{"id":5387,"date":"2022-09-06T06:23:55","date_gmt":"2022-09-06T05:23:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5387"},"modified":"2022-09-06T06:23:56","modified_gmt":"2022-09-06T05:23:56","slug":"vlba-produz-a-primeira-visao-tridimensional-completa-de-um-sistema-binario-com-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/09\/06\/vlba-produz-a-primeira-visao-tridimensional-completa-de-um-sistema-binario-com-planeta\/","title":{"rendered":"VLBA produz a primeira vis\u00e3o tridimensional completa de um sistema bin\u00e1rio com planeta"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao rastrear, com precis\u00e3o, uma pequena e quase impercet\u00edvel oscila\u00e7\u00e3o no movimento pelo do espa\u00e7o de uma estrela pr\u00f3xima, os astr\u00f3nomos descobriram um planeta semelhante a J\u00fapiter em \u00f3rbita dessa estrela, que faz parte de um sistema bin\u00e1rio. O seu trabalho, usando o VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF (National Science Foundation), produziu a primeira determina\u00e7\u00e3o da estrutura completa e tridimensional das \u00f3rbitas de um bin\u00e1rio estelar e de um planeta em \u00f3rbita de uma delas. Este feito, disseram os astr\u00f3nomos, pode fornecer novos e valiosos conhecimentos sobre o processo de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/nra22df06_planetview2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"429\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Bjw2wvPs_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5388\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Bjw2wvPs_o.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Bjw2wvPs_o-300x168.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption>A partir de baixa \u00f3rbita de um planeta com cerca do dobro do tamanho de J\u00fapiter, esta impress\u00e3o de artista mostra a estrela que o planeta rodeia e a companheiro bin\u00e1ria dessa estrela \u00e0 dist\u00e2ncia.<br>Cr\u00e9dito: Sophia Dagnello, NRAO\/AUI\/NSF<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora tenham sido descobertos at\u00e9 agora mais de 5000 exoplanetas, apenas tr\u00eas foram descobertos utilizando a t\u00e9cnica &#8211; chamada astrometria &#8211; que produziu esta descoberta. Contudo, o feito de determinar a arquitetura 3D de um sistema bin\u00e1rio que inclui um planeta &#8220;n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ado com outros m\u00e9todos de descoberta exoplanet\u00e1ria&#8221;, disse Salvador Curiel, na Universidade Nacional Aut\u00f3noma do M\u00e9xico (UNAM).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma vez que a maioria das estrelas est\u00e1 em sistemas bin\u00e1rios ou m\u00faltiplos, ser capaz de compreender sistemas como este ajudar-nos-\u00e1 a compreender a forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria em geral&#8221;, disse Curiel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas estrelas, que juntas s\u00e3o chamadas GJ 896AB, est\u00e3o a cerca de 20 anos-luz da Terra &#8211; vizinhas pr\u00f3ximas por padr\u00f5es astron\u00f3micos. S\u00e3o an\u00e3s vermelhas, o tipo estelar mais comum na nossa Gal\u00e1xia. A maior, em torno da qual o planeta orbita, tem cerca de 44% da massa do nosso Sol, enquanto a mais pequena tem cerca de 17% da massa do Sol. Est\u00e3o separadas por mais ou menos a dist\u00e2ncia que separa Neptuno do Sol e orbitam-se uma \u00e0 outra a cada 229 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o seu estudo de GJ 896AB, os astr\u00f3nomos combinaram dados de observa\u00e7\u00f5es \u00f3ticas do sistema feitas entre 1941 e 2017 com dados de observa\u00e7\u00f5es do VLBA entre 2006 e 2011. Fizeram ent\u00e3o novas observa\u00e7\u00f5es VLBA em 2020. A resolu\u00e7\u00e3o supern\u00edtida do VLBA a n\u00edvel continental produziu medi\u00e7\u00f5es extremamente precisas das posi\u00e7\u00f5es das estrelas ao longo do tempo. Os astr\u00f3nomos realizaram uma an\u00e1lise extensiva dos dados que revelaram os movimentos orbitais das estrelas, bem como o seu movimento atrav\u00e9s do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rastreio detalhado do movimento da estrela maior mostrou uma ligeira oscila\u00e7\u00e3o que revelou a exist\u00eancia do planeta. A oscila\u00e7\u00e3o \u00e9 provocada pelo efeito gravitacional do planeta sobre a estrela. A estrela e o planeta orbitam um local entre eles que representa o seu centro comum de massa. Quando esse local, chamado baricentro, est\u00e1 suficientemente longe da estrela, o movimento da estrela em seu redor pode ser detet\u00e1vel.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/nra22df06_orbitviewV2.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/ff\/15\/s4uwyTPp_o.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Nesta impress\u00e3o de artista, uma pequena estrela (laranja) \u00e9 orbitada por um planeta semelhante a J\u00fapiter (azul) e por uma estrela companheira mais distante (vermelho).<br>Cr\u00e9dito: Sophia Dagnello, NRAO\/AUI\/NSF<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos calcularam que o planeta tem cerca do dobro da massa de J\u00fapiter e orbita a estrela a cada 284 dias. A sua dist\u00e2ncia \u00e0 estrela \u00e9 ligeiramente menos do que a dist\u00e2ncia de V\u00e9nus ao Sol. A \u00f3rbita do planeta est\u00e1 inclinada cerca de 148 graus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00f3rbitas das duas estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto significa que o planeta se move em torno da estrela principal na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 da estrela secund\u00e1ria [em torno da estrela principal]&#8221;, disse Gisela Ortiz-Le\u00f3n, da UNAM e do Instituto Max Planck para Radioastronomia. &#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que tal estrutura din\u00e2mica foi observada num planeta associado a um sistema bin\u00e1rio compacto que presumivelmente foi formado no mesmo disco protoplanet\u00e1rio&#8221;, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estudos adicionais detalhados deste e de outros sistemas semelhantes podem ajudar-nos a obter conhecimentos importantes sobre como os planetas s\u00e3o formados em sistemas bin\u00e1rios. Existem teorias alternativas para o mecanismo de forma\u00e7\u00e3o e mais dados podem possivelmente indicar qual \u00e9 o mais prov\u00e1vel&#8221;, disse Joel Sanchez-Bermudez da UNAM. &#8220;Em particular, os modelos atuais indicam que um planeta t\u00e3o grande \u00e9 muito improv\u00e1vel como companheiro de uma estrela t\u00e3o pequena, por isso talvez esses modelos precisem de ser ajustados&#8221;, salientou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A t\u00e9cnica astrom\u00e9trica ser\u00e1 uma ferramenta valiosa para a caracteriza\u00e7\u00e3o de mais sistemas planet\u00e1rios, disseram os astr\u00f3nomos. &#8220;Podemos fazer muitos mais trabalhos como este com o planeado ngVLA (Next Generation VLA)&#8221;, disse Amy Mioduszewski, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory). &#8220;Com ele, podemos ser capazes de encontrar planetas t\u00e3o pequenos como a Terra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos divulgaram os seus achados na edi\u00e7\u00e3o de 1 de setembro da revista The Astronomical Journal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Two Stars and a Planet\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/743556062?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"618\" height=\"348\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/binary-star-planet-system\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ac7c66\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2208.14553\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GJ 896A b:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/gj_896a_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Methods_of_detecting_exoplanets#Astrometry\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astrometria como m\u00e9todo de dete\u00e7\u00e3o exoplanet\u00e1ria (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLBA:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nrao.edu\/facilities\/vlba\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Long_Baseline_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ngVLA (Next Generation Very Large Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ngvla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao rastrear, com precis\u00e3o, uma pequena e quase impercet\u00edvel oscila\u00e7\u00e3o no movimento pelo do espa\u00e7o de uma estrela pr\u00f3xima, os astr\u00f3nomos descobriram um planeta semelhante a J\u00fapiter em \u00f3rbita dessa estrela, que faz parte de um sistema bin\u00e1rio. 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