{"id":5361,"date":"2022-08-26T06:20:40","date_gmt":"2022-08-26T05:20:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5361"},"modified":"2022-08-26T06:20:51","modified_gmt":"2022-08-26T05:20:51","slug":"cientistas-sondam-a-energia-escura-testando-a-gravidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/08\/26\/cientistas-sondam-a-energia-escura-testando-a-gravidade\/","title":{"rendered":"Cientistas sondam a energia escura, testando a gravidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Universo est\u00e1 a expandir-se a um ritmo acelerado e os cientistas ainda n\u00e3o sabem porqu\u00ea. Este fen\u00f3meno parece contradizer tudo o que os investigadores compreendem sobre o efeito da gravidade no cosmos: \u00e9 como se se atirasse uma ma\u00e7\u00e3 para o ar e ela continuasse para cima, cada vez mais depressa. A causa da acelera\u00e7\u00e3o, apelidada de energia escura, continua a ser um mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo pelo levantamento internacional DES (Dark Energy Survey), usando o Telesc\u00f3pio Victor M. Blanco de 4 metros no Chile, marca o esfor\u00e7o mais recente para determinar se tudo isto \u00e9 simplesmente um mal-entendido: que as expetativas de como a gravidade funciona \u00e0 escala de todo o Universo s\u00e3o defeituosas ou est\u00e3o incompletas. Este potencial mal-entendido pode ajudar os cientistas a explicar a energia escura. Mas o estudo &#8211; um dos testes mais precisos at\u00e9 agora da teoria da gravidade de Einstein \u00e0 escala c\u00f3smica &#8211; conclui que o entendimento atual ainda parece estar correto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esawebb.org\/archives\/images\/large\/webb-first-deep-field.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1004\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Nfme9IML_o-1004x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5245\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Nfme9IML_o-1004x1024.jpg 1004w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Nfme9IML_o-294x300.jpg 294w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Nfme9IML_o-768x783.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Nfme9IML_o.jpg 1041w\" sizes=\"auto, (max-width: 1004px) 100vw, 1004px\" \/><\/a><figcaption>Imagem do enxame de gal\u00e1xias SMACS 0723.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, STScI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados foram apresentados na passada quarta-feira, dia 23 de agosto, na Confer\u00eancia Internacional sobre F\u00edsica de Part\u00edculas e Cosmologia (COSMO&#8217;22) no Rio de Janeiro. O trabalho ajuda a preparar o palco para dois telesc\u00f3pios espaciais que ir\u00e3o sondar a nossa compreens\u00e3o da gravidade com uma precis\u00e3o ainda maior do que o novo estudo e talvez finalmente resolver o mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, Albert Einstein desenvolveu a sua Teoria da Relatividade Geral para descrever a gravidade e at\u00e9 agora tem previsto tudo com precis\u00e3o tudo desde a \u00f3rbita de Merc\u00fario at\u00e9 \u00e0 exist\u00eancia de buracos negros. Mas se esta teoria n\u00e3o consegue explicar a energia escura, alguns cientistas argumentaram, ent\u00e3o talvez precisem de modificar algumas das suas equa\u00e7\u00f5es ou acrescentar novos componentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para descobrir se \u00e9 esse o caso, os membros do DES procuraram evid\u00eancias de que a for\u00e7a da gravidade tem variado ao longo da hist\u00f3ria do Universo ou ao longo de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas. Uma descoberta positiva indicaria que a teoria de Einstein est\u00e1 incompleta, o que poderia ajudar a explicar a expans\u00e3o acelerada do Universo. Tamb\u00e9m examinaram dados de outros telesc\u00f3pios, al\u00e9m do Blanco, incluindo o sat\u00e9lite Planck da ESA, e chegaram \u00e0 mesma conclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo conclui que a teoria de Einstein ainda funciona. Portanto, ainda n\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o para a energia escura. Mas esta investiga\u00e7\u00e3o ir\u00e1 alimentar duas pr\u00f3ximas miss\u00f5es: a miss\u00e3o Euclid da ESA, com lan\u00e7amento previsto para n\u00e3o antes de 2023, e o Telesc\u00f3pio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, com lan\u00e7amento calendarizado o mais tardar para maio de 2027. Ambos os telesc\u00f3pios v\u00e3o procurar altera\u00e7\u00f5es na for\u00e7a da gravidade ao longo do tempo ou da dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vis\u00e3o desfocada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como \u00e9 que os cientistas sabem o que aconteceu no passado do Universo? Olhando para objetos distantes. Um ano-luz \u00e9 uma medida da dist\u00e2ncia que a luz pode percorrer num ano (cerca de 9,5 bili\u00f5es de quil\u00f3metros). Isso significa que um objeto a um ano-luz de dist\u00e2ncia aparece-nos como era h\u00e1 um ano atr\u00e1s, quando a luz deixou o objeto pela primeira vez. E as gal\u00e1xias a milhares de milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia aparecem-nos como eram h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos. O novo estudo analisou gal\u00e1xias que remontam h\u00e1 cerca de 5 mil milh\u00f5es de anos. O telesc\u00f3pio Euclid vai mergulhar nas gal\u00e1xias de h\u00e1 8 mil milh\u00f5es de anos, e o Roman vai olhar para tr\u00e1s 11 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As gal\u00e1xias, propriamente ditas, n\u00e3o revelam a for\u00e7a da gravidade, mas sim o seu aspeto quando vistas da Terra. A maioria da mat\u00e9ria no nosso Universo \u00e9 mat\u00e9ria escura que n\u00e3o emite, n\u00e3o reflete nem interage de outra forma com a luz. Embora os cientistas n\u00e3o saibam do que \u00e9 feita, sabem que est\u00e1 l\u00e1, porque a sua gravidade o demonstra: grandes reservat\u00f3rios de mat\u00e9ria escura no nosso Universo distorcem o pr\u00f3prio espa\u00e7o. \u00c0 medida que a luz viaja pelo espa\u00e7o, encontra estas por\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o deformado, fazendo com que as imagens de gal\u00e1xias distantes pare\u00e7am curvadas ou desfocadas. Isto foi exposto numa das primeiras imagens divulgadas pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas do DES procuram imagens de gal\u00e1xias para obter distor\u00e7\u00f5es mais subtis devido \u00e0 mat\u00e9ria escura que &#8220;dobra&#8221; o espa\u00e7o, um efeito chamado lente gravitacional fraca. A for\u00e7a da gravidade determina o tamanho e a distribui\u00e7\u00e3o das estruturas de mat\u00e9ria escura, e o tamanho e a distribui\u00e7\u00e3o por sua vez determinam a forma como essas gal\u00e1xias nos parecem deformadas. \u00c9 assim que as imagens podem revelar a for\u00e7a da gravidade a diferentes dist\u00e2ncias da Terra e em alturas diferentes ao longo da hist\u00f3ria do Universo. O grupo mediu agora as formas de mais de 100 milh\u00f5es de gal\u00e1xias e, at\u00e9 agora, as observa\u00e7\u00f5es correspondem ao que \u00e9 previsto pela teoria de Einstein.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ainda h\u00e1 espa\u00e7o para desafiar a teoria da gravidade de Einstein, \u00e0 medida que as medi\u00e7\u00f5es se tornam cada vez mais precisas&#8221;, disse a coautora Agn\u00e8s Fert\u00e9, que realizou esta pesquisa como investigadora p\u00f3s-doutorada no JPL. &#8220;Mas ainda temos muito a fazer antes de estarmos prontos para o Euclid e para o Roman. De modo que \u00e9 essencial que continuemos a colaborar com cientistas de todo o mundo neste problema, tal como temos feito com o DES&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/nasa-scientists-help-probe-dark-energy-by-testing-gravity\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2207.05766\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lambda-CDM_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder#Galactic_distance_indicators\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Indicadores de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Escada&#8221; de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Energia escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_Energy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Teoria da Relatividade Geral:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/General_theory_of_relativity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Weak_gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lente gravitacional fraca (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Colabora\u00e7\u00e3o DES:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.darkenergysurvey.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/The_Dark_Energy_Survey\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Victor M. Blanco:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ctio.noao.edu\/noao\/node\/9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NOAO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/V%C3%ADctor_M._Blanco_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Planck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/science-e\/www\/area\/index.cfm?fareaid=17\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA (ci\u00eancia e tecnologia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/planck\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA (centro cient\u00edfico)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/SPECIALS\/Operations\/SEM45HZTIVE_0.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA (p\u00e1gina de opera\u00e7\u00f5es)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/planck\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/pla.esac.esa.int\/pla\/#home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo do Legado Planck (ESA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Planck_(telescope)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Euclid:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Euclid_overview\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Euclid_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RST ([Nancy Grace] Roman Space Telescope, anteriormente WFIRST):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/roman.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nancy_Grace_Roman_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASARoman\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASARoman\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Universo est\u00e1 a expandir-se a um ritmo acelerado e os cientistas ainda n\u00e3o sabem porqu\u00ea. 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