{"id":5697,"date":"2023-01-03T07:18:13","date_gmt":"2023-01-03T06:18:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5697"},"modified":"2023-01-03T07:18:13","modified_gmt":"2023-01-03T06:18:13","slug":"graos-de-asteroides-antigos-fornecem-informacoes-da-evolucao-do-nosso-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2023\/01\/03\/graos-de-asteroides-antigos-fornecem-informacoes-da-evolucao-do-nosso-sistema-solar\/","title":{"rendered":"<strong>Gr\u00e3os de asteroides antigos fornecem informa\u00e7\u00f5es da evolu\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>A instala\u00e7\u00e3o de sincotr\u00e3o do Reino Unido, Diamond Light Source, foi utilizada por uma grande colabora\u00e7\u00e3o internacional para estudar gr\u00e3os recolhidos de um asteroide pr\u00f3ximo da Terra e assim aprofundar a nossa compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Investigadores da Universidade de Leicester trouxeram um fragmento do asteroide Ryugu para a linha de feixe I14 da Nanosonda do Diamond, onde uma t\u00e9cnica especial chamada XANES (X-ray Absorption Near Edge Spectroscopy) foi utilizada para mapear os estados qu\u00edmicos dos elementos dentro do material do asteroide, para examinar a sua composi\u00e7\u00e3o em detalhe. A equipa tamb\u00e9m estudou os gr\u00e3os de asteroides utilizando um microsc\u00f3pio eletr\u00f3nico no ePSIC (electron Physical Science Imaging Centre).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/96\/00\/SiTM4jQe_o.png\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem obtida, no ePSIC, de minerais serpentinos e de \u00f3xido de Fe de Ryugu.<br>Cr\u00e9dito: ePSIC\/Universidade de Leicester<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Julia Parker \u00e9 a principal cientista da linha de feixe I14. Ela disse: &#8220;a Nanosonda de raios-X permite aos cientistas examinar a estrutura qu\u00edmica das suas amostras em escalas microm\u00e9tricas a nanom\u00e9tricas, que \u00e9 complementada pela resolu\u00e7\u00e3o nanom\u00e9trica a at\u00f3mica do ePSIC. \u00c9 muito estimulante poder contribuir para a compreens\u00e3o destas amostras \u00fanicas e trabalhar com a equipa de Leicester para demonstrar como as t\u00e9cnicas na linha de feixe, e correlativamente no ePSIC, podem beneficiar futuras miss\u00f5es de envio de amostras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados recolhidos na instala\u00e7\u00e3o Diamond contribu\u00edram para um estudo mais amplo das assinaturas do clima espacial no asteroide. As amostras pristinas de asteroides permitiram aos colaboradores explorar como o clima espacial pode alterar a composi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e qu\u00edmica da superf\u00edcie de asteroides carbon\u00e1ceos como Ryugu.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores descobriram que a superf\u00edcie de Ryugu est\u00e1 desidratada e que \u00e9 prov\u00e1vel que o clima espacial seja respons\u00e1vel. Os resultados do estudo, publicados na revista Nature Astronomy, levaram os autores a concluir que os asteroides que parecem secos \u00e0 superf\u00edcie podem ser ainda ricos em \u00e1gua, o que potencialmente pode exigir uma revis\u00e3o da nossa compreens\u00e3o da abund\u00e2ncia de tipos de asteroides e da hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da cintura de asteroides.<\/p>\n\n\n\n<p>Ryugu \u00e9 um asteroide pr\u00f3ximo da Terra, com cerca de 900 metros em di\u00e2metro, descoberto pela primeira vez em 1999 dentro da cintura de asteroides entre Marte e J\u00fapiter. O seu nome vem do pal\u00e1cio submarino do Deus Drag\u00e3o na mitologia japonesa. Em 2014, a ag\u00eancia espacial japonesa JAXA lan\u00e7ou o Hayabusa2, uma miss\u00e3o de envio de amostras, para se encontrar com o asteroide Ryugu e recolher amostras de material da sua superf\u00edcie e subsuperf\u00edcie. A sonda regressou \u00e0 Terra em 2020, libertando uma c\u00e1psula contendo fragmentos preciosos do asteroide. Estas pequenas amostras foram distribu\u00eddas a laborat\u00f3rios de todo o mundo para estudo cient\u00edfico, incluindo \u00e0 Escola de F\u00edsica e Astronomia e ao Space Park da Universidade de Leicester onde John Bridges, um dos autores do artigo, \u00e9 professor de ci\u00eancias planet\u00e1rias.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/DmcXR4lm_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"512\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/DmcXR4lm_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4958\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/DmcXR4lm_o.jpg 512w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/DmcXR4lm_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/DmcXR4lm_o-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O asteroide Ryugu, fotografado pela sonda Hayabusa2 no dia 26 de junho de 2018.\nCr\u00e9dito: JAXA, Universidade de T\u00f3quio e colaboradores<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Bridges disse: &#8220;Esta miss\u00e3o \u00fanica de recolher amostras dos blocos de constru\u00e7\u00e3o mais primitivos e carbon\u00e1ceos do Sistema Solar precisa da microscopia mais detalhada do mundo e \u00e9 por isso que a JAXA e a equipa de Mineralogia queriam que analis\u00e1ssemos as amostras na linha de raios-X da nanosonda Diamond. N\u00f3s ajud\u00e1mos a revelar a natureza do clima espacial neste asteroide com impactos de micrometeoritos e o vento solar criando minerais serpentinos desidratados, e uma redu\u00e7\u00e3o associada de Fe3+ oxidado para Fe2+ mais reduzido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 importante acumular experi\u00eancia no estudo de amostras trazidas de asteroides, como na miss\u00e3o Hayabusa2, porque em breve v\u00e3o haver novas amostras de outros tipos de asteroides, da Lua e dentro dos pr\u00f3ximos dez anos de Marte, enviadas para a Terra. A comunidade brit\u00e2nica poder\u00e1 realizar algumas das an\u00e1lises cr\u00edticas devido \u00e0s nossas instala\u00e7\u00f5es do Diamond e dos microsc\u00f3pios eletr\u00f3nicos no ePSIC&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os blocos de constru\u00e7\u00e3o de Ryugu s\u00e3o remanescentes de intera\u00e7\u00f5es entre a \u00e1gua, minerais e subst\u00e2ncias org\u00e2nicas no in\u00edcio do Sistema Solar, antes da forma\u00e7\u00e3o da Terra. A compreens\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o dos asteroides pode ajudar a explicar como o Sistema Solar primitivo se desenvolveu e, subsequentemente, como a Terra se formou. Podem at\u00e9 ajudar a explicar como surgiu a vida na Terra, pois pensa-se que os asteroides forneceram grande parte da \u00e1gua do planeta, bem como compostos org\u00e2nicos como os amino\u00e1cidos, os blocos de constru\u00e7\u00e3o fundamentais a partir dos quais toda a vida humana \u00e9 constru\u00edda. A informa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a ser recolhida a partir destas pequenas amostras de asteroides ir\u00e1 ajudar-nos a compreender melhor a origem n\u00e3o s\u00f3 dos planetas e das estrelas, mas tamb\u00e9m da pr\u00f3pria vida. Quer se trate de fragmentos de asteroides, pinturas antigas ou estruturas de v\u00edrus desconhecidos, no sincotr\u00e3o, os cientistas podem estudar as suas amostras utilizando uma m\u00e1quina que \u00e9 10.000 vezes mais potente do que um microsc\u00f3pio tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.diamond.ac.uk\/Home\/News\/LatestNews\/2022\/19-12-22.html\" target=\"_blank\">\/\/ Diamond Light Source (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/global.jaxa.jp\/press\/2022\/12\/20221220-1_e.html\" target=\"_blank\">\/\/ JAXA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-022-01841-6\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Asteroide Ryugu:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/sbdb.cgi?sstr=162173#content\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/162173_Ryugu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hayabusa2:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.hayabusa2.jaxa.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JAXA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hayabusa2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diamond Light Source:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.diamond.ac.uk\/Home.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Diamond_Light_Source\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A instala\u00e7\u00e3o de sincotr\u00e3o do Reino Unido, Diamond Light Source, foi utilizada por uma grande colabora\u00e7\u00e3o internacional para estudar gr\u00e3os recolhidos de um asteroide pr\u00f3ximo da Terra e assim aprofundar a nossa compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar. 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