{"id":5467,"date":"2022-10-04T06:21:01","date_gmt":"2022-10-04T05:21:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5467"},"modified":"2022-10-04T06:21:02","modified_gmt":"2022-10-04T05:21:02","slug":"novas-evidencias-de-agua-liquida-sob-a-calota-polar-sul-de-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/10\/04\/novas-evidencias-de-agua-liquida-sob-a-calota-polar-sul-de-marte\/","title":{"rendered":"Novas evid\u00eancias de \u00e1gua l\u00edquida sob a calota polar sul de Marte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de investigadores revelou novas evid\u00eancias da poss\u00edvel exist\u00eancia de \u00e1gua l\u00edquida sob a calote polar sul de Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores, liderados pela Universidade de Cambridge, usaram medi\u00e7\u00f5es por alt\u00edmetros laser da forma da superf\u00edcie superior da calota de gelo a fim de identificar padr\u00f5es subtis na sua altura. Mostraram ent\u00e3o que estes padr\u00f5es correspondem \u00e0s previs\u00f5es de modelos de computador de como uma massa de \u00e1gua sob a calote de gelo afetaria a superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/LwN7H0AL_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"963\" height=\"917\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/LwN7H0AL_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5468\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/LwN7H0AL_o.jpg 963w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/LwN7H0AL_o-300x286.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/LwN7H0AL_o-768x731.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 963px) 100vw, 963px\" \/><\/a><figcaption>Este painel mostra a topografia de superf\u00edcie do polo sul de Marte, com o contorno da calota polar sul a preto. A linha azul clara mostra a \u00e1rea utilizada nas experi\u00eancias de modelagem e o quadrado verde mostra a regi\u00e3o que cont\u00e9m a \u00e1gua subglaciar inferida. O gelo na regi\u00e3o tem uma espessura de cerca de 1500 m.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Cambridge<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os seus resultados concordam com medi\u00e7\u00f5es anteriores de radar de penetra\u00e7\u00e3o de gelo que foram originalmente interpretadas para mostrar uma \u00e1rea potencial de \u00e1gua l\u00edquida por baixo da calote de gelo. Tem havido debate sobre a interpreta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua l\u00edquida apenas a partir dos dados de radar, com alguns estudos a sugerirem que o sinal de radar n\u00e3o se deve \u00e0 \u00e1gua l\u00edquida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados, publicados na revista Nature Astronomy, fornecem a primeira linha independente de evid\u00eancias, utilizando dados que n\u00e3o o radar, de que existe \u00e1gua l\u00edquida sob a calota polar sul de Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A combina\u00e7\u00e3o das novas evid\u00eancias topogr\u00e1ficas, os resultados do nosso modelo de computador e os dados de radar tornam muito mais prov\u00e1vel que pelo menos uma \u00e1rea de \u00e1gua l\u00edquida subglacial exista hoje em dia em Marte, e que Marte ainda deve estar geotermicamente ativo para manter a \u00e1gua l\u00edquida debaixo da calote gelada&#8221;, disse o professor Neil Arnold do Instituto de Pesquisa Polar Scott de Cambridge, que liderou a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal como a Terra, Marte tem espessas calotas de \u00e1gua gelada em ambos os polos, aproximadamente equivalentes em volume combinado ao Manto de Gelo da Gronel\u00e2ndia. No entanto, ao contr\u00e1rio dos mantos de gelo da Terra, que escondem canais cheios de \u00e1gua e mesmo grandes lagos subglaciares, as calotes polares em Marte eram at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo consideradas s\u00f3lidas at\u00e9 \u00e0 base devido ao frio clima marciano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, evid\u00eancias do orbitador Mars Express da ESA desafiaram esta suposi\u00e7\u00e3o. O sat\u00e9lite tem um radar que penetra o gelo chamado MARSIS, que consegue ver atrav\u00e9s da calota polar sul de Marte. Revelou uma \u00e1rea na base do gelo que refletia fortemente o sinal do radar, o que foi interpretado como uma \u00e1rea de \u00e1gua l\u00edquida sob a calota de gelo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f1\/b0\/V7NFB11e_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f1\/b0\/V7NFB11e_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Este painel amplia o quadrado verde da imagem anterior e mostra a ondula\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie identificada pela equipa de investiga\u00e7\u00e3o liderada por Cambridge. \u00c9 vis\u00edvel como a \u00e1rea vermelha, que \u00e9 elevada 5-8 m acima da topografia regional, com uma depress\u00e3o menor (2-4 m abaixo da topografia regional) a montante (em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 parte superior direita da imagem). O contorno preto mostra a \u00e1rea de \u00e1gua tal como inferida pelo radar em \u00f3rbita.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Cambridge<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, estudos subsequentes sugeriram que outros tipos de materiais secos, que existem noutros locais em Marte, poderiam produzir padr\u00f5es semelhantes de reflet\u00e2ncia caso existissem por baixo da calote gelada. Dadas as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas frias, a \u00e1gua l\u00edquida sob a calota de gelo exigiria uma fonte de calor adicional, tal como o calor geot\u00e9rmico do interior do planeta, a n\u00edveis superiores aos esperados para Marte nos dias de hoje. Isto deixou a confirma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia deste lago \u00e0 espera de outra linha independente de evid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Terra, os lagos subglaciares afetam a forma da camada de gelo sobrejacente &#8211; a sua topografia superficial. A \u00e1gua nos lagos superficiais reduz a fric\u00e7\u00e3o entre o manto de gelo e o seu leito, afetando a velocidade do fluxo de gelo sob a gravidade. Isto, por sua vez, afeta a forma da superf\u00edcie do manto de gelo acima do lago, criando frequentemente uma depress\u00e3o na superf\u00edcie gelada seguida de uma \u00e1rea elevada mais \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa &#8211; que tamb\u00e9m inclui investigadores da Universidade de Sheffield, da Universidade de Nantes, da University College Dublin e da Open University &#8211; utilizou uma s\u00e9rie de t\u00e9cnicas para examinar os dados do orbitador MGS (Mars Global Surveyor) da NASA da topografia da superf\u00edcie de parte da calote polar sul de Marte onde o sinal de radar foi identificado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua an\u00e1lise revelou uma ondula\u00e7\u00e3o de superf\u00edcie com 10-15 quil\u00f3metros de comprimento, compreendendo uma depress\u00e3o e uma \u00e1rea elevada correspondente, ambas as quais se desviam da superf\u00edcie de gelo circundante em v\u00e1rios metros. Isto \u00e9 semelhante em escala a ondula\u00e7\u00f5es sobre lagos subglaciares aqui na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa testou ent\u00e3o se a ondula\u00e7\u00e3o observada na superf\u00edcie gelada poderia ser explicada pela \u00e1gua l\u00edquida no leito. Correram simula\u00e7\u00f5es de computador do fluxo de gelo, adaptadas a condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em Marte. Inseriram ent\u00e3o uma zona de atrito reduzido no leito do manto de gelo simulado onde a \u00e1gua, se presente, permitiria que o gelo deslizasse e acelerasse. Tamb\u00e9m variaram a quantidade de calor geot\u00e9rmico proveniente do interior do planeta. Estas experi\u00eancias geraram ondula\u00e7\u00f5es na superf\u00edcie gelada simulada que eram semelhantes em tamanho e forma \u00e0s observadas pela equipa na superf\u00edcie real da camada de gelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A semelhan\u00e7a entre a ondula\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica produzida pelo modelo e as observa\u00e7\u00f5es reais das naves espaciais, juntamente com as evid\u00eancias anteriores do radar que penetra o gelo, sugerem que h\u00e1 uma acumula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua l\u00edquida sob a calota polar sul de Marte e que a atividade magm\u00e1tica ocorreu relativamente h\u00e1 pouco tempo no subsolo de Marte para permitir o aquecimento geot\u00e9rmico melhorado necess\u00e1rio para manter a \u00e1gua num estado l\u00edquido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A qualidade dos dados provenientes de Marte, tanto dos sat\u00e9lites orbitais como de m\u00f3dulos \u00e0 superf\u00edcie, \u00e9 tal que podemos us\u00e1-los para responder a perguntas realmente dif\u00edceis sobre as condi\u00e7\u00f5es na, e mesmo sob a superf\u00edcie do planeta, usando as mesmas t\u00e9cnicas que tamb\u00e9m usamos na Terra,&#8221; disse Arnold. &#8220;\u00c9 excitante utilizar estas t\u00e9cnicas para descobrir coisas sobre outros planetas que n\u00e3o o nosso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.cam.ac.uk\/stories\/liquid-water-mars\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sheffield.ac.uk\/news\/new-evidence-liquid-water-beneath-south-polar-ice-cap-mars\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Sheffield (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-022-01782-0\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/mars\/overview\/\" target=\"_blank\">NASA<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/nineplanets.org\/mars\/\" target=\"_blank\">The Nine Planets<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Martian_polar_ice_caps\" target=\"_blank\">Calotes polares marcianas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mars Global Surveyor:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/mgs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Global_Surveyor\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mars Express:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/SPECIALS\/Mars_Express\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Express\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de investigadores revelou novas evid\u00eancias da poss\u00edvel exist\u00eancia de \u00e1gua l\u00edquida sob a calote polar sul de Marte. 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