{"id":5458,"date":"2022-09-30T06:21:50","date_gmt":"2022-09-30T05:21:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5458"},"modified":"2022-09-30T06:21:52","modified_gmt":"2022-09-30T05:21:52","slug":"hubble-deteta-escudo-protetor-defendendo-um-par-de-galaxias-anas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/09\/30\/hubble-deteta-escudo-protetor-defendendo-um-par-de-galaxias-anas\/","title":{"rendered":"Hubble deteta escudo protetor defendendo um par de gal\u00e1xias an\u00e3s"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante milhares de milh\u00f5es de anos, as maiores gal\u00e1xias sat\u00e9lites da Via L\u00e1ctea &#8211; a Grande e a Pequena Nuvens de Magalh\u00e3es &#8211; t\u00eam seguido uma viagem perigosa. Orbitando-se uma \u00e0 outra \u00e0 medida que s\u00e3o puxadas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa Gal\u00e1xia natal, come\u00e7aram a desembara\u00e7ar-se, deixando para tr\u00e1s rastros de detritos gasosos. E, no entanto &#8211; deixando os astr\u00f3nomos perplexos -, estas gal\u00e1xias an\u00e3s permanecem intactas, com uma vigorosa forma\u00e7\u00e3o estelar em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Muitas pessoas lutavam para explicar como estas correntes de material poderiam estar ali&#8221;, disse Dhanesh Krishnarao, professor assistente no Colorado College. &#8220;Se este g\u00e1s foi removido destas gal\u00e1xias, como \u00e9 que elas ainda est\u00e3o a formar estrelas?&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/hubble_lmccorona_stsci-01gdxbae4ync1yr6m1z5xh1bth.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/EnLsQjmH_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5459\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/EnLsQjmH_o.png 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/EnLsQjmH_o-300x169.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/EnLsQjmH_o-768x432.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Os investigadores utilizaram observa\u00e7\u00f5es espectrosc\u00f3picas da luz ultravioleta de quasares para detetar e mapear a Coroa de Magalh\u00e3es, um halo difuso de g\u00e1s quente que rodeia a Pequena e a Grande Nuvens de Magalh\u00e3es. Vista aqui em tons de roxo, a coroa estende-se mais de 100.000 anos-luz a partir da massa principal de estrelas, g\u00e1s e poeira que comp\u00f5em as Nuvens de Magalh\u00e3es, misturando-se com a coroa mais quente e mais extensa que rodeia a Via L\u00e1ctea. As Nuvens de Magalh\u00e3es, gal\u00e1xias an\u00e3s a cerca de 160.000 anos-luz da Terra, s\u00e3o os maiores dos sat\u00e9lites da Via L\u00e1ctea e pensa-se que estejam na sua primeira passagem, em queda, em torno da Via L\u00e1ctea. Esta viagem come\u00e7ou a desvendar o que outrora eram espirais barradas com m\u00faltiplos bra\u00e7os em gal\u00e1xias de forma mais irregular com longas caudas de detritos. Pensa-se que a coroa atua como um tamp\u00e3o que protege o g\u00e1s vital para a forma\u00e7\u00e3o estelar das gal\u00e1xias an\u00e3s contra a atra\u00e7\u00e3o gravitacional da Via L\u00e1ctea, muito maior. A dete\u00e7\u00e3o da Coroa de Magalh\u00e3es foi feita atrav\u00e9s da an\u00e1lise de padr\u00f5es no ultravioleta de 28 quasares distantes de fundo. \u00c0 medida que a luz quasar passa pela coroa, certos comprimentos de onda (cores) da luz ultravioleta s\u00e3o absorvidos. Os espectros dos quasares ficam impressos com as assinaturas distintas dos i\u00f5es de carbono, oxig\u00e9nio e sil\u00edcio que comp\u00f5em o g\u00e1s da coroa. Porque cada quasar sonda uma parte diferente da coroa, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conseguiu mostrar que a quantidade de g\u00e1s diminui com a dist\u00e2ncia ao centro da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es. Este estudo utilizou observa\u00e7\u00f5es de arquivo de quasares do COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble e do FUSE (Far Ultraviolet Spectroscopic Explorer). Os quasares tamb\u00e9m t\u00eam sido utilizados para analisar a Corrente de Magalh\u00e3es, os fluxos da Via L\u00e1ctea e o halo que rodeia a Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda.<br>Cr\u00e9dito: STScI, Leah Hustak<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Com a ajuda de dados do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA e de um sat\u00e9lite aposentado chamado FUSE (Far Ultraviolet Spectroscopic Explorer), uma equipa de astr\u00f3nomos liderada por Krishnarao encontrou finalmente a resposta: o sistema de Magalh\u00e3es est\u00e1 rodeado por uma coroa, um escudo protetor de g\u00e1s quente. Este casulo envolve as duas gal\u00e1xias, impedindo que os seus abastecimentos de g\u00e1s sejam desviados pela Via L\u00e1ctea e permitindo-lhes assim continuar a formar novas estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta descoberta, que acaba de ser publicada na revista Nature, aborda um novo aspeto da evolu\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica. &#8220;As gal\u00e1xias envolvem-se em casulos gasosos, que funcionam como escudos defensivos contra outras gal\u00e1xias&#8221;, disse o coinvestigador Andrew Fox do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos previram a exist\u00eancia da coroa h\u00e1 v\u00e1rios anos. &#8220;Descobrimos que se inclu\u00edssemos uma coroa nas simula\u00e7\u00f5es das nuvens de Magalh\u00e3es, caindo para a Via L\u00e1ctea, pod\u00edamos explicar pela primeira vez a massa de g\u00e1s extra\u00eddo&#8221;, explicou Elena D&#8217;Onghia, coinvestigadora na Universidade de Wisconsin-Madison. &#8220;Sab\u00edamos que a Grande Nuvem de Magalh\u00e3es deveria ser suficientemente massiva para ter uma coroa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas embora a coroa se estenda a mais de 100.000 anos-luz das nuvens de Magalh\u00e3es e cubra uma enorme por\u00e7\u00e3o do c\u00e9u do hemisf\u00e9rio sul, \u00e9 efetivamente invis\u00edvel. O seu mapeamento exigiu pesquisar 30 anos de dados de arquivo em busca de medi\u00e7\u00f5es adequadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores pensam que a coroa de uma gal\u00e1xia \u00e9 um remanescente da nuvem primordial de g\u00e1s que colapsou para formar a gal\u00e1xia h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos. Embora as coroas j\u00e1 tenham sido vistas em torno de gal\u00e1xias an\u00e3s mais distantes, os astr\u00f3nomos nunca antes tinham sido capazes de sondar uma com tanto detalhe como aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muitas previs\u00f5es, gra\u00e7as a simula\u00e7\u00f5es de computador, sobre como deveriam ser e como deveriam interagir ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos, mas, observacionalmente, n\u00e3o podemos realmente testar a maioria delas porque as gal\u00e1xias an\u00e3s s\u00e3o normalmente demasiado dif\u00edceis de detetar&#8221;, disse Krishnarao. Tendo em conta que est\u00e3o mesmo \u00e0 nossa porta, as Nuvens de Magalh\u00e3es proporcionam uma oportunidade ideal para estudar como as gal\u00e1xias an\u00e3s interagem e evoluem.<\/p>\n\n\n\n<p>Em busca de evid\u00eancias diretas da Coroa de Magalh\u00e3es, a equipa vasculhou dados de arquivo do Hubble e do FUSE em busca de observa\u00e7\u00f5es ultravioletas de quasares localizados milhares de milh\u00f5es de anos-luz por tr\u00e1s dela. Os quasares s\u00e3o os n\u00facleos extremamente brilhantes de gal\u00e1xias que abrigam buracos negros massivos e ativos. A equipa argumentou que embora a coroa fosse demasiado fraca para ser vista por si s\u00f3, deveria ser vis\u00edvel como uma esp\u00e9cie de nevoeiro que obscurece e absorve padr\u00f5es de luz brilhante dos quasares no plano de fundo. As observa\u00e7\u00f5es Hubble de quasares foram j\u00e1 usadas no passado para mapear a coroa em torno da gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar padr\u00f5es na luz ultravioleta de 28 quasares, a equipa foi capaz de detetar e caracterizar o material em redor da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es e confirmar que a coroa existe. Como previsto, os espectros dos quasares est\u00e3o impressos com as distintas assinaturas de carbono, oxig\u00e9nio e sil\u00edcio que comp\u00f5em o halo de plasma quente que rodeia a gal\u00e1xia an\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>A capacidade de detetar a coroa exigiu espectros ultravioleta extremamente detalhados. &#8220;A resolu\u00e7\u00e3o do Hubble e do FUSE foram cruciais para este estudo&#8221;, explicou Krishnarao. &#8220;O g\u00e1s da coroa \u00e9 muito difuso, mal est\u00e1 l\u00e1&#8221;. Al\u00e9m disso, encontra-se misturado com outros gases, incluindo os fluxos arrancados das Nuvens de Magalh\u00e3es e material proveniente da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mapear os resultados, a equipa descobriu tamb\u00e9m que a quantidade de g\u00e1s diminui com a dist\u00e2ncia ao centro da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es. &#8220;\u00c9 uma perfeita assinatura indicadora de que esta coroa est\u00e1 realmente l\u00e1&#8221;, disse Krishnarao. &#8220;Est\u00e1 realmente a encapsular a gal\u00e1xia e a proteg\u00ea-la&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Como pode um manto t\u00e3o fino de g\u00e1s proteger uma gal\u00e1xia da destrui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Qualquer coisa que tente passar para a gal\u00e1xia tem de passar primeiro por este material, para que possa absorver algum desse impacto&#8221;, explicou Krishnarao. &#8220;Al\u00e9m disso, a coroa \u00e9 o primeiro material que pode ser extra\u00eddo. Ao doar um pouco daquela coroa, protege o g\u00e1s que est\u00e1 dentro da pr\u00f3pria gal\u00e1xia e \u00e9 capaz de formar novas estrelas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2022\/hubble-detects-protective-shield-defending-a-pair-of-dwarf-galaxies\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/media\/images\/2022\/030\/01GDX60GNA37GYYW30NVMJERSQ\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-022-05090-5\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Nuvens de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Small_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Grande Nuvem de Magalh\u00e3es (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Corrente de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magellanic_Stream\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FUSE (Far Ultraviolet Spectroscopic Explorer):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/fuse.pha.jhu.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JUHAPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Far_Ultraviolet_Spectroscopic_Explorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante milhares de milh\u00f5es de anos, as maiores gal\u00e1xias sat\u00e9lites da Via L\u00e1ctea &#8211; a Grande e a Pequena Nuvens de Magalh\u00e3es &#8211; t\u00eam seguido uma viagem perigosa. 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