{"id":5206,"date":"2022-06-28T06:29:57","date_gmt":"2022-06-28T05:29:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5206"},"modified":"2022-06-28T06:29:59","modified_gmt":"2022-06-28T05:29:59","slug":"a-estrela-que-sobreviveu-a-uma-supernova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/06\/28\/a-estrela-que-sobreviveu-a-uma-supernova\/","title":{"rendered":"A estrela que sobreviveu a uma supernova"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma supernova \u00e9 a explos\u00e3o catastr\u00f3fica de uma estrela. As supernovas termonucleares, em particular, assinalam a destrui\u00e7\u00e3o completa de uma estrela an\u00e3 branca, n\u00e3o deixando nada para tr\u00e1s. Pelo menos era isso que os modelos e observa\u00e7\u00f5es sugeriam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, quando uma equipa de astr\u00f3nomos observou o local da peculiar supernova termonuclear SN 2012Z com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, ficaram chocados ao descobrir que a estrela tinha sobrevivido \u00e0 explos\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 tinha sobrevivido &#8211; a estrela era ainda mais brilhante ap\u00f3s a supernova do que tinha sido antes. O primeiro autor Curtis McCully, investigador p\u00f3s-doutorado na Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Barbara e no Observat\u00f3rio Las Cumbres, publicou estas descobertas num artigo na revista The Astrophysical Journal e apresentou-as numa confer\u00eancia de imprensa na 240.\u00aa reuni\u00e3o da Sociedade Astron\u00f3mica Americana. Os resultados intrigantes d\u00e3o-nos novas informa\u00e7\u00f5es sobre as origens de algumas das explos\u00f5es mais comuns, mas misteriosas, do Universo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/gliiMUfP_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"444\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/gliiMUfP_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5207\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/gliiMUfP_o.jpg 1000w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/gliiMUfP_o-300x133.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/gliiMUfP_o-768x341.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption>Esquerda: Imagem a cores da gal\u00e1xia NGC 1309 antes da supernova 2012Z. Direita: No sentido hor\u00e1rio a partir do canto superior direito: a posi\u00e7\u00e3o da supernova pr\u00e9-explos\u00e3o; SN 2012Z durante 2013; a diferen\u00e7a entre as imagens pr\u00e9-explos\u00e3o e as observa\u00e7\u00f5es de 2016; a localiza\u00e7\u00e3o de SN 2012Z nas \u00faltimas observa\u00e7\u00f5es de 2016.<br>Cr\u00e9dito fotogr\u00e1fico: McCully et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas supernovas termonucleares, tamb\u00e9m chamadas supernovas do Tipo Ia, s\u00e3o algumas das ferramentas mais importantes do conjunto de ferramentas dos astr\u00f3nomos para medir dist\u00e2ncias c\u00f3smicas. Com in\u00edcio em 1998, as observa\u00e7\u00f5es destas explos\u00f5es revelaram que o Universo tem vindo a expandir-se a um ritmo cada vez mais acelerado. Pensa-se que isto se deve \u00e0 energia escura, cuja descoberta ganhou o Pr\u00e9mio Nobel da F\u00edsica em 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora sejam de import\u00e2ncia vital para a astronomia, as origens das supernovas termonucleares s\u00e3o mal compreendidas. Os astr\u00f3nomos concordam que s\u00e3o a destrui\u00e7\u00e3o de estrelas an\u00e3s brancas &#8211; estrelas com aproximadamente a massa do Sol &#8220;embalada&#8221; num objeto com o tamanho da Terra. N\u00e3o se sabe com certeza o que faz com que as estrelas expludam. Uma teoria postula que a an\u00e3 branca rouba mat\u00e9ria a uma estrela companheira. Quando a an\u00e3 branca se torna demasiado massiva, as rea\u00e7\u00f5es termonucleares inflamam-se no n\u00facleo e levam a uma explos\u00e3o que destr\u00f3i a estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SN 2012Z foi um tipo estranho de explos\u00e3o termonuclear, por vezes chamada supernova do Tipo Iax. S\u00e3o as primas mais t\u00e9nues e fracas do Tipo Ia mais tradicional. Dado que s\u00e3o explos\u00f5es menos potentes e mais lentas, alguns cientistas teorizaram que s\u00e3o supernovas do Tipo Ia falhadas. As novas observa\u00e7\u00f5es confirmam esta hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2012, a supernova 2012Z foi detetada na gal\u00e1xia espiral pr\u00f3xima NGC 1309, que tinha sido estudada em profundidade e capturada em muitas imagens Hubble ao longo dos anos anteriores. Em 2013 foram obtidas novas imagens pelo Hubble, num esfor\u00e7o concertado para identificar qual das estrelas, nas imagens mais antigas, correspondia \u00e0 estrela que tinha explodido. A an\u00e1lise destes dados em 2014 foi bem-sucedida &#8211; os cientistas conseguiram identificar a estrela na posi\u00e7\u00e3o exata da supernova 2012Z. Esta foi a primeira vez que a estrela progenitora de uma supernova an\u00e3 branca foi identificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s esper\u00e1vamos ver uma de duas coisas quando obtivemos os dados mais recentes do Hubble,&#8221; disse McCully. &#8220;Ou a estrela tinha desaparecido completamente, ou talvez ainda l\u00e1 estivesse, o que significa que a estrela que vimos nas imagens pr\u00e9-explos\u00e3o n\u00e3o foi a que explodiu. Ningu\u00e9m estava \u00e0 espera de ver uma estrela sobrevivente que fosse mais brilhante. Isso foi um verdadeiro quebra-cabe\u00e7as.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">McCully e a equipa acham que a estrela semi-explodida ficou mais brilhante porque inchou at\u00e9 um estado muito maior. A supernova n\u00e3o era forte o suficiente para rebentar com todo o material, pelo que parte dela caiu de novo no que se chama de remanescente ligado. Com o tempo, eles esperam que a estrela regresse lentamente ao seu estado inicial, apenas menos massiva e maior. Paradoxalmente, para as estrelas an\u00e3s brancas, quanto menos massa tiverem, maior ser\u00e1 o seu di\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta estrela sobrevivente \u00e9 um pouco como Obi-Wan Kenobi que regressa como fantasma na &#8216;Guerra das Estrelas&#8217;,&#8221; disse o coautor Andy Howell, professor adjunto na UC Santa Barbara e cientista s\u00e9nior do Observat\u00f3rio Las Cumbres. &#8220;A natureza tentou destruir esta estrela, mas voltou mais poderosa do que pod\u00edamos imaginar. Continua a ser a mesma estrela, mas de volta sob uma forma diferente. Ela transcendeu a morte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante d\u00e9cadas os cientistas pensaram que as supernovas do Tipo Ia explodem quando uma an\u00e3 branca atinge um certo limite de tamanho, chamado limite de Chandrasekhar, cerca de 1,4 vezes a massa do Sol. Esse modelo tem ca\u00eddo um pouco em desuso nos \u00faltimos anos, uma vez que foram descobertas muitas supernovas menos massivas, e novas ideias te\u00f3ricas indicaram que existem outras coisas que as fazem explodir. Os astr\u00f3nomos n\u00e3o tinham a certeza se as estrelas alguma vez se aproximaram do limite de Chandrasekhar antes de explodirem. Os autores do estudo pensam agora que este crescimento at\u00e9 ao limite final \u00e9 exatamente o que aconteceu a SN 2012Z.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As implica\u00e7\u00f5es para as supernovas do Tipo Ia s\u00e3o profundas,&#8221; diz McCully. &#8220;Descobrimos que as supernovas pelo menos podem crescer at\u00e9 ao limite e explodir. No entanto, as explos\u00f5es s\u00e3o fracas, pelo menos em parte do tempo. Agora precisamos de compreender o que faz uma supernova falhar e tornar-se uma do Tipo Iax, e o que faz uma supernova ter sucesso e tornar-se do Tipo Ia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.news.ucsb.edu\/2022\/020668\/star-survived-supernova\" target=\"_blank\">\/\/ UC Santa Barbara (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ac3bbd\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2106.04602\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SN 2012Z:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NGC_1309#Supernova_2012Z\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NGC 1309:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NGC_1309\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tipo Ia (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova#Type_Iax\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tipo Iax (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/docs\/science\/know_l1\/supernovae.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/esahubble.org\/about\/general\/instruments\/stis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STIS<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma supernova \u00e9 a explos\u00e3o catastr\u00f3fica de uma estrela. 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