{"id":5212,"date":"2022-07-01T06:17:44","date_gmt":"2022-07-01T05:17:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5212"},"modified":"2022-07-01T06:17:45","modified_gmt":"2022-07-01T05:17:45","slug":"observando-a-morte-de-uma-rara-estrela-gigante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/07\/01\/observando-a-morte-de-uma-rara-estrela-gigante\/","title":{"rendered":"Observando a morte de uma rara estrela gigante"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de astr\u00f3nomos liderada pela Universidade do Arizona criou uma imagem tridimensional e detalhada de uma estrela hipergigante moribunda. A equipa, liderada pelos investigadores Ambesh Singh e Lucy Ziurys da Universidade do Arizona, tra\u00e7ou a distribui\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00f5es e velocidades de uma variedade de mol\u00e9culas em torno de uma estrela hipergigante vermelha conhecida como VY Canis Majoris.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As suas descobertas, que apresentaram a 13 de junho no 240.\u00aa Encontro da Sociedade Astron\u00f3mica Americana em Pasadena, Calif\u00f3rnia, oferecem perspetivas a uma escala sem precedentes sobre os processos que acompanham a morta de estrelas gigantes. O trabalho foi feito com os colaboradores Robert Humphreys da Universidade de Minnesota e Anita Richards da Universidade de Manchester, no Reino Unido.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/stsci-h-p2109c-m-2000x1125.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tyAW5kiK_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5214\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tyAW5kiK_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tyAW5kiK_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tyAW5kiK_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tyAW5kiK_o.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista da estrela hipergiante vermelha VY Canis Majoris. Localizada a cerca de 3.009 anos-luz da Terra, VY Canis Majoris \u00e9 possivelmente a estrela mais massiva da Via L\u00e1ctea.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/ESA\/Hubble\/R. Humphreys, Universidade de Minnesota \/ J. Olmsted, STScI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas supergigantes extremas, conhecidas tamb\u00e9m como hipergigantes, s\u00e3o muito raras, sendo que apenas algumas conhecidas existem na Via L\u00e1ctea. Exemplos incluem Betelgeuse, a segunda estrela mais brilhante da constela\u00e7\u00e3o de Orionte, e NML Cygni, tamb\u00e9m conhecida como V1489 Cygni, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Cisne. Ao contr\u00e1rio das estrelas com massas mais baixas &#8211; que s\u00e3o mais propensas a inchar quando entram na fase de gigante vermelha, mas geralmente mant\u00eam uma forma esf\u00e9rica &#8211; as hipergigantes tendem a passar por substanciais eventos de perda de massa que formam estruturas complexas e altamente irregulares compostas por arcos, aglomerados e n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Localizada a cerca de 3009 anos-luz da Terra, VY Canis Majoris &#8211; ou VY CMa, para abreviar &#8211; \u00e9 uma estrela vari\u00e1vel pulsante na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de C\u00e3o Maior. Abrangendo entre 10.000 e 15.000 unidades astron\u00f3micas (1 unidade astron\u00f3mica, ou UA, \u00e9 a dist\u00e2ncia m\u00e9dia entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milh\u00f5es de quil\u00f3metros), VY CMa \u00e9 possivelmente a estrela mais massiva da Via L\u00e1ctea, de acordo com Ziurys.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pense nela como Betelgeuse em esteroides,&#8221; disse Ziurys, Professor Regente no Departamento de Qu\u00edmica e Bioqu\u00edmica da Universidade do Arizona e do Observat\u00f3rio Steward. &#8220;\u00c9 muito maior, muito mais massiva e sofre erup\u00e7\u00f5es gigantescas mais ou menos a cada 200 anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa optou por estudar VY CMa porque \u00e9 um dos melhores exemplos destes tipos de estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos particularmente interessados no que as estrelas hipergigantes fazem no final das suas vidas,&#8221; disse Singh, no seu 4.\u00ba ano de doutoramento e membro do laborat\u00f3rio de Ziurys. &#8220;As pessoas costumavam pensar que estas estrelas massivas simplesmente evolu\u00edam para supernovas, mas j\u00e1 n\u00e3o temos a certeza.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se assim fosse, dever\u00edamos ver muitas mais explos\u00f5es de supernova pelo c\u00e9u,&#8221; acrescentou Ziurys. &#8220;Pensamos agora que podem colapsar calmamente em buracos negros, mas n\u00e3o sabemos quais acabam assim as suas vidas, ou porque \u00e9 que isso acontece e como.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagens anteriores de VY CMa com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA e espectroscopia mostraram a presen\u00e7a de arcos distintos e outros aglomerados e n\u00f3s, muitos estendendo-se milhares de UA a partir da estrela central. Para descobrir mais detalhes dos processos pelos quais as estrelas hipergigantes terminam as suas vidas, a equipa come\u00e7ou a tra\u00e7ar certas mol\u00e9culas em torno da hipergigante e a mape\u00e1-las para imagens pr\u00e9-existentes da poeira, obtidas pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ningu\u00e9m tem sido capaz de obter uma imagem completa desta estrela,&#8221; disse Ziurys, explicando que a sua equipa se prop\u00f4s a compreender os mecanismos atrav\u00e9s dos quais a massa da estrela \u00e9 libertada, que parecem ser diferentes dos das estrelas mais pequenas que entram na sua fase gigante vermelha no final das suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o se v\u00ea esta agrad\u00e1vel e sim\u00e9trica perda de massa, mas sim c\u00e9lulas de convec\u00e7\u00e3o que &#8216;sopram&#8217; atrav\u00e9s da fotosfera da estrela como balas gigantes e ejetam massa em diferentes dire\u00e7\u00f5es,&#8221; disse Ziurys. &#8220;Estas s\u00e3o an\u00e1logas aos arcos coronais vistos no Sol, mas mil milh\u00f5es de vezes maiores.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa usou o ALMA (Atacama Large Millimeter Array) no Chile para rastrear uma variedade de mol\u00e9culas em material ejetado a partir da superf\u00edcie estelar. Enquanto algumas observa\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o em curso, foram obtidos mapas preliminares do \u00f3xido de enxofre, di\u00f3xido de enxofre, \u00f3xido de sil\u00edcio, \u00f3xido de f\u00f3sforo e cloreto de s\u00f3dio. A partir destes dados, o grupo construiu uma imagem da estrutura do fluxo global molecular de VY CMa em escalas que englobavam todo o material ejetado a partir da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As mol\u00e9culas tra\u00e7am os arcos no inv\u00f3lucro, o que nos diz que as mol\u00e9culas e a poeira est\u00e3o bem misturadas,&#8221; disse Singh. &#8220;O que \u00e9 bom nas emiss\u00f5es de mol\u00e9culas em comprimentos de onda de r\u00e1dio \u00e9 que nos fornecem informa\u00e7\u00e3o da velocidade, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 emiss\u00e3o de poeira, que \u00e9 est\u00e1tica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mover as 48 antenas do ALMA para diferentes configura\u00e7\u00f5es, os investigadores conseguiram obter informa\u00e7\u00f5es sobre as dire\u00e7\u00f5es e velocidades das mol\u00e9culas e mape\u00e1-las atrav\u00e9s das diferentes regi\u00f5es do inv\u00f3lucro da hipergigante com consider\u00e1vel detalhe, correlacionando-as mesmo com diferentes eventos de eje\u00e7\u00e3o de massa ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processamento dos dados exigiu algum &#8220;levantamento pesado&#8221; em termos de poder computacional, disse Singh.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;At\u00e9 agora, j\u00e1 process\u00e1mos quase um terabyte do ALMA e ainda recebemos dados que temos de analisar para obter a melhor resolu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel,&#8221; disse. &#8220;S\u00f3 a calibra\u00e7\u00e3o e limpeza dos dados requer at\u00e9 20.000 itera\u00e7\u00f5es, o que leva um dia ou dois para cada mol\u00e9cula.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com estas observa\u00e7\u00f5es, podemos agora coloc\u00e1-las em mapas no c\u00e9u,&#8221; disse Ziurys. &#8220;At\u00e9 agora, apenas pequenas por\u00e7\u00f5es desta enorme estrutura tinham sido estudadas, mas n\u00e3o se consegue compreender a perda de massa e como estas grandes estrelas morrem, a menos que se olhe para toda a regi\u00e3o. \u00c9 por isso que quer\u00edamos criar uma imagem completa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o financiamento da NSF (National Science Foundation), a equipa planeia publicar as suas conclus\u00f5es numa s\u00e9rie de artigos cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.arizona.edu\/story\/watching-death-rare-giant-star\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VY Canis Majoris:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.aavso.org\/vsots_vycma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AAVSO<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/13507\/what-is-the-biggest-star-in-the-universe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/VY_Canis_Majoris\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hipergigante:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hypergiant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"https:\/\/alma-telescope.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa de astr\u00f3nomos liderada pela Universidade do Arizona criou uma imagem tridimensional e detalhada de uma estrela hipergigante moribunda. 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