{"id":5321,"date":"2022-08-12T06:19:42","date_gmt":"2022-08-12T05:19:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5321"},"modified":"2022-08-12T06:19:51","modified_gmt":"2022-08-12T05:19:51","slug":"as-estrelas-determinam-as-suas-proprias-massas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/08\/12\/as-estrelas-determinam-as-suas-proprias-massas\/","title":{"rendered":"As estrelas determinam as suas pr\u00f3prias massas"},"content":{"rendered":"\n<p>No ano passado, uma equipa de astrof\u00edsicos lan\u00e7ou o STARFORGE, um projeto que produz as simula\u00e7\u00f5es 3D mais realistas e de maior resolu\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar at\u00e9 \u00e0 data. Agora, os cientistas utilizaram estas simula\u00e7\u00f5es altamente detalhadas para descobrir o que determina as massas das estrelas, um mist\u00e9rio que tem cativado os astrof\u00edsicos durante d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Num novo estudo, a equipa descobriu que a forma\u00e7\u00e3o estelar \u00e9 um processo autorregulador. Por outras palavras, as pr\u00f3prias estrelas estabelecem as suas pr\u00f3prias massas. Isto ajuda a explicar porque \u00e9 que as estrelas formadas em ambientes d\u00edspares ainda t\u00eam massas semelhantes. A nova descoberta pode permitir aos investigadores compreender melhor a forma\u00e7\u00e3o das estrelas dentro da nossa pr\u00f3pria Via L\u00e1ctea e noutras gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/mB583luz_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"767\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/mB583luz_o-1024x767.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5322\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/mB583luz_o-1024x767.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/mB583luz_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/mB583luz_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/mB583luz_o-1536x1151.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/mB583luz_o.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Simula\u00e7\u00e3o de uma regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar, onde estrelas massivas destroem a sua nuvem natal.<br>Cr\u00e9dito: STARFORGE<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O estudo foi publicado a semana passada na revista Monthly Notice of the Royal Astronomical Society. A colabora\u00e7\u00e3o inclui especialistas da Universidade Northwestern, da Universidade do Texas em Austin, dos Observat\u00f3rios Carnegie, da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia. O autor principal do novo estudo \u00e9 D\u00e1vid Guszejnov, p\u00f3s-doutorado na Universidade do Texas em Austin.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Compreender a fun\u00e7\u00e3o de massa inicial estelar \u00e9 um problema t\u00e3o importante porque tem um impacto astrof\u00edsico transversal &#8211; desde planetas pr\u00f3ximos a gal\u00e1xias distantes&#8221;, disse Claude-Andr\u00e9 Faucher-Gigu\u00e8re, da Universidade Northwestern, coautor do estudo. &#8220;Isto porque as estrelas t\u00eam um &#8216;ADN&#8217; relativamente simples. Se soubermos a massa de uma estrela, ent\u00e3o sabemos a maioria das coisas sobre a estrela: quanta luz emite, quanto tempo viver\u00e1 e o que lhe ir\u00e1 acontecer quando morrer. A distribui\u00e7\u00e3o das massas estelares \u00e9, portanto, cr\u00edtica para saber se os planetas que orbitam as estrelas podem potencialmente sustentar vida, bem como o aspeto das gal\u00e1xias distantes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Faucher-Gigu\u00e8re \u00e9 professor associado de f\u00edsica e astronomia na Faculdade de Artes e Ci\u00eancias da Northwestern e membro do CIERA (Center for Interdisciplinary Exploration and Research in Astrophysics).<\/p>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o est\u00e1 repleto de nuvens gigantes, constitu\u00eddas por g\u00e1s frio e poeira. Lentamente, a gravidade atrai e junta estes gases e poeiras, formando aglomerados densos. Os materiais destes aglomerados caem para o interior, colidindo e provocando calor para criar uma estrela rec\u00e9m-nascida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em redor de cada uma destas &#8220;protoestrelas&#8221; est\u00e1 um disco girat\u00f3rio de g\u00e1s e poeira. Todos os planetas no nosso Sistema Solar foram, outrora, aglomerados num tal disco em torno do nosso Sol rec\u00e9m-nascido. A determina\u00e7\u00e3o de quais os planetas que podem &#8211; ou n\u00e3o &#8211; hospedar vida depende da massa das estrelas e de como estas se formaram. Portanto, a compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o estelar \u00e9 crucial para determinar onde a vida se pode formar no Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As estrelas s\u00e3o os \u00e1tomos da gal\u00e1xia&#8221;, disse Stella Offner, professora associada de astronomia na Universidade do Texas em Austin. &#8220;A sua distribui\u00e7\u00e3o de massa dita se os planetas ir\u00e3o nascer e se a vida poder\u00e1 desenvolver-se&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada subcampo da astronomia depende da distribui\u00e7\u00e3o de massa das estrelas &#8211; ou da fun\u00e7\u00e3o de massa inicial (FMI) &#8211; o que se tem revelado um desafio para os cientistas modelarem corretamente. As estrelas muito maiores do que o nosso Sol s\u00e3o raras, constituindo apenas 1% das estrelas rec\u00e9m-nascidas. E, por cada uma destas estrelas, existem at\u00e9 10 estrelas semelhantes ao Sol e 30 estrelas an\u00e3s. As observa\u00e7\u00f5es constataram que n\u00e3o importa onde olhemos na Via L\u00e1ctea, estas propor\u00e7\u00f5es (ou seja, a FMI) s\u00e3o as mesmas, tanto para enxames estelares rec\u00e9m-formados como para aqueles que t\u00eam milhares de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o mist\u00e9rio da FMI. Cada popula\u00e7\u00e3o de estrelas na nossa Gal\u00e1xia, e em todas as gal\u00e1xias an\u00e3s que nos rodeiam, tem este mesmo equil\u00edbrio &#8211; embora as suas estrelas tenham nascido sob condi\u00e7\u00f5es extremamente diferentes ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos. Em teoria, a FMI deveria variar dramaticamente, mas \u00e9 praticamente universal, o que tem intrigado os astr\u00f3nomos durante d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 muito tempo que nos perguntamos porqu\u00ea&#8221;, disse Guszejnov. &#8220;A fim de resolver este mist\u00e9rio, as nossas simula\u00e7\u00f5es seguiram as estrelas desde o nascimento at\u00e9 ao ponto final natural da sua forma\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, as novas simula\u00e7\u00f5es mostraram que o feedback estelar, num esfor\u00e7o para se opor \u00e0 gravidade, empurra as massas estelares para a mesma distribui\u00e7\u00e3o de massa. Estas simula\u00e7\u00f5es s\u00e3o as primeiras a seguir a forma\u00e7\u00e3o de estrelas individuais numa nuvem gigante em colapso, ao mesmo tempo que capturam a forma como estas estrelas rec\u00e9m-formadas interagem com o seu ambiente, emitindo luz e libertando massa atrav\u00e9s de jatos e ventos &#8211; um fen\u00f3meno referido como &#8220;feedback estelar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto STARFORGE \u00e9 uma iniciativa multi-institucional, coliderada por Guszejnov e Michael Grudi\u0107 dos Observat\u00f3rios Carnegie. As simula\u00e7\u00f5es STARFORGE s\u00e3o as primeiras a modelar simultaneamente a forma\u00e7\u00e3o estelar, a evolu\u00e7\u00e3o e a din\u00e2mica, ao mesmo tempo que contabilizam o feedback estelar, incluindo jatos, radia\u00e7\u00e3o, vento e atividade de supernovas pr\u00f3ximas. Enquanto outras simula\u00e7\u00f5es incorporaram tipos individuais de feedback estelar, o STARFORGE junta-os todos para simular a forma como estes v\u00e1rios processos interagem para afetar a forma\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.northwestern.edu\/stories\/2022\/08\/stars-determine-their-own-masses\/?fj=1\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Northwestern (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/mnras\/stac2060\/6650369?redirectedFrom=fulltext&amp;login=false\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2205.10413\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/youtu.be\/XaZp0prvWGU\" target=\"_blank\">\/\/ Os Pilares da Cria\u00e7\u00e3o no STARFORGE (D\u00e1vid Guszejnov via YouTube)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fun\u00e7\u00e3o de massa inicial (FMI):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Initial_mass_function\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Projeto STARFORGE:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/starforge.space\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano passado, uma equipa de astrof\u00edsicos lan\u00e7ou o STARFORGE, um projeto que produz as simula\u00e7\u00f5es 3D mais realistas e de maior resolu\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar at\u00e9 \u00e0 data. 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