{"id":5352,"date":"2022-08-23T06:26:55","date_gmt":"2022-08-23T05:26:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5352"},"modified":"2022-08-23T06:26:56","modified_gmt":"2022-08-23T05:26:56","slug":"imagem-mais-nitida-de-sempre-da-estrela-mais-massiva-conhecida-no-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/08\/23\/imagem-mais-nitida-de-sempre-da-estrela-mais-massiva-conhecida-no-universo\/","title":{"rendered":"Imagem mais n\u00edtida de sempre da estrela mais massiva conhecida no Universo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aproveitando as capacidades do telesc\u00f3pio Gemini South de 8,1 metros no Chile, que faz parte do Observat\u00f3rio Internacional Gemini operado pelo NOIRLab da NSF (National Science Foundation), os astr\u00f3nomos obtiveram a imagem mais n\u00edtida de sempre da estrela R136a1, a estrela mais massiva conhecida no Universo. A sua investiga\u00e7\u00e3o, liderada pelo astr\u00f3nomo Venu M. Kalari do NOIRLab, desafia a nossa compreens\u00e3o das estrelas mais massivas e sugere que elas podem n\u00e3o ser t\u00e3o massivas como se pensava anteriormente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/media\/archives\/images\/large\/noirlab2220b.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"700\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/noirlab2220b.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5353\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/noirlab2220b.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/noirlab2220b-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/noirlab2220b-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Aninhada no centro da Nebulosa da Tar\u00e2ntula, na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, est\u00e1 a maior estrela at\u00e9 agora descoberta. Com a ajuda do instrumento Zorro e o poder do telesc\u00f3pio Gemini South de 8,1 metros no Chile, os astr\u00f3nomos produziram a imagem mais n\u00edtida de sempre desta estrela. Esta nova imagem desafia a nossa compreens\u00e3o das estrelas mais massivas e sugere que elas podem n\u00e3o ser t\u00e3o massivas como se pensava anteriormente.<br>Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio Internacional Gemini\/NOIRLab\/NSF\/AURA; reconhecimento &#8211; processamento de imagem: T.A. Rector (Universidade do Alaska em Anchorage\/NOIRLab da NSF), M. Zamani (NOIRLab da NSF) e D. de Martin (NOIRLab da NSF)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos ainda n\u00e3o compreendem totalmente como as estrelas mais massivas s\u00e3o formadas &#8211; aquelas com mais de 100 vezes a massa do Sol. Uma pe\u00e7a particularmente desafiante deste puzzle \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es destas gigantes, que tipicamente habitam nos cora\u00e7\u00f5es densamente povoados de enxames envoltos em poeira. As estrelas gigantes tamb\u00e9m &#8220;vivem e morrem depressa&#8221;, queimando as suas reservas de combust\u00edvel em apenas alguns milh\u00f5es de anos. Em compara\u00e7\u00e3o, o nosso Sol est\u00e1 quase a meio da sua vida de 10 mil milh\u00f5es de anos. A combina\u00e7\u00e3o de estrelas densamente agrupadas, vidas relativamente curtas e grandes dist\u00e2ncias astron\u00f3micas, torna a distin\u00e7\u00e3o individual de estrelas gigantes em enxames um desafio t\u00e9cnico assustador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao empurrar as capacidades do instrumento Zorro no telesc\u00f3pio Gemini South, os astr\u00f3nomos obtiveram a imagem mais n\u00edtida de sempre de R136a1 &#8211; a estrela mais massiva conhecida. Esta estrela colossal faz parte do enxame estelar R136, situado a cerca de 160.000 anos-luz da Terra, no centro da Nebulosa da Tar\u00e2ntula, na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, uma gal\u00e1xia an\u00e3 companheira da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observa\u00e7\u00f5es anteriores sugeriram que R136a1 tinha uma massa algures entre 250 a 320 vezes a massa do Sol. As novas observa\u00e7\u00f5es Zorro, contudo, indicam que esta estrela gigante pode ter apenas 170 a 230 vezes a massa do Sol. Mesmo como esta estimativa mais baixa, R136a1 ainda se qualifica como a estrela mais massiva conhecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos s\u00e3o capazes de estimar a massa de uma estrela comparando o seu brilho e temperatura observados com as previs\u00f5es te\u00f3ricas. A imagem mais n\u00edtida do instrumento Zorro permitiu ao astr\u00f3nomo Venu M. Kalari e colegas separarem mais precisamente o brilho de R136a1 das suas companheiras estelares pr\u00f3ximas, o que levou a uma estimativa mais baixa do seu brilho e, portanto, da sua massa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os nossos resultados mostram-nos que a estrela mais massiva que conhecemos atualmente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o massiva como t\u00ednhamos pensado anteriormente&#8221;, explicou Kalari, autor principal do artigo cient\u00edfico que anuncia este resultado. &#8220;Isto sugere que o limite superior das massas estelares pode ser menor do que se pensava anteriormente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este resultado tamb\u00e9m tem implica\u00e7\u00f5es para a origem dos elementos mais pesados do que o h\u00e9lio no Universo. Estes elementos s\u00e3o criados durante a morte catacl\u00edsmica e explosiva de estrelas com mais de 150 vezes a massa do Sol, em eventos a que os astr\u00f3nomos referem como supernovas de instabilidade de par. Se R136a1 for menos massiva do que se pensava anteriormente, o mesmo pode ser verdade para outras estrelas massivas e, consequentemente, as supernovas de instabilidade de par podem ser mais raras do que se esperava.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/media\/archives\/images\/large\/noirlab2220c.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/media\/archives\/images\/thumb700x\/noirlab2220c.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esta compara\u00e7\u00e3o mostra a nitidez e clareza excecionais do instrumento Zorro no Telesc\u00f3pio Gemini South de 8,1 metros no Chile (esquerda) quando comparado com uma imagem anterior tirada com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA (direita). A nova imagem do Gemini South permitiu aos astr\u00f3nomos distinguir claramente a estrela R136a1 das suas companheiras estelares pr\u00f3ximas, fornecendo os dados necess\u00e1rios para revelar que &#8211; embora ainda a estrela mais massiva conhecida no Universo &#8211; \u00e9 menos massiva do que se pensava anteriormente.<br>Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio Internacional Gemini\/NOIRLab\/NSF\/AURA;<br>reconhecimento &#8211; processamento de imagem: T.A. Rector (Universidade do Alaska em Anchorage\/NOIRLab da NSF), M. Zamani (NOIRLab da NSF) e D. de Martin (NOIRLab da NSF); Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enxame de estrelas que hospeda R136a1 foi anteriormente observado por astr\u00f3nomos que utilizavam o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA e uma variedade de telesc\u00f3pios terrestres, mas nenhum destes telesc\u00f3pios conseguia obter imagens suficientemente detalhadas para discernir todos os membros estelares individuais do enxame pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O instrumento Zorro do Gemini South conseguiu ultrapassar a resolu\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es anteriores utilizando uma t\u00e9cnica conhecida como &#8220;speckle imaging&#8221;, que permite aos astr\u00f3nomos ultrapassar grande parte do efeito de desfoque da atmosfera da Terra. Ao tirar muitas milhares de imagens de curta exposi\u00e7\u00e3o de um objeto brilhante e ao processar cuidadosamente os dados, \u00e9 poss\u00edvel cancelar quase toda a desfocagem atmosf\u00e9rica. Esta abordagem, bem como a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00f3tica adaptativa, pode aumentar drasticamente a resolu\u00e7\u00e3o dos telesc\u00f3pios terrestres, tal como demonstrado pelas novas e n\u00edtidas observa\u00e7\u00f5es de R136a1 pela equipa do instrumento Zorro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este resultado mostra que, dadas as condi\u00e7\u00f5es certas, um telesc\u00f3pio de 8,1 metros empurrado para os seus limites pode rivalizar n\u00e3o s\u00f3 com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble quando se trata de resolu\u00e7\u00e3o angular, mas tamb\u00e9m com o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb&#8221;, comentou Ricardo Salinas, coautor do artigo cient\u00edfico e cientista do instrumento Zorro. &#8220;Esta observa\u00e7\u00e3o empurra o limite do que \u00e9 considerado poss\u00edvel utilizando a t\u00e9cnica de &#8216;imaging speckle'&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Come\u00e7\u00e1mos este trabalho como uma observa\u00e7\u00e3o explorat\u00f3ria para ver qu\u00e3o bem o Zorro podia observar este tipo de objetos&#8221;, concluiu Kalari. &#8220;Embora exijamos cautela na interpreta\u00e7\u00e3o dos nossos resultados, as nossas observa\u00e7\u00f5es indicam que as estrelas mais massivas podem n\u00e3o ser t\u00e3o massivas como outrora se pensava&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Zorro e o seu g\u00e9meo id\u00eantico &#8216;Alopeke s\u00e3o instrumentos de imagem montados nos telesc\u00f3pios Gemini South e North, respetivamente. Os seus nomes s\u00e3o as palavras havaianas e espanholas para &#8220;raposa&#8221; e representam as localiza\u00e7\u00f5es respetivas dos telesc\u00f3pios em Maunakea, Hawaii, e em Cerro Pach\u00f3n no Chile. Estes instrumentos fazem parte do Programa de Instrumentos Visitantes do Observat\u00f3rio Gemini, que permite nova ci\u00eancia ao acomodar instrumentos inovadores e ao permitir uma investiga\u00e7\u00e3o excitante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O Gemini South continua a melhorar a nossa compreens\u00e3o do Universo, transformando a astronomia tal como a conhecemos. Esta descoberta \u00e9 mais um exemplo dos feitos cient\u00edficos que podemos realizar quando combinamos colabora\u00e7\u00e3o internacional, infraestruturas de classe mundial e uma excelente equipa&#8221;, disse Martin Still, oficial do programa Gemini da NSF.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Cosmoview Episode 51: Sharpest Image Ever of Universe\u2019s Most Massive Known Star\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OTAgRE5_NYE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/news\/noirlab2220\/\" target=\"_blank\">\/\/ NOIRLab (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2207.13078\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>R136a1:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/R136a1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>R136:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/R136\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lista das estrelas mais massivas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_most_massive_stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Gemini:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gemini.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gemini_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aproveitando as capacidades do telesc\u00f3pio Gemini South de 8,1 metros no Chile, que faz parte do Observat\u00f3rio Internacional Gemini operado pelo NOIRLab da NSF (National Science Foundation), os astr\u00f3nomos obtiveram a imagem mais n\u00edtida de sempre da estrela R136a1, a estrela mais massiva conhecida no Universo. 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