{"id":5268,"date":"2022-07-22T06:38:02","date_gmt":"2022-07-22T05:38:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5268"},"modified":"2022-07-22T06:38:03","modified_gmt":"2022-07-22T05:38:03","slug":"observando-pulsares-cintilantes-para-compreender-o-misterioso-plasma-interestelar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/07\/22\/observando-pulsares-cintilantes-para-compreender-o-misterioso-plasma-interestelar\/","title":{"rendered":"Observando pulsares cintilantes para compreender o misterioso plasma interestelar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pulsares &#8211; remanescentes estelares com r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o e que piscam como um farol &#8211; ocasionalmente mostram varia\u00e7\u00f5es extremas de luminosidade. Os cientistas preveem que estas pequenas explos\u00f5es de brilho acontecem porque regi\u00f5es densas de plasma interestelar (o g\u00e1s quente entre as estrelas) espalham as ondas de r\u00e1dio emitidas pelo pulsar. No entanto, ainda n\u00e3o sabemos de onde v\u00eam as fontes de energia necess\u00e1rias para formar e sustentar estas densas regi\u00f5es de plasma. Para melhor compreender estas forma\u00e7\u00f5es interestelares, precisamos de observa\u00e7\u00f5es mais detalhadas da sua estrutura em pequena escala e uma via promissora para isso est\u00e1 no cintilar dos pulsares.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1hml86Gr_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"674\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1hml86Gr_o-1024x674.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5269\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1hml86Gr_o-1024x674.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1hml86Gr_o-300x197.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1hml86Gr_o-768x505.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1hml86Gr_o-310x205.jpg 310w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1hml86Gr_o.jpg 1100w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de um pulsar.<br>Cr\u00e9dito: Carl Knox, OzGrav &#8211; Universidade de Swinburne<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando as ondas de r\u00e1dio de um pulsar s\u00e3o dispersas pelo plasma interestelar, as ondas separadas interferem e criam um padr\u00e3o de interfer\u00eancia na Terra. \u00c0 medida que a Terra, o pulsar e o plasma se movem uns em rela\u00e7\u00e3o uns aos outros, este padr\u00e3o \u00e9 observado como varia\u00e7\u00f5es de brilho no tempo e na frequ\u00eancia: o espectro din\u00e2mico. Gra\u00e7as \u00e0 natureza pontual dos sinais dos pulsares, a dispers\u00e3o e a cintila\u00e7\u00e3o ocorrem em pequenas regi\u00f5es do plasma. Ap\u00f3s o processamento especializado dos sinais do espectro din\u00e2mico, podemos observar caracter\u00edsticas parab\u00f3licas impressionantes conhecidas como arcos de cintila\u00e7\u00e3o que est\u00e3o relacionadas com a imagem da radia\u00e7\u00e3o espalhada do pulsar no c\u00e9u.<br><br>Um pulsar em particular, chamado J1603-7202, passou por uma dispers\u00e3o extrema em 2006, tornando-o um alvo excitante para a an\u00e1lise destas densas regi\u00f5es de plasma. No entanto, a trajet\u00f3ria do pulsar ainda n\u00e3o foi determinada, pois orbita outra estrela compacta chamada an\u00e3 branca numa \u00f3rbita que \u00e9 vista de face, em rela\u00e7\u00e3o ao ponto de vista da Terra, e os cientistas n\u00e3o t\u00eam m\u00e9todos alternativos para a medir nesta situa\u00e7\u00e3o. Felizmente, os arcos de cintila\u00e7\u00e3o servem um duplo prop\u00f3sito: as suas curvaturas est\u00e3o relacionadas com a velocidade do pulsar, assim como a dist\u00e2ncia ao pulsar e ao plasma. A forma como a velocidade do pulsar muda \u00e0 medida que orbita depende da orienta\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita no espa\u00e7o. Portanto, no caso do pulsar J1603-7202, os cientistas calcularam as altera\u00e7\u00f5es na curvatura dos arcos ao longo do tempo a fim de a fim de determinar a orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As medi\u00e7\u00f5es obtidas para a \u00f3rbita de J1603-7202 s\u00e3o uma melhoria significativa em compara\u00e7\u00e3o com an\u00e1lises anteriores. Isto demonstra a viabilidade da cintila\u00e7\u00e3o em complementar m\u00e9todos alternativos. Os astr\u00f3nomos mediram a dist\u00e2ncia ao plasma e mostraram que era cerca de tr\u00eas-quartos da dist\u00e2ncia ao pulsar, visto da Terra. Isto n\u00e3o parece coincidir com as posi\u00e7\u00f5es de quaisquer estrelas ou nuvens interestelares de g\u00e1s conhecidas. Os estudos de cintila\u00e7\u00e3o pulsar exploram frequentemente estruturas como esta, que de outra forma seriam invis\u00edveis. A quest\u00e3o permanece, portanto, em aberto: qual \u00e9 a fonte do plasma que dispersa a radia\u00e7\u00e3o do pulsar?<br><br>Finalmente, usando a sua medi\u00e7\u00e3o orbital, foram capazes de estimar a massa da companheira orbital de J1603-7202, que \u00e9 de cerca de metade da massa do Sol. Quando considerada juntamente com a \u00f3rbita altamente circular de J1603-7202, isto implica que a companheira \u00e9 provavelmente um remanescente estelar composto de carbono e oxig\u00e9nio &#8211; um achado mais raro em torno de um pulsar do que os remanescentes mais comuns \u00e0 base do h\u00e9lio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dado que agora os cientistas possuem um modelo quase completo da \u00f3rbita, \u00e9 agora poss\u00edvel transformar as observa\u00e7\u00f5es de cintila\u00e7\u00e3o de J1603-7202 em imagens dispersas no c\u00e9u e mapear o plasma interestelar \u00e0 escala do Sistema Solar. A cria\u00e7\u00e3o de imagens das estruturas f\u00edsicas que causam a dispers\u00e3o extrema das ondas de r\u00e1dio pode dar-nos uma melhor compreens\u00e3o de como se formam regi\u00f5es t\u00e3o densas e do papel que o plasma interestelar desempenha na evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ozgrav.org\/news\/observing-twinkling-pulsars-to-understand-mysterious-interstellar-plasma\" target=\"_blank\">\/\/ OzGrav (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2204.11077\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>J1603-7202:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=PSR%20J1603-7202\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pulsares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.atnf.csiro.au\/research\/pulsar\/psrcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo ATNF de Pulsares<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pulsares &#8211; remanescentes estelares com r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o e que piscam como um farol &#8211; ocasionalmente mostram varia\u00e7\u00f5es extremas de luminosidade. 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