{"id":5222,"date":"2022-07-05T06:21:31","date_gmt":"2022-07-05T05:21:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5222"},"modified":"2022-07-05T06:21:32","modified_gmt":"2022-07-05T05:21:32","slug":"encontro-proximo-ha-mais-de-10-000-anos-agitou-espirais-em-disco-de-acrecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/07\/05\/encontro-proximo-ha-mais-de-10-000-anos-agitou-espirais-em-disco-de-acrecao\/","title":{"rendered":"Encontro pr\u00f3ximo h\u00e1 mais de 10.000 anos &#8220;agitou&#8221; espirais em disco de acre\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de investiga\u00e7\u00e3o da China, EUA e Alemanha utilizou dados de observa\u00e7\u00e3o de alta resolu\u00e7\u00e3o do ALMA e descobriu um massivo disco de acre\u00e7\u00e3o com dois bra\u00e7os espirais em torno de uma protoestrela com 32 massas solares no Centro Gal\u00e1ctico. Este disco pode ter sido perturbado por um encontro pr\u00f3ximo com um outro objeto, levando assim \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos bra\u00e7os espirais. Esta descoberta demonstra que a forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas pode ser semelhante \u00e0 de estrelas de massa inferior atrav\u00e9s de discos de acre\u00e7\u00e3o e &#8220;flybys&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/sv21wsa2_o.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"668\" height=\"633\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/sv21wsa2_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5223\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/sv21wsa2_o.png 668w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/sv21wsa2_o-300x284.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 668px) 100vw, 668px\" \/><\/a><figcaption>Uma vis\u00e3o esquem\u00e1tica da hist\u00f3ria do disco de acre\u00e7\u00e3o e do objeto rasante (a &#8211; c). Os tr\u00eas epis\u00f3dios que come\u00e7am na parte inferior esquerda s\u00e3o instant\u00e2neos da simula\u00e7\u00e3o num\u00e9rica, capturando o sistema diretamente aquando do evento rasante, 4000 anos depois e 8000 anos depois, respetivamente. A imagem superior direita \u00e9 das observa\u00e7\u00f5es ALMA, mostrando o disco com espirais e os dois objetos \u00e0 sua volta, correspondendo ao sistema 12.000 anos ap\u00f3s o evento (d).<br>Cr\u00e9dito: Lu et al. (<a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Lu2022_main-700x933.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ver vers\u00e3o sem legendas<\/a>)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os discos de acre\u00e7\u00e3o em torno de protoestrelas, tamb\u00e9m conhecidos como &#8220;discos protoestelares&#8221;, s\u00e3o componentes essenciais na forma\u00e7\u00e3o estelar porque alimentam continuamente o g\u00e1s para as protoestrelas a partir do ambiente. Neste sentido, s\u00e3o ber\u00e7os estelares onde as estrelas nascem e evoluem. Os discos de acre\u00e7\u00e3o em torno de protoestrelas de baixa massa, do tipo solar, t\u00eam sido extensivamente estudados nas \u00faltimas d\u00e9cadas, levando a uma riqueza de avan\u00e7os observacionais e te\u00f3ricos. Para as protoestrelas massivas, especialmente as do tipo O com mais de 30 massas solares, ainda n\u00e3o \u00e9 claro se e como os discos de acre\u00e7\u00e3o desempenham um papel na sua forma\u00e7\u00e3o. Estas estrelas massivas s\u00e3o muito mais luminosas do que o Sol, com luminosidades intr\u00ednsecas at\u00e9 v\u00e1rias centenas de milhares de vezes superiores ao valor solar, o que tem um forte impacto no ambiente de toda a Gal\u00e1xia. Portanto, a compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas \u00e9 de grande import\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A uma dist\u00e2ncia de aproximadamente 26.000 anos-luz, o Centro Gal\u00e1ctico \u00e9 um ambiente \u00fanico e importante de forma\u00e7\u00e3o estelar. O objeto mais bem conhecido aqui seria sem d\u00favida o buraco negro supermassivo Sgr A*. Al\u00e9m dele, existe um reservat\u00f3rio massivo de g\u00e1s molecular denso, principalmente sob a forma de hidrog\u00e9nio molecular (H2), que \u00e9 a mat\u00e9ria-prima para a forma\u00e7\u00e3o estelar. O g\u00e1s come\u00e7ar\u00e1 a formar estrelas assim que o colapso gravitacional tenha in\u00edcio. Contudo, as observa\u00e7\u00f5es diretas das regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar em redor do Centro Gal\u00e1ctico s\u00e3o um desafio, dada a dist\u00e2ncia consider\u00e1vel e a contamina\u00e7\u00e3o por g\u00e1s em primeiro plano entre o Centro Gal\u00e1ctico e n\u00f3s. Uma resolu\u00e7\u00e3o muito alta, combinada com uma elevada sensibilidade, \u00e9 necess\u00e1ria para resolver os detalhes da forma\u00e7\u00e3o estelar nesta regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investiga\u00e7\u00e3o usou as longas observa\u00e7\u00f5es de base do ALMA para alcan\u00e7ar uma resolu\u00e7\u00e3o de 40 milissegundos de arco. Os membros disseram que \u00e9 compar\u00e1vel a observar uma bola de basebol em Osaka, a partir de T\u00f3quio (dist\u00e2ncia de cerca de 400 km). Com estas observa\u00e7\u00f5es de alta resolu\u00e7\u00e3o e sensibilidade do ALMA, a equipa descobriu um disco de acre\u00e7\u00e3o em redor do Centro Gal\u00e1ctico. O disco tem um di\u00e2metro de cerca de 4000 unidades astron\u00f3micas e est\u00e1 a rodear uma jovem estrela do tipo O com 32 massas solares. &#8220;Este sistema est\u00e1 entre as protoestrelas mais massivas com discos de acre\u00e7\u00e3o e representa a primeira imagem direta de um disco de acre\u00e7\u00e3o protoestelar no Centro Gal\u00e1ctico,&#8221; disse Qizhou Zhang, coautor e astrof\u00edsico do Centro para Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian. Esta descoberta sugere que a forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas do tipo O passa por uma fase que envolve discos de acre\u00e7\u00e3o, e tal conclus\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida para o Centro Gal\u00e1ctico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9 mais interessante \u00e9 que o disco exibe claramente dois bra\u00e7os em espiral. Tais bra\u00e7os espirais assemelham-se aos encontrados em gal\u00e1xias espirais, mas raramente s\u00e3o vistos em discos protoestelares. Os bra\u00e7os espirais podem emergir em discos de acre\u00e7\u00e3o devido \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o induzida por instabilidades gravitacionais. No entanto, o disco descoberto neste estudo \u00e9 quente e turbulento, sendo assim capaz de equilibrar a sua gravidade. A equipa detetou um objeto com cerca de tr\u00eas massas solares a cerca de 8000 UA do disco. Atrav\u00e9s de uma an\u00e1lise combinada de solu\u00e7\u00f5es anal\u00edticas e simula\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas, reproduziram um cen\u00e1rio onde um objeto voou pelo disco h\u00e1 mais de 10.000 anos e perturbou o disco, levando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos bra\u00e7os espirais. &#8220;A simula\u00e7\u00e3o num\u00e9rica coincide perfeitamente com as observa\u00e7\u00f5es ALMA. Conclu\u00edmos que os bra\u00e7os em espiral no disco s\u00e3o rel\u00edquias da passagem rasante de um objeto intruso,&#8221; disse Xing Lu, autor principal e investigador associado no Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico de Xangai da Academia Chinesa de Ci\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este achado demonstra que os discos de acre\u00e7\u00e3o nas primeiras fases evolutivas da forma\u00e7\u00e3o estelar est\u00e3o sujeitos a processos din\u00e2micos frequentes, tais como &#8220;flybys&#8221;, que influenciariam substancialmente a forma\u00e7\u00e3o de estrelas e planetas. \u00c9 interessante notar que as passagens rasantes tamb\u00e9m t\u00eam acontecido no nosso Sistema Solar. Um sistema bin\u00e1rio conhecido como Estrela de Scholz passou pelo Sistema Solar h\u00e1 cerca de 70.000 anos, provavelmente penetrando a nuvem de Oort e enviando cometas para o Sistema Solar interior. Este estudo sugere que para estrelas mais massivas, especialmente no ambiente de alta densidade estelar em redor do Centro Gal\u00e1ctico, tais &#8220;flybys&#8221; tamb\u00e9m devem ser frequentes. &#8220;A forma\u00e7\u00e3o de estrelas deve ser um processo din\u00e2mico, com muitos mist\u00e9rios ainda n\u00e3o resolvidos,&#8221; disse Xing Lu. &#8220;Com mais observa\u00e7\u00f5es de alta resolu\u00e7\u00e3o do ALMA, esperamos desembara\u00e7ar estes mist\u00e9rios da forma\u00e7\u00e3o estelar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-releases\/close-encounter-more-than-10000-years-ago-stirred-up-spirals-in-an-accretion-disk\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/alma-telescope.jp\/en\/news\/accretiondisk-202206\" target=\"_blank\">\/\/ NAOJ (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-022-01681-4\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2206.00202\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Centro Gal\u00e1ctico:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galactic_Center\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/alma-telescope.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de investiga\u00e7\u00e3o da China, EUA e Alemanha utilizou dados de observa\u00e7\u00e3o de alta resolu\u00e7\u00e3o do ALMA e descobriu um massivo disco de acre\u00e7\u00e3o com dois bra\u00e7os espirais em torno de uma protoestrela com 32 massas solares no Centro Gal\u00e1ctico. Este disco pode ter sido perturbado por um encontro pr\u00f3ximo com um outro &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5223,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1,59],"tags":[305,181,332],"class_list":["post-5222","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","category-via-lactea","tag-alma","tag-centro-galactico","tag-formacao-estelar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5222"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5222\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5224,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5222\/revisions\/5224"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}