{"id":5531,"date":"2022-11-01T07:15:39","date_gmt":"2022-11-01T06:15:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5531"},"modified":"2022-11-01T07:20:33","modified_gmt":"2022-11-01T06:20:33","slug":"vestigios-de-um-antigo-oceano-descobertos-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/11\/01\/vestigios-de-um-antigo-oceano-descobertos-em-marte\/","title":{"rendered":"Vest\u00edgios de um antigo oceano descobertos em Marte"},"content":{"rendered":"\n<p>Um conjunto recentemente divulgado de mapas topogr\u00e1ficos fornece novas evid\u00eancias para um antigo oceano no norte de Marte. Os mapas oferecem o caso mais forte de que o planeta outrora teve uma subida do n\u00edvel do mar consistente com um prolongado clima quente e h\u00famido, e n\u00e3o a paisagem dura e gelada que existe hoje em dia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que nos vem imediatamente \u00e0 mente como um dos pontos mais importantes aqui \u00e9 que a exist\u00eancia de um oceano deste tamanho significa um potencial de vida mais elevado&#8221;, disse Benjamin Cardenas, professor assistente de geoc\u00eancias da Universidade Estatal da Pensilv\u00e2nia e autor principal do estudo recentemente publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets. &#8220;Diz-nos tamb\u00e9m mais sobre o clima antigo e a sua evolu\u00e7\u00e3o. Com base nestas descobertas, sabemos que deve ter havido um per\u00edodo que era suficientemente quente e a atmosfera era suficientemente espessa para suportar tanta \u00e1gua l\u00edquida de uma s\u00f3 vez&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia23974-16.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jx2wZBzx_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5532\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jx2wZBzx_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jx2wZBzx_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jx2wZBzx_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/jx2wZBzx_o.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Composta recorrendo a 28 exposi\u00e7\u00f5es individuais, esta imagem pelo rover Curiosity da NASA foi capturada depois do ve\u00edculo subir a encosta \u00edngreme de uma caracter\u00edstica geol\u00f3gica chamada &#8220;Greenheugh Pediment&#8221;. Ao longe, no topo da imagem, est\u00e1 o ch\u00e3o da Cratera Gale, que est\u00e1 perto de uma regi\u00e3o chamada Aeolis Dorsa, que os investigadores pensam ter sido outrora um oceano gigantesco.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/MSSS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>H\u00e1 muito que se debate, na comunidade cient\u00edfica, se Marte j\u00e1 teve um oceano no seu hemisf\u00e9rio norte de baixa eleva\u00e7\u00e3o, explicou Cardenas. Usando dados topogr\u00e1ficos, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o conseguiu mostrar evid\u00eancias definitivas de uma linha costeira com cerca de 3,5 mil milh\u00f5es de anos com uma acumula\u00e7\u00e3o sedimentar substancial, de pelo menos 900 metros de espessura, que cobre centenas de milhares de quil\u00f3metros quadrados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A grande novidade que fizemos neste artigo foi pensar em Marte em termos da sua estratigrafia e do seu registo sedimentar&#8221;, disse Cardenas. &#8220;Na Terra, tra\u00e7amos a hist\u00f3ria dos cursos de \u00e1gua olhando para os sedimentos que se depositam ao longo do tempo. Chamamos a isso estratigrafia, a ideia de que a \u00e1gua transporta sedimentos e que se podem medir as mudan\u00e7as na Terra atrav\u00e9s da compreens\u00e3o da forma como os sedimentos se acumulam. Foi o que fizemos aqui &#8211; mas \u00e9 Marte&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa utilizou software desenvolvido pelo USGS (United States Geological Survey) para mapear dados da NASA e do instrumento MOLA (Mars Orbiter Laser Altimeter) da sonda Mars Global Surveyor. Descobriram mais de 6500 quil\u00f3metros de cristas fluviais e agruparam-nas em 20 sistemas para mostrar que s\u00e3o provavelmente deltas de rios ou canais submarinos, os remanescentes de uma antiga linha costeira marciana.<\/p>\n\n\n\n<p>Elementos de forma\u00e7\u00f5es rochosas, tais como espessuras do sistema de cristas, eleva\u00e7\u00f5es, localiza\u00e7\u00f5es e poss\u00edveis dire\u00e7\u00f5es de fluxo sedimentar ajudaram a equipa a compreender a evolu\u00e7\u00e3o da paleogeografia da regi\u00e3o. Cardenas explicou que a \u00e1rea que antes era oce\u00e2nica \u00e9 agora conhecida como Aeolis Dorsa e cont\u00e9m a mais densa cole\u00e7\u00e3o de cristas fluviais do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As rochas em Aeolis Dorsa capturam algumas informa\u00e7\u00f5es fascinantes sobre como o oceano era&#8221;, disse. &#8220;Era din\u00e2mico. O n\u00edvel do mar subiu significativamente. As rochas estavam a ser depositadas ao longo das suas bacias a um ritmo acelerado. Havia muitas mudan\u00e7as a acontecer aqui&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Cardenas explicou que, na Terra, as antigas bacias sedimentares cont\u00eam os registos estratigr\u00e1ficos da evolu\u00e7\u00e3o do clima e da vida. Se os cientistas quiserem encontrar um registo de vida em Marte, um oceano t\u00e3o grande como o que outrora cobriu Aeolis Dorsa seria o local mais l\u00f3gico para come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/9a\/c7\/kuImC7Nz_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/9a\/c7\/kuImC7Nz_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>H\u00e1 muito que se debate, na comunidade cient\u00edfica, se Marte j\u00e1 teve um oceano no seu hemisf\u00e9rio norte de baixa eleva\u00e7\u00e3o. Usando dados topogr\u00e1ficos, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o conseguiu mostrar evid\u00eancias definitivas de uma linha costeira com cerca de 3,5 mil milh\u00f5es de anos com uma acumula\u00e7\u00e3o sedimentar substancial, de pelo menos 900 metros de espessura, que cobre centenas de milhares de quil\u00f3metros quadrados.<br>Cr\u00e9dito: Benjamin Cardenas\/Universidade Estatal da Pensilv\u00e2nia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8220;Um grande objetivo das miss\u00f5es dos rovers marcianos \u00e9 procurar sinais de vida&#8221;, disse Cardenas. &#8220;T\u00eam andado sempre \u00e0 procura de \u00e1gua, de vest\u00edgios de vida. Este \u00e9 o maior de todos os tempos. \u00c9 um corpo gigante de \u00e1gua, alimentado por sedimentos provenientes das terras altas, presumivelmente transportando nutrientes. Se houvesse mar\u00e9s no antigo Marte, teriam existido aqui, trazendo suavemente \u00e1gua para dentro e para fora. Este \u00e9 exatamente o tipo de lugar onde a antiga vida marciana poder ter evolu\u00eddo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Cardenas e colegas mapearam o que determinaram serem outros antigos cursos de \u00e1gua em Marte. Um estudo futuro na revista Journal of Sedimentary Research mostra que v\u00e1rios afloramentos visitados pelo rover Curiosity eram provavelmente estratos sedimentares de antigas barras de rios. Outro artigo publicado na Nature Geoscience aplica uma t\u00e9cnica de imagem ac\u00fastica, usada para ver estratigrafia sob o fundo do mar do Golfo do M\u00e9xico, a um modelo de eros\u00e3o de uma bacia marciana. Os investigadores determinaram que os relevos chamados cristas fluviais, encontradas amplamente em Marte, s\u00e3o provavelmente antigos dep\u00f3sitos fluviais erodidos de grandes bacias semelhantes a Aeolis Dorsa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A estratigrafia que estamos aqui a interpretar \u00e9 bastante semelhante \u00e0 estratigrafia na Terra&#8221;, disse Cardenas. &#8220;Sim, \u00e9 uma grande afirma\u00e7\u00e3o dizer que descobrimos registos de grandes cursos de \u00e1gua em Marte, mas na realidade, esta \u00e9 uma estratigrafia relativamente mundana. \u00c9 geologia dos livros escolares, assim que a reconhecemos pelo que ela \u00e9. A parte interessante, claro, \u00e9 que est\u00e1 em Marte&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Traces of ancient ocean discovered on Mars\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/224J0YWqdDg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.psu.edu\/news\/research\/story\/traces-ancient-ocean-discovered-mars\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Estatal da Pensilv\u00e2nia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1029\/2022JE007390\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Journal of Geophysical Research: Planets)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41561-022-01058-2\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Nature Geoscience)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/ancient-traces-of-a-giant-ocean-have-just-been-discovered-on-mars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2022\/10\/221027123917.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.zmescience.com\/science\/an-ocean-on-mars-new-evidence-shows-the-red-planet-hosted-an-ancient-massive-ocean\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ZME science<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-10-ancient-ocean-mars.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mars Global Surveyor:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/mgs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Global_Surveyor\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rover Curiosity (MSL):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/msl\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/msl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarsCuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/marscuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Curiosity_(rover)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um conjunto recentemente divulgado de mapas topogr\u00e1ficos fornece novas evid\u00eancias para um antigo oceano no norte de Marte. 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