{"id":5708,"date":"2023-01-06T07:23:14","date_gmt":"2023-01-06T06:23:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5708"},"modified":"2023-01-06T07:23:15","modified_gmt":"2023-01-06T06:23:15","slug":"hubble-descobre-que-luz-fantasmagorica-entre-galaxias-estende-se-muito-para-tras-no-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/01\/06\/hubble-descobre-que-luz-fantasmagorica-entre-galaxias-estende-se-muito-para-tras-no-tempo\/","title":{"rendered":"<strong>Hubble descobre que luz fantasmag\u00f3rica entre gal\u00e1xias estende-se muito para tr\u00e1s no tempo<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em enxames gigantescos com centenas ou milhares de gal\u00e1xias, in\u00fameras estrelas vagueiam entre as gal\u00e1xias como almas perdidas, emitindo uma n\u00e9voa fantasmag\u00f3rica de luz. Estas estrelas n\u00e3o est\u00e3o gravitacionalmente ligadas a nenhuma gal\u00e1xia num enxame.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o que se coloca aos astr\u00f3nomos tem sido: como \u00e9 que as estrelas se espalharam tanto pelo enxame em primeiro lugar? V\u00e1rias teorias concorrentes incluem a possibilidade de as estrelas terem sido retiradas das gal\u00e1xias de um enxame, ou de terem sido atiradas para fora ap\u00f3s fus\u00f5es de gal\u00e1xias, ou de terem estado presentes nos primeiros anos de forma\u00e7\u00e3o de um enxame, h\u00e1 muitos milhares de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um levantamento infravermelho recente pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA, que procurava esta chamada &#8220;luz intraenxame&#8221;, lan\u00e7a nova luz sobre o mist\u00e9rio. As novas observa\u00e7\u00f5es do Hubble sugerem que estas estrelas j\u00e1 vagueiam h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos e que n\u00e3o s\u00e3o um produto de uma atividade din\u00e2mica mais recente dentro de um enxame gal\u00e1ctico, atividade esta que as retiraria das gal\u00e1xias normais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01GGTCJBZB74P9R3FKMBWMJ3G0.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"493\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/psgYenKK_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5709\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/psgYenKK_o.png 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/psgYenKK_o-300x150.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/psgYenKK_o-768x384.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/psgYenKK_o-660x330.png 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estas s\u00e3o imagens, pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, de dois enxames massivos de gal\u00e1xias chamadas MOO J1014+0038 (painel esquerdo) e SPT-CL J2106-5844 (painel direito). A cor azul artificialmente adicionada \u00e9 traduzida a partir dos dados do Hubble que captaram um fen\u00f3meno chamado &#8220;luz intraenxame&#8221;. Este brilho extremamente fraco tra\u00e7a uma distribui\u00e7\u00e3o suave da luz de estrelas errantes espalhadas pelo enxame. H\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, as estrelas eram libertadas das suas gal\u00e1xias-m\u00e3e e agora vagueiam pelo espa\u00e7o intergal\u00e1ctico.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, STScI, James Jee (Universidade Yonsei); Processamento de Imagem &#8211; Joseph DePasquale (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento incluiu 10 enxames de gal\u00e1xias t\u00e3o distantes quanto quase 10 mil milh\u00f5es de anos-luz. Estas medi\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser feitas a partir do espa\u00e7o porque a fraca luz intraenxame \u00e9 10.000 vezes mais fraca do que o c\u00e9u noturno, visto do solo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento revela que a fra\u00e7\u00e3o da luz intraenxame em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 luz total no enxame permanece constante, olhando para tr\u00e1s no tempo h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos. &#8220;Isto significa que estas estrelas j\u00e1 n\u00e3o tinham abrigo nas fases iniciais da forma\u00e7\u00e3o do enxame&#8221;, disse James Jee da Universidade Yonsei em Seul, Coreia do Sul. Os seus resultados foram publicados na edi\u00e7\u00e3o de 5 de janeiro da revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas podem ser espalhadas para fora do seu local de nascimento gal\u00e1ctico quando uma gal\u00e1xia se move atrav\u00e9s de material gasoso no espa\u00e7o entre gal\u00e1xias, \u00e0 medida que orbita o centro do enxame. No processo, a resist\u00eancia empurra g\u00e1s e poeira para fora da gal\u00e1xia. Contudo, com base no novo levantamento do Hubble, Jee descarta este mecanismo como a causa prim\u00e1ria da produ\u00e7\u00e3o de estrelas intraenxame. Isto porque a fra\u00e7\u00e3o de luz intraenxame iria aumentar ao longo do tempo at\u00e9 ao presente caso o despojamento fosse o principal respons\u00e1vel. Mas n\u00e3o \u00e9 esse o caso nos novos dados do Hubble, que mostram uma fra\u00e7\u00e3o constante ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o sabemos exatamente o que as tornou sem-abrigo. As teorias atuais n\u00e3o conseguem explicar os nossos resultados, mas de alguma forma foram produzidas em grandes quantidades no Universo inicial&#8221;, disse Jee. &#8220;Nos seus primeiros anos de forma\u00e7\u00e3o, as gal\u00e1xias podem ter sido bastante pequenas e ter &#8216;sangrado&#8217; estrelas com bastante facilidade devido a um dom\u00ednio gravitacional mais fraco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se descobrirmos a origem das estrelas intraenxame, isso ajudar-nos-\u00e1 a compreender a hist\u00f3ria da &#8216;montagem&#8217; de todo um enxame de gal\u00e1xias, e elas podem servir como rastreadores vis\u00edveis da mat\u00e9ria escura que envolve o enxame&#8221;, disse Hyungjin Joo da Universidade Yonsei, primeiro autor do artigo. A mat\u00e9ria escura \u00e9 o andaime invis\u00edvel do Universo, que mant\u00e9m gal\u00e1xias e enxames de gal\u00e1xias juntas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se as estrelas errantes fossem produzidas atrav\u00e9s de um jogo de pinball entre gal\u00e1xias, comparativamente mais recente, n\u00e3o teriam tido tempo suficiente para se dispersarem por todo o campo gravitacional do enxame e, por conseguinte, n\u00e3o rastreariam a distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura do enxame. Mas se as estrelas nasceram nos primeiros anos do enxame, ter\u00e3o sido completamente dispersas por todo o enxame. Isto permitiria com que os astr\u00f3nomos utilizassem as estrelas sem-abrigo para mapear a distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura em todo o enxame.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta t\u00e9cnica \u00e9 nova e complementar ao m\u00e9todo tradicional de mapeamento da mat\u00e9ria escura, medindo como todo o enxame distorce a luz de objetos de fundo devido a um fen\u00f3meno chamado lente gravitacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A luz intraenxame foi detetada pela primeira vez no enxame de gal\u00e1xias de Coma em 1951 por Fritz Zwicky, que relatou que uma das suas descobertas mais interessantes era a observa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria luminosa e intergal\u00e1ctica t\u00e9nue no enxame. Dado que o enxame de Coma, contendo pelo menos 1000 gal\u00e1xias, \u00e9 um dos enxames mais pr\u00f3ximos da Terra (330 milh\u00f5es de anos-luz), Zwicky foi capaz de detetar a luz fantasmag\u00f3rica at\u00e9 com um modesto telesc\u00f3pio de 18 polegadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A capacidade e sensibilidade, no infravermelho pr\u00f3ximo, do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA, ir\u00e1 alargar em muito a procura de estrelas intraenxame no Universo, ajudando, portanto, a resolver o mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2023\/hubble-finds-that-ghost-light-among-galaxies-stretches-far-back-in-time\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/esahubble.org\/images\/opo2303a\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2023\/news-2023-003\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-022-05396-4\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01GNF67ZKCR0TH3V2N3RXQGEPW.pdf\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (PDF)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames gal\u00e1cticos:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy_groups_and_clusters\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em enxames gigantescos com centenas ou milhares de gal\u00e1xias, in\u00fameras estrelas vagueiam entre as gal\u00e1xias como almas perdidas, emitindo uma n\u00e9voa fantasmag\u00f3rica de luz. 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