{"id":5542,"date":"2022-11-04T07:12:04","date_gmt":"2022-11-04T06:12:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5542"},"modified":"2022-11-04T07:12:04","modified_gmt":"2022-11-04T06:12:04","slug":"experiencia-ajuda-a-prever-os-efeitos-do-impacto-da-dart","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/11\/04\/experiencia-ajuda-a-prever-os-efeitos-do-impacto-da-dart\/","title":{"rendered":"<strong>Experi\u00eancia ajuda a prever os efeitos do impacto da DART<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 26 de setembro, a nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA colidiu com Dimorphos, uma lua do asteroide pr\u00f3ximo da Terra, Didymos, a cerca de 22.500 km\/h. Antes do impacto, os engenheiros e cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) realizaram uma experi\u00eancia para estudar o processo de forma\u00e7\u00e3o de crateras que produz a massa de materiais ejetados e mede o subsequente aumento de momento do impacto. A experi\u00eancia, financiada internamente, que utilizou um alvo mais realista do que os anteriormente explorados, est\u00e1 descrita num novo artigo publicado na revista The Planetary Science Journal.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/P6Yqsy2O_o.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"523\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/P6Yqsy2O_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5493\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/P6Yqsy2O_o.png 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/P6Yqsy2O_o-300x159.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/P6Yqsy2O_o-768x408.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/P6Yqsy2O_o-310x165.png 310w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O sat\u00e9lite LICIACube da Ag\u00eancia Espacial Italiana obteve esta imagem imediatamente antes da maior sua aproxima\u00e7\u00e3o do asteroide Dimorphos, ap\u00f3s a nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) ter propositadamente colidido a 26 de setembro de 2022. Didymos, Dimorphos e a pluma que sai de Dimorphos ap\u00f3s o impacto da DART s\u00e3o claramente vis\u00edveis.<br>Cr\u00e9dito: Ag\u00eancia Espacial Italiana\/NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A NASA n\u00e3o s\u00f3 rastreia asteroides pr\u00f3ximos da Terra (NEAs, sigla inglesa para &#8220;near-Earth asteroids&#8221;) que poderiam constituir uma amea\u00e7a de impacto para o nosso planeta, mas tamb\u00e9m est\u00e1 a explorar tecnologia para desviar um pequeno NEA. Apenas uma pequena mudan\u00e7a orbital seria necess\u00e1ria para alterar a trajet\u00f3ria de um objeto de modo a que este passe em seguran\u00e7a pela Terra, desde que a mudan\u00e7a seja aplicada com suficiente anteced\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao instante do impacto. A altera\u00e7\u00e3o de momento de um asteroide atrav\u00e9s de uma colis\u00e3o direta fornece um golpe duplo: a transfer\u00eancia direta de momento do proj\u00e9til de impacto, empurrando-o para a frente e o recuo dos detritos do asteroide que irrompem da cratera de impacto. O material ejetado transfere momento, impulsionando o alvo de um modo &#8220;a\u00e7\u00e3o-rea\u00e7\u00e3o&#8221;, tal como um foguet\u00e3o \u00e9 lan\u00e7ado quando o g\u00e1s a alta velocidade irrompe da traseira do ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma grande quest\u00e3o que enfrent\u00e1mos foi o aspeto do asteroide e qual seria a sua composi\u00e7\u00e3o. Para n\u00f3s \u00e9 importante saber se podemos aprender algo com experi\u00eancias laboratoriais em pequena escala&#8221;, disse o Dr. James D. Walker, diretor do departamento de Din\u00e2mica de Engenharia do SwRI e o autor principal do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Walker \u00e9 membro da Equipa de Investiga\u00e7\u00e3o DART juntamente com os seus coautores, o Dr. Sidney Chocron, Donald J. Grosch e o Dr. Simone Marchi.<\/p>\n\n\n\n<p>A nave espacial DART foi lan\u00e7ada da Terra em novembro de 2021. No dia 26 de setembro, colidiu deliberadamente com a lua Dimorphos para avaliar se uma nave espacial poderia desviar um asteroide em rota de colis\u00e3o com a Terra. Dimorphos orbita o asteroide Didymos, um objeto pr\u00f3ximo da Terra que foi classificado como um asteroide potencialmente perigoso. A miss\u00e3o DART foi concebida para dar um empurr\u00e3o \u00e0 \u00f3rbita da lua em redor de Didymos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cfn-live-content-bucket-iop-org.s3.amazonaws.com\/journals\/2632-3338\/3\/9\/215\/revision1\/psjac854ff1_hr.jpg?AWSAccessKeyId=AKIAYDKQL6LTV7YY2HIK&amp;Expires=1668060540&amp;Signature=Gtc2BaibAEz2rv9LaEdg9yAbZhA%3D\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/9f\/d9\/aUCbJr3n_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As pedras na moldura de madeira antes (esquerda) e depois (direita) do cimento para as manter no lugar ter sido vertido. A fotografia da direita mostra o bloco alvo, acorrentado ao p\u00eandulo. Atr\u00e1s do alvo encontra-se uma placa de alum\u00ednio com 10,16 cm de espessura com dimens\u00f5es de 30,48 \u00d7 30,48 cm. A placa de alum\u00ednio foi colocada sobre blocos de madeira, de modo a sobrepor a parte traseira aberta da moldura de madeira. O ponto branco com uma borda vermelha no centro da face do alvo \u00e9 o ponto de impacto projectado e alinhado a laser.<br>Cr\u00e9dito: SwRI, Walter et al., 2022<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O SwRI tem uma grande pistola de g\u00e1s, capaz de lan\u00e7ar proj\u00e9teis a velocidades at\u00e9 sete quil\u00f3metros por segundo, que foi utilizada para lan\u00e7ar um proj\u00e9til, proj\u00e9til este que colidiu com um objeto que representava a pequena lua. Pensa-se que Dimorphos \u00e9 um asteroide &#8220;pilha de escombros&#8221;, composto por peda\u00e7os de rocha unidos pela gravidade, pelo que a lua foi representada por uma cole\u00e7\u00e3o de rochas e pedras, neste caso mantidas juntas por cimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Dispar\u00e1mos uma esfera de alum\u00ednio, que representa a sonda DART, usando a pistola de g\u00e1s, na dire\u00e7\u00e3o do alvo a 5,44 km\/s, perto da velocidade de 6,1 km\/s do impacto da DART&#8221;, disse Walker. &#8220;A nossa experi\u00eancia mediu uma transfer\u00eancia de momento para o alvo de 3,4 vezes o momento da esfera proj\u00e9til de alum\u00ednio. O n\u00famero 3,4 \u00e9 referido pelos cientistas como a letra grega &#8220;beta&#8221; do impacto. Assim, o material ejetado forneceu um momento adicional de 240% para defletir o corpo, para al\u00e9m do que \u00e9 fornecido pelo pr\u00f3prio proj\u00e9til&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia visava estudar o processo de forma\u00e7\u00e3o de crateras e medir o aumento do momento que resultaria da colis\u00e3o. Crucialmente, a pilha de escombros n\u00e3o foi mantida no lugar, mas foi pendurada verticalmente como um p\u00eandulo a fim de medir o aumento do momento, o recuo criado pelo material ejetado pelo impacto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cfn-live-content-bucket-iop-org.s3.amazonaws.com\/journals\/2632-3338\/3\/9\/215\/revision1\/psjac854ff3_hr.jpg?AWSAccessKeyId=AKIAYDKQL6LTV7YY2HIK&amp;Expires=1668060540&amp;Signature=s%2FqbmWvQ7mWNt8%2F9wKzTNCY72us%3D\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/1c\/4a\/nTExAH1O_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma sequ\u00eancia de fotografias do impacto com uma c\u00e2mara de alta velocidade (da esquerda para a direita, de cima para baixo). O primeiro \u00e9 dois fotogramas antes do impacto, onde com maior sensibilidade \u00e9 poss\u00edvel distinguir a esfera antes do impacto (o crescente do voo hipers\u00f3nico atrav\u00e9s do g\u00e1s residual num v\u00e1cuo parcial). A imagem seguinte mostra o impacto, onde a imagem saturada tem cerca de 12 cm de di\u00e2metro. A seguinte \u00e9 de uma simula\u00e7\u00e3o num\u00e9rica do impacto, mostrando a velocidade do material; a linha preta demarca o p\u00eandulo e o alvo) e a cratera a 10 \u03bcs tem cerca de 6 cm de di\u00e2metro. Os tr\u00eas fotogramas seguintes s\u00e3o fotografias sequenciais ap\u00f3s o impacto. Os fotogramas est\u00e3o separados por 12,65 \u00b5s; a exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 de 0,29 \u00b5s. As imagens experimentais s\u00e3o autoiluminadas.<br>Cr\u00e9dito: SwRI, Walter et al., 2022<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 importante compreender o recuo&#8221;, disse o coautor Dr. Simone Marchi. &#8220;Tudo se resume \u00e0 quantidade de momento que foi transferido do impacto para o alvo, e houve uma quantidade significativa de material ejetado e de recuo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao medir o momento, a equipa do SwRI p\u00f4de ent\u00e3o extrair informa\u00e7\u00f5es importantes que poderiam avaliar a dificuldade de desviar asteroides no espa\u00e7o. Nesta \u00faltima experi\u00eancia, o aumento do momento foi superior ao que foi testemunhado nas experi\u00eancias anteriores da equipa. Um recuo maior sugere que seria mais f\u00e1cil desviar o asteroide.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas semanas que se seguiram ao impacto, a NASA anunciou que a DART tinha sido bem-sucedida em dar em empurr\u00e3ozinho \u00e0 lua. Walker est\u00e1 agora ansioso por ver o que mais se pode aprender com a miss\u00e3o, incluindo a transfer\u00eancia de momento do evento no espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vai demorar algum tempo a calcular os resultados, em parte porque envolve a estimativa da massa da lua, que \u00e9 desconhecida&#8221;, disse. &#8220;Assim que houver um acordo sobre a massa, ent\u00e3o a medi\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a na \u00f3rbita da lua dir-nos-\u00e1 a transfer\u00eancia de momento. Temos um corpo especulativo que impact\u00e1mos e o que realmente gostar\u00edamos de saber \u00e9 como o tamanho afetou as coisas. Ser\u00e1 um desafio determinar isso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.swri.org\/press-release\/swri-experiment-helps-predict-effects-of-dart-impact\" target=\"_blank\">\/\/ SwRI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/PSJ\/ac854f\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Planetary Science Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>DART (Double Asteroid Redirection Test):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/specials\/pdco\/index.html#dart\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Double_Asteroid_Redirection_Test\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/AsteroidWatch\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/NASA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Didymos e Dimorphos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/65803_Didymos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Didymos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dimorphos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dimorphos (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 26 de setembro, a nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA colidiu com Dimorphos, uma lua do asteroide pr\u00f3ximo da Terra, Didymos, a cerca de 22.500 km\/h. 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