{"id":5238,"date":"2022-07-12T17:57:43","date_gmt":"2022-07-12T16:57:43","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5238"},"modified":"2022-07-12T17:57:45","modified_gmt":"2022-07-12T16:57:45","slug":"alguns-planetas-distantes-tem-nuvens-de-areia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/07\/12\/alguns-planetas-distantes-tem-nuvens-de-areia\/","title":{"rendered":"Alguns planetas distantes t\u00eam nuvens de areia"},"content":{"rendered":"\n<p>Um novo estudo utilizando observa\u00e7\u00f5es de arquivo do agora aposentado Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer encontrou um tra\u00e7o comum entre mundos distantes onde se formam nuvens ex\u00f3ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das nuvens na Terra s\u00e3o feitas de \u00e1gua, mas para l\u00e1 do nosso planeta t\u00eam muitas variedades qu\u00edmicas. A parte superior da atmosfera de J\u00fapiter, por exemplo, \u00e9 coberta por nuvens de cor amarela feitas de amon\u00edaco e hidrossulfeto de am\u00f3nio. E em mundos para l\u00e1 do nosso Sistema Solar existem nuvens compostas de silicatos, a fam\u00edlia de minerais que formam rochas que constituem mais de 90% da crosta da Terra. Mas os investigadores n\u00e3o t\u00eam conseguido observar as condi\u00e7\u00f5es sob as quais estas nuvens de pequenos gr\u00e3os de poeira se formam.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/d2pn8kiwq2w21t.cloudfront.net\/original_images\/1-main-four_brown_dwarfs.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tfdH8SUn_o-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5239\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tfdH8SUn_o-1024x576.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tfdH8SUn_o-300x169.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tfdH8SUn_o-768x432.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tfdH8SUn_o.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>As an\u00e3s castanhas &#8211; objetos celestes que caem entre estrelas e planetas &#8211; s\u00e3o vistas nesta ilustra\u00e7\u00e3o com uma gama de temperaturas, desde a mais quente (esquerda) at\u00e9 \u00e0 mais fria (direita). As duas do meio representam as que se encontram na gama de temperaturas certas para a forma\u00e7\u00e3o de nuvens feitas de silicatos.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Um novo estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society fornece algumas informa\u00e7\u00f5es: a investiga\u00e7\u00e3o revela a gama de temperaturas em que as nuvens de silicato se podem formar e s\u00e3o vis\u00edveis no topo da atmosfera de um planeta distante. A descoberta foi derivada de observa\u00e7\u00f5es de an\u00e3s castanhas feitas pelo aposentado Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer da NASA &#8211; corpos celestes que n\u00e3o s\u00e3o nem estrelas nem planetas &#8211; mas enquadra-se numa compreens\u00e3o mais geral de como as atmosferas planet\u00e1rias funcionam.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A compreens\u00e3o das atmosferas das an\u00e3s castanhas e dos planetas onde se podem formar nuvens de silicato tamb\u00e9m nos pode ajudar a compreender o que ver\u00edamos na atmosfera de um planeta mais pr\u00f3ximo da Terra em termos de tamanho e temperatura,&#8221; disse Stanimir Metchev, professor de estudos exoplanet\u00e1rios da Universidade de Ont\u00e1rio Ocidental, em Londres, Canad\u00e1, e coautor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qu\u00edmica nublada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os passos para fazer qualquer tipo de nuvem s\u00e3o os mesmos. Primeiro, aquecer o ingrediente chave at\u00e9 este se tornar vapor. Nas condi\u00e7\u00f5es certas, esse ingrediente pode ser uma variedade de coisas, incluindo \u00e1gua, amon\u00edaco, sal ou enxofre. Prende-se, arrefece-se apenas o suficiente para condensar e voil\u00e0 &#8211; nuvens! Claro, a rocha vaporiza a uma temperatura muito mais alta do que a \u00e1gua, pelo que as nuvens de silicato s\u00e3o vis\u00edveis apenas em mundos quentes, tais como nas an\u00e3s castanhas utilizadas para este estudo e em alguns planetas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora se formem como estrelas, as an\u00e3s castanhas n\u00e3o s\u00e3o suficientemente massivas para dar in\u00edcio \u00e0 fus\u00e3o nuclear, o processo que as faz brilhar. Muitas an\u00e3s castanhas t\u00eam atmosferas quase indistingu\u00edveis das dos planetas dominados por g\u00e1s, tais como J\u00fapiter, pelo que podem ser usadas como substitutos desses planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes deste estudo, os dados do Spitzer j\u00e1 sugeriam a presen\u00e7a de nuvens de silicato num punhado de atmosferas de an\u00e3s castanhas (o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA vai poder confirmar estes tipos de nuvens em mundos distantes). Este trabalho foi realizado durante os primeiros seis anos da miss\u00e3o Spitzer (lan\u00e7ada em 2003), quando o telesc\u00f3pio estava a operar tr\u00eas instrumentos criogenicamente refrigerados. Em muitos casos, por\u00e9m, as evid\u00eancias de nuvens de silicato em an\u00e3s castanhas observadas pelo Spitzer eram demasiado fracas para retirar da\u00ed algo conclusivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para esta \u00faltima investiga\u00e7\u00e3o, os astr\u00f3nomos reuniram mais de 100 dessas dete\u00e7\u00f5es marginais e agruparam-nas em termos de temperatura da an\u00e3 castanha. Todas elas ca\u00edram dentro da gama de temperaturas prevista para onde as nuvens de silicato se deveriam formar: entre mais ou menos 1000\u00ba C e 1700\u00ba C. Embora as dete\u00e7\u00f5es individuais sejam marginais, juntas revelam um tra\u00e7o definitivo de nuvens de silicato.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/d2pn8kiwq2w21t.cloudfront.net\/original_images\/e-four_brown_dwarfs_on_the_stove.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/94\/da\/yuhiPARK_o.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>As nuvens de silicato s\u00e3o vis\u00edveis nas atmosferas de an\u00e3s castanhas, mas apenas quando a an\u00e3 castanha \u00e9 mais fria do que cerca de 1700 graus Celsius e mais quente do que 1000\u00ba C. Demasiado quente, e as nuvens vaporizam; demasiado frias, e transformam-se em chuva ou afundam-se mais abaixo na atmosfera.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8220;Tivemos de vasculhar os dados Spitzer para encontrar estas an\u00e3s castanhas onde havia alguma indica\u00e7\u00e3o de nuvens de silicato e n\u00e3o sab\u00edamos realmente o que ir\u00edamos encontrar&#8221;, disse Genaro Su\u00e1rez, investigador p\u00f3s-doutoral da mesma universidade e autor principal do novo estudo. &#8220;Fic\u00e1mos muito surpreendidos com o qu\u00e3o forte era a conclus\u00e3o assim que tivemos os dados certos para an\u00e1lise.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas atmosferas mais quentes do que o limite superior identificado no estudo, os silicatos continuam a ser um vapor. Abaixo do limite inferior, as nuvens transformam-se em chuva ou mergulham na atmosfera, onde a temperatura \u00e9 mais elevada.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, os investigadores pensam que existem nuvens de silicato nas profundezas da atmosfera de J\u00fapiter, onde a temperatura \u00e9 mais alta do que \u00e9 no topo devido \u00e0 press\u00e3o atmosf\u00e9rica. As nuvens de silicato n\u00e3o podem subir mais alto, porque a temperaturas mais baixas os silicatos solidificam e n\u00e3o permanecem na forma de nuvens. Se o topo da atmosfera estivesse milhares de graus mais quente, as nuvens de amon\u00edaco e hidrossulfeto de am\u00f3nio seriam vaporizadas e as nuvens de silicato poderiam potencialmente subir para o topo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas est\u00e3o a encontrar na nossa Gal\u00e1xia um n\u00famero cada vez mais variado de ambientes planet\u00e1rios. Por exemplo, encontraram planetas com um lado permanentemente virado para a sua estrela e o outro permanentemente em escurid\u00e3o &#8211; um planeta onde podem ser vis\u00edveis nuvens de composi\u00e7\u00f5es diferentes, dependendo do lado observado. Para compreender esses mundos, os astr\u00f3nomos ter\u00e3o primeiro que compreender os mecanismos comuns que os moldam.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/nasa-helps-decipher-how-some-distant-planets-have-clouds-of-sand\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.westernu.ca\/2022\/07\/sand-clouds\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Ont\u00e1rio Ocidental (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/mnras\/stac1205\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2205.00168\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>An\u00e3s castanhas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Brown_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/vision\/universe\/starsgalaxies\/brown_dwarf_detectives.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.darkstar1.co.uk\/ds3.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Andy Lloyd&#8217;s Dark Star Theory<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/spitzer\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/ssc.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Cient\u00edfico Spitzer<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spitzer_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo utilizando observa\u00e7\u00f5es de arquivo do agora aposentado Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer encontrou um tra\u00e7o comum entre mundos distantes onde se formam nuvens ex\u00f3ticas. A maioria das nuvens na Terra s\u00e3o feitas de \u00e1gua, mas para l\u00e1 do nosso planeta t\u00eam muitas variedades qu\u00edmicas. A parte superior da atmosfera de J\u00fapiter, por exemplo, \u00e9 &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5239,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,72,16,1],"tags":[292,240],"class_list":["post-5238","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-exoplanetas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-ana-castanha","tag-spitzer"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5238"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5238\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5240,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5238\/revisions\/5240"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5239"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}