{"id":5635,"date":"2022-12-09T08:23:19","date_gmt":"2022-12-09T07:23:19","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5635"},"modified":"2022-12-09T08:23:20","modified_gmt":"2022-12-09T07:23:20","slug":"peekaboo-galaxia-minuscula-e-escondida-fornece-um-vislumbre-para-o-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/12\/09\/peekaboo-galaxia-minuscula-e-escondida-fornece-um-vislumbre-para-o-passado\/","title":{"rendered":"<strong>Peekaboo! Gal\u00e1xia min\u00fascula e escondida fornece um vislumbre para o passado<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao espreitarem por detr\u00e1s do brilho de uma estrela brilhante em primeiro plano, os astr\u00f3nomos descobriram o exemplo mais extraordin\u00e1rio at\u00e9 agora de uma gal\u00e1xia vizinha com caracter\u00edsticas que se assemelham mais a gal\u00e1xias no Universo distante e primitivo. Com apenas 1200 anos-luz de di\u00e2metro, a pequena gal\u00e1xia HIPASS J1131\u201331 foi apelidada de &#8220;Peekaboo&#8221; devido ao seu aparecimento nos \u00faltimos 50-100 por detr\u00e1s da estrela que se movia rapidamente e que obscurecia a sua dete\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta \u00e9 um esfor\u00e7o combinado de telesc\u00f3pios no solo e no espa\u00e7o, incluindo a confirma\u00e7\u00e3o pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA. Juntos, a investiga\u00e7\u00e3o mostra evid\u00eancias tentadoras de que a Gal\u00e1xia Peekaboo \u00e9 o exemplo mais pr\u00f3ximo dos processos de forma\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica que geralmente tiveram lugar pouco depois do Big Bang, h\u00e1 13,8 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01GJE0A0GF3JME9YEH473HB2ZA.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"625\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/z7uvrfw3_o-1024x625.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5636\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/z7uvrfw3_o-1024x625.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/z7uvrfw3_o-300x183.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/z7uvrfw3_o-768x469.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/z7uvrfw3_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA obteve uma imagem detalhada da pequena gal\u00e1xia HIPASS J1131-31, apelidada de &#8220;Gal\u00e1xia Peekaboo&#8221;, apesar da sua proximidade com uma estrela brilhante em primeiro plano. Para al\u00e9m das imagens do Hubble, os astr\u00f3nomos utilizaram o SALT (South African Large Telescope) para recolher dados espectrosc\u00f3picos detalhados sobre as estrelas da gal\u00e1xia, que mostram que esta \u00e9 uma das gal\u00e1xias menos enriquecidas quimicamente alguma vez descobertas no Universo local.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA e Igor Karachentsev (SAO RAS); processamento da Imagem &#8211; Alyssa Pagan (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Descobrir a Gal\u00e1xia Peekaboo \u00e9 como descobrir uma janela direta para o passado, permitindo-nos estudar o seu ambiente extremo e as suas estrelas a um n\u00edvel de detalhe inacess\u00edvel no Universo distante e primitivo&#8221;, disse o astr\u00f3nomo Gagandeep Anand do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, coautor do novo estudo sobre as propriedades intrigantes de Peekaboo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos descrevem gal\u00e1xias como Peekaboo como &#8220;extremamente pobres em metais&#8221; (em ingl\u00eas &#8220;extremely metal-poor&#8221;, ou XMP). Na astronomia, &#8220;metais&#8221; s\u00e3o todos os elementos mais pesados do que o hidrog\u00e9nio e o h\u00e9lio. O Universo primitivo era quase inteiramente constitu\u00eddo por hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio primordiais, elementos forjados no Big Bang. Os elementos mais pesados foram produzidos pelas estrelas ao longo da hist\u00f3ria c\u00f3smica, dando origem ao Universo geralmente rico em metais em que os humanos se encontram hoje em dia. A vida tal como a conhecemos \u00e9 feita de &#8220;blocos de constru\u00e7\u00e3o&#8221; mais pesados como o carbono, oxig\u00e9nio, ferro e c\u00e1lcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto as primeiras gal\u00e1xias do Universo eram extremamente pobres em metais por defeito, gal\u00e1xias igualmente pobres em metais tamb\u00e9m t\u00eam sido encontradas no Universo local. Peekaboo chamou a aten\u00e7\u00e3o dos astr\u00f3nomos porque n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 uma gal\u00e1xia XMP sem uma popula\u00e7\u00e3o estelar substancialmente mais velha como, a apenas 20 milh\u00f5es de anos-luz da Terra, est\u00e1 localizada a pelo menos metade da dist\u00e2ncia das jovens gal\u00e1xias XMP anteriormente conhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Peekaboo foi detetada pela primeira vez como uma regi\u00e3o de hidrog\u00e9nio frio h\u00e1 mais de 20 anos com o radiotelesc\u00f3pio Murriyang do Observat\u00f3rio Parkes, na Austr\u00e1lia, durante o levantamento HIPASS (HI Parkes All Sky Survey), pela professora B\u00e4rbel Koribalski, astr\u00f3noma da ag\u00eancia cient\u00edfica nacional CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) da Austr\u00e1lia e coautora do \u00faltimo estudo de investiga\u00e7\u00e3o sobre a metalicidade de Peekaboo. Observa\u00e7\u00f5es no ultravioleta distante, pela miss\u00e3o espacial GALEX (Galaxy Evolution Explorer) da NASA, mostraram que se tratava de uma gal\u00e1xia an\u00e3 azul e compacta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao in\u00edcio n\u00e3o nos apercebemos de qu\u00e3o especial era esta pequena gal\u00e1xia&#8221;, disse Koribalski acerca de Peekaboo. &#8220;Agora, com dados combinados do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, do SALT (Southern African Large Telescope) e outros, sabemos que a Gal\u00e1xia Peekaboo \u00e9 uma das gal\u00e1xias mais pobres em metais alguma vez detetadas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA foi capaz de resolver cerca de 60 estrelas na min\u00fascula gal\u00e1xia e quase todas elas parecem ter alguns milhares de milh\u00f5es de anos ou menos. As medi\u00e7\u00f5es da metalicidade de Peekaboo, pelo SALT, completaram a imagem. Juntas, estas descobertas sublinham a grande diferen\u00e7a entre Peekaboo e outras gal\u00e1xias no Universo local, que t\u00eam tipicamente estrelas antigas com muitos milhares de milh\u00f5es de anos. As estrelas de Peekaboo indicam que \u00e9 uma das gal\u00e1xias mais jovens e menos enriquecidas quimicamente jamais detetadas no Universo local. Isto \u00e9 muito invulgar, uma vez que o Universo local teve cerca de 13 mil milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria c\u00f3smica para se desenvolver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, este retrato ainda \u00e9 superficial, diz Anand, uma vez que as observa\u00e7\u00f5es Hubble foram feitas como parte de um levantamento por via de &#8220;instant\u00e2neos&#8221;, chamado &#8220;Every Known Nearby Galaxy Survey&#8221; &#8211; um esfor\u00e7o para obter dados Hubble do maior n\u00famero poss\u00edvel de gal\u00e1xias vizinhas. A equipa de investiga\u00e7\u00e3o planeia utilizar o Hubble o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb para continuar a estudar Peekaboo, para aprender mais sobre as suas popula\u00e7\u00f5es estelares e sobre a sua composi\u00e7\u00e3o met\u00e1lica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Devido \u00e0 proximidade de Peekaboo, podemos realizar observa\u00e7\u00f5es detalhadas, abrindo possibilidades de ver um ambiente que se assemelha ao Universo primitivo com um detalhe sem precedentes&#8221;, disse Anand.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados foram aceites para publica\u00e7\u00e3o na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2022\/peekaboo-tiny-hidden-galaxy-provides-a-peek-into-the-past\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2022\/news-2022-051\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/mnras\/stac3284\/6825465?redirectedFrom=fulltext&amp;login=false\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xias XMP (&#8220;extremely metal-poor&#8221;, extremamente pobres em metais):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ned.ipac.caltech.edu\/level5\/Kunth\/Kunth_contents.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NED (NASA\/ipac Extragalactic Database)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cronologia do Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chronology_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SALT (South African Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.salt.ac.za\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Southern_African_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GALEX (Galaxy Evolution Explorer):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.galex.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GALEX\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao espreitarem por detr\u00e1s do brilho de uma estrela brilhante em primeiro plano, os astr\u00f3nomos descobriram o exemplo mais extraordin\u00e1rio at\u00e9 agora de uma gal\u00e1xia vizinha com caracter\u00edsticas que se assemelham mais a gal\u00e1xias no Universo distante e primitivo. Com apenas 1200 anos-luz de di\u00e2metro, a pequena gal\u00e1xia HIPASS J1131\u201331 foi apelidada de &#8220;Peekaboo&#8221; devido &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5636,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[60,16,1],"tags":[110,963,150,507],"class_list":["post-5635","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-galaxias","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-galaxias","tag-galex","tag-hubble","tag-salt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5635"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5637,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5635\/revisions\/5637"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5636"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}