u00f3ria inicial de Marte como sais de cloreto precipitados de salmoura.<\/p>\n\n\n\n<p>No novo estudo, Wang mostra que uma forma particularmente eficiente de mover o cloro do solo para o ar em Marte \u00e9 atrav\u00e9s de rea\u00e7\u00f5es desencadeadas por descargas el\u00e9tricas geradas em atividades de poeira marciana.<\/p>\n\n\n\n<p>Wang e colegas realizaram uma s\u00e9rie de experi\u00eancias que obtiveram elevados rendimentos de gases clorados a partir de cloretos comuns &#8211; tudo &#8220;zapeando&#8221; sais s\u00f3lidos com descargas el\u00e9tricas em condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s de Marte. Realizaram estas experi\u00eancias utilizando uma c\u00e2mara de simula\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria na Universidade de Washington (de nome PEACh, &#8220;Planetary Environment and Analysis Chamber&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A elevada taxa de liberta\u00e7\u00e3o de cloro dos cloretos comuns, revelada por este estudo, indica um caminho promissor para converter cloretos \u00e0 superf\u00edcie para as fases gasosas que agora vemos na atmosfera&#8221;, disse Kevin Olsen, investigador da Open University, no Reino Unido, e coautor do novo estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estas descobertas sugerem que as atividades da poeira marciana podem impulsionar um ciclo global do cloro. Com a ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter), vemos repetidas atividades sazonais que coincidem com tempestades de poeira globais e regionais&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/672847main_vasavada-4_full.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/68\/54\/rbyd8bRp_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA capturou esta imagem de uma tempestade de poeira em novembro de 2007.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/MSSS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Mais f\u00e1cil em Marte do que na Terra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A eletrifica\u00e7\u00e3o friccional \u00e9 um processo comum no nosso Sistema Solar, com as atividades da poeira marciana conhecidas por serem uma poderosa fonte de acumula\u00e7\u00e3o de carga el\u00e9trica&#8221;, explicou Wang. &#8220;A atmosfera fina de Marte torna muito mais f\u00e1cil a quebra de campos el\u00e9tricos acumulados sob a forma de descarga eletrost\u00e1tica. Na verdade, \u00e9 cem vezes mais f\u00e1cil em Marte do que na Terra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas envolvidos nas miss\u00f5es Viking, que aterraram em Marte na d\u00e9cada de 1970, propuseram pela primeira vez que as tempestades de poeira podiam ser uma fonte da nova qu\u00edmica reativa no Planeta Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os efeitos qu\u00edmicos das atividades da poeira eram dif\u00edceis de estudar. Certas oportunidades de miss\u00f5es, como a ExoMars Schiaparelli EDM, lan\u00e7ada em 2016, terminaram em fracasso. Os cientistas voltaram-se para modelos e estudos experimentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, Wang e outros cientistas publicaram investiga\u00e7\u00f5es que mostram que quando a descarga eletrost\u00e1tica interage com sais de cloro num ambiente rico em di\u00f3xido de carbono parecido com Marte, pode gerar percloratos e carbonatos e tamb\u00e9m libertar cloro como g\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas este novo estudo \u00e9 o primeiro a tentar quantificar estas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que s\u00e3o, efetivamente, produzidas durante os eventos de tempestade de poeira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As taxas de rea\u00e7\u00e3o s\u00e3o enormes&#8221;, disse Wang. &#8220;\u00c9 importante notar que o cloro libertado num processo de descarga eletrost\u00e1tica de curta dura\u00e7\u00e3o e de for\u00e7a m\u00e9dia est\u00e1 a um n\u00edvel percentual&#8221;. Isto significa que durante uma experi\u00eancia de descarga eletrost\u00e1tica simulada de sete horas, pelo menos uma em cada 100 mol\u00e9culas de cloro \u00e9 decomposta e depois liberta o seu \u00e1tomo de cloro para a atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>Similares, mas ligeiramente inferiores, as taxas de forma\u00e7\u00e3o de carbonatos e percloratos est\u00e3o a n\u00edveis subpercentuais&#8221;, disse Wang.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes altos rendimentos levam Wang e a sua equipa a pensar que as atividades da poeira marciana podem ser ligadas a tr\u00eas fen\u00f3menos globais recentemente revelados pelas miss\u00f5es a Marte.<\/p>\n\n\n\n<p>A descarga el\u00e9trica pode ser ligada \u00e0s concentra\u00e7\u00f5es extremamente elevadas de perclorato e carbonato a n\u00edvel global no solo superior marciano, acrescentou. Quantitativamente, os limites superiores dos intervalos de concentra\u00e7\u00e3o observados podem ser acumulados pela descarga el\u00e9trica induzida pela tempestade de poeira em menos de metade da \u00e9poca amazoniana, o per\u00edodo mais recente da hist\u00f3ria de Marte, que se pensa ter come\u00e7ado h\u00e1 cerca de 3 mil milh\u00f5es de anos. Al\u00e9m disso, o elevado rendimento dos \u00e1tomos de cloro libertados pelos cloretos pode ser respons\u00e1vel pelas elevadas concentra\u00e7\u00f5es de cloreto de hidrog\u00e9nio observadas na atmosfera marciana durante as esta\u00e7\u00f5es de poeira de 2018 e 2019, quando se sup\u00f5e que 1 a 10 cm da espessura das poeiras superficiais marcianas seriam levantadas por uma tempestade global de poeira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nenhum outro processo que conhe\u00e7amos pode fazer isto&#8221;, disse Wang, &#8220;especialmente com um rendimento quantitativamente t\u00e3o elevado de liberta\u00e7\u00e3o de cloro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/source.wustl.edu\/2023\/02\/study-quantifies-global-impact-of-electricity-in-dust-storms-on-mars\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Washington em St. Louis (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2022GL102127\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Geophysical Research Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ccvalg.pt\/astronomia\/sistema_solar\/marte.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CCVAlg &#8211; Astronomia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Climate_of_Mars#Dust_storms\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tempestades de poeira (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ExoMars TGO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/exploration.esa.int\/mars\/46124-mission-overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ExoMars_Trace_Gas_Orbiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista de uma tempestade de poeira.Cr\u00e9dito: Mark A. 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