{"id":5396,"date":"2022-09-09T06:19:05","date_gmt":"2022-09-09T05:19:05","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5396"},"modified":"2022-09-09T06:19:06","modified_gmt":"2022-09-09T05:19:06","slug":"dois-novos-mundos-rochosos-e-temperados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/09\/09\/dois-novos-mundos-rochosos-e-temperados\/","title":{"rendered":"Dois novos mundos rochosos e temperados"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de investiga\u00e7\u00e3o anunciou a descoberta de duas &#8220;super-Terras&#8221; em \u00f3rbita de uma estrela a 100 anos-luz do nosso planeta. A equipa, que inclui astr\u00f3nomos da Universidade de Birmingham, detetou os exoplanetas em \u00f3rbita de LP 890-9, uma estrela pequena e fria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m chamada TOI-4306 ou SPECULOOS-2, \u00e9 a segunda estrela mais fria que se sabe hospedar exoplanetas, depois da famosa TRAPPIST-1. Esta rara descoberta \u00e9 o tema de uma futura publica\u00e7\u00e3o na revista Astronomy &amp; Astrophysics.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/nsNTHevQ_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/nsNTHevQ_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5397\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/nsNTHevQ_o.jpg 800w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/nsNTHevQ_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/nsNTHevQ_o-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista que mostra a estrela vermelha e os seus dois planetas, juntamente com alguns dos telesc\u00f3pios utilizados para a descoberta. Os dados que levaram \u00e0 descoberta est\u00e3o ilustrados nos pain\u00e9is solares do sat\u00e9lite TESS.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Birmingham\/Amanda J. Smith<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O planeta mais interior do sistema, chamado LP 890-9b, \u00e9 cerca de 30% maior do que a Terra e completa uma \u00f3rbita a cada 2,7 dias. Este primeiro planeta foi inicialmente detetado como um poss\u00edvel candidato pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, uma miss\u00e3o espacial em busca de exoplanetas em \u00f3rbita de estrelas pr\u00f3ximas. Este candidato foi confirmado e caracterizado pelos telesc\u00f3pios SPECULOOS (Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars), um dos quais \u00e9 operado pela Universidade de Birmingham. Os investigadores do SPECULOOS utilizaram ent\u00e3o os seus telesc\u00f3pios para procurar planetas adicionais em tr\u00e2nsito que n\u00e3o teriam sido observados pelo TESS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O TESS procura exoplanetas usando o m\u00e9todo de tr\u00e2nsito, monitorizando o brilho de milhares de estrelas em simult\u00e2neo, procurando ligeiras quedas de brilho que possam ser provocadas pela passagem de planetas em frente das suas estrelas&#8221;, explica Laetitia Delrez, investigadora p\u00f3s-doutorada na Universidade de Li\u00e8ge e autora principal do artigo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Contudo, \u00e9 frequentemente necess\u00e1rio um acompanhamento com telesc\u00f3pios terrestres para confirmar a natureza planet\u00e1ria dos candidatos detetados e refinar as medidas das suas dimens\u00f5es e propriedades orbitais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este acompanhamento \u00e9 particularmente importante no caso de estrelas muito frias, como LP 890-9, que emitem a maior parte da sua luz no infravermelho pr\u00f3ximo e para o qual o TESS tem uma sensibilidade bastante limitada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os telesc\u00f3pios do projeto SPECULOOS, instalados no Observat\u00f3rio Paranal do ESO no Chile e na ilha de Tenerife, est\u00e3o otimizados para observar este tipo de estrelas com alta precis\u00e3o, gra\u00e7as a c\u00e2maras muito sens\u00edveis no infravermelho pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O objetivo do SPECULOOS \u00e9 a procura de planetas terrestres potencialmente habit\u00e1veis que transitam algumas das estrelas mais pequenas e frias na vizinhan\u00e7a solar, como o sistema planet\u00e1rio TRAPPIST-1, que descobrimos em 2016&#8221;, recorda Micha\u00ebl Gillon, da Universidade de Li\u00e8ge e investigador principal do projeto SPECULOOS. &#8220;Esta estrat\u00e9gia \u00e9 motivada pelo facto de tais planetas estarem particularmente bem-adaptados a estudos detalhados das suas atmosferas e \u00e0 procura de poss\u00edveis vest\u00edgios qu\u00edmicos de vida com grandes observat\u00f3rios, como o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es de LP 890-9 recolhidas pelo SPECULOOS revelaram-se frutuosas, pois n\u00e3o s\u00f3 confirmaram o primeiro planeta, como foram fundamentais para a dete\u00e7\u00e3o de um segundo planeta, anteriormente desconhecido. Este segundo planeta, LP 890-9c (renomeado SPECULOOS-2c pelos investigadores do SPECULOOS), \u00e9 semelhante em tamanho ao primeiro (40% maior que a Terra) mas tem um per\u00edodo orbital mais longo de cerca de 8,5 dias. Este per\u00edodo orbital, posteriormente confirmado com o instrumento MuSCAT3 no Hawaii, coloca o planeta na chamada &#8220;zona habit\u00e1vel&#8221; em torno da sua estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A zona habit\u00e1vel \u00e9 um conceito sob o qual um planeta, com condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas e atmosf\u00e9ricas semelhantes \u00e0 Terra, teria uma temperatura superficial que permitiria \u00e0 \u00e1gua permanecer l\u00edquida durante milhares de milh\u00f5es de anos&#8221;, explica Amaury Triaud, professor de Exoplanetologia na Universidade de Birmingham e l\u00edder do grupo de trabalho SPECULOOS que programou as observa\u00e7\u00f5es conducentes \u00e0 descoberta do segundo planeta. &#8220;Isto d\u00e1-nos uma licen\u00e7a para observar mais e descobrir se o planeta tem uma atmosfera e, em caso afirmativo, para estudar o seu conte\u00fado e avaliar a sua habitabilidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O passo seguinte ser\u00e1 estudar a atmosfera deste planeta, por exemplo com o Telesc\u00f3pio Webb, para o qual LP 890-9c parece ser o segundo alvo mais favor\u00e1vel entre os planetas terrestres potencialmente habit\u00e1veis conhecidos at\u00e9 agora, ultrapassado apenas pelos planetas de TRAPPIST-1 (para os quais o professor Triaud foi tamb\u00e9m codescobridor).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 importante detetar o maior n\u00famero poss\u00edvel de mundos terrestres temperados para estudar a diversidade dos climas exoplanet\u00e1rios e, eventualmente, estar em posi\u00e7\u00e3o de medir a frequ\u00eancia com que a biologia surgiu no Cosmos&#8221;, acrescentou o professor Triaud.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.birmingham.ac.uk\/news\/2022\/birmingham-telescope-discovers-two-new-temperate-rocky-worlds\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Birmingham (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/component\/article?access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/202244041\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2209.02831\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SPECULOOS:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.speculoos.uliege.be\/cms\/c_4259452\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SPECULOOS\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de investiga\u00e7\u00e3o anunciou a descoberta de duas &#8220;super-Terras&#8221; 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