{"id":5165,"date":"2022-06-14T06:26:19","date_gmt":"2022-06-14T05:26:19","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5165"},"modified":"2022-06-14T06:26:20","modified_gmt":"2022-06-14T05:26:20","slug":"hubble-determina-massa-de-buraco-negro-isolado-que-vagueia-pela-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/06\/14\/hubble-determina-massa-de-buraco-negro-isolado-que-vagueia-pela-via-lactea\/","title":{"rendered":"Hubble determina massa de buraco negro isolado que vagueia pela Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"\n<p>Os astr\u00f3nomos estimam que 100 milh\u00f5es de buracos negros vagueiam entre as estrelas da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, mas nunca identificaram de forma conclusiva um buraco negro isolado. Ap\u00f3s seis anos de meticulosas observa\u00e7\u00f5es, o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA forneceu, pela primeira vez, evid\u00eancias diretas de um buraco negro isolado a vaguear pelo espa\u00e7o interestelar atrav\u00e9s de uma medi\u00e7\u00e3o precisa da massa do objeto fantasmag\u00f3rico. At\u00e9 agora, todas as massas de buracos negros t\u00eam sido inferidas estatisticamente ou atrav\u00e9s de intera\u00e7\u00f5es em sistemas bin\u00e1rios ou nos n\u00facleos de gal\u00e1xias. Os buracos negros de massa estelar s\u00e3o normalmente encontrados com estrelas companheiras, o que torna este invulgar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic2210a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/7fz0JIyw_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5166\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/7fz0JIyw_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/7fz0JIyw_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/7fz0JIyw_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/7fz0JIyw_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de um buraco negro \u00e0 deriva pela nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. O buraco negro \u00e9 o remanescente esmagado de uma enorme estrela que explodiu como uma supernova. O n\u00facleo sobrevivente tem v\u00e1rias vezes a massa do nosso Sol. O buraco negro &#8220;prende&#8221; a luz devido ao seu intenso campo gravitacional. O buraco negro distorce o espa\u00e7o \u00e0 sua volta, o qual distorce imagens de estrelas de fundo alinhadas quase diretamente atr\u00e1s dele. Este efeito de &#8220;lente&#8221; gravitacional fornece a \u00fanica evid\u00eancia indicadora da exist\u00eancia de buracos negros solit\u00e1rios que vagueiam pela nossa Gal\u00e1xia, dos quais pode haver uma popula\u00e7\u00e3o de 100 milh\u00f5es de habitantes. O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble vai \u00e0 ca\u00e7a destes buracos negros, procurando a distor\u00e7\u00e3o na luz estelar \u00e0 medida que os buracos negros se deslocam em frente das estrelas de fundo.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Hubble, DSS, Nick Risinger (skysurvey.org), N. Bartmann<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O buraco negro errante recentemente detetado encontra-se a cerca de 5000 anos-luz de dist\u00e2ncia, no bra\u00e7o espiral Carina-Sagit\u00e1rio da nossa Gal\u00e1xia. No entanto, a sua descoberta permite aos astr\u00f3nomos estimar que o buraco negro de massa estelar isolado mais pr\u00f3ximo da Terra possa estar a cerca de 80 anos-luz de dist\u00e2ncia. A estrela mais pr\u00f3xima do nosso Sistema Solar, Proxima Centauri, est\u00e1 a pouco mais de 4 anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os buracos negros que vagueiam a nossa Gal\u00e1xia nascem a partir de estrelas raras e monstruosas (que correspondem a menos de um-mil\u00e9simo da popula\u00e7\u00e3o estelar da Gal\u00e1xia) que s\u00e3o pelo menos 20 vezes mais massivas do que o nosso Sol. Estas estrelas explodem como supernovas e o n\u00facleo remanescente \u00e9 esmagado pela gravidade num buraco negro. Dado que a detona\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 perfeitamente sim\u00e9trica, o buraco negro pode &#8220;levar um pontap\u00e9&#8221; e ser impelido para a Gal\u00e1xia como uma bola de canh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os telesc\u00f3pios n\u00e3o conseguem fotografar um buraco negro err\u00e1tico porque n\u00e3o emite qualquer luz. No entanto, um buraco negro distorce o espa\u00e7o, que depois desvia e amplifica a luz estelar de qualquer coisa que momentaneamente se alinhe exatamente atr\u00e1s dele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Space Sparks Episode 16: Hubble Determines Mass of Isolated Black Hole Roaming Our Milky Way\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oEXSDXYq70I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Os telesc\u00f3pios terrestres, que monitorizam o brilho de milh\u00f5es de estrelas nos ricos campos estelares em dire\u00e7\u00e3o ao bojo central da nossa Via L\u00e1ctea, procuram um s\u00fabito aumento de brilho de uma delas quando um objeto massivo passa entre n\u00f3s e a estrela. Depois o Hubble acompanha os acontecimentos mais interessantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas equipas utilizaram dados do Hubble nas suas investiga\u00e7\u00f5es &#8211; uma liderada por Kailash Sahu do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland; e a outra por Casey Lam da Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley. Os resultados das equipas diferem ligeiramente, mas ambos sugerem a presen\u00e7a de um objeto compacto.<\/p>\n\n\n\n<p>A deforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o devido \u00e0 gravidade de um objeto em primeiro plano que passa em frente de uma estrela localizada muito atr\u00e1s dele ir\u00e1 momentaneamente curvar e ampliar a luz da estrela de fundo \u00e0 medida que este passa em frente dela. Os astr\u00f3nomos usam o fen\u00f3meno, chamado microlente gravitacional, para estudar estrelas e exoplanetas nos cerca de 30.000 eventos vistos at\u00e9 agora na nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e4\/30\/JzZjuvcd_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e4\/30\/JzZjuvcd_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esta ilustra\u00e7\u00e3o revela como a gravidade de um buraco negro distorce o espa\u00e7o e &#8220;curva&#8221; a luz de uma estrela distante atr\u00e1s dele. Um buraco negro \u00e9 o remanescente esmagado de uma estrela massiva que explodiu como uma supernova. O buraco negro &#8220;prende&#8221; a luz devido ao seu intenso campo gravitacional, pelo que n\u00e3o pode ser visto diretamente. O buraco negro distorce o espa\u00e7o \u00e0 sua volta, o qual desvia imagens de estrelas alinhadas quase diretamente atr\u00e1s dele. Isto fornece evid\u00eancias da exist\u00eancia de buracos negros solit\u00e1rios que vagueiam pela nossa Gal\u00e1xia. A luz de uma estrela de fundo \u00e9 desviada e iluminada pelo intenso campo gravitacional do buraco negro. O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble vai \u00e0 ca\u00e7a destes buracos negros, procurando desvios na luz das estrelas \u00e0 medida que o buraco negro se desloca em frente das estrelas de fundo.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, STScI, Joseph Olmsted<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A assinatura de um buraco negro em primeiro plano destaca-se como \u00fanica entre outros eventos de microlente. A gravidade muito intensa do buraco negro prolonga a dura\u00e7\u00e3o do evento de lente gravitacional por mais de 200 dias. Al\u00e9m disso, se o objeto interveniente fosse ao inv\u00e9s uma estrela em primeiro plano, isso provocaria uma mudan\u00e7a transit\u00f3ria de cor na luz estelar medida, porque a luz da estrela em primeiro plano e da estrela de fundo ficariam momentaneamente misturadas. Mas n\u00e3o foi vista nenhuma mudan\u00e7a de cor no evento do buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p>De seguida, o Hubble foi utilizado para medir a quantidade de desvio da imagem da estrela de fundo pelo buraco negro. O Hubble \u00e9 capaz da extraordin\u00e1ria precis\u00e3o necess\u00e1ria para tais medi\u00e7\u00f5es. A imagem da estrela foi desviada da sua posi\u00e7\u00e3o normal por cerca de um mil\u00e9simo de segundo de arco. Isto equivale a medir a altura de um humano adulto deitado na superf\u00edcie da Lua a partir da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta t\u00e9cnica de microlente forneceu informa\u00e7\u00f5es sobre a massa, dist\u00e2ncia e velocidade do buraco negro. A quantidade de deflex\u00e3o pela intensa distor\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o do buraco negro permitiu \u00e0 equipa de Sahu estimar que tem cerca de sete vezes a massa do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa de Lam relata um intervalo de massa ligeiramente inferior, o que significa que o objeto pode ser ou uma estrela de neutr\u00f5es ou um buraco negro. Eles estimam que a massa do objeto compacto e invis\u00edvel tem entre 1,6 e 4,4 vezes a massa do Sol. No limite superior deste intervalo, o objeto seria um buraco negro; no limite inferior, seria uma estrela de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Hubble Measures Potential Isolated Black Hole Roaming Galaxy\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eOSv-FhaDOA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Por muito que gost\u00e1ssemos de dizer que se trata definitivamente de um buraco negro, devemos reportar todas as solu\u00e7\u00f5es permitidas. Isto inclui tanto buracos negros de massa baixa como possivelmente at\u00e9 uma estrela de neutr\u00f5es&#8221;, disse Jessica Lu da equipa de Berkeley.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que quer que seja, o objeto \u00e9 o primeiro remanescente estelar escuro descoberto a vaguear pela Gal\u00e1xia, sem estar acompanhado por outra estrela&#8221;, acrescentou Lam.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta foi uma medi\u00e7\u00e3o particularmente dif\u00edcil para a equipa porque existe outra estrela brilhante que est\u00e1 extremamente pr\u00f3xima em termos de separa\u00e7\u00e3o angular da estrela de origem. &#8220;Portanto, \u00e9 como tentar medir o pequeno movimento de um pirilampo ao lado de uma l\u00e2mpada brilhante,&#8221; disse Sahu. &#8220;Tivemos de subtrair meticulosamente a luz da estrela brilhante pr\u00f3xima para medir precisamente a deflex\u00e3o da fonte fraca.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa de Sahi estima que o buraco negro isolado est\u00e1 a viajar atrav\u00e9s da Gal\u00e1xia a 160.000 km\/h (depressa o suficiente para viajar da Terra \u00e0 Lua em menos de tr\u00eas horas). \u00c9 mais r\u00e1pido do que a maioria das outras estrelas vizinhas naquela regi\u00e3o da nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic2210b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/52\/76\/x5ildbbr_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>O c\u00e9u estrelado nesta foto do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA situa-se na dire\u00e7\u00e3o do Centro Gal\u00e1ctico. A luz das estrelas \u00e9 monitorizada para ver se alguma altera\u00e7\u00e3o no seu brilho aparente \u00e9 causada por um objecto em primeiro plano \u00e0 deriva \u00e0 sua frente. A deforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o pelo intruso aumentaria momentaneamente o brilho de uma estrela de fundo, um efeito chamado de lente gravitacional. Um desses eventos \u00e9 mostrado nas quatro inser\u00e7\u00f5es de grande plano na parte inferior. A seta aponta para uma estrela que momentaneamente aumentou de brilho, como capturado pela primeira vez pelo Hubble a agosto de 2011. Isto foi causado por um buraco negro em primeiro plano \u00e0 deriva em frente da estrela, ao longo da nossa linha de vis\u00e3o. A estrela brilhou e depois desvaneceu-se de volta ao seu brilho normal, \u00e0 medida que o buraco negro passava. Como um buraco negro n\u00e3o emite ou reflete luz, n\u00e3o pode ser diretamente observado. Mas a sua impress\u00e3o digital \u00fanica no tecido do espa\u00e7o pode ser medida atrav\u00e9s destes chamados eventos de microlente. Embora se estime que 100 milh\u00f5es de buracos negros isolados percorram a nossa Gal\u00e1xia, encontrar a assinatura telesc\u00f3pica de um deles \u00e9 como procurar uma agulha num palheiro.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, K. Sahu (STScI), J. DePasquale (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8220;A microlente astrom\u00e9trica \u00e9 conceptualmente simples, mas observacionalmente muito complexa,&#8221; disse Sahu. &#8220;A t\u00e9cnica de microlente \u00e9 a \u00fanica dispon\u00edvel para identificar buracos negros isolados&#8221;. Quando o buraco negro passou em frente de uma estrela de fundo localizada a 19.000 anos-luz de dist\u00e2ncia no bojo da Via L\u00e1ctea, a luz estelar que vinha em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra foi ampliada durante 270 dias \u00e0 medida que o buraco negro passava. No entanto, foram necess\u00e1rios v\u00e1rios anos de observa\u00e7\u00f5es do Hubble para seguir como a posi\u00e7\u00e3o da estrela de fundo parecia ser defletida pela curvatura da luz pelo buraco negro em primeiro plano.<\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia de buracos negros de massa estelar \u00e9 conhecida desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, mas todas as suas medi\u00e7\u00f5es de massa &#8211; at\u00e9 agora &#8211; t\u00eam sido feitas em sistemas estelares bin\u00e1rios. O g\u00e1s da estrela companheira cai no buraco negro e \u00e9 aquecido a temperaturas t\u00e3o elevadas que emite raios-X. Cerca de duas d\u00fazias de buracos negros tiveram as suas massas medidas em bin\u00e1rios de raios-X atrav\u00e9s do efeito gravitacional que exercem nas companheiras. As estimativas de massa variam de 5 a 20 massas solares. Os buracos negros detetados noutras gal\u00e1xias gra\u00e7as \u00e0s ondas gravitacionais libertadas a partir de fus\u00f5es entre buracos negros e objetos companheiros chegaram a atingir 90 massas solares.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As dete\u00e7\u00f5es de buracos negros isolados proporcionar\u00e3o novos conhecimentos sobre a popula\u00e7\u00e3o destes objetos na Via L\u00e1ctea,&#8221; disse Sahu. Ele espera que o seu programa venha a revelar mais buracos negros isolados dentro da nossa Gal\u00e1xia. Mas \u00e9 como procurar uma agulha num palheiro. A previs\u00e3o \u00e9 que apenas um em poucas centenas de eventos de microlente sejam provocados por buracos negros isolados.<\/p>\n\n\n\n<p>No seu artigo de 1916 sobre a relatividade geral, Albert Einstein previu que a sua teoria poderia ser testada observando o desvio na posi\u00e7\u00e3o aparente de uma estrela de fundo provocado pela gravidade do Sol. Isto foi testado por uma colabora\u00e7\u00e3o liderada pelos astr\u00f3nomos Arthur Eddington e Frank Dyson durante um eclipse solar no dia 29 de maio de 1919. Eddington e colegas mediram um desvio da posi\u00e7\u00e3o de uma estrela de fundo de 2 segundos de arco, validando as teorias de Einstein. Estes cientistas dificilmente poderiam imaginar que, mais de um s\u00e9culo depois, esta mesma t\u00e9cnica seria utilizada &#8211; com um melhoramento ent\u00e3o inimagin\u00e1vel de mil vezes em termos de precis\u00e3o &#8211; para procurar buracos negros espalhados pela nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Berkeley scientists find a way to &quot;see&quot; invisible black holes\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uXlj1WYDZEg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2210\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2022\/hubble-determines-mass-of-isolated-black-hole-roaming-our-milky-way-galaxy\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2022\/news-2022-001\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.berkeley.edu\/2022\/06\/10\/astronomers-may-have-detected-a-dark-free-floating-black-hole\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.st-andrews.ac.uk\/archive\/einsteins-theory-of-relativity-reveals-lonely-black-hole\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de St. Andrews (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2201.13296\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico de Sahu et al. (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2202.01903v2\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico de Lam et al. (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buraco negro de massa estelar (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Microlentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_microlensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos estimam que 100 milh\u00f5es de buracos negros vagueiam entre as estrelas da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, mas nunca identificaram de forma conclusiva um buraco negro isolado. 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