{"id":5408,"date":"2022-09-13T06:24:47","date_gmt":"2022-09-13T05:24:47","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5408"},"modified":"2022-09-13T06:24:57","modified_gmt":"2022-09-13T05:24:57","slug":"estas-estrelas-espiralam-e-fornecem-uma-janela-para-o-universo-primitivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/09\/13\/estas-estrelas-espiralam-e-fornecem-uma-janela-para-o-universo-primitivo\/","title":{"rendered":"Estas estrelas espiralam e fornecem uma janela para o Universo primitivo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos t\u00eam ficado perplexos ao encontrar estrelas jovens em espiral no centro de um enorme enxame de estrelas na Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es, uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite da Via L\u00e1ctea. O bra\u00e7o exterior da espiral neste enorme ber\u00e7\u00e1rio estelar de forma estranha &#8211; chamado NGC 346 &#8211; pode estar a alimentar a forma\u00e7\u00e3o de estrelas num movimento de g\u00e1s e estrelas em forma de rio. Esta \u00e9 uma forma eficiente de alimentar o nascimento estelar, dizem os investigadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es tem uma composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica mais simples do que a Via L\u00e1ctea, tornando-a semelhante \u00e0s gal\u00e1xias encontradas no Universo mais jovem, quando os elementos mais pesados eram mais escassos. Devido a isto, as estrelas na Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es s\u00e3o mais quentes e esgotam o seu combust\u00edvel mais depressa do que as estrelas na nossa Via L\u00e1ctea. Embora seja hom\u00f3loga do Universo primitivo, a 200.00 anos-luz de dist\u00e2ncia, a Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es \u00e9 tamb\u00e9m uma das nossas vizinhas gal\u00e1cticas mais pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic2211a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"673\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/1FEdtDPE_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5409\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/1FEdtDPE_o.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/1FEdtDPE_o-300x288.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Foto do enxame NGC 346, situado na Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, A. James (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aprender como as estrelas se formam na Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es fornece uma nova reviravolta na forma como uma tempestade de forma\u00e7\u00e3o estelar pode ter ocorrido no in\u00edcio da hist\u00f3ria do Universo, quando estava a passar por um &#8220;baby boom&#8221; cerca de dois a tr\u00eas mil milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang (o Universo tem agora 13,8 mil milh\u00f5es de anos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os novos resultados mostram que o processo de forma\u00e7\u00e3o estelar, ali, \u00e9 semelhante ao da nossa pr\u00f3pria Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com apenas 150 anos-luz em di\u00e2metro, NGC 346 cont\u00e9m a massa de 50.000 s\u00f3is. A sua forma intrigante e o seu r\u00e1pido ritmo de forma\u00e7\u00e3o estelar t\u00eam intrigado os astr\u00f3nomos. Foi necess\u00e1rio o poder combinado do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA e do VLT (Very Large Telescope) do ESO para desvendar o comportamento deste misterioso local de nidifica\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As estrelas s\u00e3o as m\u00e1quinas que esculpem o Universo. N\u00e3o ter\u00edamos vida sem estrelas e, no entanto, n\u00e3o compreendemos totalmente como se formam&#8221;, explicou a l\u00edder do estudo Elena Sabbi do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA. &#8220;Temos v\u00e1rios modelos que fazem previs\u00f5es, e algumas destas previs\u00f5es s\u00e3o contradit\u00f3rias&#8221;. Queremos determinar o que est\u00e1 a regular o processo de forma\u00e7\u00e3o estelar, porque estas s\u00e3o as leis que tamb\u00e9m precisamos para compreender o que vemos nos prim\u00f3rdios do Universo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores determinaram o movimento das estrelas em NGC 346 de duas maneiras diferentes. Usando o Hubble, Sabbi e a sua equipa mediram as mudan\u00e7as nas posi\u00e7\u00f5es das estrelas ao longo de 11 anos. As estrelas nesta regi\u00e3o movimentam-se a uma velocidade m\u00e9dia de 3200 km\/h, o que significa que em 11 anos se movem mais de 300 milh\u00f5es de quil\u00f3metros. Isto \u00e9 cerca do dobro da dist\u00e2ncia entre a Terra e o Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas este enxame est\u00e1 relativamente distante, dentro de uma gal\u00e1xia vizinha. Isto significa que o movimento observado \u00e9 muito pequeno e, portanto, dif\u00edcil de medir. Estas observa\u00e7\u00f5es extraordinariamente precisas s\u00f3 foram poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o requintada e \u00e0 alta sensibilidade do Hubble. Al\u00e9m disso, a hist\u00f3ria de tr\u00eas d\u00e9cadas de observa\u00e7\u00f5es do Hubble fornece uma base para os astr\u00f3nomos seguirem movimentos celestes minuciosos ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda equipa, liderada por Peter Zeidler do AURA\/STScI para a ESA, usou o instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) do VLT para medir a velocidade radial, que determina se um objeto se aproxima ou se afasta do observador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que foi realmente espantoso \u00e9 que utiliz\u00e1mos dois m\u00e9todos completamente diferentes, com instala\u00e7\u00f5es diferentes, e basicamente cheg\u00e1mos \u00e0 mesma conclus\u00e3o de forma independente&#8221;, disse Zeidler. &#8220;Com o Hubble, podemos ver as estrelas, mas com o MUSE tamb\u00e9m podemos ver o movimento do g\u00e1s na terceira dimens\u00e3o, e confirma a teoria de que tudo est\u00e1 a ir em espiral para o interior&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic2211b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/a8\/8b\/xoIdhokr_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A espiral vermelha sobreposta \u00e0 foto de NGC 346 tra\u00e7a o movimento das estrelas e do g\u00e1s em dire\u00e7\u00e3o ao centro. Os cientistas dizem que este movimento em espiral \u00e9 a forma mais eficiente de alimentar a forma\u00e7\u00e3o de estrelas a partir do exterior em dire\u00e7\u00e3o ao centro do enxame.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, A. James (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mas porqu\u00ea uma espiral?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma espiral \u00e9 realmente a forma boa e natural de alimentar a forma\u00e7\u00e3o estelar do exterior para o centro do enxame&#8221;, explicou Zeidler. &#8220;\u00c9 a forma mais eficiente de que estrelas e g\u00e1s que alimentam mais forma\u00e7\u00e3o estelar possam mover-se em dire\u00e7\u00e3o ao centro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Metade dos dados do Hubble para este estudo de NGC 346 s\u00e3o de arquivo. As primeiras observa\u00e7\u00f5es foram feitas h\u00e1 11 anos. Foram repetidas recentemente para rastrear o movimento das estrelas ao longo do tempo. Dada a longevidade do telesc\u00f3pio, o arquivo de dados do Hubble cont\u00e9m agora mais de 32 anos de dados astron\u00f3micos, alimentando estudos a longo prazo sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O arquivo Hubble \u00e9 realmente uma mina de ouro&#8221;, disse Sabbi. &#8220;H\u00e1 tantas regi\u00f5es interessantes de forma\u00e7\u00e3o estelar que o Hubble tem observado ao longo dos anos. Dado que o Hubble est\u00e1 a ter um desempenho t\u00e3o bom, podemos de facto repetir estas observa\u00e7\u00f5es. Isto pode realmente fazer avan\u00e7ar a nossa compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o estelar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es com o Telesc\u00f3pio Espacial Webb da NASA\/ESA\/CSA devem ser capazes de resolver estrelas de massa inferior no enxame, dando uma vis\u00e3o mais hol\u00edstica da regi\u00e3o. Ao longo da vida do Webb, os astr\u00f3nomos poder\u00e3o repetir esta experi\u00eancia e medir o movimento das estrelas de baixa massa. Ser\u00e3o ent\u00e3o capazes de comparar as estrelas de massa alta e as estrelas de massa baixa para finalmente aprenderem toda a extens\u00e3o da din\u00e2mica deste ber\u00e7\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.esa.int\/ESA_Multimedia\/Images\/2022\/09\/Spiralling_stars_provide_a_window_into_the_early_Universe\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2211\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2022\/news-2022-025\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ac8005\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2209.03215\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ac8004\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2209.03237\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NGC 346:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NGC_346\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Small_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos t\u00eam ficado perplexos ao encontrar estrelas jovens em espiral no centro de um enorme enxame de estrelas na Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es, uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite da Via L\u00e1ctea. 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