{"id":5312,"date":"2022-08-09T06:18:58","date_gmt":"2022-08-09T05:18:58","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5312"},"modified":"2022-08-09T06:18:59","modified_gmt":"2022-08-09T05:18:59","slug":"anas-da-fornalha-parecem-nao-mostrar-vestigios-de-halos-de-materia-escura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/08\/09\/anas-da-fornalha-parecem-nao-mostrar-vestigios-de-halos-de-materia-escura\/","title":{"rendered":"An\u00e3s da Fornalha parecem n\u00e3o mostrar vest\u00edgios de halos de mat\u00e9ria escura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o modelo padr\u00e3o da cosmologia, a grande maioria das gal\u00e1xias est\u00e1 rodeada por um halo de part\u00edculas de mat\u00e9ria escura. Este halo \u00e9 invis\u00edvel, mas a sua massa exerce uma forte atra\u00e7\u00e3o gravitacional sobre as gal\u00e1xias nas proximidades. Um novo estudo liderado pela Universidade de Bona (Alemanha) e pela Universidade de Saint Andrews (Esc\u00f3cia) desafia esta vis\u00e3o do Universo. Os resultados sugerem que as gal\u00e1xias an\u00e3s do segundo enxame gal\u00e1ctico mais pr\u00f3ximo da Terra &#8211; conhecido como o Enxame da Fornalha &#8211; est\u00e3o livres de tais halos de mat\u00e9ria escura. O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/potw1008a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1020\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/bp6A17xz_o-1020x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5313\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/bp6A17xz_o-1020x1024.jpg 1020w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/bp6A17xz_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/bp6A17xz_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/bp6A17xz_o-768x771.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/bp6A17xz_o.jpg 1076w\" sizes=\"auto, (max-width: 1020px) 100vw, 1020px\" \/><\/a><figcaption>A gal\u00e1xia an\u00e3 NGC1427A voa atrav\u00e9s do enxame de gal\u00e1xias da Fornalha e sofre perturba\u00e7\u00f5es que n\u00e3o seriam poss\u00edveis se esta gal\u00e1xia estivesse rodeada por um halo de mat\u00e9ria escura, pesado e prolongado, como exigido pela cosmologia padr\u00e3o.<br>Cr\u00e9dito: ESO<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As gal\u00e1xias an\u00e3s s\u00e3o pequenas e t\u00e9nues e podem ser normalmente encontradas em enxames de gal\u00e1xias ou perto de gal\u00e1xias maiores. Devido a isto, podem ser afetadas pelos efeitos gravitacionais das suas companheiras maiores. &#8220;Introduzimos uma forma inovadora de testar o modelo padr\u00e3o com base no quanto as gal\u00e1xias an\u00e3s s\u00e3o perturbadas pelas mar\u00e9s gravitacionais de gal\u00e1xias maiores pr\u00f3ximas&#8221;, disse Elena Asencio, estudante de doutoramento da Universidade de Bona e autora principal do estudo. As mar\u00e9s surgem quando a gravidade de um corpo puxa de forma diferente partes diferentes de outro corpo. Estas s\u00e3o semelhantes \u00e0s mar\u00e9s na Terra, que surgem porque a Lua puxa mais fortemente no lado da Terra que est\u00e1 de frente para a Lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Enxame de Gal\u00e1xias da Fornalha \u00e9 rica em gal\u00e1xias an\u00e3s. Observa\u00e7\u00f5es recentes mostram que algumas destas an\u00e3s parecem distorcidas, como se tivessem sido perturbadas pelo ambiente do enxame. &#8220;Tais perturba\u00e7\u00f5es nas an\u00e3s da Fornalha n\u00e3o s\u00e3o esperadas de acordo com o Modelo Padr\u00e3o&#8221;, disse Pavel Kroupa, professor na Universidade de Bona e da Universidade Charles em Praga. &#8220;Isto porque, de acordo com o modelo padr\u00e3o, os halos de mat\u00e9ria escura destas an\u00e3s devem proteg\u00ea-las parcialmente das mar\u00e9s levantadas pelo enxame&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores analisaram o n\u00edvel esperado de perturba\u00e7\u00e3o das an\u00e3s, que depende das suas propriedades internas e da sua dist\u00e2ncia ao gravitacionalmente poderoso centro do enxame. Gal\u00e1xias de grandes dimens\u00f5es, mas com baixas massas estelares, e gal\u00e1xias pr\u00f3ximas do centro do enxame, s\u00e3o mais facilmente perturbadas ou destru\u00eddas. Os cientistas compararam os resultados com o seu n\u00edvel de perturba\u00e7\u00e3o observado evidente a partir de fotografias tiradas pelo VST (VLT Survey Telescope) do ESO.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A compara\u00e7\u00e3o mostrou que, se se quiser explicar as observa\u00e7\u00f5es no modelo padr\u00e3o&#8221; &#8211; disse Elena Asencio &#8211; &#8220;as an\u00e3s da Fornalha j\u00e1 deviam ter sido destru\u00eddas pela gravidade do centro do enxame, mesmo quando as mar\u00e9s que sobem sobre uma an\u00e3 s\u00e3o sessenta e quatro vezes mais fracas do que a pr\u00f3pria autogravidade da an\u00e3&#8221;. N\u00e3o s\u00f3 isto \u00e9 contraintuitivo, disse, como tamb\u00e9m contradiz estudos anteriores, que constataram que a for\u00e7a externa necess\u00e1ria para perturbar uma gal\u00e1xia an\u00e3 \u00e9 aproximadamente a mesma que a autogravidade da an\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Contradi\u00e7\u00e3o com o modelo padr\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir disto, os autores conclu\u00edram que, no modelo padr\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel explicar as morfologias observadas nas an\u00e3s da Fornalha de uma forma autoconsistente. Eles repetiram a an\u00e1lise utilizando a din\u00e2mica newtoniana modificada (MOND). Em vez de assumir halos de mat\u00e9ria escura em torno das gal\u00e1xias, a teoria MOND prop\u00f5e uma correla\u00e7\u00e3o com a din\u00e2mica newtoniana atrav\u00e9s da qual a gravidade experimenta um impulso no regime de baixas acelera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o t\u00ednhamos a certeza de que as gal\u00e1xias an\u00e3s conseguiriam sobreviver ao ambiente extremo de um enxame de gal\u00e1xias na teoria MOND, devido \u00e0 aus\u00eancia de halos protetores de mat\u00e9ria escura neste modelo &#8211; admitiu o Dr. Indranil Banik da Universidade de St. Andrews &#8211; &#8220;mas os nossos resultados mostram um acordo not\u00e1vel entre as observa\u00e7\u00f5es e as expetativas MOND quanto ao n\u00edvel de perturba\u00e7\u00e3o das an\u00e3s da Fornalha&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 excitante ver que os dados que obtivemos com o VST permitiram um teste t\u00e3o exaustivo de modelos cosmol\u00f3gicos&#8221;, disse Aku Venhola da Universidade de Oulu (Finl\u00e2ndia) e Steffen Mieske do ESO, coautores do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que um estudo testando o efeito da mat\u00e9ria escura na din\u00e2mica e evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias concluiu que as observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o melhor explicadas quando n\u00e3o est\u00e3o rodeadas de mat\u00e9ria escura. &#8220;O n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es que mostram incompatibilidades entre as observa\u00e7\u00f5es e o paradigma da mat\u00e9ria escura continua a aumentar a cada ano. \u00c9 tempo de come\u00e7ar a investir mais recursos em teorias mais promissoras&#8221;, disse Pavel Kroupa, membro das \u00c1reas de Investiga\u00e7\u00e3o Transdisciplinar &#8220;Modela\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;Mat\u00e9ria&#8221; na Universidade de Bona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. Hongsheng Zhao da Universidade de St. Andrews acrescentou: &#8220;Os nossos resultados t\u00eam grandes implica\u00e7\u00f5es para a f\u00edsica fundamental. Esperamos encontrar an\u00e3s mais perturbadas noutros enxames, uma previs\u00e3o que outras equipas poder\u00e3o verificar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.uni-bonn.de\/en\/news\/176-2022?set_language=en\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Bona (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.st-andrews.ac.uk\/archive\/study-finds-no-dark-matter-halos-in-the-dwarf-galaxies-of-one-of-earths-nearest-clusters\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de St. Andrews (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article-abstract\/515\/2\/2981\/6618002?redirectedFrom=fulltext&amp;login=false\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2208.02265\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xias an\u00e3s:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxame da Fornalha:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fornax_Cluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Modelo padr\u00e3o:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Standard_Model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MOND:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Modified_Newtonian_dynamics\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VST:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/surveytelescopes\/vst.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/VLT_Survey_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com o modelo padr\u00e3o da cosmologia, a grande maioria das gal\u00e1xias est\u00e1 rodeada por um halo de part\u00edculas de mat\u00e9ria escura. Este halo \u00e9 invis\u00edvel, mas a sua massa exerce uma forte atra\u00e7\u00e3o gravitacional sobre as gal\u00e1xias nas proximidades. 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