{"id":5203,"date":"2022-06-28T06:26:37","date_gmt":"2022-06-28T05:26:37","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5203"},"modified":"2022-06-28T06:26:39","modified_gmt":"2022-06-28T05:26:39","slug":"a-via-lactea-borbulhante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/06\/28\/a-via-lactea-borbulhante\/","title":{"rendered":"A Via L\u00e1ctea borbulhante"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um grupo internacional de astr\u00f3nomos, liderado por Juan Diego Soler do INAF (Instituto Nacional de Astrof\u00edsica), na It\u00e1lia, encontrou a impress\u00e3o das bolhas produzidas pela explos\u00e3o de estrelas moribundas na estrutura do g\u00e1s que permeia a nossa Gal\u00e1xia. Fizeram esta descoberta aplicando t\u00e9cnicas de intelig\u00eancia artificial aos dados do levantamento HI4PI, que fornece a mais detalhada distribui\u00e7\u00e3o do hidrog\u00e9nio at\u00f3mico na Via L\u00e1ctea at\u00e9 \u00e0 data. Os cientistas analisaram a estrutura filamentar na emiss\u00e3o do g\u00e1s hidrog\u00e9nio at\u00f3mico. Eles inferiram que esta preservava um registo dos processos din\u00e2micos induzidos pelas antigas explos\u00f5es de supernova e pela rota\u00e7\u00e3o da Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.media.inaf.it\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/immagine-combo-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"454\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/immagine-combo-scaled-1-454x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5204\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/immagine-combo-scaled-1-454x1024.jpg 454w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/immagine-combo-scaled-1-133x300.jpg 133w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/immagine-combo-scaled-1-768x1731.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/immagine-combo-scaled-1-909x2048.jpg 909w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/immagine-combo-scaled-1.jpg 1136w\" sizes=\"auto, (max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/a><figcaption>Emiss\u00e3o do hidrog\u00e9nio at\u00f3mico na dire\u00e7\u00e3o da parte exterior (os dois pain\u00e9is superiores) e interior (os dois pain\u00e9is inferiores) da Via L\u00e1ctea.<br>Cr\u00e9dito: Levantamento Hi4Pi; Levantamento Galfa-Hi; J. D. Soler\/INAF<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O hidrog\u00e9nio \u00e9 o principal componente de estrelas como o Sol. Contudo, o processo que faz com que as nuvens difusas de g\u00e1s hidrog\u00e9nio, que se espalham pela nossa Gal\u00e1xia, se juntem em nuvens densas a partir das quais as estrelas acabam por se formar, ainda n\u00e3o \u00e9 totalmente compreendido. Uma colabora\u00e7\u00e3o de astr\u00f3nomos liderada por Juan Diego Soler do INAF-IAPS (Istituto di Astrofisica e Planetologia Spaziali, um instituto de investiga\u00e7\u00e3o do INAF em Roma) e do projeto ECOgal, financiado pelo Conselho Europeu de Investiga\u00e7\u00e3o, deu agora um passo importante na compreens\u00e3o do ciclo de vida da mat\u00e9ria-prima da forma\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Soler processou dados do levantamento mais detalhado de todo o c\u00e9u da emiss\u00e3o do hidrog\u00e9nio at\u00f3mico no r\u00e1dio, o levantamento HI4PI, que se baseia em observa\u00e7\u00f5es obtidas com o radiotelesc\u00f3pio Parkes de 64 metros na Austr\u00e1lia, com o radiotelesc\u00f3pio Effelsberg de 100 metros na Alemanha e com o GBT (Robert C. Byrd Green Bank Telescope) de 110 metros nos EUA. &#8220;Estas observa\u00e7\u00f5es de arquivo da linha de emiss\u00e3o de hidrog\u00e9nio a um comprimento de onda de 21 cm cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es sobre a distribui\u00e7\u00e3o do g\u00e1s no c\u00e9u e a sua velocidade na dire\u00e7\u00e3o da observa\u00e7\u00e3o, o que, combinado com um modelo de rota\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea, indica a que dist\u00e2ncia est\u00e3o as nuvens emissoras,&#8221; indica Sergio Molinari do INAF-INAPS, investigador principal do projeto ECOgal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Emission from atomic hydrogen gas in the plane of the Milky Way\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MpHPU6IDOno?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para estudar a distribui\u00e7\u00e3o das nuvens de hidrog\u00e9nio Gal\u00e1cticas, Soler aplicou um algoritmo matem\u00e1tico frequentemente usado na inspe\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise autom\u00e1tica de imagens de sat\u00e9lite e v\u00eddeos online. Devido \u00e0 dimens\u00e3o destas observa\u00e7\u00f5es, teria sido imposs\u00edvel fazer esta an\u00e1lise a olho nu. O algoritmo revelou uma rede extensa e intricada de objetos semelhantes a fios finos ou filamentos. A maioria dos filamentos na parte interior da Via L\u00e1ctea foram encontrados a apontar para longe do disco da nossa Gal\u00e1xia. &#8220;Estes s\u00e3o provavelmente os remanescentes de m\u00faltiplas explos\u00f5es de supernova que varrem o g\u00e1s e formam bolhas que rebentam quando atingem a escala caracter\u00edstica do Plano Gal\u00e1ctico, como bolhas que chegam \u00e0 superf\u00edcie num copo de espumante,&#8221; comenta Ralf Klessen. Klessen \u00e9 tamb\u00e9m o investigador principal do projeto ECOgal, que visa compreender o nosso ecossistema gal\u00e1ctico desde o disco da Via L\u00e1ctea at\u00e9 \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de estrelas e planetas. &#8220;O facto de vermos principalmente estruturas horizontais na Via L\u00e1ctea exterior, onde h\u00e1 uma forte diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de estrelas massivas e consequentemente menos supernovas, sugere que estamos a registar a energia e o &#8216;input&#8217; de momento das estrelas que moldam o g\u00e1s na nossa Gal\u00e1xia,&#8221; complementa o astr\u00f3nomo do Centro para Astronomia da Universidade de Heidelberg na Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O meio interestelar, que \u00e9 a mat\u00e9ria e radia\u00e7\u00e3o que existe no espa\u00e7o entre as estrelas, \u00e9 regulado pela forma\u00e7\u00e3o de estrelas e supernovas, sendo estas \u00faltimas as explos\u00f5es violentas que ocorrem durante as \u00faltimas fases evolutivas de estrelas que s\u00e3o mais de dez vezes mais massivas do que o Sol,&#8221; comenta Patrick Hennebelle, que juntamente com Klessen coordena o trabalho te\u00f3rico no projeto ECOgal. &#8220;As associa\u00e7\u00f5es de supernovas s\u00e3o muito eficientes a manter a turbul\u00eancia e a levantar o g\u00e1s num disco estratificado,&#8221; esclarece o investigador do Departamento de Astronomia do CEA\/Saclay em Fran\u00e7a. &#8220;A descoberta destas estruturas filamentares no hidrog\u00e9nio at\u00f3mico \u00e9 um passo importante na compreens\u00e3o do processo respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o estelar \u00e0 escala gal\u00e1ctica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Emission by atomic hydrogen gas in the Milky Way&#039;s plane\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CsXQfjSPEto?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/zah.uni-heidelberg.de\/news\/detail\/the-bubbly-milky-way\" target=\"_blank\">\/\/ Centro para Astronomia da Universidade de Heidelberg (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.media.inaf.it\/2022\/05\/23\/bollicine-nella-via-lattea-gas-frizzante-come-spumante\/\" target=\"_blank\">\/\/ INAF (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2022\/06\/aa43334-22\/aa43334-22.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2205.10426\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Levantamento HI4PI:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.mpifr-bonn.mpg.de\/pressreleases\/2016\/13\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Max Planck para Radioastronomia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Projeto ECOgal:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ecogal.eu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Radiotelesc\u00f3pio Parkes:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.parkes.atnf.csiro.au\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CSIRO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Parkes_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Radiotelesc\u00f3pio de Effelsberg:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.mpifr-bonn.mpg.de\/8964\/effelsberg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Max Planck para Radioastronomia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Effelsberg_100-m_Radio_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GBT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/greenbankobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Green_Bank_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo internacional de astr\u00f3nomos, liderado por Juan Diego Soler do INAF (Instituto Nacional de Astrof\u00edsica), na It\u00e1lia, encontrou a impress\u00e3o das bolhas produzidas pela explos\u00e3o de estrelas moribundas na estrutura do g\u00e1s que permeia a nossa Gal\u00e1xia. 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