{"id":5771,"date":"2023-01-31T07:36:42","date_gmt":"2023-01-31T06:36:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5771"},"modified":"2023-01-31T07:36:43","modified_gmt":"2023-01-31T06:36:43","slug":"fermi-da-nasa-deteta-eclipses-de-raios-gama-em-sistemas-estelares-aranha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/01\/31\/fermi-da-nasa-deteta-eclipses-de-raios-gama-em-sistemas-estelares-aranha\/","title":{"rendered":"<strong>Fermi da NASA deteta eclipses de raios-gama em sistemas estelares &#8220;aranha&#8221;<\/strong>"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/svs.gsfc.nasa.gov\/vis\/a010000\/a014200\/a014281\/GamRayEclipseG22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"657\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/w1MbT9oB_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5772\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/w1MbT9oB_o.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/w1MbT9oB_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/w1MbT9oB_o-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma estrela em \u00f3rbita come\u00e7a a eclipsar a sua parceira, um remanescente estelar de rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e superdensa chamado pulsar, nesta ilustra\u00e7\u00e3o. O pulsar emite feixes de luz em v\u00e1rios comprimentos de onda que aparecem e desaparecem do nosso ponto de vista e produzem fluxos que aquecem o lado da companheira virado para o pulsar, soprando material e corroendo a sua parceira.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/Universidade Estatal de Sonoma, Aurore Simonnet<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando dados do Telesc\u00f3pio Espacial Fermi da NASA, os cientistas descobriram os primeiros eclipses de raios-gama de um tipo especial de sistema estelar bin\u00e1rio. Estes chamados sistemas de aranha cont\u00eam cada um deles um pulsar &#8211; os remanescentes superdensos e de rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de uma estrela que explodiu como supernova &#8211; que lentamente corr\u00f3i a sua companheira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de cientistas examinou mais de uma d\u00e9cada de observa\u00e7\u00f5es do Fermi para encontrar sete aranhas que sofrem estes eclipses, que ocorrem quando a estrela companheira de baixa massa passa em frente do pulsar a partir do nosso ponto de vista. Os dados permitiram-lhes calcular como os sistemas est\u00e3o inclinados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa linha de vis\u00e3o e outras informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Um dos objetivos mais importantes do estudo destes sistemas de aranha \u00e9 tentar medir as massas dos pulsares&#8221;, disse Colin Clark, astrof\u00edsico do Instituto Max Planck para F\u00edsica Gravitacional em Hannover, Alemanha, que liderou o trabalho. &#8220;Os pulsares s\u00e3o basicamente bolas da mat\u00e9ria mais densa que podemos medir. A massa m\u00e1xima que podem atingir limita a f\u00edsica dentro destes ambientes extremos, que n\u00e3o podem replicados na Terra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo cient\u00edfico sobre o estudo foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de 26 de janeiro da revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sistemas de aranha desenvolvem-se porque uma estrela num bin\u00e1rio evolui mais rapidamente do que a sua parceira. Quando a estrela massiva se transforma em supernova, deixa para tr\u00e1s um pulsar. Este remanescente estelar emite feixes em v\u00e1rios comprimentos de onda, incluindo raios-gama, que entram e saem do nosso ponto de vista, criando pulsos t\u00e3o regulares que rivalizam a precis\u00e3o dos rel\u00f3gios at\u00f3micos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde cedo que um pulsar aranha &#8220;alimenta-se&#8221; da sua companheira, desviando um fluxo de g\u00e1s. \u00c0 medida que o sistema evolui, a alimenta\u00e7\u00e3o p\u00e1ra quando o pulsar come\u00e7a a girar mais rapidamente, gerando fluxos de part\u00edculas e radia\u00e7\u00e3o que sobreeaquecem o lado virado para a companheira e a corroem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas dividem os sistemas de aranha em dois tipos com o nome de esp\u00e9cies de aranhas cujas f\u00eameas por vezes comem os seus companheiros mais pequenos. As vi\u00favas negras cont\u00eam companheiras com menos de 5% da massa do Sol. Os sistemas correspondentes \u00e0s aranhas de &#8220;lista vermelha&#8221; (o equivalente australiano da vi\u00fava negra, as chamadas &#8220;redbacks&#8221;) albergam companheiras maiores, tanto em tamanho como em massa, tendo entre 10% e 50% da massa do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Antes do Fermi, s\u00f3 conhec\u00edamos um punhado de pulsares que emitiam raios-gama&#8221;, disse Elizabeth Hays, cientista do projeto Fermi no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. &#8220;Ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada de observa\u00e7\u00f5es, a miss\u00e3o identificou mais de 300 e recolheu um longo e quase ininterrupto conjunto de dados que permite \u00e0 comunidade fazer ci\u00eancia pioneira&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores podem calcular as massas dos sistemas de aranha medindo os seus movimentos orbitais. As observa\u00e7\u00f5es, no vis\u00edvel, podem medir a rapidez com que a companheira est\u00e1 a viajar, enquanto as medi\u00e7\u00f5es no r\u00e1dio revelam a velocidade do pulsar. No entanto, estas dependem do movimento para e longe de n\u00f3s. Para um sistema visto quase de face, tais altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o ligeiras e potencialmente confusas. Os mesmos sinais tamb\u00e9m podem ser produzidos por um sistema mais pequeno, mais lento, que \u00e9 visto de lado. Para medir as massas, \u00e9 vital conhecer a inclina\u00e7\u00e3o do sistema em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa linha de vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00e2ngulo de inclina\u00e7\u00e3o \u00e9 normalmente medido utilizando luz vis\u00edvel, mas estas medi\u00e7\u00f5es v\u00eam com algumas potenciais complica\u00e7\u00f5es. \u00c0 medida que a companheira orbita o pulsar, o seu lado superaquecido entra e sai de vista, criando uma flutua\u00e7\u00e3o no vis\u00edvel que depende da inclina\u00e7\u00e3o. No entanto, os astr\u00f3nomos ainda est\u00e3o a aprender mais sobre o processo de superaquecimento e modelos com padr\u00f5es diferentes de aquecimento preveem por vezes massas diferentes para os pulsares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os raios-gama, por\u00e9m, s\u00e3o apenas gerados pelo pulsar e t\u00eam tanta energia que viajam em linha reta, sem serem afetados pelos detritos, a menos que sejam bloqueados pela companheira. Caso os raios-gama desapare\u00e7am do conjunto de dados de um sistema aranha, os cientistas podem inferir que a companheira eclipsou o pulsar. A partir da\u00ed, podem calcular a inclina\u00e7\u00e3o do sistema em rela\u00e7\u00e3o ao nosso ponto de vista, as velocidades das estrelas e a massa do pulsar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PSR B1957+20, ou B1957 para abreviar, foi a primeira vi\u00fava negra conhecida, descoberta em 1988. Modelos anteriores para este sistema, constru\u00eddos a partir de observa\u00e7\u00f5es \u00f3ticas, determinaram que a sua inclina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao nosso ponto de vista era de cerca de 65 graus e a massa do pulsar era 2,4 vezes superior \u00e0 do Sol. Isto tornaria B1957 o pulsar mais massivo conhecido, encontrando-se no limite te\u00f3rico de massa entre os pulsares e os buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao olhar para os dados do Fermi, Clark e a sua equipa encontraram 15 fot\u00f5es de raios-gama em falta. O &#8220;timing&#8221; dos pulsos de raios-gama destes objetos \u00e9 t\u00e3o fi\u00e1vel que 15 fot\u00f5es em falta, ao longo de uma d\u00e9cada, s\u00e3o suficientemente significativos para que a equipa possa determinar que o sistema est\u00e1 a ser eclipsado. Calcularam ent\u00e3o que o bin\u00e1rio est\u00e1 inclinado 84 graus e que o pulsar tem apenas 1,8 vezes a massa do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos \u00e0 procura de pulsares massivos e pensa-se que estes sistemas aranha s\u00e3o uma das melhores formas de os encontrar&#8221;, disse Matthew Kerr, coautor do novo artigo cient\u00edfico e f\u00edsico no Laborat\u00f3rio de Investiga\u00e7\u00e3o Naval dos EUA em Washington. &#8220;Eles sofreram um processo muito extremo de transfer\u00eancia de massa da estrela companheira para o pulsar. Assim que estes modelos fiquem realmente aperfei\u00e7oados, saberemos com certeza se estes sistemas de aranha s\u00e3o mais massivos do que o resto da popula\u00e7\u00e3o de pulsares&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2023\/nasa-s-fermi-detects-first-gamma-ray-eclipses-from-spider-star-systems\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpg.de\/18380764\/gamma-ray-eclipses-shed-new-light-on-spider-pulsars\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck para F\u00edsica Gravitacional (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-022-01874-x\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2301.10995\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/spider-system-pulsar-gamma-ray-eclipses\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2023-01-nasa-fermi-gamma-ray-eclipses-spider.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.upi.com\/Science_News\/2023\/01\/26\/nasa-fermi-gamma-ray-space-pulsars-spider-system\/4171674772178\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">UPI<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pulsares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.atnf.csiro.au\/research\/pulsar\/psrcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo ATNF de Pulsares<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ast.cam.ac.uk\/sites\/default\/files\/talk_archive\/RedbackTalkShort.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pulsar &#8220;redback&#8221; (PDF)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_Widow_Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pulsar vi\u00fava negra (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Fermi:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/GLAST\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GLAST_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma estrela em \u00f3rbita come\u00e7a a eclipsar a sua parceira, um remanescente estelar de rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e superdensa chamado pulsar, nesta ilustra\u00e7\u00e3o. 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