{"id":5813,"date":"2023-02-17T07:17:44","date_gmt":"2023-02-17T06:17:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5813"},"modified":"2023-02-17T07:17:45","modified_gmt":"2023-02-17T06:17:45","slug":"quatro-classes-de-sistemas-planetarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/02\/17\/quatro-classes-de-sistemas-planetarios\/","title":{"rendered":"<strong>Quatro classes de sistemas planet\u00e1rios<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito que os astr\u00f3nomos sabem que os sistemas planet\u00e1rios n\u00e3o est\u00e3o necessariamente estruturados como o nosso Sistema Solar. Investigadores das Universidades de Berna e de Genebra, bem como do NCCR PlanetS, mostraram pela primeira vez que existem, de facto, quatro tipos de sistemas planet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No nosso Sistema Solar, tudo parece estar em ordem: os planetas rochosos mais pequenos, tais como V\u00e9nus, a Terra ou Marte, orbitam relativamente perto da nossa estrela. Os grandes gigantes de g\u00e1s e gelo, tais como J\u00fapiter, Saturno, ou Neptuno, por outro lado, movem-se em \u00f3rbitas largas \u00e0 volta do Sol. Em dois estudos publicados na revista cient\u00edfica Astronomy &amp; Astrophysics, investigadores das Universidades de Berna, de Genebra e do NCCR PlanetS (National Centre of Competence in Research PlanetS) mostram que o nosso sistema planet\u00e1rio, no que toca a este respeito, \u00e9 bastante \u00fanico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.unibe.ch\/unibe\/portal\/content\/e796\/e803\/e59463\/e805\/e1311044\/e1311045\/e1317029\/media_service1345869\/e1345871\/01B_20230214_Medienmitteilung_UniBE_UniGE_Planetenysteme_VisualNCCRPlanetS_IllustrationTobiasStierli_ger.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"794\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/WkG2Zeuf_o-1024x794.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5814\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/WkG2Zeuf_o-1024x794.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/WkG2Zeuf_o-300x233.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/WkG2Zeuf_o-768x595.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/WkG2Zeuf_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista das quatro classes da arquitetura dos sistemas planet\u00e1rios. Se os pequenos planetas de um sistema estiverem pr\u00f3ximos da estrela e os planetas massivos mais afastados, tais sistemas t\u00eam uma arquitetura &#8220;ordenada&#8221;. Pelo contr\u00e1rio, se a massa dos planetas de um sistema tende a diminuir com a dist\u00e2ncia \u00e0 estrela, estes sistemas s\u00e3o &#8220;antiordernados&#8217;. Se todos os planetas de um sistema tiverem massas semelhantes, ent\u00e3o a arquitctura deste sistema \u00e9 &#8220;semelhante&#8221;. Os sistemas planet\u00e1rios &#8220;mistos&#8221; s\u00e3o aqueles em que as massas planet\u00e1rias apresentam grandes varia\u00e7\u00f5es. A investiga\u00e7\u00e3o sugere que os sistemas planet\u00e1rios que t\u00eam a mesma classe de arquitetura t\u00eam percursos de forma\u00e7\u00e3o comuns.<br>Cr\u00e9dito: NCCR PlanetS; ilustra\u00e7\u00e3o &#8211; Tobias Stierli<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como ervilhas numa vagem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, os astr\u00f3nomos repararam, com base em observa\u00e7\u00f5es com o ent\u00e3o inovador telesc\u00f3pio Kepler, que os planetas noutros sistemas se assemelham normalmente aos seus respetivos vizinhos em tamanho e massa &#8211; como ervilhas numa vagem&#8221;, diz o autor principal do estudo, Lokesh Mishra, investigador das Universidades de Berna e de Genebra, bem como do NCCR PlanetS. Mas durante muito tempo n\u00e3o era claro se esta descoberta se devia a limita\u00e7\u00f5es dos m\u00e9todos de observa\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o era poss\u00edvel determinar se os planetas em qualquer sistema individual eram suficientemente semelhantes para se enquadrarem na classe dos sistemas &#8216;ervilha numa vagem&#8217;, ou se se eram bastante diferentes &#8211; tal como no nosso Sistema Solar&#8221;, diz Mishra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por conseguinte, o investigador desenvolveu uma estrutura para determinar as diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre os planetas dos mesmos sistemas. E, ao faz\u00ea-lo, descobriu que n\u00e3o existem duas, mas sim quatro arquiteturas de sistemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quatro classes de sistemas planet\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Chamamos a estas quatro classes &#8216;semelhante&#8217;, &#8216;ordenada&#8217;, &#8216;antiordenada&#8217; e &#8216;mista&#8217;,&#8221; diz Mishra. Os sistemas planet\u00e1rios em que as massas de planetas vizinhos s\u00e3o id\u00eanticas entre si t\u00eam uma arquitetura semelhante. Os sistemas planet\u00e1rios ordenados s\u00e3o aqueles em que a massa dos planetas tende a aumentar com a dist\u00e2ncia \u00e0 estrela &#8211; tal como no nosso Sistema Solar. Se, por outro lado, a massa dos planetas diminui aproximadamente com a dist\u00e2ncia \u00e0 estrela, os investigadores falam de uma arquitetura antiordenada do sistema. E ocorrem arquiteturas mistas, quando as massas planet\u00e1rias de um sistema variam muito de planeta para planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este quadro geral tamb\u00e9m pode ser aplicado a quaisquer outras medi\u00e7\u00f5es, como o raio, densidade ou conte\u00fados de \u00e1gua&#8221;, diz o coautor do estudo Yann Alibert, professor de ci\u00eancias planet\u00e1rias da Universidade de Berna e do NCCR PlanetS. &#8220;Agora, pela primeira vez, temos uma ferramenta para estudar sistemas planet\u00e1rios como um todo e para compar\u00e1-los com outros sistemas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados tamb\u00e9m levantam quest\u00f5es: que arquitetura \u00e9 a mais comum? Que fatores controlam o aparecimento de um tipo de arquitetura? Quais os fatores que n\u00e3o desempenham um papel? Os investigadores podem responder a algumas delas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.unibe.ch\/unibe\/portal\/content\/e796\/e803\/e59463\/e805\/e1311044\/e1311045\/e1317029\/media_service1345869\/e1345870\/01A_20230214_Medienmitteilung_UniBE_UniGE_Planetenysteme_VisualNCCRPlanetS_IllustrationTobiasStierli_web_ger.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/5b\/b8\/h8RpkVIG_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista das quatro classes da arquitetura dos sistemas planet\u00e1rios. Se os pequenos planetas de um sistema estiverem pr\u00f3ximos da estrela e os planetas massivos mais afastados, tais sistemas t\u00eam uma arquitetura &#8220;ordenada&#8221;. Pelo contr\u00e1rio, se a massa dos planetas de um sistema tende a diminuir com a dist\u00e2ncia \u00e0 estrela, estes sistemas s\u00e3o &#8220;antiordernados&#8217;. Se todos os planetas de um sistema tiverem massas semelhantes, ent\u00e3o a arquitctura deste sistema \u00e9 &#8220;semelhante&#8221;. Os sistemas planet\u00e1rios &#8220;mistos&#8221; s\u00e3o aqueles em que as massas planet\u00e1rias apresentam grandes varia\u00e7\u00f5es. A investiga\u00e7\u00e3o sugere que os sistemas planet\u00e1rios que t\u00eam a mesma classe de arquitetura t\u00eam percursos de forma\u00e7\u00e3o comuns.<br>Cr\u00e9dito: NCCR PlanetS; ilustra\u00e7\u00e3o &#8211; Tobias Stierli<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma ponte que se estende por milhares de milh\u00f5es de anos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os nossos resultados mostram que sistemas planet\u00e1rios &#8216;semelhantes&#8217; s\u00e3o o tipo mais comum de arquitetura. Cerca de oito em cada dez sistemas planet\u00e1rios em torno de estrelas vis\u00edveis no c\u00e9u noturno t\u00eam uma arquitetura &#8216;semelhante'&#8221;, diz Mishra. &#8220;Isto tamb\u00e9m explica porque \u00e9 que foram encontradas evid\u00eancias desta arquitetura nos primeiros meses da miss\u00e3o do Kepler&#8221;. O que surpreendeu a equipa foi que a arquitetura &#8220;ordenada&#8221; &#8211; a que tamb\u00e9m inclui o Sistema Solar &#8211; parece ser a classe mais rara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Mishra, h\u00e1 ind\u00edcios de que tanto a massa do disco de g\u00e1s e poeira do qual emergem os planetas, bem como a abund\u00e2ncia de elementos pesados na respetiva estrela, desempenham um papel. &#8220;Os sistemas planet\u00e1rios &#8216;semelhantes&#8217; emergem a partir de discos e estrelas razoavelmente pequenos e com poucos elementos pesados. Os discos grandes e massivos, com muitos mais elementos pesados na estrela, d\u00e3o origem a sistemas mais ordenados e antiordenados. Os sistemas mistos surgem a partir de discos de tamanho m\u00e9dio. As intera\u00e7\u00f5es din\u00e2micas entre planetas &#8211; tais como colis\u00f5es ou eje\u00e7\u00f5es &#8211; influenciam a arquitetura final&#8221;, explica Mishra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Um aspeto not\u00e1vel destes resultados \u00e9 que liga as condi\u00e7\u00f5es iniciais da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria e estelar a uma propriedade mensur\u00e1vel: a arquitetura do sistema. Entre elas situam-se milhares de milh\u00f5es de anos. Pela primeira vez, conseguimos colmatar esta enorme lacuna temporal e fazer previs\u00f5es test\u00e1veis. Ser\u00e1 excitante ver se elas se v\u00e3o aguentar&#8221;, conclui Alibert.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.unibe.ch\/news\/media_news\/media_relations_e\/media_releases\/2023\/media_releases_2023\/four_classes_of_planetary_systems\/index_eng.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Berna (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.unige.ch\/communication\/communiques\/en\/2023\/quatre-classes-de-systemes-planetaires\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Genebra (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/nccr-planets.ch\/blog\/2023\/02\/14\/four-classes-of-planetary-systems\/\" target=\"_blank\">\/\/ NCCR PlanetS (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/component\/article?access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/202243751\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2301.02374\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/component\/article?access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/202244705\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2301.02373\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Kepler:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/kepler\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/kepler\/overview\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kepler_space_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito que os astr\u00f3nomos sabem que os sistemas planet\u00e1rios n\u00e3o est\u00e3o necessariamente estruturados como o nosso Sistema Solar. 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