{"id":5405,"date":"2022-09-13T06:22:26","date_gmt":"2022-09-13T05:22:26","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5405"},"modified":"2022-09-13T06:22:28","modified_gmt":"2022-09-13T05:22:28","slug":"estudo-mostra-que-mundos-de-agua-podem-ser-tao-comuns-como-as-terras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/09\/13\/estudo-mostra-que-mundos-de-agua-podem-ser-tao-comuns-como-as-terras\/","title":{"rendered":"Estudo mostra que &#8220;mundos de \u00e1gua&#8221; podem ser t\u00e3o comuns como as Terras"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o liderada pela Universidade de Chicago e pelo IAC (Instituto de Astrof\u00edsica das Can\u00e1rias) mostrou a exist\u00eancia de exoplanetas com \u00e1gua e rocha em torno de estrelas an\u00e3s do tipo M, que s\u00e3o as mais comuns na Gal\u00e1xia. Os resultados foram publicados na prestigiada revista Science.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise detalhada das massas e dos raios de todos os 43 exoplanetas conhecidos em torno de estrelas M, que constituem 80% das estrelas da Via L\u00e1ctea, levou a uma descoberta surpreendente, inteiramente liderada pelos investigadores Rafael Luque, da Universidade de Chicago e do IAC, e Enric Pall\u00e9, do IAC e da Universidade de La Laguna.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/2mEjlatP_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"726\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/2mEjlatP_o-726x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5406\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/2mEjlatP_o-726x1024.jpg 726w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/2mEjlatP_o-213x300.jpg 213w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/2mEjlatP_o-768x1083.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/2mEjlatP_o-1089x1536.jpg 1089w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/2mEjlatP_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 726px) 100vw, 726px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de uma estranha paisagem de um mundo de \u00e1gua.<br>Cr\u00e9dito: Pilar Monta\u00f1\u00e9s &#8211; @pilar.monro<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8220;Descobrimos a primeira prova experimental de que existe uma popula\u00e7\u00e3o de mundos de \u00e1gua e que na realidade s\u00e3o quase t\u00e3o abundantes como os planetas semelhantes \u00e0 Terra&#8221;, explica Luque. O estudo mostrou que muitos mais planetas do que se pensava anteriormente podem ter grandes quantidades de \u00e1gua, que podem atingir at\u00e9 50% da massa total do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os investigadores analisaram a amostra encontraram algo inesperado: as densidades de uma elevada percentagem dos planetas sugeriram que s\u00e3o demasiado leves em rela\u00e7\u00e3o ao seu tamanho para serem formados inteiramente de rocha. Por este motivo, pensam que devem ser formados por metade rocha e por metade \u00e1gua, ou outras mol\u00e9culas mais leves. &#8220;Descobrimos que \u00e9 a densidade de um planeta e n\u00e3o o seu raio, como se pensava anteriormente, que separa os planetas secos dos h\u00famidos&#8221;, explica Luque.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, estes planetas est\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximos das suas estrelas que qualquer \u00e1gua \u00e0 sua superf\u00edcie dever\u00e1 existir numa fase supercr\u00edtica de g\u00e1s, o que aumentaria as suas dimens\u00f5es. Assim, os cientistas pensam que, nesta popula\u00e7\u00e3o, a \u00e1gua est\u00e1 provavelmente ligada \u00e0 rocha, ou em volumes fechados abaixo da superf\u00edcie, em vez de fluir como nos oceanos ou rios. Estas condi\u00e7\u00f5es seriam semelhantes \u00e0s do sat\u00e9lite Europa de J\u00fapiter, mas muito diferentes das que ocorrem no nosso pr\u00f3prio planeta. &#8220;A Terra \u00e9 um planeta seco, ainda que a sua superf\u00edcie esteja maioritariamente coberta de \u00e1gua, o que lhe confere um aspeto muito h\u00famido. A \u00e1gua na Terra perfaz apenas 0,02% da sua massa total, enquanto nestes mundos de \u00e1gua corresponde a 50% da massa do planeta&#8221;, observa Pall\u00e9.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/7f\/6a\/pDvbGMyE_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/7f\/6a\/pDvbGMyE_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o de um mundo de \u00e1gua, onde metade da sua massa \u00e9 constitu\u00edda por \u00e1gua. Tal como a nossa Lua, o planeta est\u00e1 ligado \u00e0 sua estrela pelas for\u00e7as das mar\u00e9s e mostra sempre a mesma face \u00e0 sua estrela hospedeira.<br>Cr\u00e9dito: Pilar Monta\u00f1\u00e9s &#8211; @pilar.monro<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Com esta descoberta, confirma-se, pela primeira vez, a exist\u00eancia de um novo tipo de exoplaneta. &#8220;Descobrimos que os pequenos planetas que orbitam este tipo de estrela podem ser classificados em tr\u00eas fam\u00edlias distintas: planetas rochosos muito semelhantes \u00e0 Terra, planetas com metade da sua massa constitu\u00eddos por \u00e1gua que chamamos mundos de \u00e1gua e mini-Neptunos com grandes atmosferas de hidrog\u00e9nio e\/ou h\u00e9lio&#8221;, descreve Pall\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Este achado contradiz a ideia amplamente defendida de que estes mundos ou s\u00e3o muito secos e rochosos, ou t\u00eam uma atmosfera muito extensa e t\u00e9nue de hidrog\u00e9nio e\/ou h\u00e9lio. Ao inv\u00e9s, este estudo sugere que, ao contr\u00e1rio dos planetas rochosos, estes mundos ricos em \u00e1gua formaram-se fora da chamada &#8220;linha da neve&#8221;, ou seja, suficientemente longe da estrela para que a temperatura seja baixa o suficiente para que todos os compostos leves como a \u00e1gua solidificassem e formassem gr\u00e3os de gelo s\u00f3lido, e que depois migraram para mais perto da estrela. &#8220;A distribui\u00e7\u00e3o de tamanhos e densidades dos exoplanetas \u00e9 uma consequ\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o de planetas a diferentes dist\u00e2ncias da estrela, e n\u00e3o da presen\u00e7a ou aus\u00eancia de uma atmosfera&#8221;, comenta Pall\u00e9.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f5\/45\/2lUkSrXp_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f5\/45\/2lUkSrXp_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A distribui\u00e7\u00e3o das densidades m\u00e9dias dos planetas em torno das estrelas M, na qual os diferentes tipos de planetas (planetas rochosos, mundos de \u00e1gua e mini-Neptunos) podem ser claramente distinguidos.<br>Cr\u00e9dito: IAC<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Uma an\u00e1lise inovadora e um futuro promissor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tal como a observa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de uma cidade inteira pode revelar tend\u00eancias que s\u00e3o dif\u00edceis de ver a n\u00edvel individual, o estudo de uma popula\u00e7\u00e3o de planetas ajudou os cientistas a identificar padr\u00f5es at\u00e9 agora desconhecidos. &#8220;Devido \u00e0s incertezas nas massas e raios das nossas medi\u00e7\u00f5es, um planeta individual pode por vezes enquadrar-se em mais do que uma categoria (terrestre, mundo de \u00e1gua, etc.). \u00c9 quando observamos uma popula\u00e7\u00e3o de planetas, como fizemos aqui, que podemos trazer \u00e0 tona os padr\u00f5es de composi\u00e7\u00f5es distintas e diferentes&#8221;, explica Luque.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os investigadores, os pr\u00f3ximos passos a dar s\u00e3o compreender a estrutura interna dos mundos de \u00e1gua, o que significa descobrir onde a \u00e1gua est\u00e1 armazenada, e se estes planetas podem ter uma pequena atmosfera supercr\u00edtica e detet\u00e1vel de vapor de \u00e1gua. &#8220;Apenas os planetas nas zonas habit\u00e1veis em torno das estrelas M podem ser explorados atmosfericamente pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb e pelos futuros telesc\u00f3pios terrestres extremamente grandes&#8221;, explica Pall\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 tamb\u00e9m fundamental compreender se a nossa descoberta tamb\u00e9m se aplica \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de pequenos planetas em torno de outros tipos de estrelas&#8221;, sublinha Luque. &#8220;\u00c9 mais dif\u00edcil medir as massas exatas de pequenos planetas em torno de estrelas maiores, mas os dados dever\u00e3o em breve ficar dispon\u00edveis utilizando a mais recente gera\u00e7\u00e3o de espectr\u00f3grafos ultraest\u00e1veis&#8221;, salienta.<\/p>\n\n\n\n<p>O reino das novas descobertas exoplanet\u00e1rias em torno de estrelas M pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, complementadas por medi\u00e7\u00f5es das suas massas pelo espectr\u00f3grafo CARMENES no telesc\u00f3pio de 3,5 m em Calar Alto, Amer\u00eda (Espanha), foram cruciais para que este trabalho se tornasse poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/study-shows-water-worlds-could-be-common-earths\" target=\"_blank\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.uchicago.edu\/story\/surprise-finding-suggests-water-worlds-are-more-common-we-thought\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.abl7164\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2209.03871\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Estrelas an\u00e3s do tipo M:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ocean_world\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mundos de \u00e1gua (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o liderada pela Universidade de Chicago e pelo IAC (Instituto de Astrof\u00edsica das Can\u00e1rias) mostrou a exist\u00eancia de exoplanetas com \u00e1gua e rocha em torno de estrelas an\u00e3s do tipo M, que s\u00e3o as mais comuns na 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