{"id":5620,"date":"2022-12-02T07:20:00","date_gmt":"2022-12-02T06:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5620"},"modified":"2022-12-02T07:20:01","modified_gmt":"2022-12-02T06:20:01","slug":"a-detecao-mais-distante-de-um-buraco-negro-a-engolir-uma-estrela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/12\/02\/a-detecao-mais-distante-de-um-buraco-negro-a-engolir-uma-estrela\/","title":{"rendered":"<strong>A dete\u00e7\u00e3o mais distante de um buraco negro a engolir uma estrela<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio deste ano, o VLT (Very Large Telescope) do ESO recebeu um alerta ap\u00f3s uma fonte de luz vis\u00edvel invulgar ter sido detetada por um telesc\u00f3pio de rastreio. O VLT, juntamente com outros telesc\u00f3pios, foi rapidamente apontado na dire\u00e7\u00e3o desta fonte: um buraco negro supermassivo numa gal\u00e1xia distante que tinha &#8220;devorado&#8221; uma estrela, expelindo os restos da &#8220;refei\u00e7\u00e3o&#8221; sob a forma de um jato. O VLT determinou que este era o exemplo mais distante de um tal evento observado at\u00e9 \u00e0 data. Uma vez que o jato aponta praticamente na nossa dire\u00e7\u00e3o, esta \u00e9 tamb\u00e9m a primeira vez que foi descoberto no vis\u00edvel, demonstrando-se assim uma nova maneira de detetar estes eventos extremos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2216a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"418\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/d60YjBVg_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5621\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/d60YjBVg_o.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/d60YjBVg_o-300x179.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem art\u00edstica ilustra como \u00e9 que uma estrela que se aproxima demasiado de um buraco negro fica &#8220;espremida&#8221; pela enorme atra\u00e7\u00e3o gravitacional deste objeto. Algum do material estelar \u00e9 puxado e roda em torno do buraco negro, formando o disco que podemos ver nesta imagem. Em alguns casos raros como este, jatos de mat\u00e9ria e radia\u00e7\u00e3o s\u00e3o lan\u00e7ados a partir dos polos do buraco negro. No caso de AT2022cmc, foram detetadas evid\u00eancias de jatos por v\u00e1rios telesc\u00f3pios, incluindo o VLT, que determinou que este \u00e9 o exemplo mais distante de um tal evento.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/M.Kornmesser<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas que se aproximam demasiado de um buraco negro s\u00e3o destru\u00eddas pelas enormes for\u00e7as de mar\u00e9 deste objeto, num fen\u00f3meno a que se chama evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s. Cerca de 1% destes eventos d\u00e3o origem a jatos de plasma e radia\u00e7\u00e3o que s\u00e3o ejetados a partir dos polos do buraco negro em rota\u00e7\u00e3o. Em 1971, o pioneiro dos buracos negros, John Wheeler definiu o conceito de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s com jatos como &#8220;um tubo de pasta de dentes apertado no meio com toda a for\u00e7a,&#8221; fazendo com que o sistema &#8220;esguiche mat\u00e9ria pelas duas pontas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;At\u00e9 agora observ\u00e1mos apenas uma m\u00e3o cheia deste tipo de eventos que permanecem, por isso, mal compreendidos e s\u00e3o bastante ex\u00f3ticos,&#8221; disse Nial Tanvir, da Universidade de Leicester no Reino Unido, que liderou as observa\u00e7\u00f5es com o VLT para determinar a dist\u00e2ncia ao objeto. Os astr\u00f3nomos procuram constantemente estes eventos extremos para compreenderem melhor como \u00e9 que os jatos realmente se formam e porque \u00e9 que apenas uma percentagem t\u00e3o pequena de eventos de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s lhes d\u00e3o origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 por esta raz\u00e3o que muitos telesc\u00f3pios, incluindo o ZTF (Zwicky Transient Facility) nos EUA, mapeiam constantemente o c\u00e9u \u00e0 procura de sinais de eventos de curta dura\u00e7\u00e3o, frequentemente extremos, que possam seguidamente ser estudados com mais detalhe por grandes telesc\u00f3pios, como o VLT do ESO, no Chile. &#8220;Desenvolvemos um procedimento autom\u00e1tico de c\u00f3digo aberto que armazena e extrai informa\u00e7\u00e3o importante do rastreio ZTF e nos alerta em tempo real para eventos invulgares,&#8221; explica Igor Andreoni, astr\u00f3nomo na Universidade de Maryland, EUA, que coliderou, juntamente com Michael Coughlin da Universidade de Minnesota, o artigo cient\u00edfico sobre este trabalho, publicado na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em fevereiro deste ano, o ZTF detetou uma nova fonte de radia\u00e7\u00e3o vis\u00edvel. O evento, chamado AT2022cmc, fazia lembrar uma explos\u00e3o de raios-gama, a fonte de radia\u00e7\u00e3o mais potente do Universo. Com o intuito de investigar este fen\u00f3meno raro, a equipa utilizou v\u00e1rios telesc\u00f3pios em todo o mundo para observar a misteriosa fonte com mais detalhe. Isto incluiu o VLT do ESO, que rapidamente observou este novo evento com o instrumento X-shooter. Os dados do VLT colocaram a fonte a uma dist\u00e2ncia sem precedentes no que diz respeito a estes eventos: a luz produzida por AT2022cmc come\u00e7ou a sua viagem quando o Universo tinha apenas cerca de um-ter\u00e7o da sua idade atual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma grande variedade de radia\u00e7\u00e3o, desde raios-gama altamente energ\u00e9ticos a ondas r\u00e1dio de baixa energia, foi recolhida por 21 telesc\u00f3pios em todo o mundo. A equipa comparou estes dados com diferentes tipos de eventos conhecidos, desde estrelas em colapso a quilonovas. O \u00fanico cen\u00e1rio que explicava os dados obtidos era um raro evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s com um jato a apontar na nossa dire\u00e7\u00e3o. Giorgos Leloudas, astr\u00f3nomo no DTU Space na Dinamarca e coautor deste estudo, explica que &#8220;uma vez que o jato relativista aponta na nossa dire\u00e7\u00e3o, o fen\u00f3meno torna-se muito mais brilhante e vis\u00edvel ao longo de um maior dom\u00ednio de comprimentos de onda do espectro eletromagn\u00e9tico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As medi\u00e7\u00f5es de dist\u00e2ncia executadas com o VLT mostraram que AT2022cmc \u00e9 o mais distante fen\u00f3meno de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s alguma vez observado, mas este n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico recorde que este objeto bate. &#8220;At\u00e9 agora, o pequeno n\u00famero destes eventos que se conheciam, tinham sido inicialmente detetados por telesc\u00f3pios de raios-gama ou de raios-X. Esta foi a primeira descoberta feita durante um rastreio no vis\u00edvel!&#8221; disse Daniel Perley, astr\u00f3nomo na Universidade John Moores de Liverpool, Reino Unido, e coautor do estudo. Isto mostra-nos uma nova maneira de detetar eventos de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s com jatos, permitindo-nos estudar melhor estes eventos raros e investigar os meios extremos que circundam os buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Animation of a black hole swallowing a star\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wWmYgPe773s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2216\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.mit.edu\/2022\/black-hole-jet-astronomy-1130\" target=\"_blank\">\/\/ MIT News (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.swinburne.edu.au\/news\/2022\/12\/stars-fatal-encounter-with-black-hole-creates-rare-luminous-flash\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Swinburne (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.cnrs.fr\/en\/exceptionally-luminous-jets-when-star-meets-black-hole\" target=\"_blank\">\/\/ CNRS (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-022-05465-8\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2211.16530\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/972614\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/black-hole-eating-star-jet-points-earth\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/science\/supermassive-black-hole-stellar-snack\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2022\/11\/221130114509.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2349352-star-ripped-up-by-black-hole-is-one-of-the-brightest-things-ever-seen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-11-distant-black-hole-swallowing-star.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/astronomers-see-a-stars-final-scream-into-a-black-hole-halfway-across-the-universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/tek.sapo.pt\/multimedia\/artigos\/muito-muito-longe-um-buraco-negro-engoliu-uma-estrela-e-deitou-fora-os-restos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SAPO<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AT2022cmc:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.wis-tns.org\/object\/2022cmc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transient Name Server<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Tidal_disruption_event\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ZTF:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.ztf.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ipac.caltech.edu\/project\/ztf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Zwicky_Transient_Facility\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio deste ano, o VLT (Very Large Telescope) do ESO recebeu um alerta ap\u00f3s uma fonte de luz vis\u00edvel invulgar ter sido detetada por um telesc\u00f3pio de rastreio. 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