{"id":5262,"date":"2022-07-19T06:15:53","date_gmt":"2022-07-19T05:15:53","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5262"},"modified":"2022-07-19T06:16:05","modified_gmt":"2022-07-19T05:16:05","slug":"policia-de-buracos-negros-descobre-buraco-negro-inativo-fora-da-nossa-galaxia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/07\/19\/policia-de-buracos-negros-descobre-buraco-negro-inativo-fora-da-nossa-galaxia\/","title":{"rendered":"&#8220;Pol\u00edcia de buracos negros&#8221; descobre buraco negro inativo fora da nossa Gal\u00e1xia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de investigadores, conhecidos por refutarem v\u00e1rias supostas descobertas de buracos negros, descobriram um buraco negro de massa estelar na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, uma gal\u00e1xia vizinha da nossa. &#8220;Pela primeira vez, a nossa equipa juntou-se para relatar a descoberta de um buraco negro, em vez de ser para refutar um,&#8221; disse o l\u00edder do estudo Tomer Shenar. Al\u00e9m disso, a equipa descobriu tamb\u00e9m que a estrela que deu origem a este buraco negro desapareceu sem deixar tra\u00e7os de uma explos\u00e3o poderosa. A descoberta foi feita gra\u00e7as a seis anos de observa\u00e7\u00f5es obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do Observat\u00f3rio Europeu do Sul (ESO).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2210a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"438\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/YZLcvLKr_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5263\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/YZLcvLKr_o.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/YZLcvLKr_o-300x188.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Esta imagem art\u00edstica mostra como \u00e9 que seria muito provavelmente o sistema bin\u00e1rio VFTS 243 se o estiv\u00e9ssemos a observar de perto. O sistema, que se situa na Nebulosa da Tar\u00e2ntula na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, \u00e9 composto por uma estrela azul quente com 25 vezes a massa do Sol e um buraco negro, que tem pelo menos nove massas solares. O tamanho das duas componentes do bin\u00e1rio n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 escala: na realidade, a estrela azul \u00e9 cerca de 200.000 vezes maior que o buraco negro. Note que o efeito de &#8220;lente&#8221; que se v\u00ea em torno do buraco negro apenas tem um objetivo ilustrativo, fazendo com que o objeto escuro se torne mais proeminente na imagem. A inclina\u00e7\u00e3o do sistema faz com que n\u00e3o consigamos ver o buraco negro a eclipsar a estrela, quando observado a partir da Terra.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Conseguimos identificar uma &#8216;agulha num palheiro'&#8221;, disse Shenar que come\u00e7ou o estudo na KU Leuven na B\u00e9lgica e \u00e9 agora bolseiro Marie-Curie na Universidade de Amesterd\u00e3o, Pa\u00edses Baixos. Apesar de terem sido propostos outros candidatos a buracos negros similares, a equipa afirma que este \u00e9 o primeiro buraco negro estelar &#8220;inativo&#8221; a ser detetado fora da nossa Gal\u00e1xia sem qualquer ambiguidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os buracos negros de massa estelar formam-se quando estrelas massivas chegam ao fim das suas vidas e colapsam sob a sua pr\u00f3pria gravidade. Num bin\u00e1rio, um sistema de duas estrelas que rodam em torno uma da outra, este processo d\u00e1 origem a um buraco negro em \u00f3rbita com uma estrela companheira luminosa. Diz-se que um buraco negro est\u00e1 inativo se n\u00e3o emite altos n\u00edveis de raios-X, sendo esta precisamente a maneira como tais buracos negros s\u00e3o tipicamente detetados. &#8220;\u00c9 impressionante n\u00e3o conhecermos quase nenhuns buracos negros inativos, dado o qu\u00e3o vulgares os astr\u00f3nomos acreditam que sejam,&#8221; explica o coautor do estudo Pablo Marchant da KU Leuven. O buraco negro agora descoberto tem, pelo menos, nove vezes a massa do nosso Sol e orbita uma estrela azul quente com 25 vezes a massa solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os buracos negros inativos s\u00e3o particularmente dif\u00edceis de detetar uma vez que n\u00e3o interagem muito com o meio que os rodeia. &#8220;J\u00e1 h\u00e1 mais de dois anos que andamos \u00e0 procura destes sistemas bin\u00e1rios com buracos negros,&#8221; diz a coautora do trabalho Julia Bodensteiner, bolseira do ESO na Alemanha. &#8220;Fiquei muito entusiasmada quando soube de VFTS 243, que \u00e9, na minha opini\u00e3o, o candidato mais convincente encontrado at\u00e9 \u00e0 data.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para encontrar VFTS 243, a equipa observou quase 1000 estrelas massivas na regi\u00e3o da Nebulosa da Tar\u00e2ntula, situada na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, procurando aquelas que podiam ter buracos negros como companheiros. Identificar estes companheiros como sendo buracos negros \u00e9 extremamente dif\u00edcil, j\u00e1 que existem muitas outras alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Como investigador que tem refutado potenciais buracos negros nos \u00faltimos anos, confesso que me senti extremamente c\u00e9tico relativamente a esta descoberta,&#8221; disse Shenar. Este ceticismo era partilhado pelo coautor Kareem El-Badry do Centro para Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian nos EUA, a quem Shenar chama o &#8220;destruidor de buracos negros&#8221;. &#8220;Quando Tomer me pediu para verificar estes resultados, eu estava com bastantes d\u00favidas. No entanto, n\u00e3o consegui encontrar nenhuma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel para os dados sem envolver um buraco negro,&#8221; explica El-Badry.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta tamb\u00e9m deu \u00e0 equipa uma vis\u00e3o \u00fanica dos processos que acompanham a forma\u00e7\u00e3o dos buracos negros. Os astr\u00f3nomos acreditam que um buraco negro de massa estelar se forma quando o n\u00facleo de uma estrela massiva moribunda colapsa, mas n\u00e3o sabem bem se este evento se faz acompanhar de uma violenta explos\u00e3o de supernova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A estrela que deu origem ao buraco negro observado em VFTS 243 parece ter colapsado completamente sem sinal algum de uma explos\u00e3o anterior,&#8221; explica Shenar. &#8220;Evid\u00eancias deste cen\u00e1rio de &#8216;colapso direto&#8217; t\u00eam vindo a aparecer recentemente, mas agora o nosso estudo mostra uma das indica\u00e7\u00f5es mais diretas deste fen\u00f3meno. Isto tem implica\u00e7\u00f5es enormes para a origem da fus\u00e3o de buracos negros no cosmos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O buraco negro em VFTS 243 foi encontrado com o aux\u00edlio de seis anos de observa\u00e7\u00f5es da Nebulosa da Tar\u00e2ntula obtidas com o instrumento FLAMES (Fibre Large Array Multi Element Spectrograph) montado no VLT do ESO.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da alcunha &#8220;pol\u00edcia de buracos negros&#8221;, a equipa encoraja o escrut\u00ednio ativo deste resultado e espera que o seu trabalho, publicado ontem na revista Nature Astronomy, permita a descoberta de outros buracos negros de massa estelar em \u00f3rbita de estrelas massivas, milhares dos quais se prev\u00eaem que existam na Via L\u00e1ctea e nas Nuvens de Magalh\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Claro que estou \u00e0 espera que outros investigadores desta \u00e1rea verifiquem a nossa an\u00e1lise cuidadosamente e tentem encontrar modelos alternativos,&#8221; conclui El-Badry. &#8220;Este \u00e9 um projeto muito interessante para se estar envolvido.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"&#039;Black Hole Police&#039; Spot Extragalactic Black Hole (ESOcast 255 Light)\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k3OO4SOj2K4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2210\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/cfa.harvard.edu\/news\/black-hole-police-discover-dormant-black-hole-outside-milky-way-galaxy\" target=\"_blank\">\/\/ Centro para Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/archives\/releases\/sciencepapers\/eso2210\/eso2210a.pdf\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (PDF)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buraco negro de massa estelar (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de investigadores, conhecidos por refutarem v\u00e1rias supostas descobertas de buracos negros, descobriram um buraco negro de massa estelar na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, uma gal\u00e1xia vizinha da nossa. &#8220;Pela primeira vez, a nossa equipa juntou-se para relatar a descoberta de um buraco negro, em vez de ser para refutar um,&#8221; disse o &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5263,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[151,1],"tags":[192,1382,107],"class_list":["post-5262","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-buracos-negros","category-telescopios-profissionais","tag-buraco-negro","tag-vfts-243","tag-vlt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5262"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5262\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5264,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5262\/revisions\/5264"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}