{"id":5382,"date":"2022-09-02T06:38:48","date_gmt":"2022-09-02T05:38:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5382"},"modified":"2022-09-02T06:38:58","modified_gmt":"2022-09-02T05:38:58","slug":"alma-testemunha-jogo-da-corda-entre-galaxias-em-fusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/09\/02\/alma-testemunha-jogo-da-corda-entre-galaxias-em-fusao\/","title":{"rendered":"ALMA testemunha &#8220;jogo da corda&#8221; entre gal\u00e1xias em fus\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto observavam uma gal\u00e1xia rec\u00e9m-dormente usando o ALMA (Atacama Large Millimeter\/ submillimeter Array) e o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, cientistas descobriram que tinha parado de formar estrelas, n\u00e3o porque tinha esgotado todo o seu g\u00e1s, mas porque a maior parte do seu combust\u00edvel formador de estrelas tinha sido atirado para fora do sistema ao fundir-se com outra gal\u00e1xia. O resultado \u00e9 uma novidade para os cientistas do ALMA. Al\u00e9m disso, se provados comuns, os resultados podem mudar a forma como os cientistas pensam acerca das fus\u00f5es e mortes das gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/dcs0lDF0_o.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/dcs0lDF0_o-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5383\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/dcs0lDF0_o-1024x576.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/dcs0lDF0_o-300x169.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/dcs0lDF0_o-768x432.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/dcs0lDF0_o.png 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Os cientistas que observaram a gal\u00e1xia rec\u00e9m-dormente SDSS J1448+1010 descobriram que a maior parte do seu combust\u00edvel formador de estrelas tinha sido atirado para fora do sistema ao fundir-se com outra gal\u00e1xia. Esse g\u00e1s n\u00e3o est\u00e1 a formar novas estrelas para a gal\u00e1xia, mas permanece nas proximidades em novas estruturas conhecidas como caudas de mar\u00e9. Esta impress\u00e3o de artista mostra o fluxo de g\u00e1s e estrelas que foram lan\u00e7adas para longe da gal\u00e1xia massiva durante a sua fus\u00e3o.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), S.Dagnello (NRAO\/AUI\/NSF)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que as gal\u00e1xias se movem atrav\u00e9s do Universo, por vezes encontram outras gal\u00e1xias. Quando interagem, a gravidade de cada gal\u00e1xia atrai a outra. O subsequente &#8220;jogo da corda&#8221; lan\u00e7a gases e estrelas para longe das gal\u00e1xias, deixando para tr\u00e1s fluxos de material conhecidos como caudas de mar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 exatamente isso que os cientistas acreditam que aconteceu a SDSS J1448+1010, mas com uma reviravolta na hist\u00f3ria. A gal\u00e1xia massiva, que nasceu quando o Universo tinha cerca de metade da sua idade atual, quase que completou a sua fus\u00e3o com outra gal\u00e1xia. Durante observa\u00e7\u00f5es com o Hubble e com o ALMA, os cientistas descobriram caudas de mar\u00e9 contendo cerca de metade de todo o g\u00e1s frio e formador de estrelas do sistema. A descoberta do material for\u00e7osamente descartado &#8211; igual a 10 mil milh\u00f5es de vezes a massa do nosso Sol &#8211; indicou que a fus\u00e3o poderia ser respons\u00e1vel pelo &#8220;desligar&#8221; da forma\u00e7\u00e3o estelar, o que os cientistas n\u00e3o esperavam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que inicialmente tornou esta gal\u00e1xia massiva interessante foi que, por alguma raz\u00e3o, deixou subitamente de formar estrelas h\u00e1 cerca de 70 milh\u00f5es de anos, imediatamente ap\u00f3s uma explos\u00e3o de atividade de forma\u00e7\u00e3o estelar. A maioria das gal\u00e1xias est\u00e1 feliz por continuar a formar estrelas&#8221;, disse Justin Spilker, astr\u00f3nomo da Universidade A&amp;M do Texas e o autor principal do artigo cient\u00edfico. &#8220;As nossas observa\u00e7\u00f5es com o ALMA e com o Hubble provaram que a verdadeira raz\u00e3o pela qual a gal\u00e1xia deixou de formar estrelas \u00e9 que o processo de fus\u00e3o ejetou cerca de metade do g\u00e1s combust\u00edvel, dispon\u00edvel para a forma\u00e7\u00e3o estelar, para o espa\u00e7o intergal\u00e1ctico. Sem combust\u00edvel, a gal\u00e1xia n\u00e3o conseguia continuar a formar estrelas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta est\u00e1 a lan\u00e7ar luz sobre os processos pelos quais as gal\u00e1xias vivem ou morrem e a ajudar os cientistas a compreender melhor a sua evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/SDSS_J14481010_CO21_Composite.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/SDSS_J14481010_CO21_Composite.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>SDSS J1448+1010 \u00e9 uma gal\u00e1xia massiva rec\u00e9m-dormente que nasceu quando o Universo tinha cerca de metade da sua idade atual, e est\u00e1 perto da conclus\u00e3o de uma fus\u00e3o com outra gal\u00e1xia. Durante o curso desta fus\u00e3o, a for\u00e7a da gravidade atirou o que corresponde a quase metade de todo o g\u00e1s formador de estrelas do sistema para longe da gal\u00e1xia, deixando-a incapaz de formar novas estrelas. Esta imagem composta combina dados azul\/branco do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble e vermelho\/laranja do ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) para mostrar a distribui\u00e7\u00e3o p\u00f3s-fus\u00e3o de g\u00e1s e estrelas da gal\u00e1xia agora quiescente em fluxos de material conhecido como caudas de mar\u00e9.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), J. Spilker et al (A&amp;M do Texas), S. Dagnello (NRAO\/AUI\/NSF)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando olhamos para o Universo, vemos algumas gal\u00e1xias a formar ativamente novas estrelas, como a nossa pr\u00f3pria Via L\u00e1ctea, e algumas que n\u00e3o est\u00e3o. Mas essas gal\u00e1xias &#8220;mortas&#8221; t\u00eam muitas estrelas antigas, por isso devem ter formado todas essas estrelas em algum momento e depois deixaram de fabricar novas&#8221;, disse Wren Suess, colega de cosmologia na Universidade da Calif\u00f3rnia, Santa Cruz, e coautora do artigo cient\u00edfico. &#8220;Ainda n\u00e3o compreendemos todos os processos que fazem com que as gal\u00e1xias deixem de formar estrelas, mas esta descoberta mostra o qu\u00e3o poderosas s\u00e3o estas grandes fus\u00f5es gal\u00e1cticas e o quanto podem afetar a forma como uma gal\u00e1xia cresce e muda com o tempo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que o novo resultado \u00e9 de uma \u00fanica observa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 atualmente claro o qu\u00e3o t\u00edpico este &#8220;jogo da corda&#8221; e a sua quiesc\u00eancia resultante podem ser. No entanto, a descoberta desafia as teorias h\u00e1 muito defendidas sobre como a forma\u00e7\u00e3o estelar e as gal\u00e1xias morrem e tem proporcionado aos cientistas um novo desafio excitante: encontrar mais exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Embora seja bastante claro, a partir deste sistema, que o g\u00e1s frio pode realmente acabar bem para l\u00e1 de um sistema em fus\u00e3o, e que &#8216;desliga&#8217; uma gal\u00e1xia, o tamanho da amostra, apenas uma gal\u00e1xia, diz-nos muito pouco sobre como este processo \u00e9 comum&#8221;, disse David Setton, estudante no departamento de f\u00edsica e astronomia da Universidade de Pittsburgh e coautor do artigo. &#8220;Mas existem muitas gal\u00e1xias por a\u00ed, como J1448+1010, que conseguimos apanhar mesmo no meio desses &#8216;crashes&#8217; e estudar exatamente o que lhes acontece quando passam por esta fase. A eje\u00e7\u00e3o de g\u00e1s frio \u00e9 uma nova e excitante pe\u00e7a do puzzle da quiesc\u00eancia, e estamos entusiasmados por tentar encontrar mais exemplos&#8221;. Spilker acrescentou: &#8220;Os astr\u00f3nomos costumavam pensar que a \u00fanica forma de fazer as gal\u00e1xias deixarem de formar estrelas era atrav\u00e9s de processos violentos e r\u00e1pidos, como muitas supernovas a explodir na gal\u00e1xia para soprar a maior parte do g\u00e1s para fora e a aquecer o resto. As nossas observa\u00e7\u00f5es mostram que n\u00e3o \u00e9 preciso um processo &#8216;vistoso&#8217; para cortar a forma\u00e7\u00e3o estelar. O processo de fus\u00e3o, muito mais lento, pode tamb\u00e9m p\u00f4r fim \u00e0 forma\u00e7\u00e3o estelar e \u00e0s gal\u00e1xias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-releases\/alma-witnesses-deadly-star-slinging-tug-of-war-between-merging-galaxies\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/alma-merging-galaxies-tidal-tails\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ac75ea\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2208.13917\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy_formation_and_evolution\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/alma-telescope.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto observavam uma gal\u00e1xia rec\u00e9m-dormente usando o ALMA (Atacama Large Millimeter\/ submillimeter Array) e o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, cientistas descobriram que tinha parado de formar estrelas, n\u00e3o porque tinha esgotado todo o seu g\u00e1s, mas porque a maior parte do seu combust\u00edvel formador de estrelas tinha sido atirado para fora do sistema ao fundir-se com &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5383,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[60,16,1],"tags":[305,534,150,1407],"class_list":["post-5382","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-galaxias","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-alma","tag-formacao-galactica","tag-hubble","tag-sdss-j14481010"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5382","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5382"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5382\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5384,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5382\/revisions\/5384"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5383"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}