{"id":5589,"date":"2022-11-22T07:17:10","date_gmt":"2022-11-22T06:17:10","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5589"},"modified":"2022-11-22T07:17:11","modified_gmt":"2022-11-22T06:17:11","slug":"os-misteriosos-filamentos-da-via-lactea-tem-primos-mais-velhos-e-distantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/11\/22\/os-misteriosos-filamentos-da-via-lactea-tem-primos-mais-velhos-e-distantes\/","title":{"rendered":"<strong>Os misteriosos filamentos da Via L\u00e1ctea t\u00eam &#8220;primos mais velhos e distantes&#8221;<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>O astrof\u00edsico Farhad Zadeh, da Universidade Northwestern, tem tido um grande interesse e fasc\u00ednio por uma fam\u00edlia de filamentos magn\u00e9ticos em grande escala e altamente organizados, situados no centro da Via L\u00e1ctea, desde que os descobriu no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, quarenta anos depois, Zadeh permanece igualmente fascinado &#8211; mas talvez um pouco menos intrigado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma nova descoberta de filamentos semelhantes, mas situados noutras gal\u00e1xias, Zadeh e seus colaboradores introduziram, pela primeira vez, duas explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para as origens desconhecidas dos filamentos. Num novo artigo cient\u00edfico, publicado no in\u00edcio deste m\u00eas na revista The Astrophysical Journal Letters, Zadeh e os seus coautores prop\u00f5em que os filamentos podem resultar de uma intera\u00e7\u00e3o entre vento e nuvens em grande escala ou podem surgir de turbul\u00eancia dentro de um campo magn\u00e9tico fraco.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s j\u00e1 sabemos muito sobre os filamentos no nosso pr\u00f3prio Centro Gal\u00e1ctico, e agora os filamentos nas outras gal\u00e1xias come\u00e7am a aparecer como uma nova popula\u00e7\u00e3o de filamentos extragal\u00e1cticos&#8221;, disse Zadeh. &#8220;Os mecanismos f\u00edsicos subjacentes a ambas as popula\u00e7\u00f5es de filamentos s\u00e3o semelhantes, apesar dos ambientes serem muito diferentes. Os objetos fazem parte da mesma fam\u00edlia, mas os filamentos fora da Via L\u00e1ctea s\u00e3o primos mais velhos e distantes &#8211; primos mesmo muito distantes (no tempo e no espa\u00e7o)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Perito em radioastronomia, Zadeh \u00e9 professor de f\u00edsica e astronomia na Faculdade Weinberg de Artes e Ci\u00eancias da Universidade Northwestern e membro do CIERA (Center for Interdisciplinary Exploration and Research in Astrophysics).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/4CjZCr6f_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"970\" height=\"650\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/4CjZCr6f_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5590\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/4CjZCr6f_o.jpg 970w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/4CjZCr6f_o-300x201.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/4CjZCr6f_o-768x515.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/4CjZCr6f_o-110x75.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 970px) 100vw, 970px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os filamentos magn\u00e9ticos em grande escala &#8220;derramam&#8221; para baixo a partir do jato de um buraco negro, localizado numa gal\u00e1xia membro de um distante enxame.<br>Cr\u00e9dito: Rudnick e colaboradores, 2022<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>&#8220;Algo universal est\u00e1 a acontecer&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros filamentos que Zadeh descobriu estendem-se at\u00e9 150 anos-luz de comprimento, elevando-se perto do buraco negro central da Via L\u00e1ctea. No in\u00edcio deste ano, Zadeh adicionou mais quase 1000 filamentos \u00e0 sua cole\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es. Nesse lote, os filamentos unidimensionais aparecem aos pares e agrupados, muitas vezes empilhados e igualmente espa\u00e7ados, lado a lado como cordas numa harpa ou de lado como ondula\u00e7\u00f5es individuais numa cascata.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando observa\u00e7\u00f5es de radiotelesc\u00f3pios, Zadeh descobriu que os filamentos mistificantes s\u00e3o constitu\u00eddos por eletr\u00f5es de raios c\u00f3smicos que giram ao longo de um campo magn\u00e9tico a uma velocidade pr\u00f3xima da velocidade da luz. Embora Zadeh esteja a montar o puzzle da sua composi\u00e7\u00e3o, ainda se perguntava de onde vinham. Quando os astr\u00f3nomos descobriram uma nova popula\u00e7\u00e3o para l\u00e1 da nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia, isso forneceu novas oportunidades para investigar os processos f\u00edsicos no espa\u00e7o que rodeia os filamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os filamentos recentemente descobertos residem dentro de um enxame de gal\u00e1xias, um emaranhado concentrado de milhares de gal\u00e1xias localizado a mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra. Algumas das gal\u00e1xias dentro do enxame s\u00e3o radiogal\u00e1xias ativas, que parecem ser terreno f\u00e9rtil para a forma\u00e7\u00e3o de filamentos magn\u00e9ticos em grande escala. Quando Zadeh viu pela primeira vez estes filamentos recentemente descobertos, ficou espantado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Depois de estudar filamentos no nosso pr\u00f3prio Centro Gal\u00e1ctico durante todos estes anos, fiquei extremamente entusiasmado por ver estas estruturas tremendamente belas&#8221;, disse. &#8220;Como encontr\u00e1mos estes filamentos noutras partes do Universo, isso indica que algo universal est\u00e1 a acontecer&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gigantes gal\u00e1cticos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora a nova popula\u00e7\u00e3o de filamentos pare\u00e7a semelhante \u00e0 da nossa Via L\u00e1ctea, existem algumas diferen\u00e7as fundamentais. Os filamentos fora da Via L\u00e1ctea, por exemplo, s\u00e3o muito maiores &#8211; entre 100 a 10.000 vezes mais longos. S\u00e3o tamb\u00e9m muito mais antigos e os seus campos magn\u00e9ticos s\u00e3o mais fracos. A maioria deles est\u00e3o curiosamente &#8220;pendurados&#8221; &#8211; num \u00e2ngulo de 90\u00ba &#8211; come\u00e7ando nos jatos de um buraco negro no vasto nada do meio intra-enxame, ou no espa\u00e7o entre as gal\u00e1xias do enxame.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a popula\u00e7\u00e3o recentemente descoberta tem a mesma rela\u00e7\u00e3o comprimento\/largura que os filamentos da Via L\u00e1ctea. E ambas as popula\u00e7\u00f5es parecem transportar energia atrav\u00e9s dos mesmos mecanismos. Mais perto do jato, os eletr\u00f5es dos filamentos s\u00e3o mais energ\u00e9ticos, mas perdem energia \u00e0 medida que se deslocam mais para baixo no filamento. Embora o jato do buraco negro possa fornecer as part\u00edculas essenciais necess\u00e1rias para criar um filamento, algo desconhecido deve estar a acelerar estas part\u00edculas ao longo de espantosas dist\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Alguns deles t\u00eam tamanhos incr\u00edveis, at\u00e9 200 quiloparsecs&#8221;, disse Zadeh. &#8220;Isto \u00e9 cerca de quatro ou cinco vezes o tamanho de toda a nossa Via L\u00e1ctea. O not\u00e1vel \u00e9 que os seus eletr\u00f5es permanecem juntos numa escala t\u00e3o longa. Se um eletr\u00e3o viajasse \u00e0 velocidade da luz ao longo do comprimento do filamento, demoraria 700.000 anos. E eles n\u00e3o viajam \u00e0 velocidade da luz&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/da\/c6\/XTtiClM8_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/da\/c6\/XTtiClM8_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens r\u00e1dio dos filamentos magn\u00e9ticos. O filamento \u00e0 esquerda \u00e9 de uma outra gal\u00e1xia. Com 100 quiloparsecs de comprimento, \u00e9 maior do que os outros tr\u00eas filamentos da nossa Via L\u00e1ctea, que medem 28 parsecs, 12 parsecs e 6 parsecs de comprimento, respetivamente.<br>Cr\u00e9dito: Rudnick e colaboradores, 2022<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Possibilidades promissoras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No novo artigo cient\u00edfico, Zadeh e colaboradores teorizam que a origem dos filamentos poder\u00e1 ser uma simples intera\u00e7\u00e3o entre o vento gal\u00e1ctico e um obst\u00e1culo, tal como uma nuvem. \u00c0 medida que o vento envolve o obst\u00e1culo, cria uma cauda semelhante \u00e0 de um cometa por tr\u00e1s dele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O vento vem do movimento da pr\u00f3pria gal\u00e1xia \u00e0 medida que gira&#8221;, explicou Zadeh. &#8220;\u00c9 como quando se coloca a janela fora de um carro em movimento. N\u00e3o h\u00e1 vento l\u00e1 fora, mas sente-se o ar a mover-se. Quando a gal\u00e1xia se move, cria vento que pode estar a empurrar atrav\u00e9s de locais onde as part\u00edculas dos raios c\u00f3smicos est\u00e3o bastante soltas. Varre o material e cria uma estrutura filamentar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As simula\u00e7\u00f5es, contudo, fornecem outra possibilidade vi\u00e1vel. Quando os investigadores simularam um meio ativo e turbulento, materializaram-se longas estruturas filamentares. \u00c0 medida que as radiogal\u00e1xias se movem, explicou Zadeh, a gravidade pode afetar o meio e agit\u00e1-lo. O meio forma ent\u00e3o turbilh\u00f5es. Ap\u00f3s o fraco campo magn\u00e9tico envolver estes turbilh\u00f5es, pode ser esticado, dobrado e amplificado &#8211; eventualmente tornando-se filamentos alongados com um forte campo magn\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ainda permane\u00e7am muitas quest\u00f5es por responder, Zadeh fica maravilhado com as novas descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todos estes filamentos para l\u00e1 da nossa Gal\u00e1xia s\u00e3o muito antigos. S\u00e3o quase de uma \u00e9poca diferente do nosso Universo e no entanto sinalizam aos habitantes da Via L\u00e1ctea que existe uma origem comum para a forma\u00e7\u00e3o dos filamentos. Penso que existe uma origem comum para a forma\u00e7\u00e3o dos filamentos. Penso que isto \u00e9 not\u00e1vel&#8221;, disse o astrof\u00edsico Farhad Zadeh.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.northwestern.edu\/stories\/2022\/11\/the-milky-ways-mysterious-filaments-have-older-distant-cousins\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Northwestern (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ac982a\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2210.04913\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galactic_Center\" target=\"_blank\">Centro Gal\u00e1ctico (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Radiogal\u00e1xia:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Radio_galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Raios c\u00f3smicos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_ray\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ventos gal\u00e1cticos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galactic_superwind\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O astrof\u00edsico Farhad Zadeh, da Universidade Northwestern, tem tido um grande interesse e fasc\u00ednio por uma fam\u00edlia de filamentos magn\u00e9ticos em grande escala e altamente organizados, situados no centro da Via L\u00e1ctea, desde que os descobriu no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980. Agora, quarenta anos depois, Zadeh permanece igualmente fascinado &#8211; mas talvez um pouco &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5590,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[156,59],"tags":[247,1405,180],"class_list":["post-5589","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-diversos","category-via-lactea","tag-raios-cosmicos","tag-supervento-galactico","tag-via-lactea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5589"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5589\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5591,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5589\/revisions\/5591"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}