{"id":5480,"date":"2022-10-11T06:20:54","date_gmt":"2022-10-11T05:20:54","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5480"},"modified":"2022-10-11T06:20:56","modified_gmt":"2022-10-11T05:20:56","slug":"dezenas-de-lentes-gravitacionais-recentemente-descobertas-podem-revelar-galaxias-antigas-e-a-natureza-da-materia-escura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/10\/11\/dezenas-de-lentes-gravitacionais-recentemente-descobertas-podem-revelar-galaxias-antigas-e-a-natureza-da-materia-escura\/","title":{"rendered":"Dezenas de lentes gravitacionais recentemente descobertas podem revelar gal\u00e1xias antigas e a natureza da mat\u00e9ria escura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio deste ano, um algoritmo de aprendizagem de m\u00e1quina identificou at\u00e9 5000 potenciais lentes gravitacionais que poderiam transformar a nossa capacidade de tra\u00e7ar a evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias desde o Big Bang.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, a astr\u00f3noma Kim-Vy Tran e colegas avaliaram 77 destas lentes utilizando o Observat\u00f3rio Keck no Hawaii e o VLT (Very Large Telescope) no Chile. Ela e a sua equipa internacional, incluindo Lisa Kewley do Centro para Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian, confirmaram que 68 das 77 s\u00e3o lentes gravitacionais fortes que cobrem vastas dist\u00e2ncias c\u00f3smicas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/e8pNKXlq_o.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"493\" height=\"650\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/e8pNKXlq_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5481\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/e8pNKXlq_o.png 493w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/e8pNKXlq_o-228x300.png 228w\" sizes=\"auto, (max-width: 493px) 100vw, 493px\" \/><\/a><figcaption>Doze das 68 lentes gravitacionais confirmadas pelos astr\u00f3nomos nesta equipa de investiga\u00e7\u00e3o.<br>Cr\u00e9dito: Kim-Vy H. Tran et al. 2022<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A taxa de sucesso de 88% sugere que o algoritmo \u00e9 fi\u00e1vel e que poder\u00e1 haver milhares de novas lentes gravitacionais. At\u00e9 \u00e0 data, as lentes gravitacionais t\u00eam sido dif\u00edceis de encontrar e apenas cerca de uma centena s\u00e3o usadas rotineiramente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo de Tran, publicado na revista The Astronomical Journal, apresenta a confirma\u00e7\u00e3o espectrosc\u00f3pica de lentes gravitacionais fortes previamente identificadas usando CNN (Convolutional Neural Networks), desenvolvido pelo cientista de dados Colin Jacobs do ASTRO 3D e da Universidade de Swinburne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho faz parte do levantamento AGEL (ASTRO 3D Galaxy Evolution with Lenses).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A nossa espectroscopia permitiu-nos mapear uma imagem 3D das lentes gravitacionais para mostrar que s\u00e3o genu\u00ednas e n\u00e3o mera sobreposi\u00e7\u00e3o casual&#8221;, diz Tran do ASTRO3D (ARC Centre of Excellence for All Sky Astrophysics in 3-Dimensions) e da Universidade de Nova Gales do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso objetivo com o AGEL \u00e9 confirmar espectroscopicamente cerca de 100 lentes gravitacionais fortes que podem ser observadas tanto do hemisf\u00e9rio norte como do hemisf\u00e9rio sul ao longo do ano&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo cient\u00edfico \u00e9 o resultado de uma colabora\u00e7\u00e3o que abrange todo o globo com investigadores da Austr\u00e1lia, dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Chile.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao desenvolvimento do algoritmo de procura por determinadas assinaturas digitais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta investiga\u00e7\u00e3o funde as lentes gravitacionais, um efeito previsto por Einstein, com t\u00e9cnicas modernas de aprendizagem de m\u00e1quina para aumentar drasticamente as nossas descobertas de gal\u00e1xias no Universo distante&#8221;, diz Kewley, coautora do estudo e diretora do Centro para Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian. &#8220;Esta \u00e9 a primeira espreitadela ao que ser\u00e1 uma avalanche de dados de gal\u00e1xias com lentes para nos ajudar a compreender como gal\u00e1xias como a nossa Via L\u00e1ctea se formaram e evolu\u00edram ao longo de 13 mil milh\u00f5es de anos de tempo c\u00f3smico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f3meno de lente gravitacional foi inicialmente identificado por Einstein, que previu que a luz se &#8220;dobra&#8221; em torno de objetos massivos no espa\u00e7o da mesma forma que a luz se &#8220;dobra&#8221; atrav\u00e9s de uma lente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao faz\u00ea-lo, amplia em muito as imagens de gal\u00e1xias que de outra forma n\u00e3o conseguir\u00edamos ver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora j\u00e1 h\u00e1 algum tempo que sejam utilizadas para observar gal\u00e1xias distantes, a descoberta destas lupas c\u00f3smicas tem sido um caso de sucesso e de insucesso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas lentes s\u00e3o muito pequenas, de modo que se tivermos imagens difusas, n\u00e3o vamos conseguir realmente detet\u00e1-las&#8221;, diz Tran.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora estas lentes nos permitam ver mais claramente objetos que est\u00e3o a milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia, tamb\u00e9m nos devem deixar &#8220;ver&#8221; a invis\u00edvel mat\u00e9ria escura que comp\u00f5e a maior parte do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Sabemos que a maior parte da massa \u00e9 escura&#8221;, diz Tran. &#8220;Sabemos que a massa &#8216;dobra&#8217; a luz e, por isso, se pudermos medir a quantidade de luz &#8216;dobrada&#8217;, podemos ent\u00e3o inferir quanta massa deve estar l\u00e1&#8221;. Ter muitas mais lentes gravitacionais a v\u00e1rias dist\u00e2ncias tamb\u00e9m nos dar\u00e1 uma imagem mais completa da linha temporal que remonta quase ao Big Bang.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quantas mais lupas c\u00f3smicas tivermos, maior ser\u00e1 a possibilidade de tentar examinar estes objetos mais distantes. Esperamos poder medir melhor a demografia de gal\u00e1xias muito jovens&#8221;, diz Tran.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois, algures entre as primeiras gal\u00e1xias e a Terra, ocorre muita evolu\u00e7\u00e3o, com pequenas regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar que convertem g\u00e1s pristino nas primeiras estrelas, e depois no Sol&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;E assim, com estas lentes a diferentes dist\u00e2ncias, podemos olhar para diferentes pontos da linha temporal c\u00f3smica para seguir essencialmente como as coisas mudam ao longo do tempo, entre as primeiras gal\u00e1xias e agora&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de Tran estendeu-se pelo globo, com cada grupo fornecendo conhecimentos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ser capaz de colaborar com pessoas, em diferentes universidades, tem sido t\u00e3o crucial, tanto para a montagem do projeto em primeiro lugar, como agora continuando com todas as observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento&#8221;, real\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Stuart Wyithe da Universidade de Melbourne e Diretor do ASTRO 3D, diz que cada lente gravitacional \u00e9 \u00fanica e diz-nos algo de novo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para al\u00e9m de serem belos objetos, as lentes gravitacionais proporcionam uma janela para estudar como a massa \u00e9 distribu\u00edda em gal\u00e1xias muito distantes que n\u00e3o s\u00e3o observ\u00e1veis atrav\u00e9s de outras t\u00e9cnicas. Ao introduzir formas de utilizar estes novos grandes conjuntos de dados do c\u00e9u para procurar muitas novas lentes gravitacionais, a equipa abre a oportunidade de ver como as gal\u00e1xias obt\u00eam a sua massa&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Karl Glazebrook, da Universidade de Swinburne, e col\u00edder cient\u00edfico de Tran no artigo, prestaram homenagem ao trabalho que j\u00e1 tinha sido realizado antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este algoritmo foi desenvolvido por Colin Jacobs na Universidade de Swinburne. Ele &#8216;peneirou&#8217; dezenas de milh\u00f5es de imagens de gal\u00e1xias para reduzir a amostra a 5000. Nunca sonh\u00e1mos que a taxa de sucesso fosse t\u00e3o elevada&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Agora estamos a obter imagens destas lentes com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, que v\u00e3o desde imagens de uma beleza inspiradora a imagens extremamente estranhas que v\u00e3o exigir um esfor\u00e7o consider\u00e1vel para entender&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tucker Jones da Universidade da Calif\u00f3rnia em Davis, outro col\u00edder cient\u00edfico do artigo, descreveu a nova amostra como &#8220;um gigantesco passo em frente na aprendizagem de como as gal\u00e1xias se formam ao longo da hist\u00f3ria do Universo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Gra\u00e7as ao efeito de lente, podemos aprender como s\u00e3o estas gal\u00e1xias primitivas, de que s\u00e3o feitas e como interagem com o seu ambiente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi realizado em colabora\u00e7\u00e3o com investigadores da Universidade de Nova Gales do Sul, da Universidade de Swinburne, da Universidade Nacional Australiana, da Universidade Curtin, da Universidade de Queensland na Austr\u00e1lia, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Davis, da Universidade de Portsmouth, Reino Unido e da Universidade do Chile.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.cfa.harvard.edu\/news\/dozens-newly-discovered-gravitational-lenses-could-reveal-ancient-galaxies-and-nature-dark-matter\" target=\"_blank\">\/\/ Centro para Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ac7da2\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2205.05307\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lens\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ASTRO 3D:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/astro3d.org.au\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio deste ano, um algoritmo de aprendizagem de m\u00e1quina identificou at\u00e9 5000 potenciais lentes gravitacionais que poderiam transformar a nossa capacidade de tra\u00e7ar a evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias desde o Big Bang. 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