{"id":5216,"date":"2022-07-01T06:19:55","date_gmt":"2022-07-01T05:19:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5216"},"modified":"2022-07-01T06:19:56","modified_gmt":"2022-07-01T05:19:56","slug":"rover-curiosity-faz-inventario-de-ingrediente-chave-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/07\/01\/rover-curiosity-faz-inventario-de-ingrediente-chave-da-vida\/","title":{"rendered":"Rover Curiosity faz invent\u00e1rio de ingrediente-chave da vida"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando dados do rover Curiosity da NASA, cientistas mediram pela primeira vez o carbono org\u00e2nico total &#8211; um componente chave nas mol\u00e9culas da vida &#8211; nas rochas marcianas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O carbono org\u00e2nico total \u00e9 uma das v\u00e1rias medi\u00e7\u00f5es [ou \u00edndices] que nos ajudam a compreender quanto material est\u00e1 dispon\u00edvel como mat\u00e9ria-prima para a qu\u00edmica pr\u00e9-bi\u00f3tica e potencialmente biol\u00f3gica&#8221;, disse Jennifer Stern do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. &#8220;Encontr\u00e1mos pelo menos 200 a 273 partes por milh\u00e3o de carbono org\u00e2nico. Isto \u00e9 compar\u00e1vel ou mesmo superior \u00e0 quantidade encontrada nas rochas em locais de muito pouca vida na Terra, tais como partes do Deserto do Atacama na Am\u00e9rica do Sul, e mais do que foi detetado nos meteoritos marcianos.&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/view-of-yellowknife-bay.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"315\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/yJVW53F7_o-1024x315.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5217\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/yJVW53F7_o-1024x315.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/yJVW53F7_o-300x92.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/yJVW53F7_o-768x236.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/yJVW53F7_o.jpg 1041w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>A partir de uma posi\u00e7\u00e3o na depress\u00e3o rasa &#8220;Yellowknife Bay&#8221;, o rover Curiosity da NASA utilizou a sua Mastcam (c\u00e2mara do lado direito do mastro) para obter as imagens combinadas neste panorama de diversidade geol\u00f3gica.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/MSSS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O carbono org\u00e2nico \u00e9 carbono ligado a um \u00e1tomo de hidrog\u00e9nio. \u00c9 a base das mol\u00e9culas org\u00e2nicas, que s\u00e3o criadas e utilizadas por todas as formas de vida conhecidas. No entanto, o carbono org\u00e2nico em Marte n\u00e3o prova a exist\u00eancia de vida porque tamb\u00e9m pode vir de fontes n\u00e3o vivas, tais como meteoritos e vulc\u00f5es, ou ser formado no local por rea\u00e7\u00f5es \u00e0 superf\u00edcie. O carbono org\u00e2nico j\u00e1 tinha sido encontrado anteriormente em Marte, mas as medi\u00e7\u00f5es anteriores apenas produziram informa\u00e7\u00e3o sobre determinados compostos, ou representavam medi\u00e7\u00f5es que capturam apenas uma por\u00e7\u00e3o do carbono nas rochas. A nova medi\u00e7\u00e3o indica a quantidade total de carbono org\u00e2nico nestas rochas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a superf\u00edcie de Marte seja agora in\u00f3spita para a vida, existem evid\u00eancias de que h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos o clima era mais semelhante ao da Terra, com uma atmosfera mais espessa e \u00e1gua l\u00edquida que flu\u00eda em rios e mares. Uma vez que a \u00e1gua l\u00edquida \u00e9 necess\u00e1ria para a vida tal como a entendemos, os cientistas pensam que a vida marciana, se \u00e9 que alguma vez evoluiu, poderia ter sido sustentada por ingredientes chave como o carbono org\u00e2nico, se presente em quantidades suficientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Curiosity est\u00e1 a avan\u00e7ar no campo da astrobiologia ao investigar a habitabilidade de Marte, estudando o seu clima e geologia. O rover perfurou amostras de rochas lamacentas com 3,5 mil milh\u00f5es de anos na forma\u00e7\u00e3o denominada &#8220;Yellowknife Bay&#8221; da Cratera Gale, o local de um antigo lago marciano. Este lamito na Cratera Gale foi formado como sedimento muito fino (a partir do desgaste f\u00edsico e qu\u00edmico das rochas vulc\u00e2nicas) que assentou no fundo do lago e foi enterrado. O carbono org\u00e2nico fazia parte deste material e foi incorporado no lamito. Al\u00e9m de \u00e1gua l\u00edquida e carbono org\u00e2nico, a Cratera Gale tinha outras condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias \u00e0 vida, tais como fontes de energia qu\u00edmica, baixa acidez e outros elementos essenciais para a biologia, tais como oxig\u00e9nio, azoto e enxofre. &#8220;Basicamente, este local teria oferecido um ambiente habit\u00e1vel para a vida, se \u00e9 que alguma vez esteve presente&#8221;, disse Stern, autora principal de um artigo sobre esta investiga\u00e7\u00e3o publicado dia 27 de junho na revista PNAAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/6a\/d5\/PWeqOi7F_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/6a\/d5\/PWeqOi7F_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>O rover Curiosity utilizou a sua c\u00e2mara de navega\u00e7\u00e3o esquerda para tirar esta foto da descida para uma depress\u00e3o rasa chamada &#8220;Yellowknife Bay&#8221;. Obteve a imagem no 125.\u00ba dia marciano, ou sol, da miss\u00e3o (12 de dezembro de 2012), logo ap\u00f3s ter terminado a viagem desse sol.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para fazer a medi\u00e7\u00e3o, o Curiosity entregou a amostra ao seu instrumento SAM (Sample Analysis at Mars), onde um forno aqueceu a rocha em p\u00f3 a temperaturas progressivamente mais elevadas. Esta experi\u00eancia utilizou oxig\u00e9nio e calor para converter o carbono org\u00e2nico em di\u00f3xido de carbono (CO2), cuja quantidade \u00e9 medida para obter a quantidade de carbono org\u00e2nico nas rochas. A adi\u00e7\u00e3o de oxig\u00e9nio e calor permite que as mol\u00e9culas de carbono se partam e reajam com o oxig\u00e9nio para produzir CO2. Algum carbono est\u00e1 fixado em minerais, pelo que o forno aquece a amostra a temperaturas muito elevadas para decompor esses minerais e libertar o carbono para o converter em CO2. A experi\u00eancia foi realizada em 2014, mas foram necess\u00e1rios anos de an\u00e1lise para compreender os dados e colocar os resultados no contexto de outras descobertas da miss\u00e3o na Cratera Gale. A experi\u00eancia de recursos intensivos foi realizada apenas uma vez durante os 10 anos do Curiosity em Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este processo tamb\u00e9m permitiu com que o SAM medisse as propor\u00e7\u00f5es de is\u00f3topos de carbono, o que ajuda a compreender a fonte de carbono. Os is\u00f3topos s\u00e3o vers\u00f5es de um elemento com pesos (massas) ligeiramente diferentes, devido \u00e0 presen\u00e7a de um ou mais neutr\u00f5es extra no centro (n\u00facleo) dos seus \u00e1tomos. Por exemplo, o carbono-12 tem seis neutr\u00f5es enquanto o mais pesado carbono-13 tem sete neutr\u00f5es. Uma vez que os is\u00f3topos mais pesados tendem a reagir um pouco mais lentamente do que os is\u00f3topos mais leves, o carbono da vida \u00e9 mais rico em carbono-12. &#8220;Neste caso, a composi\u00e7\u00e3o isot\u00f3pica s\u00f3 nos pode realmente dizer que parte do carbono total \u00e9 carbono org\u00e2nico e que parte \u00e9 carbono mineral&#8221;, disse Stern. &#8220;Embora a biologia n\u00e3o possa ser completamente exclu\u00edda, os is\u00f3topos tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser realmente utilizados para suportar uma origem biol\u00f3gica para este carbono, porque o intervalo de varia\u00e7\u00e3o sobrep\u00f5e-se ao carbono \u00edgneo (vulc\u00e2nico) e ao material org\u00e2nico meteor\u00edtico, que s\u00e3o muito provavelmente a fonte deste carbono org\u00e2nico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2022\/mars-total-organic-carbon\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/full\/10.1073\/pnas.2201139119\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (PNAS)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/curiosity-mars-rover-samples-ingredients-life\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/156497\/curiosity-finds-life-crucial-carbon-in-mars-rocks\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-06-nasa-curiosity-rover-key-life.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/mars-organic-compounds-found-carbon-life-nasa-study-1719554\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cratera Gale:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gale_(crater)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rover Curiosity (MSL):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/msl\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/msl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarsCuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/marscuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Curiosity_(rover)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Utilizando dados do rover Curiosity da NASA, cientistas mediram pela primeira vez o carbono org\u00e2nico total &#8211; um componente chave nas mol\u00e9culas da vida &#8211; nas rochas marcianas. &#8220;O carbono org\u00e2nico total \u00e9 uma das v\u00e1rias medi\u00e7\u00f5es [ou \u00edndices] que nos ajudam a compreender quanto material est\u00e1 dispon\u00edvel como mat\u00e9ria-prima para a qu\u00edmica pr\u00e9-bi\u00f3tica e &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5217,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[964,4,336],"class_list":["post-5216","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-cratera-gale","tag-marte","tag-rover-curiosity"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5216"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5216\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5218,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5216\/revisions\/5218"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}