{"id":5528,"date":"2022-10-28T06:15:53","date_gmt":"2022-10-28T05:15:53","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5528"},"modified":"2022-10-28T06:15:54","modified_gmt":"2022-10-28T05:15:54","slug":"uma-teia-cosmica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/10\/28\/uma-teia-cosmica\/","title":{"rendered":"Uma teia c\u00f3smica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje em dia, pensa-se que todas as gal\u00e1xias e enxames de gal\u00e1xias sejam dominados por mat\u00e9ria escura &#8211; uma quantidade elusiva cuja natureza os astr\u00f3nomos ainda est\u00e3o a trabalhar para determinar. Abell 611, o brilhante enxame gal\u00e1ctico visto nesta imagem pelo Hubble, n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. De facto, Abell 611 \u00e9 um alvo popular para investigar a mat\u00e9ria escura, em parte devido aos seus numerosos exemplos de lentes gravitacionais fortes vis\u00edveis entre a intricada teia de gal\u00e1xias do enxame.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic2213a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"632\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/h80TlDFf_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5529\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/h80TlDFf_o.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/h80TlDFf_o-300x271.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Imagem do enxame de gal\u00e1xias, Abell 611, obtida pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Hubble, NASA, P. Kelly, M. Postman, J. Richard, S. Allen<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em celebra\u00e7\u00e3o do Dia das Bruxas (Halloween), o Hubble divulgou esta imagem do enxame de gal\u00e1xias Abell 611, localizado a mais de 1000 megaparsecs, ou cerca de 3,26 mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra. Tal como todos os enxames de gal\u00e1xias, a exist\u00eancia de Abell 611 representa um mist\u00e9rio para os astr\u00f3nomos. Especificamente, n\u00e3o parece haver massa suficiente contida dentro da sua &#8220;teia&#8221; de gal\u00e1xias constituintes, em r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o, para impedir o enxame de se separar. Este \u00e9 uma quest\u00e3o bem estabelecida na astronomia das estruturas muito massivas, como gal\u00e1xias e enxames de gal\u00e1xias &#8211; simplesmente n\u00e3o parecem ter massa combinada suficiente para permanecerem coesos. Curiosamente, este problema n\u00e3o surge a escalas c\u00f3smicas mais pequenas. Por exemplo, a viagem dos planetas em torno do Sol pode ser calculada com relativa facilidade usando as massas e as localiza\u00e7\u00f5es dos planetas e do Sol. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria massa extra para explicar a integridade do Sistema Solar ou de outros sistemas. Ent\u00e3o, porque \u00e9 que esta regra intuitiva n\u00e3o se aplica a escalas maiores?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A teoria prevalente \u00e9 que o Universo cont\u00e9m vastas quantidades de uma subst\u00e2ncia conhecida como mat\u00e9ria escura. Embora o nome possa parecer sinistro, &#8220;escuro&#8221; refere-se simplesmente ao facto de que esta quantidade desconhecida n\u00e3o parece interagir com a luz como a outra mat\u00e9ria &#8211; nem emitindo nem refletindo qualquer parte do espectro eletromagn\u00e9tico. Esta qualidade torna a mat\u00e9ria escura incrivelmente dif\u00edcil de caracterizar, embora v\u00e1rias possibilidades j\u00e1 tenham sido postuladas. Essencialmente, a maioria dos candidatos \u00e0 mat\u00e9ria escura enquadram-se numa de duas categorias: algum tipo de part\u00edcula que existe em grandes quantidades por todo o Universo, mas que por alguma raz\u00e3o n\u00e3o interage com a luz como as outras part\u00edculas; ou algum tipo de objeto massivo que tamb\u00e9m existe em grande abund\u00e2ncia por todo o Universo, mas que n\u00e3o \u00e9 detet\u00e1vel com a tecnologia telesc\u00f3pica atual. Dois dos candidatos a mat\u00e9ria escura com o nome mais estranho enquadram-se na primeira e na segunda categorias, respetivamente. As WIMPs (&#8220;Weakly interacting massive particles&#8221;, em portugu\u00eas, part\u00edculas massivas de intera\u00e7\u00e3o fraca) s\u00e3o part\u00edculas subat\u00f3micas hipot\u00e9ticas que n\u00e3o interagem com os fot\u00f5es &#8211; por outras palavras, n\u00e3o interagem com a luz. Os MACHOs (&#8220;Massive astrophysical compact halo objects&#8221;, em portugu\u00eas, objetos com halo compacto e grande massa) s\u00e3o um conjunto hipot\u00e9tico de objetos muito massivos feitos (ao contr\u00e1rio das WIMPs) de um tipo de mat\u00e9ria que j\u00e1 conhecemos, mas que s\u00e3o extremamente dif\u00edceis de observar uma vez que emitem t\u00e3o pouca luz. Contudo, e apesar de um esfor\u00e7o tremendo, n\u00e3o foi encontrada nenhuma evid\u00eancia conclusiva de WIMPs, ou de MACHOs, ou de qualquer outra forma de mat\u00e9ria escura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a mat\u00e9ria escura permanecer teimosamente indefin\u00edvel, felizmente \u00e9 facilmente quantific\u00e1vel. De facto, os enxames gal\u00e1cticos como Abell 611 s\u00e3o laborat\u00f3rios ideais para a quantifica\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura, devido \u00e0s abundantes evid\u00eancias de lentes gravitacionais vis\u00edveis dentro do enxame. Um exemplo de lente \u00e9 talvez mais claramente vis\u00edvel no centro da imagem, \u00e0 esquerda do brilhante n\u00facleo do enxame, onde pode ser vista uma curva de luz. Esta curva \u00e9 luz de uma fonte mais distante, que foi &#8220;dobrada&#8221; e distorcida (ou que sofre o efeito de lente) pela imensa massa de Abell 611. A medida em que a luz foi &#8220;dobrada&#8221; pelo enxame pode ser usada para medir a sua verdadeira massa. Isto pode ent\u00e3o ser comparado com uma estimativa da sua massa derivada de todos os componentes vis\u00edveis do enxame. A diferen\u00e7a entre a massa calculada e a massa observada \u00e9 espantosa. Com efeito, os astr\u00f3nomos estimam atualmente que cerca de 85% da mat\u00e9ria do Universo \u00e9 mat\u00e9ria escura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo que o mist\u00e9rio do que mant\u00e9m a teia c\u00f3smica de gal\u00e1xias dentro de Abell 611 permane\u00e7a por resolver, ainda podemos desfrutar desta imagem e da fascinante ci\u00eancia &#8211; tanto bem estabelecida como teorizada &#8211; que tem lugar no seu interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2213\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Abell 611:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ccvalg.pt\/astronomia\/newsletter\/...link\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lens\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Weakly_interacting_massive_particles\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">WIMPs (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Massive_compact_halo_object\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MACHOs (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje em dia, pensa-se que todas as gal\u00e1xias e enxames de gal\u00e1xias sejam dominados por mat\u00e9ria escura &#8211; uma quantidade elusiva cuja natureza os astr\u00f3nomos ainda est\u00e3o a trabalhar para determinar. Abell 611, o brilhante enxame gal\u00e1ctico visto nesta imagem pelo Hubble, n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. De facto, Abell 611 \u00e9 um alvo popular para investigar &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5529,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62,60,16,1],"tags":[1436,150,109,371],"class_list":["post-5528","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-cosmologia","category-galaxias","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-abell-611","tag-hubble","tag-lentes-gravitacionais","tag-materia-escura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5528"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5528\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5530,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5528\/revisions\/5530"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5529"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}