{"id":5151,"date":"2022-06-10T06:14:30","date_gmt":"2022-06-10T05:14:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=5151"},"modified":"2022-06-10T06:21:14","modified_gmt":"2022-06-10T05:21:14","slug":"frb-estranho-levanta-novas-questoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2022\/06\/10\/frb-estranho-levanta-novas-questoes\/","title":{"rendered":"FRB estranho levanta novas quest\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos encontraram apenas o segundo exemplo de um FRB (sigla inglesa para &#8220;Fast Radio Burst&#8221;) altamente ativo com uma fonte compacta de emiss\u00e3o de r\u00e1dio mais fraca, mas persistente entre surtos. A descoberta levanta novas quest\u00f5es sobre a natureza destes misteriosos objetos e tamb\u00e9m sobre a utilidade como ferramentas para o estudo da natureza do espa\u00e7o intergal\u00e1ctico. Os cientistas utilizaram o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) e outros telesc\u00f3pios para estudar o objeto, descoberto pela primeira vez em 2019.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/nrao21df05c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SgiRLGhj_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5152\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SgiRLGhj_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SgiRLGhj_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SgiRLGhj_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SgiRLGhj_o-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SgiRLGhj_o.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de uma estrela de neutr\u00f5es com um campo magn\u00e9tico ultra-forte, chamado magnetar, que emite ondas de r\u00e1dio (vermelho). Os magnetares s\u00e3o um candidato principal para o que gera FRBs.<br>Cr\u00e9dito: Bill Saxton, NRAO\/AUI\/NSF<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objeto, chamado FRB 190520, foi encontrado pelo FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical radio Telescope) na China. Uma explos\u00e3o no objeto ocorreu no dia 20 de maio de 2019 e foi encontrada em dados desse telesc\u00f3pio em novembro desse ano. Observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento com o FAST mostraram que, ao contr\u00e1rio de muitos outros FRBs, este emite frequentes e repetidas explos\u00f5es de ondas de r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observa\u00e7\u00f5es com o VLA em 2020 assinalaram a localiza\u00e7\u00e3o do objeto e isso permitiu observa\u00e7\u00f5es no vis\u00edvel com o telesc\u00f3pio Subaru no Hawaii para mostrar que se encontra nos arredores de uma gal\u00e1xia an\u00e3 a quase 3 mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra. As observa\u00e7\u00f5es do VLA tamb\u00e9m descobriram que o objeto emite constantemente ondas de r\u00e1dio mais fracas entre surtos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas caracter\u00edsticas fazem com que este se pare\u00e7a muito com o primeiro FRB cuja posi\u00e7\u00e3o foi determinada &#8211; tamb\u00e9m pelo VLA &#8211; em 2016&#8221;, disse Casey Law do Caltech. Esse desenvolvimento foi um grande avan\u00e7o, fornecendo as primeiras informa\u00e7\u00f5es sobre o ambiente e dist\u00e2ncia de um FRB. No entanto, a sua combina\u00e7\u00e3o de explos\u00f5es repetidas e emiss\u00e3o de r\u00e1dio persistente entre explos\u00f5es, vindas de uma regi\u00e3o compacta, distinguiu o objeto de 2016, chamado FRB 121102, de todos os outros FRBs conhecidos at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Agora temos dois e isso levanta algumas quest\u00f5es importantes,&#8221; disse Law. Law faz parte de uma equipa internacional de astr\u00f3nomos que relatam as suas descobertas na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As diferen\u00e7as entre FRB 190520 e FRB 121102 e todos os outros refor\u00e7am uma possibilidade sugerida anteriormente de que podem haver dois tipos diferentes de FRBs.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ser\u00e3o os que se repetem diferentes dos que n\u00e3o o fazem? E quanto \u00e0 emiss\u00e3o persistente no r\u00e1dio &#8211; ser\u00e1 que \u00e9 comum?&#8221; disse Kshitij Aggarwal, estudante na Universidade da Virg\u00ednia Ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos sugerem que podem haver dois mecanismos diferentes que produzem FRBs ou que os objetos que os produzem podem agir de forma diferente em fases diferentes da sua evolu\u00e7\u00e3o. Os principais candidatos \u00e0s fontes de FRBs s\u00e3o as superdensas estrelas de neutr\u00f5es que restam depois de uma estrela massiva explodir como uma supernova, ou estrelas de neutr\u00f5es com campos magn\u00e9ticos ultra-fortes, chamadas magnetares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma caracter\u00edstica de FRB 190520 p\u00f5e em causa a utilidade dos FRBs como ferramentas para o estudo do material entre eles e a Terra. Os astr\u00f3nomos analisam frequentemente os efeitos do material interveniente sobre as ondas de r\u00e1dio emitidas por objetos distantes para aprenderem mais sobre esse material t\u00e9nue propriamente dito. Um desses efeitos ocorre quando as ondas de r\u00e1dio passam pelo espa\u00e7o que cont\u00e9m eletr\u00f5es livres. Nesse caso, as ondas de frequ\u00eancia mais alta viajam mais depressa do que as ondas de frequ\u00eancia mais baixa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/fd\/23\/QXryprXp_o.gif\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/fd\/23\/QXryprXp_o.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A regi\u00e3o do FRB 190520, no vis\u00edvel, com a imagem VLA do FRB a alternar entre o objeto com surto e sem surto.<br>Cr\u00e9dito: Niu, et al.; Bill Saxton, NRAO\/AUI\/NSF; CFHT<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este efeito, denominado dispers\u00e3o, pode ser medido para determinar a densidade de eletr\u00f5es no espa\u00e7o entre o objeto e a Terra, ou, caso a densidade de eletr\u00f5es seja conhecida ou assumida, fornecer uma estimativa aproximada da dist\u00e2ncia ao objeto. O efeito \u00e9 frequentemente utilizado para fazer estimativas da dist\u00e2ncia a pulsares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o funcionou para FRB 190520. Uma medi\u00e7\u00e3o independente da dist\u00e2ncia com base no desvio Doppler da luz da gal\u00e1xia provocado pela expans\u00e3o do Universo colocou a gal\u00e1xia a quase 3 mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra. No entanto, o sinal da explos\u00e3o mostra uma quantidade de dispers\u00e3o que normalmente indicaria uma dist\u00e2ncia de aproximadamente 8 a 9,5 mil milh\u00f5es de anos-luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto significa que h\u00e1 muito material perto do FRB que confundiria qualquer tentativa de o utilizar para medir o g\u00e1s entre gal\u00e1xias,&#8221; disse Aggarwal. &#8220;Se for esse o caso para outros, ent\u00e3o n\u00e3o podemos contar com a utiliza\u00e7\u00e3o de FRBs como padr\u00f5es c\u00f3smicos,&#8221; acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos especularam que FRB 190520 pode ser um &#8220;rec\u00e9m-nascido&#8221;, ainda rodeado por material denso ejetado pela explos\u00e3o da supernova que deixou para tr\u00e1s a estrela de neutr\u00f5es. \u00c0 medida que esse material eventualmente se dissipa, a dispers\u00e3o do sinal dos surtos tamb\u00e9m diminuiria. No cen\u00e1rio do &#8220;rec\u00e9m-nascido&#8221;, disseram, as explos\u00f5es repetidas tamb\u00e9m poderiam ser uma caracter\u00edstica dos FRBs mais jovens e diminuir com a idade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O campo dos FRBs est\u00e1 a mover-se muito rapidamente neste momento e novas descobertas est\u00e3o a sair mensalmente. No entanto, ainda subsistem grandes quest\u00f5es e este objeto est\u00e1 a dar-nos pistas desafiantes sobre essas quest\u00f5es,&#8221; disse Sarah Burke-Spolaor, tamb\u00e9m da Universidade da Virg\u00ednia Ocidental.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Repeating Fast Radio Burst\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/679189091?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"618\" height=\"348\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/strange-radio-burst-raises-new-questions\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-022-04755-5\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/skyandtelescope.org\/astronomy-news\/an-unusual-source-deepens-fast-radio-burst-mysteries\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sky &amp; Telescope<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/second-fast-radio-burst-discovered\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/a-new-mystery-signal-is-repeating-from-a-distant-galaxy-and-it-s-a-weird-un\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2022-06-strange-radio.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2022\/06\/220608112458.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2022\/06\/08\/world\/repeating-fast-radio-burst-detection-scn\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FRB (&#8220;Fast Radio Burst&#8221;):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fast_radio_burst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astronomy.swin.edu.au\/pulsar\/frbcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo de FRBs (Universidade Swinburne)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Magnetar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/astronomyonline.org\/Stars\/Pulsars.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstronomyOnline.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.vla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical radio Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/fast.bao.ac.cn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Five-hundred-meter_Aperture_Spherical_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos encontraram apenas o segundo exemplo de um FRB (sigla inglesa para &#8220;Fast Radio Burst&#8221;) altamente ativo com uma fonte compacta de emiss\u00e3o de r\u00e1dio mais fraca, mas persistente entre surtos. 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