{"id":5250,"date":"2022-07-15T06:23:20","date_gmt":"2022-07-15T05:23:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5250"},"modified":"2022-07-15T06:23:21","modified_gmt":"2022-07-15T05:23:21","slug":"astronomos-descobrem-dois-sistemas-binarios-raros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/07\/15\/astronomos-descobrem-dois-sistemas-binarios-raros\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos descobrem dois sistemas bin\u00e1rios raros"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos identificou apenas o segundo e terceiro exemplos de um tipo raro de sistema estelar composto por duas estrelas centrais que se orbitam uma \u00e0 outra, englobadas por um disco de g\u00e1s e poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se houvesse um planeta num destes sistemas, seria como o planeta Tatooine da &#8216;Guerra das Estrelas'&#8221;, diz Michael Poon, estudante de doutoramento no Departamento de Astronomia e Astrof\u00edsica David A. Dunlap da Faculdade de Artes e Ci\u00eancias da Universidade de Toronto, um dos dois investigadores desta institui\u00e7\u00e3o de ensino ligados \u00e0 descoberta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ZlAxPNLE_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ZlAxPNLE_o-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5251\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ZlAxPNLE_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ZlAxPNLE_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ZlAxPNLE_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ZlAxPNLE_o.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o original de um disco protoplanet\u00e1rio por Sahl Rowther, et al., com estrelas bin\u00e1rias acrescentadas por Poon, et al.<br>Cr\u00e9dito: Poon, Zhu, Zanazzi, Universidade de Toronto; Sahl Rowther, et al, Universidade de Warwick<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ver\u00edamos dois s\u00f3is no c\u00e9u a orbitarem-se um ao outro. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um disco \u00e0 volta das estrelas. Imagine os an\u00e9is de Saturno, mas muito, muito maiores &#8211; com as estrelas no meio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tais discos s\u00e3o referidos como discos protoplanet\u00e1rios porque eventualmente formam fam\u00edlias de planetas como o nosso Sistema Solar. Os sistemas recentemente descobertos s\u00e3o raros porque os seus discos est\u00e3o situados num \u00e2ngulo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00f3rbitas das suas estrelas centrais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A descoberta de objetos como estes \u00e9 importante para a nossa compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria&#8221;, diz J.J. Zanazzi, p\u00f3s-doutorado do CITA (Canadian Institute for Theoretical Astrophysics) da mesma faculdade. &#8220;Os planetas nascem deles, pelo que a exist\u00eancia de discos em torno de estrelas bin\u00e1rias mostra que \u00e9 prov\u00e1vel que encontremos mais planetas a orbitar bin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;V\u00e3o tamb\u00e9m ajudar-nos a compreender se a vida pode existir num planeta que orbita uma estrela bin\u00e1ria num \u00e2ngulo devido \u00e0 forma como essa orienta\u00e7\u00e3o afeta a temperatura e outras condi\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta dos novos objetos, designados Bernhard-1 e Bernhard\u20132, foi descrita num artigo publicado dia 4 de julho na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor principal \u00e9 Wei Zhu da Universidade Tsinghua, em Pequim, antigo p\u00f3s-doutorado do CITA. Zanazzi e Poon s\u00e3o coautores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bernhard-1 e Bernhard\u20132 est\u00e3o t\u00e3o distantes que n\u00e3o conseguimos ver as suas duas estrelas centrais individualmente (tais pares estelares s\u00e3o conhecidos como estrelas bin\u00e1rias). Ao inv\u00e9s, s\u00f3 vemos um \u00fanico ponto de luz e medimos a luminosidade total do bin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores identificaram os novos objetos analisando as complexas e distintas varia\u00e7\u00f5es de luminosidade causadas pela sua geometria invulgar. Um gr\u00e1fico dessas varia\u00e7\u00f5es ao longo do tempo \u00e9 referido como uma curva de luz e as curvas de luz dos novos sistemas correspondem \u00e0s do primeiro sistema deste tipo jamais descoberto &#8211; um objeto referido como Kearns Herbst 15D (KH 15D).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As curvas de luz de Bernhard-1 e Bernhard-2 mergulham para uma fra\u00e7\u00e3o do seu brilho m\u00e1ximo &#8211; a primeira durante 112 dias a cada 192 dias; a segunda durante 20 dias a cada 62 dias. Estas quedas de brilho s\u00e3o o sinal de que uma das estrelas em cada bin\u00e1rio se est\u00e1 a mover atr\u00e1s do disco, tal como visto da Terra. Quando a estrela ressurge, a luminosidade do sistema volta ao normal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, quando os coautores compararam observa\u00e7\u00f5es recentes com dados de arquivo remontando a d\u00e9cadas atr\u00e1s, descobriram que ambos os objetos variaram em brilho durante per\u00edodos muito mais longos. A an\u00e1lise anterior de KH 15D por Poon, Zhu e Zanazzi, juntamente com o trabalho de outros investigadores, concluiu que este padr\u00e3o a longo prazo revelava que o disco e as estrelas estavam inclinados um com o outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque as estrelas bin\u00e1rias e os seus discos protoplanet\u00e1rios condensam a partir da mesma nuvem de material vasta e girat\u00f3ria, o disco encontra-se tipicamente no mesmo plano que as \u00f3rbitas das estrelas &#8211; tal como as \u00f3rbitas da maioria dos planetas e luas do nosso Sistema Solar se encontram no mesmo plano. Imagine dois patinadores art\u00edsticos, de m\u00e3os dadas, rodando um em torno do outro enquanto outros patinadores fazem um c\u00edrculo \u00e0 volta do par; todos patinam no mesmo plano da superf\u00edcie de gelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas KH 15D, Bernhard-1 e Bernhard-2 s\u00e3o raros na medida em que os seus discos circumbin\u00e1rios est\u00e3o num \u00e2ngulo em rela\u00e7\u00e3o aos planos das estrelas em \u00f3rbita. Devido a esta inclina\u00e7\u00e3o, os discos oscilam como um pi\u00e3o, um movimento referido como precess\u00e3o, \u00e0 medida que se movem entre n\u00f3s e as estrelas, fazendo com que a luz das estrelas centrais escure\u00e7a. Para KH 15D, esse ciclo de escurecimento pode demorar entre 60 e 6000 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dois tipos de varia\u00e7\u00f5es de luminosidade combinam-se para criar a assinatura de curva de luz de objetos semelhantes a KH 15D.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta de Bernhard-1 e Bernhard-2 foi feita quando Klaus Bernhard, astr\u00f3nomo amador e membro da Associa\u00e7\u00e3o Federal Alem\u00e3 para as Estrelas Vari\u00e1veis, analisou dados do ZTF (Zwicky Transient Facility). O instrumento do ZTF examina todo o c\u00e9u do hemisf\u00e9rio norte de dois em dois dias, fornecendo dados para in\u00fameros objetos ao longo de grandes per\u00edodos de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Combinando os dados, Bernhard descobriu candidatos do tipo KH 15D. Depois partilhou as suas descobertas com Poon, Zanazzi e Zhu, cuja an\u00e1lise posterior revelou Bernhard-1 e Bernhard-2.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora que os investigadores encontraram mais dois destes raros objetos celestes, est\u00e3o otimistas que mais descobertas se seguir\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ainda este m\u00eas, o Gaia divulgou os seus dados mais recentes,&#8221; diz Zanazzi acerca da miss\u00e3o espacial que tem vindo a observar mil milh\u00f5es de estrelas na via L\u00e1ctea desde o seu lan\u00e7amento em 2013. &#8220;E agora que temos este modelo para estes objetos, esperamos poder us\u00e1-lo para encontrar mais objetos a acrescentar \u00e0 lista&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos tamb\u00e9m esperan\u00e7osos de que mais observadores v\u00e3o olhar para Bernhard-1 e Bernhard-2 por per\u00edodos mais longos&#8221;, diz Poon. &#8220;Temos sorte de KH 15D ter sido observado num momento especial em que a sua orienta\u00e7\u00e3o fazia com que a luz das estrelas centrais escurecesse. Estamos confiantes de que Bernhard-1 e Bernhard-2 tamb\u00e9m existem nesta orienta\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel, pelo que ter mais observa\u00e7\u00f5es vai aumentar a nossa compreens\u00e3o destes objetos raros.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.utoronto.ca\/news\/international-team-astronomers-discovers-two-rare-binary-star-systems\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Toronto (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ac7b2d\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2206.00813\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrela bin\u00e1ria:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Binary_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>KH 15D:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/KH_15D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo DR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ZTF:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.ztf.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ipac.caltech.edu\/project\/ztf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Zwicky_Transient_Facility\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos identificou apenas o segundo e terceiro exemplos de um tipo raro de sistema estelar composto por duas estrelas centrais que se orbitam uma \u00e0 outra, englobadas por um disco de g\u00e1s e poeira. &#8220;Se houvesse um planeta num destes sistemas, seria como o planeta Tatooine da &#8216;Guerra das Estrelas&#8217;&#8221;, diz &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5251,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[1378,1379,369,311,1377,512],"class_list":["post-5250","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-bernhard-1","tag-bernhard-2","tag-estrelas-duplas","tag-gaia","tag-kh-15d","tag-ztf"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5250","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5250"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5250\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5252,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5250\/revisions\/5252"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5251"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5250"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5250"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5250"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}